Fórmula Truck | Etapa de Goiânia

Cirino e Geraldo fazem dobradinha
no retorno de Goiânia

Segunda-feira, 06 de Junho de 2011

Orlei Silva/Fórmula Truck

Cirino, 1º, e Geraldo, 2º, repetiram a dobradinha de Jacarepaguá, só que invertidos

Lucas Giavoni

Beneficiados pelo problema de freios do favorito Roberval Andrade (Scania), Wellington Cirino e Geraldo Piquet ultrapassaram o piloto do Corinthians – que acabaria apenas em 9º - para fazer a dobradinha da ABF Mercedes na etapa de Goiânia, que voltou a fazer parte do calendário após reforma. Régis Boéssio (Mercedes) ficou com o 3º lugar – melhor resultado na Truck -, seguido por Hisgué Benavides (Volkswagen) e do sempre agressivo Leandro Totti, que completou o pódio com o outro caminhão da ABF com freios pegando fogo.

Adalberto Jardim (VW), que foi criticado por má conduta por Pedro Muffato (Scania), foi 6º. Fred Marinelli (Iveco), ausente na última etapa, e Danilo Dirani (Ford), passaram Roberval na última volta para ficarem em 7º e 8º, respectivamente. E Roberval ficou a apenas 78 milésimos de também ser superado por João Maistro (Volvo), que acabou em 10º.

Ainda dentro dos pontos, Beto Monteiro (Iveco) chegou em 11º depois de ter um pneu traseiro furado. Débora Rodrigues (VW) foi 13ª, entre a dupla da Volvo, André Marques e o argentino Luiz Pucci, que também havia se ausentado na etapa passada, em Caruaru. Correndo em casa e com o apoio da torcida local, Zé Maria e Leandro Reis, da equipe goiana Flamengo/Original, não tiveram sorte. Sofreram vários problemas e acabaram a prova sem pontuar.

Favoritismo frustrado

Domínio de todos os treinos livres. Pole incontestável e começo avassalador, cravando a volta mais rápida da corrida logo na 2ª passagem, com tempo pelo menos 1,8s melhor que a concorrência poderia fazer no restante da corrida. Mesmo com todos estes elementos, não seria o franco favorito Roberval Andrade a receber por primeiro a quadriculada. Por sinal, longe disso – o piloto que defende as cores do Corinthians acabou apenas em 9º lugar. Evidentemente, o desenrolar da corrida mostraria esse desfecho frustrante para Roberval – ao mesmo tempo consagrador para Cirino, Geraldo e a ABF.

Além do começo fortíssimo de Roberval no baixar da bandeira verde, destaque para boa largada de Felipe Giaffone (Volkswagen), que ganhou a posição de Geraldo Piquet na arrancada e quase passou o 2º colocado, Wellington Cirino, por fora na primeira curva, em manobra ousada. Leandro Reis (Scania) também foi ousado e passou Régis Boéssio pela 6ª posição no miolo.

O pelotão logo atrás não ficou devendo em movimentação. Pedro Muffato (Scania) saiu da pista e justificou o passeio forçado na terra por três toques de Adalberto Jardim, que além de custarem posições, romperam uma mangueira de água, superaquecendo o motor. Difícil saber se foi Muffato ou o motor que ficou mais quente, já que ele perderia 5 voltas nos boxes para consertar o estrago. Débora Rodrigues também saiu da pista, com uma rodada, e Paulo Salustiano (Iveco), que largou em 9º, foi o primeiro a entrar nos boxes, com um pneu furado e avarias que forçaram também o primeiro abandono.

Enquanto Roberval já mostrava um desempenho que sobrava, abrindo 2,8s em apenas duas voltas, Cirino mantinha-se à frente de Giaffone e Geraldo. Hisgué, 5º, já passou a receber pressão de Reis, que, entretanto, mostrava uma fumaça branca saindo da traseira de seu Scania, sinal de que algo não estava bem. E não estava mesmo: ele entrou nos boxes na volta 7 com pane elétrica, dando adeus às chances de pontos. Duas voltas antes, seu tio, chefe e companheiro Zé Maria havia estourado a velocidade no radar, apenas para confirmar um fim de semana negativo para o time Flamengo/Original ‘jogando’ em casa.

Já a partir da 3ª volta, Roberval flagrantemente diminuiu o ritmo, visando poupar equipamento apenas a ponto de manter-se na liderança. Geraldo, por seu lado, passou ao ataque e na entrada da volta 8, usou a potência para superar Giaffone na tomada da primeira curva. O único detalhe é que o filho de Nelson Piquet deixou uma brecha para que Felipe pudesse retrucar na curva seguinte, ao fazer linda manobra de retardo de freada. Ousado, preciso e inesperado. Uma bela reconquista de posição. A briga no pelotão dianteiro finalmente esquentava.

Geraldo entrou na volta seguinte disposto a não ser surpreendido, e desta vez conseguiu uma ultrapassagem limpa e indefensável, ganhando de vez a terceira posição, 3s atrás de Cirino e 4,1s atrás do líder Roberval. Quase ao mesmo tempo, Hisgué hesitou e perdeu a 5ª posição para Boéssio, para também ser superado por Beto Monteiro quase ao mesmo tempo. Esta ordem de pontuadores – Roberval, Cirino, Geraldo, Giaffone e Boéssio – seria a receber a bandeira amarela programada, na volta 11.

A relargada veio na volta 12. Cirino tentou o bote para pegar a liderança, mas não conseguiu. Totti, que estava em 7º, queimou o radar e o cumprimento de um drive-thru o fez cair para 14º. Algumas voltas depois, aquela impressão de que Roberval estava poupando foi aos poucos sumindo, para tornar-se pressão real por parte de Cirino a partir do giro 16. Os freios de Roberval começaram a falhar e ele passaria a abusar das reduções de marcha para reduzir a velocidade – segundo ele relataria, o motor aguentou bem a exigência.

Por mais que o caminhão continuasse na pista, o desempenho há muito não era o mesmo. Roberval resistiu até a abertura da volta 19, quando Cirino conseguiu tomar à frente na primeira curva. Geraldo aproveitou o momentum e também superou o Scania para formar a dobradinha da Mercedes. Poucos segundos antes, Giaffone, que andava em 4º, entrou nos boxes com problemas em seu Volks, dando adeus a uma colocação nos pontos.

Roberval continuou caindo. Perdeu posições para Boéssio e Beto Monteiro na volta 23, e depois para Hisgué, que havia jogado pesado com Danilo Dirani na disputa pelo 6º lugar, fazendo o piloto da Ford sair da pista e perder posições. Beto Monteiro também estava com problemas e selou os integrantes do pódio: um dos pneus traseiros furou a apenas três voltas do fim, e não havia como segurar a 4ª posição. Cirino recebeu a bandeirada 5s à frente de Geraldo, que livrava mais de 15s para Boéssio. Hisgué fechou a prova a 28s do vencedor e Totti, a 33s.

Orlei Silva/Fórmula Truck

O pódio de Goiânia: Hisgué, Geraldo, o vencedor Cirino, Boéssio e Totti

Confira o resultado da prova de Goiânia

1) [6] Wellington Cirino (ABF Mercedes), 30 voltas em 1h01min20s598
2) [3] Geraldo Piquet (ABF Mercedes), + 5.245
3) [83] Régis Boéssio (Boéssio Mercedes), + 20.808
4) [2] Valmir Benavides (RM Volkswagen), + 28.377
5) [73] Leandro Totti (ABF Mercedes-Benz), + 33.175
6) [23] Adalberto Jardim (AJ5 Volkswagen), + 34.678
7) [50] Fred Marinelli (Marinelli Iveco), + 39.469
8) [70] Danilo Dirani (DF Ford Racing), + 40.060
9) [1] Roberval Andrade (Corinthians Scania), + 41.156
10) [14] João Maistro (Girho’s Volvo), + 41.235
11) [88] Beto Monteiro (Scuderia Iveco), + 45.780
12) [77] André Marques (TNT Volvo), + 46.042
13) [7] Débora Rodrigues (RM Volkswagen), + 1:28.748
14) [32] Luiz Pucci (TNT Volvo), + 1:30.030
15) [12] Zé Maria Reis (Flamengo/Original Scania), + 1:47.828
16) [11] Diumar Bueno (Bueno Volvo), + 1 volta
17) [9] Renato Martins (RM Volkswagen), + 2 voltas
18) [99] Luiz Lopes (Corinthians Scania), + 2 voltas
19) [4] Felipe Giaffone (RM Volkswagen), + 3 voltas
20) [20] Pedro Muffato (Muffatão Scania), + 5 voltas

21) [71] Cristina Rosito (DF Ford Racing), + 21 voltas
22) [45] Leandro Reis (Flamengo/Original Scania), + 23 voltas
23) [55] Paulo Salustiano (Scuderia Iveco), + 29 voltas

Volta mais rápida: Roberval, 1:46.558 (2ª)


A próxima etapa da Truck será pelo Campeonato Sul-Americano. É a etapa de São Paulo, em Interlagos, dia 3 de Julho. São esperadas mais de 50 mil pessoas para assistir os caminhões e mais uma etapa da Top Race, a Stock argentina.