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FIA WTCC | Etapa Curitiba, Brasil
SEAT confirma o favoritismo com vitórias de Muller e Tarquini
Segunda-feira, 09 de Março de 2008, 20:52
WTCC
Cena comum em Curitiba: os SEATs em formação, aproveitando vácuo uns dos outros
Márcio Madeira da Cunha, direto de Curitiba
O domínio da SEAT nas qualificações também foi visto na pista neste domingo (08) em Curitiba. Os carros espanhóis faturaram as duas corridas, a primeira com o campeão Yvan Muller e a segunda com o veterano Gabriele Tarquini, em excelente desempenho sob chuva. Ambos são os primeiros líderes do campeonato. Confira um pouco mais sobre o que aconteceu na primeira etapa do WTCC, nesta cobertura especial.
Cobrir uma corrida deveria significar mais do que apenas dar seu resultado, ou narrar aquilo que se pode ver pela televisão. É importante que o veículo possa informar sobre os bastidores, o contexto, de forma a explicar os resultados. E em relação a isso, o fato da temporada do WTCC começar aqui no Brasil representa um grande privilégio jornalístico.
Muito mais do que as corridas em si, Curitiba representa a melhor possibilidade de avaliar em que patamar competitivo está começando o Campeonato Mundial. As informações estão ali, na pista, nas equipes, com os pilotos. Pensando nisso o ULTIMAVOLTA realizou mais de 50 entrevistas ao longo dos 3 dias de competição, e publica agora este especial, explicando os resultados do domingo, e dividindo com os leitores tudo o que os pilotos puderam antever para o restante da temporada.
A começar ainda pelo treino de classificação. Com apenas 10 minutos disponíveis para os dez melhores classificados disputarem a pole, Augusto Farfus permaneceu nos boxes até o último momento possível para que pudesse dar uma única volta rápida. Algum problema, ou apenas uma tática calculada? “Foi tática. Até havia tempo para duas tentativas, mas eu poderia ser selecionado para a pesagem, e nesse caso perderia a segunda tentativa, com a pista mais emborrachada. A partir de Puebla (2ª etapa) a organização deverá anunciar previamente a lista dos selecionados, para que não haja mais esse risco, e cada um possa traçar sua estratégia,” explicou o piloto brasileiro.
WTCC
Gabriele Tarquini fez excelente exibição na água que caiu na 2ª prova: bela vitória
No domingo (8) pela manhã o domínio dos SEAT parecia ser algo restrito aos treinos. No warm up a BMW ditou o ritmo, dando a entender que o celebrado equilíbrio do carro alemão pudesse compensar um pouco o déficit de torque em relação aos carros espanhois, quando a disputa fosse mais longa e envolvesse questões como o consumo dos pneus. De um lado, os pilotos da SEAT insistiam que o domínio na qualificação se devia à tática de equipe, com os carros sempre andando em formação.
Yvan Muller, atual campeão e pole em Curitiba, disse ao UV que não entendia o comportamento dos BMW. “Hoje no warm up eles foram tão rápidos quanto nós, não existe essa diferença de desempenho que as pessoas dizem. Eu não entendo por que eles não utilizaram a tática do vácuo. Acredito que eles tenham cometido um erro de estratégia.” Farfus desmentiu veementemente. “Eles (pilotos da SEAT) podem controlar a pressão do turbo de dentro do carro, então eles só andam quando precisam, porque há penalidades previstas para quando existe uma grande diferença de desempenho. E nos treinos eles eram 7 km/h mais velozes do que nós no fim das retas.”
Já para Jorg Müller, companheiro de Farfus, o maior problema em relação aos SEATs nem era tanto a velocidade final, e sim as saídas de curva, graças ao imenso torque do motor turbodiesel. E foi Robert Huff, da Chevrolet, quem chamou a atenção para um detalhe fundamental: os carros da SEAT perderam um pouco da potência, mas melhoraram muito em equilíbrio. Para ele, inclusive, os espanhois já possuem os carros mais equilibrados do grid, embora Tiago Monteiro afirme que ainda há muita tendência a sair de frente. Resignado, o tricampeão Andy Priaulx resumiu a coisa com uma simplicidade concreta: “O que estamos falando aqui é sobre equalizar motores aspirados a gasolina com motores turbinados movidos a diesel. São tecnologias e comportamentos completamente diferentes, curvas de torque e potência muito diversas. Não é algo que se resolva com lastros ou limitações no turbo...”, apontou.
Jorg Müller chamou a atenção para outro ponto importante. “Nosso carro (BMW) já é antigo, e já o conhecemos muito bem. Seu equilíbrio é perfeito, e já não temos mais onde melhorá-lo.” Uma situação um tanto paradoxal, pois pode ser boa e má ao mesmo tempo. De um lado é fácil encontrar o melhor equilíbrio do carro, mas de outro já não há mais espaço para evoluções.
Uma situação oposta, por exemplo, à da Chevrolet, e até mesmo à da Lada. Huff afirmou que antes de Curitiba o novo Cruze não havia percorrido mais do que 5 voltas seguidas com qualquer um dos pilotos em qualquer pista. E ainda assim, apenas com as informações colhidas pela telemetria e pelos pilotos já no Brasil, os carros azuis andaram sempre muito próximos dos BMWs. É de se esperar que muito em breve eles possam inclusive liderar a briga pela segunda posição entre as equipes.
WTCC
Um strike na largada da corrida 1 tirou três carros da prova
Já a Lada deve continuar disputando as últimas colocações, ao menos até a etapa portuguesa, quando o velho modelo 110 deverá ser substituído pelo Priora, que contará com 20 cavalos a mais no motor, segundo apurou a jornalista Elaine Felchacka, do portal Terra. Os russos, aliás, seguem na contramão da maioria das montadoras. Diante da crise financeira mundial, enquanto a maioria das fabricantes consideram se afastar das pistas, a Lada viu a chance de conseguir uma boa e barata publicidade. Um exemplo certamente a ser seguido, e valorizado.
Na primeira corrida, com as 5 primeiras posições do grid ocupadas por pilotos da SEAT, apenas o carro de Tiago Monteiro teve problemas. Na largada lançada os pilotos da SEAT fizeram valer o pacto de proteção, segundo o qual um piloto só tenta uma manobra de ultrapassagem quando já tem o carro um pouco à frente. O carro de segurança liderou o pelotão por três voltas logo em seguida, graças a um acidente envolvendo o piloto Stefano D’Aste.
Na relargada, Farfus acusou o pole Muller de ter feito um brake test na entrada da reta, para conseguir acelerar antes e conservar a liderança. Com isso o brasileiro acabou sendo superado por Nicola Larini (Chevrolet) e Tiago Monteiro, que mais tarde viriam a ser punidos. A manobra havia sido realizada antes da linha de chegada. Farfus, porém, considerou a punição injusta. “A culpa na manobra foi do Yvan Muller, que freou na entrada da reta. Ele deveria ter sido o primeiro a ser punido”.
Após o reinício os carros espanhóis jamais foram ameaçados, e o atual campeão conseguiu começar 2009 exatamente como havia feito em 2008. “Espero também terminar da mesma forma”, brincou. Augusto Farfus terminou na sexta colocação, mas acabou herdando o quinto posto com a punição a Larini.
Márcio Madeira da Cunha/ULTIMAVoLTA.com
Jorg Müller, como bom alemão, se entrega à tentação de uma cervejinha depois da prova
Entre a primeira e a segunda corridas o tempo virou. Uma forte tempestade começou a se aproximar da pista, e era visível a agitação entre pilotos e equipes. O que eles prefeririam: seco ou molhado?
- “Tanto faz, é igual para todo mundo”, respondeu Jorg Müller, que estava prestes a fazer uma corrida brilhante.
- “De qualquer jeito eu não tenho escolha”, respondeu o fatalista Andy Priaulx.
- “Nem uma nem outra”, respondeu com humor resignado um desanimado Alessandro Zanardi, após mais uma etapa com dificuldades de rendimento.
- “Te respondo mais tarde”, falou Farfus. E respondeu mesmo. “Na verdade estávamos esperando a chuva para depois da corrida, e por isso o acerto de meu carro foi pensado em função de pista seca. Além disso, por terem tração dianteira, os SEAT rendem melhor sob chuva”.
De fato, a segunda prova foi (mais) um massacre da montadora ibérica. Gabriele Tarquini fez uma corrida inspiradíssima – embora Farfus o tenha acusado de mais uma vez ter forçado uma ultrapassagem através de toques. Num determinado momento o italiano conseguiu superar os dois BMWs de Félix Porteiro e Sergio Hernández ao mesmo tempo. Os dois espanhóis, aliás, não falaram a mesma língua durante a prova. Depois de terem trocado de equipe e (categoria, enfre oficiais e independentes) ao fim do ano passado, os dois ainda se tocaram durante a corrida. Culpa maior de Porteiro, prejuízo maior de Hernández. Após a prova os dois discutiram no melhor estilo ‘sangue quente’, embora não tenham chegado às vias de fato.
Márcio Madeira da Cunha/ULTIMAVoLTA.com
Alessandro Zanardi não correu bem, mas sempre distribuiu simpatia pelo paddock
Ajustados para pista seca, os BMWs não puderam se defender do ataque dos SEAT. Mais uma vez os amarelos fizeram as 4 primeiras posições, com Tarquini, Jordi Gené, Rickard Rydell e Yvan Muller. O melhor BMW da corrida foi o de Jorg Müller, que largou entre os últimos e escalou o pelotão até a quinta colocação. Farfus lutou muito para ser o sexto, e levar 7 pontos dessa primeira rodada dupla.
E então, o que esperar do campeonato?
“Bom, a temporada é muito longa, restam ainda 22 corridas, 220 pontos em jogo. Mas com certeza a vantagem dos SEAT é bem maior do que se esperava. E a coisa só deve começar a mudar a partir do Marrocos (3ª etapa), quando os SEAT ganharem os lastros pelos pontos conquistados, e a gente for para o nível do mar,” opinou Farfus.
Yvan Muller concordou. “Sim, começamos muito melhor do que esperávamos. Mas acho que isso se ficou a dever mais à estratégia e à cooperação de nosso time (SEAT) do que ao desempenho de nossos carros. Nas retas os BMWs foram tão velozes quanto nós”, disse o francês. Bom, não foram tão velozes não. E no fim das contas, mesmo com todo o jogo de esconde e mostra, Curitiba deu um tom bastante nítido do que se deve esperar do WTCC em 2009.
O ULTIMAVOLTA estará empenhado em seguir esta linha analítica ao longo de toda a temporada, mantendo contato direto com os pilotos Augusto Farfus, Tiago Monteiro, Gabriele Tarquini e Nicola Larini. Com essas fontes após cada rodada, esperamos ter condições de passar aos leitores o máximo possível de informações de bastidores sobre este tão importante, e ainda tão pouco conhecido Campeonato Mundial de Carros de Turismo.
WTCC
A chuva resultou em belas imagens, mesmo que não tão agradáveis para os pilotos...
Confira o resultado da 1ª prova em Curitiba:
1) Yvan Muller (SEAT), 16 voltas em 26min45s799
2) Jordi Gené (SEAT), + 2.098
3) Rickard Rydell (SEAT), + 2.880
4) Gabriele Tarquini (SEAT), + 3.501
5) Nicola Larini (Chevrolet), + 7.183
6) Augusto Farfus (BMW), + 7.766
7) Sergio Hernandez (BMW), + 8.152
8) Tiago Monteiro (SEAT), + 8.767
9) Andy Priaulx (BMW), + 12.128
10) Felix Porteiro (BMW, i), + 13.441
11) Tom Coronel (SEAT, i), + 15.971
12) Alex Zanardi (BMW), + 16.105
13) Tom Boardman (SEAT, i), + 16.990
14) Frank Engstler (BMW, i), + 20.829
15) Jaap van Lagen (Lada), + 24.116
16) George Tanev (BMW, i), + 24.868
17) Viktor Shapovalov (Lada), + 26.339
18) Kirill Ladygin (Lada), + 27.540
19) Jorg Müller (BMW), + 5 voltas
Confira o resultado da 2ª prova em Curitiba:
1) Gabriele Tarquini (SEAT), 16 voltas em 27:44.649
2) Rickard Rydell (SEAT), + 0.810
3) Jordi Gené (SEAT), + 5.869
4) Yvan Muller (SEAT), + 7.157
5) Jorg Müller (BMW), + 9.916
6) Augusto Farfus (BMW), + 11.759
7) Felix Porteiro (BMW, i), + 13.721
8) Tom Coronel (SEAT, i), + 14.216
9) Andy Priaulx (BMW), + 17.682
10) Sergio Hernandez (BMW), + 18.144
11) Alain Menu (Chevrolet), + 19.046
12) Tiago Monteiro (SEAT), + 23.097
13) Rob Huff (Chevrolet), + 23.376
14) Alex Zanardi (BMW), + 27.315
15) Nicola Larini (Chevrolet), + 27.694
16) Frank Engstler (BMW, i), + 29.859
17) Jaap van Lagen (Lada), + 34.424
18) Kristian Poulsen (BMW, i), + 35.860
19) Tom Boardman (SEAT, i), + 36.601
20) Stefano D'Aste (BMW, i), + 36.992
21) George Tanev (BMW, i), + 48.908
22) Kirill Ladygin (Lada), + 49.709
23) Viktor Shapovalov (Lada), + 1:13.069
A próxima etapa do WTCC será disputada no autódromo de Puebla, México, em 22 de Março.
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