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Fórmula Truck | Etapa Rio de Janeiro
Favoritos quebram e Geraldo Piquet vence no adeus de Jacarepaguá
Segunda-feira, 04 de Abril de 2011, 12:44
Orlei Silva/Fórmula Truck
A ABF comemora a dobradinha do novo Mercedes Axor: Geraldo em 1º, Cirino em 2º
Lucas Giavoni
Em nome do pai. Na última prova disputada pela Fórmula Truck no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, uma surpreendente vitória do filho Geraldo Piquet (Mercedes). Wellington Cirino completou a dobradinha da ABF Mercedes sem embreagem, seguido por três surpresas no podium: João Maistro (Volvo), Régis Boéssio (Mercedes) e Beto Monteiro (Iveco), que largou dos boxes. A etapa foi de muitas quebras, principalmente entre os pilotos do primeiro pelotão.
Leandro Totti (Mercedes) foi o 6º colocado, seguido por André Marques (Volvo), que apresentou bom desempenho. O 8º foi Pedro Muffato (Scania), último do grid e que ficou com o câmbio travado em 6ª marcha na segunda metade da prova. Os novatos Luiz Pucci (Volvo) e Luiz Lopes (Scania) completaram a lista dos 10 melhores do dia.
Ainda dentro da pontuação final ficaram a também novata Cristina Rosito (Ford), o renovado Diumar Bueno (Volvo), o ‘flamenguista’ Leandro Reis (Scania) e Débora Rodrigues (VW), que nem ao menos completou a corrida, ficando pelo caminho 8 voltas antes da bandeirada.
Muitas quebras até o desfecho
Orlei Silva/Fórmula Truck
O pole Giaffone largou bem, mas não conseguiu liderar nem a 1ª volta: cardan quebrado
A etapa do Rio ficou marcada pelos abandonos, sobretudo dos pilotos favoritos - três deles quebraram enquanto eram líderes da corrida. As desistências começaram mesmo antes da bandeira verde, quando o Ford de Adalberto Jardim ficou parado na volta de apresentação. Beto Monteiro também teve um problema e abriu mão da sua 10ª posição no grid para largar dos boxes.
Quando a bandeira verde foi agitada na reta oposta, por questões de segurança, o pole Felipe Giaffone (VW) fez a primeira curva à frente de Roberval Andrade (Scania). Em seguida, Wellingon Cirino, Hisgué Benavides (VW) e Renato Martins (VW), que tomou a 5ª posição de Danilo Dirani (Ford). A liderança de Giaffone, contudo, não durou nem uma volta inteira. Assim que os primeiros colocados surgiram na reta dos boxes, Felipe já estava com o cardan quebrado, deixando a liderança para Roberval.
Hisgué, promovido a 3º, atacou Cirino e conseguiu ultrapassagem na volta 4. Quase ao mesmo tempo, Renato Martins rodou e foi parar no fundo do pelotão, enquanto Zé Maria Reis, em 11º, decepcionava a torcida do Flamengo ao entrar nos boxes com seu Scania rubro-negro para abandonar.
Orlei Silva/Fórmula Truck
Cirino ficou sem embreagem no começo; Geraldo começou tímido para vencer no fim
Na volta 5, subitamente, Cirino perde desempenho e cai de 3º para 6º, ultrapassado por Dirani, Leandro Reis – no outro Scania do Flamengo – e André Marques (Volvo), que começava a se destacar. Era a embreagem, que tinha quebrado, obrigando o tetracampeão a mudar as marchas só de ‘orelha’. Seu companheiro Geraldo, que tinha largado em 6º, caiu para 7º e permaneceu na mesma posição nas voltas iniciais.
Precisaria apenas mais uma volta para um novo abandono e novas mudanças de posição. Hisgué, que estava alcançando o líder Roberval, tirando mais de 1,2s na volta anterior, também sofreu problemas na reta dos boxes e ficou pelo caminho, sendo substituído no 2º lugar por Dirani. Em seguida vinham Leandro Reis, Marques e Cirino.
Assim que os pilotos cruzaram a nona volta, Reis rodou, envolto em muita fumaça. Houve a necessidade de intervenção do Pace Truck. O piloto rumou para os boxes para abandonar, mas teve um consolo mínimo: o fato aconteceu justamente na entrada do período da bandeira amarela programada, fazendo valer seu 3º lugar. A ordem dos pontuadores foi Roberval, Dirani, Reis, Marques e Cirino.
Orlei Silva/Fórmula Truck
Onde há fumaça, há... abandono: Roberval não deu sorte com a pintura roxa do Corinthians
A relargada, na volta 10, teve Marques a herdar em definitivo a 3ª posição, seguido sempre por Cirino e Geraldo. Mas o piloto da Volvo não conseguiu manter-se no posto e caiu muito de rendimento, sendo superado na volta 12 pelos os dois Mercedes. Nos giros seguintes, ele cairia ainda mais, passando a ser o 12º colocado, na volta 15. O piloto da Volvo teve que remar muito para recuperar-se e chegar em 7º.
Na disputa pela liderança, havia algo no ar incomodando tanto Roberval quanto Dirani: Era uma fumaça branca que partia do caminhão do líder. Havia preocupação na equipe do Corinthians e indignação de Djalma Fogaça, chefe da Ford Racing – o ex-piloto reclamava que óleo estava sendo jogado em Dirani.
Na volta 17, Geraldo ultrapassou o colega Cirino, sem imaginar que esse movimento lhe traria a vitória. Isso porque a fumaça que Roberval soltava transformou-se em estouro de turbo, forçando o abandono do líder na abertura da 20ª passagem. O caminho estaria livre para Dirani conquistar sua 1ª vitória na Truck, com uma vantagem na pista de quase 10s. Mas ele também seria traído por uma falha mecânica e abandonou três giros depois, aos prantos, nos boxes da Ford, sendo consolado por Fogaça.
Orlei Silva/Fórmula Truck
Dirani tinha quase 10s de vantagem quando abandonou - toda a Ford ficou inconsolável
Geraldo caminhou como líder até a bandeirada, na volta 31, não sem antes receber pressão de um Cirino há muito sem embreagem nas voltas finais – os dois cruzaram separados por menos de meio segundo. João Maistro já estava em 3º e fechou a prova 1,3s atrás de Cirino, conquistando seu melhor resultado na Truck. O mesmo para Régis Boéssio e seu 4º lugar. E Beto Monteiro teve tempo de completar o podium, 0,6s atrás do único caminhão ‘cara longa’ do grid.
“Ganhar aqui, no autódromo com o nome do meu pai é sempre bom, ainda mais se for mesmo a última corrida”, destacou Geraldo. “Mais uma para coleção, porque é a 4ª que ganho e o autódromo fecha!”, completou o filho de Nelson, arrancando risadas.
Por mais que tente sempre se levar no bom humor, como é o caso de Geraldo, é fato que o autódromo vai ser fechado. E destruído.
Orlei Silva/Fórmula Truck
O podium do Rio: Boéssio, Cirino, Piquet, Maistro e Monteiro
O fim... definitivo e amargo
Depois de ser maltratado, mutilado e destruído em doses homeopáticas em nome de políticas duvidosas de incentivo ao esporte, Jacarepaguá finalmente vai descansar em paz. O hoje arremedo de autódromo – bem longe de seus melhores dias, apesar do bom público que a Truck trouxe - será destruído no fim do ano para abrigar um complexo esportivo a ser usado nas Olimpíadas de 2016 do Rio de Janeiro.
A profunda falta de consideração com o desporto automobilístico, ligada a interesses espúrios de empresários, dirigentes, políticos e outras esferas inferiores, já havia levado Jacarepaguá a uma mutilação em 2007 quando um pedaço da curva Norte simplesmente foi riscado para a construção da Arena Multi-Uso dos jogos Pan-Americanos – que mesmo nova, vai ser reformada.
Com as obras do Pan, o circuito, que há muito não recebia o devido cuidado, ficou com metade de sua extensão inutilizável. Para solucionar esse problema, criaram – de modo bem malfeito - uma curva de “atalho” entre a reta principal e a reta dos boxes, reduzindo os originais 4.932m para ridículos 3.037m.
Arquivo
A F1 representou o auge de Jacarepaguá, com provas de 1978 a 1989
Além dessa arena, apelidada por alguns como “Arena Inútil-Uso”, usada no Pan 2007 e para coisa alguma desde então (exceto por um show do cantor Roberto Carlos), foi também erguido o complexo aquático Maria Lenk, que homenageia uma das maiores nadadoras que o Brasil já teve. A homenagem, infelizmente, vai acabar como a que deram a Nelson Piquet. Isso porque o complexo, além de também estar às moscas, terá que ser totalmente destruído por não atender os requisitos olímpicos. Um show de incompetência de planejamento, aliado ao terrível desperdício de dinheiro público. No entorno do autódromo, o complexo de beisebol e a pista para bicicleta também estão em estado vergonhoso.
Fica realmente difícil entender o porquê desta depravação com o autódromo, sendo que o bairro de Jacarepaguá possui enormes áreas no entorno sem qualquer construção. O problema, portanto, não está na falta de espaços para as construções das Olimpíadas. Está, sim, ligado aos já citados interesses espúrios. Há a promessa – não documentada, portanto totalmente inútil – de que será construído um novo autódromo carioca no bairro de Deodoro, no extremo norte, quase no limite com a cidade de São João do Meriti. Se for para maltratá-lo como fizeram com Jacarepaguá, melhor nem construírem, para não haver (ainda mais) desperdício do dinheiro dos nossos impostos.
Panoramio
A construção da "Arena Unútil-Uso" para o Pan 2007 acabou com o trecho Sul da pista
O triste fim de Jacarepaguá provavelmente começou quando o Rio de Janeiro perdeu a Formula 1 para a reformada pista de Interlagos em 1990, tendo abrigado corridas de 1978 e de 1980 a 1989. O circuito ainda viveu momentos de glória com a ChampCar, que correu de 1996 a 2000 no traçado oval Emerson Fittipaldi, construído especialmente para a categoria. O último suspiro internacional foi com a MotoGP, que foi recebida entre 1995 e 2004, com exceção de 1998.
O último evento oficial de Jacarepaguá será feito pela Stock Car, que disputa sua 6ª etapa no dia 3 de julho.
O ULTIMAVOLTA.com lamenta profundamente o fim do Autódromo Internacional Nelson Piquet. E deseja para os dirigentes e administradores das obras para a Copa do Mundo Brasil 2014 e das Olimpíadas Rio 2016 muita sapiência, ética e competência com a administração do dinheiro público e com a administração do nome do país perante os olhos do mundo.
Antonio Mont'Alverne/Panoramio
Nem o monumento das pistas extintas do autódromo ficou livre do total descaso
Confira o resultado da prova do Rio de Janeiro
1) [3] Geraldo Piquet (ABF Mercedes), 31 voltas em 1h00min49s171
2) [6] Wellington Cirino (ABF Mercedes), + 0.438
3) [14] João Maistro (Clay Truck Volvo), + 1.752
4) [83] Régis Boessio (Boessio Mercedes), + 4.913
5) [88] Beto Monteiro (Scuderia Iveco), + 8.625
6) [73] Leandro Totti (ABF Mercedes), + 23.859
7) [77] André Marques (TNT Energy Volvo), + 36.422
8) [20] Pedro Muffato (Muffatão Scania), + 1:03.318
9) [32] Luiz Pucci (TNT Energy Volvo), + 1:38.110
10) [99] Luiz Lopes (Corinthians Scania), + 1 volta
11) [71] Cristina Rosito (DF Ford Racing), + 1 volta
12) [11] Diumar Bueno (ABF Volvo), + 1 volta
13) [45] Leandro Reis (Flamengo/Original Scania), + 1 volta
14) [7] Débora Rodrigues (RM Volkswagen), + 8 voltas
15) [70] Danilo Dirani (DF Ford Racing), + 8 voltas
16) [55] Paulo Salustiano (Scuderia Iveco), + 9 voltas
17) [1] Roberval Andrade (Corinthians Scania), + 11 voltas
18) [9] Renato Martins (RM Volkswagen), + 12 voltas
19) [2] Valmir Benavides (RM Volkswagen), + 19 voltas
20) [50] Fred Marinelli (Marinelli Iveco), + 22 voltas
21) [12] José Maria Reis (Flamengo/Original Scania), + 27 voltas
22) [4] Felipe Giaffone (RM Volkswagen), + 31 voltas
23) [23] Adalberto Jardim (AJ5 Ford), não largou
Volta mais rápida: Dirani, 1:33.910 (8ª)
A próxima etapa da Truck será em Caruaru, Pernambuco, em 15 de Maio. A largada será às 13h – mesmo horário das demais corridas do ano, com exceção da etapa de São Paulo, em 03 de Julho, que terá bandeira verde às 14h.
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