Roberval mostra força e tem vitória apoteótica em Interlagos
Segunda-feira, 02 de Agosto de 2010, 14:11
Guto Costa/UV Pics
Roberval venceu e fez a tradicional comemoração de subir no caminhão em frente da torcida
Lucas Giavoni, de Interlagos
Diante de um público estimado em 66 mil pessoas, Roberval Andrade (Scania) ganhou a etapa de Interlagos da Fórmula Truck praticamente de ponta a ponta, saindo da pole-position, nesta que foi sua quarta conquista no circuito paulistano. Leandro Totti (Mercedes) chegou em 2º, mesma posição na qual largou. A 3ª posição ficou para Paulo Salustiano (Volvo), que chegou a míseros 18 milésimos à frente de Felipe Giaffone (VW), o novo líder do campeonato. Wellington Cirino (Mercedes) fechou o podium. Além das disputas de pista, a prova ficou marcada pelo acidente entre Bruno Junqueira (Ford) e Diumar Bueno (Volvo). Apesar da batida entre os caminhões ter sido violentíssima, ambos saíram ilesos.
Logo após os 5 pilotos do podium chegou Renato Martins (VW), a apenas 0,3s de Cirino e com os mesmos 0,3s de vantagem para Beto Monteiro (Iveco), com quem duelou praticamente toda a corrida. Pedro Muffato (Scania) chegou em 8º - um resultado excepcional para quem estava debilitado por uma intoxicação alimentar. Em seguida vieram Geraldo Piquet (Mercedes) e Fred Marinelli (Iveco), completando os 10 primeiros.
Ainda dentro da zona de pontuação chegaram o novato André Marques (Scania), em 11º; o experiente Vig Fizio (Ford) em 12º - sua primeira pontuação no ano; Cristiano da Matta (Iveco) em 13º; e Débora Rodrigues (VW) em 14º, salvando o último ponto do dia.
Aliança Brasil-Argentina
Guilherme Giavoni/UV Pics
Mais uma vez a Top Race, stock argentina, participou da etapa paulista da Truck
O fim de semana no autódromo José Carlos Pace foi mais uma vez especial para a Fórmula Truck. Além da casa cheia, nesta que é a principal prova do calendário de 10 etapas, a categoria mais uma vez juntou forças com a Top Race, stock car da Argentina que tem chassi tubular e motor V6 padronizados e carenagens de diversas marcas, como Mercedes, Chevrolet, Volkswagen e Ford.
Este ano, além da divisão principal (que conta com nomes conhecidos dos brasileiros, como os ex-pilotos de Formula 1 Gastón Mazzacane, Esteban Tuero e Norberto Fontana, além de Jose Maria “Pechito” López, que seria piloto da USF1, equipe norte-americana que correria este ano na F1), também houve a prova da Top Race Junior, que igualmente conta com carros de chassi tubular, mas com motores 4 cilindros, de menor potência.
Favoritismo destacado
Orlei Silva/Fórmula Truck
De corintiano pra corintiano: Ronaldo foi cumprimentar o pole Roberval antes da corrida
Roberval Andrade foi o piloto mais badalado do fim de semana em São Paulo. O piloto, como representante do Corinthians na Truck, recebeu a visita do jogador Ronaldo Fenômeno, que foi a Interlagos desejar boa sorte ao “companheiro de equipe” do caminhão número 100, usado em alusão ao centenário do clube paulista.
A presença do atacante causou alvoroço em todo o paddock, sobretudo entre os membros da imprensa, que praticamente se penduraram nas divisórias dentro do box da Roberval Motorsports atrás de fotos e depoimentos do camisa 9 do penta. Ele assistiu a prova no camarote da equipe, montado na curva do Laranjinha.
Mas todo o assédio, além da presença ‘vip’, só aconteceu pelo ótimo desempenho de Roberval desde os treinos, que lhe valeu a pole-position com quase um segundo inteiro de vantagem para o restante do grid. A explicação estava em seu caminhão, que neste ano conta com a configuração biturbo. Segundo Joel de Souza, membro da equipe Original Reis, que também possui equipamento Scania, o motor de Roberval gera cerca de incríveis 1400 cavalos de potência – 200 a mais que a versão monoturbo atualmente usada pela Original, de Zé Maria e Leandro Reis.
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Roberval [100] perdeu pra Totti [73] na largada, mas retomou a ponta na 3ª volta
Toda essa potência pôde ser comprovada na pista. Roberval, justamente o piloto que consegue fazer as melhores largadas, hesitou e perdeu a ponta para Leandro Totti na bandeira verde. Mas, assim que os pilotos iniciaram a 3ª volta, no mergulho do S do Senna, o Scania número 100 retomou a ponta. Leandro Reis, Wellington Cirino e Adalberto Jardim (Volvo) seguiam a dupla – todos em suas posições originais de largada.
Mais atrás, quem parecia estar com a prova praticamente encerrada era Felipe Giaffone. Um encontrão com o Iveco de Beto Monteiro na disputa pelo 6º lugar furou um dos pneus traseiros de seu Volks amarelo, fazendo o atual campeão da categoria perder todas as posições e ter de se arrastar na pista. O quadro piorou quando o pneu murcho começou a se desintegrar, destruindo toda a carenagem traseira na parte direita, chegando a danificar até a ponteira do escapamento.
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Um pneu furado destruiu a carenagem do Volks de Giaffone, que faria ótima recuperação
As posições de frente permaneceram inalteradas. No pelotão traseiro, a notícia era o abandono de Zé Maria Reis (Scania), que escapou sozinho na 4ª volta depois de um início promissor, com algumas ultrapassagens. Isso provocou a primeira e curta intervenção do Pace Truck, uma vez que o Scania número 12 foi rapidamente retirado da pista.
A bandeira verde veio na 5ª passagem e então a polêmica. Roberval deixou para acelerar no último instante e Totti avançou antes mesmo da verde. Com isso, Cirino deixou de acelerar e foi ultrapassado por Jardim. A liderança de Totti, entretanto, só durou uns poucos metros, já que Roberval atacou na reta oposta e retomou o comando da prova na entrada da curva do lago. No início da volta seguinte, porém, um violentíssimo acidente na entrada do S do Senna provocou nova intervenção do Pace Truck – desta vez muito mais demorada e dramática.
Gaiolas fantásticas
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Junqueira ficou sem freio e 'passou por cima' de Bueno, decepando a cabine do rival
Não foi um acidente corriqueiro. Bruno Junqueira, que corria em 14º lugar, sofreu um toque por trás de Débora Rodrigues (VW). O contato provavelmente danificou o sistema pneumático dos freios, deixando o piloto sem chances de diminuir da velocidade. Comprometido em sua trajetória, Bruno acertou com muita força o Volvo de Diumar Bueno, que estava imediatamente à frente.
O Ford de Junqueira subiu nas rodas traseiras do caminhão de Bueno e foi catapultado para cima, atingindo com força a parte de trás da cabine. Esta foi arrancada do restante do caminhão no momento em que ambos batiam com força na barreira de pneus. Bruno, que passou por cima, bateu na barreira de pneus e no alambrado acima, de onde partia um trecho de arquibancada.
O acidente foi forte tanto pelas imagens quanto pelo som do impacto dos caminhões
A cena seguinte ao impacto foi aterrorizante, já que a parte de baixo do Volvo de Bueno continuou se movendo, mesmo ‘decapitada’ e o caminhão de Bruno estava capotado e igualmente destruído. Por mais que fosse possível esperar pelo pior, dada a violência do ocorrido, Diumar saiu rapidamente de sua cabine e já acenou para as arquibancadas, mostrando que havia saído ileso.
Bruno ainda estava preso aos destroços de seu Ford, que estava virado. Mas ele saiu pouco depois, também andando, e recebeu um abraço de Diumar, o que provocou uma enorme ovação do público e de todo o paddock, que aplaudiu a integridade física dos pilotos. O fator decisivo para isso foi a resistência das gaiolas tubulares dos caminhões, que agüentaram o impacto tem deformar.
Luiz Silvério, repórter da TV Bandeirantes, foi o primeiro a chegar ao local da batida e perguntou a Junqueira se aquele havia sido o acidente mais sério da carreira. O piloto, que acabara de tirar o capacete, apenas respondeu que “em Indianápolis eu me machuquei, aqui eu saí andando”, em alusão à grave batida sofrida pelo piloto na edição de 2005 da prova norte-americana.
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Apesar da violência do acidente, a gaiola de proteção do truck de Bueno estava intacta
Bruno mais tarde explicaria o acidente, após sofrer o toque por trás de Débora. “Eu ainda joguei o caminhão contra o muro da reta dos boxes para tentar diminuir a velocidade, mas aí o pneu explodiu e eu continuei sem controle”, disse o piloto, que sofreu apenas um pequeno corte no pé.
Em depoimento exclusivo para o ULTIMAVOLTA.com após a corrida, Diumar também ‘diminuiu’ a gravidade do acidente, reafirmando a resistência da gaiola tubular da carroceria. “Realmente a imagem impressiona bastante, mas isso comprova mais uma vez que nossos caminhões têm muita segurança, em que pese a velocidade. E é por isso que a gente confia de andar nessa categoria”, disse.
Diumar contou sobre o lance do acidente. “Duas coisas simultâneas aconteceram. Eu já estava fora da prova, tinha estourado o turbo e vinha pela direita. E ele [Junqueira] teve um outro problema, ficou sem freio e veio me pegar já fora da pista. Eu já estava fora da prova”, relatou.
Prova de resistência e resistentes
Orlei Silva/Fórmula Truck
Leandro Reis e Adalberto Jardim estavam em ótimas posições, mas quebraram
O longo período de Pace Truck na pista coincidiu com a mostra da bandeira amarela programada – Roberval Andrade, Leandro Totti, Leandro Reis, Adalberto Jardim e Wellington Cirino receberam pontos. Felipe Giaffone, que se mantinha na pista, mas estava praticamente fora da disputa, foi para os boxes, onde os mecânicos da RM conseguiram trocar o pneu estourado e acertar a carenagem para que os pedaços danificados não atrapalhassem – tudo isso sem perder volta.
Na relargada, Roberval manteve a ponta, enquanto Leandro Reis realizou bonita manobra em cima de Totti no S, chegando a sair da pista, mas entrando na curva do Sol com a 2ª posição. A prova paulista começou a ganhar contornos de corrida de resistência. Hisgué Benavides, então líder do campeonato, encostou seu Volks na 8ª volta, com problemas no alternador.
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Já Pedro Muffato, mesmo com uma intoxicação alimentar, permaneceu firme na pista
De olho no 3º lugar, Jardim começou a pressionar Totti. No giro 10, passou o rival no S, mas tomou o troco na curva do lago. Essa interessante disputa, porém, não duraria muito, pois no começo da volta seguinte, Jardim foi para os boxes para abandonar com problemas mecânicos. Era o fim de uma ótima corrida.
Outro piloto destinado a abandonar era Leandro Reis. No começo da volta 12, um vazamento hidráulico fez com que seu Scania ficasse difícil de ser conduzido e ele começou a perder várias posições, promovendo Totti novamente ao 2º lugar. O novo 3º colocado era Paulo Salustiano, que havia conseguido passar Cirino. E Renato Martins fechava o novo quinteto da frente.
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Salustiano, Giaffone, Cirino, Renato e Monteiro protagonizaram intensa disputa no fim
Enquanto Reis ficava fora da disputa, uma nova batalha surgia entre Salustiano, Cirino, Renato, Beto Monteiro e Felipe Giaffone, que vinha em excelente recuperação – ainda mais se levarmos em conta que metade da carenagem da lateral direita estava destruída e seu cano de escapamento estava amassado. Felipe conseguiu passar todos os rivais, exceto Salustiano, na briga pelo 3º lugar. E isso aconteceu por apenas 18 milésimos – com ambos chegando emparelhados na linha de chegada, na 19º volta.
Na frente de ambos, Totti já havia confirmado um ótimo 2º lugar, seu melhor resultado no ano. E Roberval finalmente confirmava todo o favoritismo ao receber a bandeira quadriculada, festejando sua 4ª vitória em Interlagos. “Nós iríamos estrear o novo caminhão nesta etapa, o F7, mas decidimos manter o F6. A mudança nos planos sobrecarregou a equipe, todos os mecânicos e integrantes trabalharam dia e noite a semana inteira, eu devo isso a eles, esse resultado, esse momento magnífico. É o meu dia mais feliz desde que cheguei à Fórmula Truck”, disse Andrade após a prova.
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O podium de Interlagos: Giaffone, Totti, Roberval, Salustiano e Cirino
Confira o resultado da prova em Interlagos, 5ª etapa do ano