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FIA WTCC | Análise 2009/1
Análise de meia temporada do WTCC
Sexta-feira, 10 de Julho de 2008, 20:00
WTCC
Farfus comemora sua vitória histórica na 100ª corrida do WTCC
Márcio Madeira da Cunha
O brasileiro Augusto Farfus teve a honra de vencer a 100ª corrida na história do Campeonato Mundial de Turismo, na 2ª prova disputada no Circuito da Boavista, cidade do Porto, e agora é o maior vencedor na história do torneio. Gabriele Tarquini foi o outro vencedor do fim de semana, e com isso chegamos ao momento de analisar a 1ª metade da temporada 2009 do mais importante campeonato de carros 'de passeio' em todo o mundo.
Um rápido balanço do 1º semestre
Este tem sido até aqui um campeonato dos mais imprevisíveis, sobretudo graças às intervenções da FIA na fórmula de paridade entre motores a gasolina e turbodiesel, com o campeonato em pleno andamento. Um típico acontecimento da era Mosley, que não faz justiça aos sérios profissionais envolvidos nesse belo campeonato.
O regulamento do WTCC sempre permitiu a opção das montadoras por um pacote de motorização turbodiesel, obedecendo, obviamente, a uma fórmula de equivalência. No entanto, quando na segunda metade de 2007 a SEAT estreou seus modelos León turbinados, logo ficou claro que estes motores apresentavam um rendimento sensivelmente superior aos carros movidos a gasolina, especialmente em função do torque muito mais avantajado. A equivalência estava errada, mas por sua vez a SEAT não tinha culpa nenhuma disso.
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SEAT e Chevrolet foram os melhores carros no Porto
Imediatamente os carros espanhois passaram a dominar a categoria, e isso se refletiu na conquista dos dois campeonatos em 2008, para pilotos e equipes. Existe, porém, essa estranha mentalidade de promover um campeonato de construtores, no qual nenhuma das marcas envolvidas tenha o direito de produzir o melhor carro. Basta que alguma delas demonstre ter alguma vantagem para que logo venha a organização promovendo novas equalizações, sem mencionar os já previstos lastros por desempenho.
O resultado prático dessas seguidas intervenções é que ao longo das sete primeiras etapas desta temporada 2009, a hierarquia entre as equipes esteve sempre sujeita a grandes flutuações. Em Curitiba a SEAT reinou absoluta, seguida de longe pela BMW, enquanto a Chevrolet não marcou nenhum ponto. Já em Puebla a SEAT seguiu na frente, porém seguida muito mais de perto pelos carros alemães. A Chevrolet continuava mal, tendo marcado apenas 1 ponto pelas mãos de Nicola Larini.
Já no Marrocos, tudo parecia diferente. Ao longo das 5 semanas sem corridas a Chevrolet havia encontrado ótimas soluções para o novo e belo modelo Cruze, ao mesmo tempo em que SEAT e BMW recebiam os lastros por suas pontuações nas primeiras etapas do ano. O resultado foram duas vitórias dos azuis, com a SEAT andando sempre perto, e a BMW relegada a terceira força.
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O Circuito da Boavista e suas belezas naturais
Entre o Marrocos e a França, uma nova alteração regulamentar voltou a pensalisar os carros da SEAT. Sem qualquer aviso prévio, e com a temporada em curso, a FIA unilateralmente (como infelizmente lhe tem sido peculiar) decidiu eliminar a taxa de tolerância variável, que alterava a pressão máxima permitida aos turbos conforme a altitude de cada pista. Com isso estima-se que os carros espanhois tenham perdido, de imediato, cerca de 25cv de potência.
Então as equipes foram para a pista de rua de Pau, na França, e o que se viu foi uma disputa equilibrada entre Chevrolet e BMW - com ligeira vantagem para a primeira -, enquanto que a SEAT confirmava as expectativas e perdia toda a sua competitividade prévia. Para que se tenha uma melhor ideia do prejuízo dos carros turbinados, em Pau os SEAT a gasolina - até então sempre muito mais lentos que os turbodiesel - andaram sempre mais rápido que seus irmãos superalimentados.
As regras foram novamente alteradas para a rodada de Valência, com a pressão dos turbos sendo fixada a 2,7 bares, sem ajustes relativos à altitude. Com isso a SEAT voltou a ser competitiva, e conseguiu os três primeiros lugares na corrida de abertura, enquanto a 2ª prova foi vencida de maneira brilhante pelo brasileiro Augusto Farfus, seguido pela também BMW de Jorg Müller, e pela SEAT de Tarquini.
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O legendário e simpático Zanardi é um dos que disputou todas as 100 corridas do WTCC
De Valência para Brno, onde pela primeira vez no ano a BMW dava mostras de ter o melhor carro da pista. A pole coube mais uma vez a Augusto Farfus, e havia bons motivos para acreditar que ele sairia da República Tcheca como líder do campeonato, uma vez que a diferença em relação ao líder Yvan Muller era de apenas 3 pontos, e vinha caindo a cada rodada.
No entanto foi justamente em Brno que Farfus cometeu seu único erro no ano, acidentando-se na largada da 1ª prova com seu companheiro Andy Priaulx. Foi um prejuízo enorme para o campeonato, pois Alessandro Zanardi e Sergio Hernández confirmaram o favoritismo dos BMW com duas vitórias no fim de semana, e Farfus saiu de lá sem nenhum ponto, contra 9 de seu grande rival Yvan Muller.
Por fim, no último fim de semana, o WTCC voltou a se reunir nas ruas históricas do Circuito da Boavista, na cidade do Porto. Nessa mesma pista, dois anos atrás, Farfus perdeu a liderança do mundial ao terminar a 1ª prova em 9º. Eu estava lá, e pude ouvir de sua própria boca que ele e o carro não tinham 'gostado' da pista. Este ano o cenário voltou a se repetir, com SEAT e Chevrolet apresentando um desempenho ligeiramente superior ao dos carros alemães.
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As comemorações em torno da 100ª corrida do WTCC começaram sérias...
Ao brasileiro restou lutar pela oitava posição na primeira corrida, vencida por Gabriele Tarquini. E então, com a inversão do grid, Farfus conseguiu sustentar a liderança e vencer na segunda prova de domingo. Foi sua segunda vitória no ano, e pela segunda vez sem contar com o melhor carro em pista.
Resumindo, a SEAT foi a melhor equipe nas duas primeiras rodadas, a 2ª no Marrocos e a 3ª em Pau. Voltou a ser a melhor em Valência, foi a 2ª em Brno, e novamente a melhor no Porto. Já a Chevrolet foi a 3ª em Curitiba e em Puebla, e a 1ª no Marrocos e em Pau. Voltou a ser a 3ª em valência e Brno, e foi a 2ª força no Porto. A BMW, enquanto isso, foi a 2ª força nas 2 primeiras rodadas, e a 3ª força no Marrocos. Voltou ao segundo posto em Pau e Valência, foi a melhor equipe em Brno, e caiu para a terceira posição em Portugal. Nota-se, portanto, que os bávaros apenas uma vez tiveram carro para vencer, e isso fica evidente na tabela de pontuação. Exceto pelo surpreendente desempenho do brasileiro Augusto Farfus.
Sempre tirando tudo do modelo 320i, já no limite de seu desenvolvimento, Augusto acumulou vitórias, pódios e bons resultados ao longo de todo o ano. Deixou de pontuar apenas na primeira corrida no Marrocos, e nas duas da República Tcheca. Em Pau - onde sempre anda muito bem - conseguiu a proeza de dois segundos lugares, a despeito da inversão do grid que o fez largar apenas em 7º na segunda prova, e sua vitória em Valência foi certamente a grande atuação indivual da temporada, até este momento.
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... e terminaram numa descontraída guerra de bolo entre os veteranos
Vitória e recordes brasileiros na centésima corrida
A segunda prova no Porto foi ainda muito especial, pois foi a largada de número 100 na existência do Campeonato Mundial de Turismo. Para o Brasil uma alegria ainda maior, pois a vitória histórica coube a Augusto Farfus. E nada poderia ser mais justo, se considerarmos que nas estatísticas dessas 100 corridas o brasileiro aparece como recordista isolado de vitórias (11/100), Pole positions (9/50) e voltas lideradas (155). Augusto ainda é o segundo colocado no índice de voltas mais rápidas (13/100), com apenas uma a menos que seu companheiro de BMW Jörg Müller.
São feitos impressionantes e dignos de destaque, de um grande talento brasileiro ainda pouco conhecido do público nacional. Augusto vem sendo, e não é de hoje, o piloto mais rápido do principal campeonato de carros de turismo em todo o mundo. Definitivamente isso não é pouca coisa...
“Eu quero dedicar esta vitória a todo o pessoal da BMW na fábrica em Munique, todos aqui e ao BMW Team Germany. Estou feliz por vencer a corrida, e por ela ser a 100ª. Nós sabíamos que não éramos os mais velozes em linha reta aqui, então largar na frente na segunda corrida foi uma grande ajuda, e o carro esteve fantástico. Quando você inicia uma temporada você sempre quer vencer o campeonato e nós vamos para Brands Hatch ver quantos pontos conseguimos marcar", declarou o brasileiro.
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Farfus é o recordista de vitórias, poles e voltas na liderança no WTCC
Semana cheia de notícias
Paralelamente às comemorações da centésima corrida, o WTCC também viveu uma semana cheia de novidades importantes. Primeiro, foi anunciado que a partir de 2011 a categoria correrá com um motor padronizado, colocando fim às discussões sobre as equalizações externas. Não deixa de ser um retrocesso, uma vez que um campeonato mundial com marcas oficias envolvidas não deveria fazer este tipo de restrição. Todavia, diante do cenário atual, no qual todo sinal de competência é imediatamente punido com mudanças de regulamento no meio do jogo, essa não deixa de ser uma saída no mínimo menos hipócrita.
Também foi anunciado o calendário 2010 do campeonato, com algumas modificações importantes. Curitiba mais uma vez terá a honra de iniciar a temporada, no dia 07 de março. Em seguida estão confirmadas as escalas no México e no Marrocos, como na temporada atual. As diferenças ficam por conta da saída de Pau, trocada pela pista de Zolder, na Bélgica, e em Portugal, onde o habitual revezamento entre o Circuito da Boavista e o autódromo do Estoril ganham agora a presença da nova e moderníssima pista do Algarve, que receberá a primeira visita do WTCC no dia 04 de julho do ano que vem. O restante das pistas já são habituais no calendário, com a temporada mais uma vez terminando nas tradicionais ruas de Macau, no dia 21 de novembro.
Por fim, também é importante destacar a estreia no novo modelo Priora, da Lada, pelas mãos do experiente e rápido piloto James Thompson, recém-contratado pela fábrica russa. Thompson assumirá o lugar de Viktor Shapovalov, que agora ficará encarregado apenas das funções administrativas da equipe.
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O novo Lada Priora, fazendo sua estreia à frente do antigo modelo 110
Em sua primeira aparição, o modelo Priora já andou na maior parte do tempo à frente de seu antecessor, o modelo 110. Ainda assim é de se esperar uma rápida evolução nas próximas rodadas, também graças á contratação do experiente engenheiro Marco Calovalo, que irá trabalhar diretamente com Thompson. Além disso, em mais uma mudança de regras, a FIA decidiu retirar 20kg de lastro do novo carro, diante dos tempos de volta obtidos por Thompson no Porto.
Confira o resultado da 1ª corrida no Porto
1) Gabriele Tarquini (SEAT), 1h04min11s274
2) Rob Huff (Chevrolet), + 2.934
3) Yvan Muller (SEAT), + 7.848
4) Tiago Monteiro (SEAT), + 8.472
5) Nicola Larini (Chevrolet), + 15.790
6) Jordi Gené (SEAT), + 16.192
7) Rickard Rydell (SEAT), + 16.640
8) Augusto Farfus (BMW), + 16.975
9) Andy Priaulx (BMW), + 17.791
10) Stefano D'Aste (BMW), + 18.216
11) Jorg Müller (BMW), + 19.149
12) Alex Zanardi (BMW), + 19.442
13) Tom Coronel (SEAT), + 33.010
14) Félix Porteiro (BMW), + 42.995
15) Tom Boardman (SEAT), + 54.702
16) Diego Puyo (SEAT), + 54.931
17) Kristian Poulsen (BMW), + 55.277
18) James Thompson (Lada), + 55.742
19) Kirill Ladygin (Lada), + 1:11.955
20) Franz Engstler (BMW), + 1 volta
Melhor volta: Tarquini, 2:11.154
Confira o resultado da 2ª corrida no Porto
1) Augusto Farfus (BMW), 47min48s304
2) Yvan Muller (SEAT), + 2.295
3) Rickard Rydell (SEAT), + 2.810
4) Jordi Gené (SEAT), + 3.385
5) Tiago Monteiro (SEAT), + 3.970
6) Robert Huff (Chevrolet), + 4.219
7) Andy Priaulx (BMW), + 4.583
8) Jorg Müller (BMW), + 5.064
9) Stefano D'Aste (BMW), + 6.428
10) Alex Zanardi (BMW), + 7.584
11) Franz Engstler (BMW), + 9.201
12) Tom Coronel (SEAT), + 13.290
13) Félix Porteiro (BMW), + 15.272
14) Diego Puyo (SEAT), + 17.706
15) James Thompson (Lada), + 22.964
16) Kristian Poulsen (BMW), + 53.730
17) Kirill Ladygin (Lada), + 1 volta
Melhor volta: Augusto Farfus, 2:11.045
Confira a classificação do campeonato após 14 corridas:
1) Yvan Muller (SEAT), 80;
2) Gabriele Tarquini (SEAT), 66;
3) Augusto Farfus (BMW), 65;
4) Rickard Rydell (SEAT), 46;
5) Robert Huff (Chevrolet), 43;
6) Jörg Müller (BMW), 42;
7) Andy Priaulx (BMW), 38;
8) Jordi Gené (SEAT), 32
9) Tiago Monteiro (SEAT), 31
10) Sergio Hernádez (BMW), 29
O WTCC volta a se reunir na tradicional pista de Brands Hatch, nos dias 18 e 19 de julho.
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