FIA WTCC | Etapa Puebla, México
SEAT vence mais duas, mas Farfus já é 3º no campeonato
Quarta-feira, 25 de Março de 2008, 10:03
WTCC
A vantagem parece ter diminuído, mas os belos SEATs ainda dão as cartas no WTCC
Márcio Madeira da Cunha
Deu a lógica. Na altitude de Puebla, no México, mais uma vez os motores turbodiesel da SEAT tiveram suas virtudes potencializadas, e novamente asseguraram duas vitórias. A novidade, porém, foi a dura resistência oferecida pelos principais pilotos da BMW. O brasileiro Augusto Farfus foi o mais rápido nos treinos, largou na pole e somou 13 pontos na rodada, assumindo assim uma brava terceira colocação no mundial – à frente de nada menos do que três SEATs. Confira agora todos os detalhes da segunda rodada do Campeonato Mundial de Carros de Turismo em 2009.
Foi uma grata surpresa para os amantes de um bom espetáculo automobilístico. Numa pista ainda mais elevada em relação ao nível do mar do que Curitiba, esperava-se que o domínio dos SEAT fosse ainda acentuado do que aquele visto na rodada inaugural, aqui no Brasil. Todavia, o traçado ‘truncado’ da pista mexicana premiou o celebrado equilíbrio do chassi BMW, dando condições para que o brasileiro Augusto Farfus e o tricampeão Andy Priaulx pudessem compor, nessa ordem, a primeira fila.
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Farfus e Priaulx comemoram a inesperada primeira fila da BMW
“A pista melhorou muito em relação aos anos anteriores, e isso nos ajudou bastante. Também trabalhamos muito duro na busca pelo melhor acerto, mas eu jamais esperei me colocar na pole aqui. Meu objetivo real era o de ficar entre os 10 primeiros e disputar a Q2,” declarou o brasileiro.
A pole de Farfus pode ser considerada uma surpresa, mas não foi uma novidade. Longe disso, afinal esta foi a sétima pole de Augusto no WTCC, fazendo dele o recordista absoluto neste quesito. A rigor, poucos no Brasil se dão conta disso, mas a verdade é que já há alguns anos o Brasil tem um dos pilotos mais rápidos do mundo em carros de Turismo. E não só de Turismo, se lembrarmos que Farfus venceu o mesmo campeonato de Fórmula 3000 Europeu, que apenas dois anos antes havia consagrado Felipe Massa.
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Rápido e consistente, Farfus tem sido a maior ameaça ao domínio da SEAT em 2009
A presença dos BMW na primeira fila era promessa de muitas emoções, uma vez que na totalidade de uma volta os carros alemães e espanhois mostravam-se igualmente rápidos, mas nas curtas retas a vantagem era toda da SEAT. Como a primeira largada de cada fim de semana é feita de forma lançada – com os carros já em movimento – a pressão da armada da SEAT deveria ser imensa no início.
E de fato foi mesmo. Houve muitos toques mais ou menos fortes entre os líderes ao longo das primeiras curvas, e Augusto teve que lançar mão de muitos recursos para não perder a liderança já na reta de largada. O brasileiro mascarou até o último momento o instante em que iria dar motor, e com isso conseguiu uma vantagem mínima para tomar a primeira curva ainda na liderança.
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As largadas foram sempre momentos de muita tensão
A disputa era bastante viril, e quem melhor se saiu nela entre os SEATs foi o sueco Rickard Rydell. Tendo largada em quarto, Rydell superou ainda na primeira volta seu próprio companheiro Tarquini, e depois os BMWs de Priaulx e Farfus. A ultrapassagem sobre o brasileiro, na entrada da 12ª curva, foi conseguida a partir de um toque bastante perceptível pela tevê. Parece ter havido algum exagero no apetite de Rydell nessas disputas, uma vez que o próprio piloto declarou saber que suas chances residiam nas primeiras duas voltas. De qualquer forma, ninguém reclamou, nem nenhuma punição foi cogitada.
A partir de então Farfus manteve-se sempre embutido no SEAT do sueco, enquanto Andy Priaulx sofria toda a enorme pressão da esquadra espanhola. Funcionando como um verdadeiro zagueiro, Priaulx deu uma aula de direção e permitiu que os dois líderes escapassem na ponta da corrida.
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Farfus não deu descanso a Rydell na primeira corrida
A briga era terrível pela terceira colocação, e numa certa altura o atual campeão Yvan Muller forçou sua passagem sobre o inglês da BMW. A partir de então ficou claro que de fato os SEAT não teriam ritmo para enfrentar os BMW de Farfus e Priaulx, uma vez que os dois líderes mantinham-se 5 segundos à frente, e Muller não conseguia em nenhum momento se ver livre do tricampeão da BMW.
Por fim Priaulx fez valer seus três títulos mundiais e recuperou a terceira colocação num misto de precisão e força, iniciando uma forte perseguição aos dois líderes nas voltas finais. Logo à frente Rydell já não conseguia imprimir um ritmo tão forte, enquanto Augusto sofria com um superaquecimento de seu motor. Na última volta Priaulx finalmente encostou nos líderes, obrigando o brasileiro a um bocado de manobras defensivas, que no fim valeram-lhe uma importante segunda colocação.
Completaram os oito primeiros o atual campeão Yvan Muller (SEAT), o alemão Jorg Muller (BMW), Gabriele Tarquini (SEAT), Jordi Gené (SEAT), e Nicola Larini, marcando o primeiro ponto do novo Chevrolet Cruze. Os demais pilotos da equipe americana tiveram que abandonar com problemas de suspensão.
A famigerada inversão do grid terminava por gerar a perspectiva de mais uma largada agitada na segunda corrida, uma vez que tanto o Chevrolet Cruze de Larini quanto os SEATs de Gené, Tarquini, Muller e Rydell são carros de tração dianteira. E, pelas regras, a segunda largada de cada fim de semana é feita com os carros parados, como na Fórmula 1. vantagem, portanto, para a tração traseira dos BMWs.
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O belo Chevrolet Cruze enfrentou muitos problemas de suspensão no México
Como já era esperado, Nicola Larini não teve condições de se manter à frente, e foi logo superado pelos SEATs. Jorg Muller e Andy Priaulx também partiram bem, enquanto Farfus curiosamente chegou a perder posições, antes de iniciar sua escalada pelo pelotão.
A corrida voltou a ter muitos toques, levando vários pilotos a escaparem da pista. O principal destes momentos envolveu o então segundo colocado Jorg Müller, e Gabriele Tarquini, que vinha logo atrás. Na parte norte do traçado o italiano forçou uma ultrapassagem demasiadamente otimista, resultando na exclusão de ambos da lista dos que pontuaram. Após a prova a direção decidiu punir Tarquini com 30 segundos no tempo de prova, e com 10 posições no grid da próxima corrida. Todavia, a punição no grid permanecerá suspensa, para o caso do piloto voltar a se comportar de maneira considerada culpada ao longo das 3 próximas etapas.
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Jorg Müller e a dura vida de piloto
No fim o vencedor acabou sendo o ‘gordinho’ e muito talentoso campeão Yvan Muller, seguido sempre de perto pelo tricampeão Andy Priaulx. Richard Rydell completou o pódio, alcançando a incrível marca de 4 pódios em 4 corridas até aqui disputadas. O sueco lidera o mundial, ao lado de seu companheiro Yvan Muller.
“Tive que suar bastante hoje, porque estou um pouco acima do peso, um pouco velho demais, por causa da altitude, e principalmente porque Andy (Priaulx) não me deu a menor folga durante a prova”, declarou Yvan Muller após a vitória na segunda prova. “Eu tive que estar 200% focado, pois se cometesse o menor erro Andy teria aproveitado a oportunidade. Eu realmente tive que pilotar no meu melhor, e até além”, encerrou o atual campeão, e líder do mundial.
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Os Ladas completaram a segunda corrida sem quaisquer problemas.
Logo atrás dos três primeiros chegou Augusto Farfus, numa corrida de muita consistência, após ter largado mal. Com o resultado o brasileiro assumiu a terceira colocação no campeonato, e é certamente o grande destaque do ano até aqui, conseguindo se colocar à frente de 3 carros tubodiesel.
Entre os competidores independentes, Feliz Porteiro voltou a vencer as duas provas, apesar de ter perdido oito colocações num toque na primeira corrida. O bom piloto espanhol além disso classificou-se entre os oito primeiros no grid de largada, e vem dando mostras de que a conquista do título deste ano, caso não surja nenhuma grande novidade, será uma mera formalidade.
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É belo este esporte a motor, não?
A próxima etapa do WTCC acontece no dia 3 de maio, nas ruas de Marraquesh. Uma pista ao nível do mar, na qual os principais pontuadores já terão de enfrentar as adversidades do lastro extra.
Confira o resultado da corrida 1 em Puebla
1) Rickard Rydell (SEAT) 26min40s728
2) Augusto Farfus (BMW) + 1.508
3) Andy Priaulx (BMW) + 1.986
4) Yvan Muller (SEAT) + 4.620
5) Jorg Müller (BMW) + 5.717
6) Gabriele Tarquini (SEAT) + 9.473
7) Jordi Gené (SEAT) + 19.399
8) Nicola Larini (Chevrolet) + 22.794
9) Sergio Hernández (BMW) + 24.725
10) Félix Porteiro (BMW) + 25.990
11) Tiago Monteiro (SEAT) + 28.400
12) Stefano D'Aste (BMW) + 30.289
13) Alex Zanardi (BMW) + 33.765
14) Franz Engstler (BMW) + 33.952
15) Tom Coronel (SEAT) + 34.302
16) Tom Boardman (SEAT) + 45.954
17) Jaap van Lagen (Lada) + 46.557
18) Kirill Ladygin (Lada) + 57.945
19) Viktor Shapovalov (Lada) + 3 voltas
Volta mais rápida: Priaulx 1:38.076
Confira o resultado da corrida 2 em Puebla
1) Yvan Muller (SEAT) 26min41s014
2) Andy Priaulx (BMW) + 0.459
3) Rickard Rydell (SEAT) + 1.240
4) Augusto Farfus (BMW) + 1.973
5) Sergio Hernández (BMW) + 5.819
6) Alex Zanardi (BMW) + 6.281
7) Jordi Gené (SEAT) + 11.755
8) Félix Porteiro (BMW) + 15.513
9) Nicola Larini (Chevrolet) + 16.593
10) Franz Engstler (BMW) + 21.037
11) Alain Menu (Chevrolet) + 22.795
12) Jorg Müller (BMW) + 22.987
13) Robert Huff (Chevrolet) + 23.644
14) Tom Coronel (SEAT) + 24.218
15) Stefano D'Aste (BMW) + 25.331
16) Jaap van Lagen (Lada) + 39.330
17) George Tanev (BMW) + 39.790
18) Viktor Shapovalov (Lada) + 44.302
19) Kirill Ladygin (Lada) + 48.976
20) Tom Boardman (SEAT) + 2 voltas
21) Gabriele Tarquini (SEAT) excluído
Volta mais rápida: Jorg Müller 1:38.287
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