Fórmula Truck | Etapa de Brasília - FINAL

Roberval vence a etapa de Brasília
e Giaffone é bicampeão da Truck

Domingo, 13 de Dezembro de 2009, 22:05

Orlei Silva/Fórmula Truck

O último podium do ano: o campeão Giaffone com Geraldo, Roberval, Fogaça e Martins

Lucas Giavoni

É campeão! Com um 4º lugar na etapa final em Brasília, Felipe Giaffone garantiu seu bi na Fórmula Truck, superando em pontos o então líder Hisgué Benavides (Volks) e o pole Wellington Cirino (Mercedes-Benz), que abandonaram. A vitória ficou com Roberval Andrade (Scania), em incrível exibição após largar em 18º e ter problemas mecânicos durante a prova. Ele foi seguido por um combativo Geraldo Piquet (Mercedes-Benz) e por um igualmente forte Djalma Fogaça (Ford), que se despediu das pistas em alta.

A última etapa da temporada 2009 da Fórmula Truck teve um desfecho a altura da categoria mais popular do Brasil. Com 31 pontos ainda em jogo, Hisgué chegou a Brasília na liderança, com 161 pontos. Giaffone tinha 153 (-8) e, correndo por fora, Cirino tinha 135 (-26) e Roberval 134 (-27). A corrida mostraria que os 4 candidatos acreditavam no título se destacariam de forma positiva.

Parte 1: O momento de Cirino

Orlei Silva/Fórmula Truck

Cirino marcou a pole e liderou a maior parte da prova, mas sem resultado algum

A luta pela pole-position valia um ponto e o primeiro a se destacar entre os candidatos foi Wellington Cirino, que ficou com a posição de honra e executou uma boa largada, se mantendo na ponta. Ele foi seguido por Leandro Reis (Scania) – a grande surpresa da qualificação – e pelo companheiro Geraldo Piquet.

Em um primeiro momento, Reis passou a receber pressão de Geraldo, mas na 6ª volta já estava nos calcanhares de Cirino. Essa perseguição bastante próxima cessaria apenas na 17ª volta, quando foi acionada a bandeira amarela programada – que deu a Cirino 5 pontos. Na relargada, Reis acabou perdendo rendimento, talvez resultado de tantas voltas sem ‘ar limpo’ na cola do líder e abandonaria voltas depois. Isso significava uma dobradinha parcial da ABF Mercedes, com Cirino em 1º e Geraldo em 2º.

Cirino rumava para a vitória com pontuação máxima, enquanto seu rival mais próximo era Giaffone, em dura briga de posição contra Fogaça e Roberval, ainda que contando com a estratégica ajuda do companheiro e patrão Renato Martins como escudeiro.

A matemática estava difícil, mas ainda possível. Mas o sonho do inédito pentacampeonato para Cirino acabou a 4 voltas do fim em forma de quebra de seu Mercedes. Cirino, de fato, fez sua parte – mas o imponderável fez com que ele terminasse o campeonato apenas no 4º lugar.

Parte 2: O momento de Hisgué

Orlei Silva/Fórmula Truck

Hisgué chegou a Brasília como líder, mas largou lá atrás e também não chegou ao fim

Tendo chegado a Brasília líder por 8 pontos, Valmir ‘Hisgué’ Benavides perdeu toda a sua vantagem estratégica ao queimar o radar durante sua volta rápida na classificação. Isso o empurrou para o aterrorizante 24º lugar no grid. Sem alternativa, partiu para o tudo-ou-nada, sendo ousado desde o começo.

Hisgué fez ótima progressão inicial e, em 3 voltas, ganhou 8 posições. Chegou a estar na 11ª posição quando na volta 14 a pane em um sensor eletrônico do motor tirou-lhe todo o rendimento. Os mecânicos solucionaram rapidamente o problema, mas o fizeram fora da área de boxes, o que impossibilitou Hisgué voltar para a prova, pois seria desclassificado pela direção de prova.

Muito bem humorado, Hisgué ainda acenou para o caminhão do companheiro Giaffone enquanto caminhava a pé para os boxes, fazendo o universal sinal de quem estava pedindo uma carona. Ele também fez sua parte, e, com um exemplar espírito esportivo, ficou com o vice-campeonato – chegou com 8 pontos de vantagem, saiu com 8 de desvantagem em relação a Giaffone.

Parte 3: O momento de Roberval

Orlei Silva/Fórmula Truck

Roberval tinha tudo contra: péssima posição de largada e uma falha na direção hidráulica...

Roberval Andrade foi o piloto show da corrida. Tendo chegado a Brasília como ‘franco atirador’ e sem ter absolutamente nada a perder, dada a enorme desvantagem na tabela de pontos, ele acabou protagonizando um dos melhores desempenhos do ano.

Roberval vinha com tempo para pole, mas a embreagem quebrou, dando-lhe apenas a 9ª fila. Porém, como o melhor piloto de largadas por melhor saber ‘encher o turbo’, ganhou 6 posições na 1ª volta e no giro seguinte surpreendia entre os 10 primeiros. Na 6ª volta já havia conquistado mais duas posições. Foi quando o óleo da direção hidráulica vazou do caminhão e deixou o volante absurdamente duro, quase impossibilitando a condução do Scania. O resultado foi a perda imediata de posições, se arrastando até a bandeira amarela programada.

Roberval confessou pensar que a corrida estava acabada. Foi para os boxes no período de Pace Truck, os mecânicos identificaram o vazamento e completaram o fluido, devolvendo-lhe à pista em 13º, fundo do pelotão. A partir da bandeira verde, na 18ª volta, começou a caçada. Ganhando posições na relargada, como de praxe, ele já havia avançado 5 lugares em 4 voltas.

Orlei Silva/Fórmula Truck

...mas superou os problemas para vencer, pressionado por Geraldo Piquet

Na volta 24, Roberval fez a mais bonita ultrapassagem da prova, passando Renato Martins e Djalma Fogaça de uma só vez para assumir o 4º lugar. Giaffone, que estava logo à frente, não fez esforço para manter a posição, deixando Roberval seguir em direção à dupla da ABF Mercedes, que já tinha uma boa vantagem à frente.

Este foi o momento de sorte do vencedor da prova. O Volvo de João Maistro estourou jogando muito óleo na pista. Vignaldo Fizio, que vinha logo atrás, não conseguiu frear e bateu em Maistro. A batida quase aumentou, não fosse o novato Andersom Toso (Ford) já ter diminuído a velocidade e só der escorregado levemente, desviando dos dois caminhões destruídos. O Pace Truck foi chamado e a distância que Cirino e Geraldo tinham para Roberval, cerca de 5s, foi anulada.

A relargada veio no giro 30. Roberval passou Geraldo na reta de largada e duas curvas depois tomou a liderança de Cirino, que abandonaria na volta seguinte. Para quem imaginava uma vitória tranqüila depois de uma escalada tão promissora, não poderia esperar um contra-ataque de Geraldo. Os dois ponteiros andaram em ritmo fortíssimo nas últimas três voltas, com Roberval recebendo a quadriculada apenas meio segundo à frente.

Foi a 15ª vitória de Roberval, que a considerou seu melhor desempenho na Truck. O franco-atirador também fez sua parte, terminando o campeonato em 3º, a 10 pontos de um quase impossível bicampeonato.

Parte 4: O momento de Giaffone

Orlei Silva/Fórmula Truck

Com um motor 'inquebrável', Giaffone suou para seguir os mais rápidos e ficar com o título

E Felipe Giaffone riu por último. Ao contrário dos outros três candidatos, que tiveram durante a prova o arrojo como principal atributo, o campeão de 2009 se destacou pela frieza e foco na conjuntura da prova, não se deixando abalar pelo galopante progresso de seus rivais pelo título, além de Cirino, que liderava a prova toda e não dava margem para que ele perdesse mais posições.

Ainda assim, Felipe passou por dificuldades. No podium, ele confessou que a RM havia tirado bastante potência de seu Volks, para que aumentasse a durabilidade para esta corrida que durou uma hora. Isso fez com que ele sofresse para acompanhar o ritmo dos rivais que vinham com potência máxima, como o próprio vencedor Roberval e de Djalma Fogaça.

Felipe largou em 4º, mesma posição que acabaria a prova, para ficar apenas 2 pontos à frente do companheiro e rival Hisgué: 161 a 159. E para quem apenas enxergou um piloto que ‘correu com o regulamento embaixo do braço’, o título de Felipe foi conquistado com demonstrações de arrojo durante todo o ano, já que o piloto foi quem mais ganhou provas na temporada – quatro: Guaporé, Caruaru, Londrina e Buenos Aires.

Chegadas e partidas

Orlei Silva/Fórmula Truck

Fogaça fez uma bela corrida de despedida e chegou em 3º - agora só será chefe

Tão competitivo quanto Roberval foi Djalma Fogaça, que terminou sua carreira como piloto em uma bonita 3ª posição após largar em 19º e estar em 23º nas primeiras voltas. "Estou muito feliz. Terminei minha carreira como o meu ídolo Ingo Hoffmann, subindo no pódio na última corrida. Sou grato por tudo o que o automobilismo e, principalmente, a Fórmula Truck me proporcionou como piloto", comemorou o ‘Caipira Voador’, que completou sua 107ª corrida na categoria.

"Acho que parei na hora certa, ainda sou competitivo. Agora quero acompanhar de perto a carreira do Fabinho, meu filho (Campeão da Stock Jr.), e me dedicar à equipe, que tem condições de andar com três caminhões na frente", declarou o piloto com 27 anos de experiência. A partir de 2010 ele atuará somente como chefe de equipe da DF Motorsport, time oficial da Ford na competição.

Se por um lado a Truck perde Fogaça, por outro pode ganhar um grande nome do esporte a motor. Cristiano da Matta, ex-piloto da Toyota na F1 e campeão da ChampCar em 2002, confirmou testes pela ABF Iveco para possivelmente correr a próxima temporada ao lado de Beto Monteiro.

Orlei Silva/Fórmula Truck

Leandro Reis foi destaque no começo e acabou com a melhor volta da prova

Confira o resultado da prova em Brasília, última do ano

1) Roberval Andrade (RVR Motorsport/Scania), 34 voltas em 1h1min54s310
2) Geraldo Piquet (ABF Competições/Mercedes), a 0.598
3) Djalma Fogaça (DF Ford Racing Trucks), a 6.081
4) Felipe Giaffone (RM Competições/Volkswagen), a 8.098
5) Renato Martins (RM Competições/Volkswagen), a 8.197
6) Fabiano Brito (ABF Competições/Volvo), a 9.429
7) Fred Marinelli (Marinelli Competições/Iveco), a 10.561
8) Danilo Dirani (ABF Competições/Volvo), a 10.057
9) Débora Rodrigues (RM Competições/Volkswagen), a 11.449
10) Pedro Muffato (Muffatão/Scania), a 11.643
11) Adalberto Jardim (DF Ford Racing Trucks), a 38.279
12) Diumar Bueno (Bueno Race Truck/Volvo), a 50.478
13) Leandro Reis (Original Reis/Scania), 1 volta
14) Andersom Toso (DF Ford Racing Trucks), a 1 volta
15) Wellington Cirino (ABF Competições/Mercedes), a 4 voltas
16) Leandro Totti (ABF Competições/Ford), + 7 voltas
17) João Maistro (Clay Truck Racing/Volvo), + 8 voltas
18) Vignaldo Fizio (Pacaembu Team/Mercedes), + 9 voltas

19) Vinicius Ramires (RRT2/Mercedes), + 12 voltas
20) Régis Boessio (Boessio Competições/Volvo), + 19 voltas
21) Valmir Benavides (RM Competições/Volkswagen), + 20 voltas
22) Adilson Cajuru (Scuderia Iveco), + 21 voltas
23) José Cangueiro (Mercalf Competições/Mercedes), + 28 voltas
24) Zé Maria Reis (Original Reis/Scania), + 29 voltas
25) Beto Monteiro (Scuderia Iveco), + 31 voltas

Melhor volta: Leandro Reis, 1:13.401 (23ª)