Dakar 2010 | Dia 6

Peterhansel ganha mais uma no deserto; Sainz se mantém na liderança

Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2010, 16:28

Vídeo oficial do Dakar sobre o 6º dia de competições, entre Antofagasta e Iquique

Lucas Giavoni

Stéphane Peterhansel (BMW X3CC #301) tornou-se nesta quinta-feira (07) o primeiro piloto a vencer duas vezes no Dakar 2010. O francês foi o mais rápido na longa especial entre as cidades chilenas de Antofagasta e Iquique, 6ª do Dakar 2010 e 1ª no Atacama. Carlos Sainz (VW Touareg #303) chegou em 2º e ampliou sua liderança no quadro geral. Mauricio Neves (VW Touareg #312), que era o piloto brasileiro melhor colocado entre os carros, sofreu um forte acidente e teve que deixar a prova. André Azevedo (Tatra T815 #504) também está fora entre os caminhões.

A 6ª especial teve início a 1400m de altitude, varou o Atacama em mais de 400 km de trechos de cascalho, areia e pedras, e chegou ao final em um trecho espetacular: um enorme declive arenoso de 600m de comprimento, onde pilotos alcançaram a incrível velocidade de 180 km/h até chegar ao nível zero de Iquique, cidade costeira do Pacífico.

Reuters Pictures

Sainz ampliou sua liderança para mais de 15min em cima do colega Al-Attiyah

Peterhansel, que já havia vencido o 4º estágio, foi o melhor do dia, mas os problemas enfrentados na especial anterior, quando teve o eixo cardan quebrado, o deixam apenas no 8º lugar geral, com pouco mais de 2h de atraso. O bicampeão mundial de rally Sainz, que chegou apenas 47s atrás, ampliou sua liderança para 15min24s para o vice Nasser Al-Attiyah (VW Touareg #306), que foi o 4º melhor do dia.

Um dos destaques do dia foi o norte-americano Robert Baldwin (Hummer H3 #351), que chegou a liderar o estágio até o segundo checkpoint, mas sofreu um atraso no restante do trecho e chegou em 15º, 41min atrás. Ele ocupa a modesta 32ª posição. O chefe de Baldwin, Robby Gordon (Hummer H3 #302), não fez uma boa etapa e caiu de 4º para 6º lugar geral, a 1h48min25s do líder Sainz, que apesar de líder, ainda não venceu nenhuma etapa.

Neves se acidenta e está fora

Volkswagen Motoresport

Neves seguia em 7º lugar geral até sofrer uma forte capotagem e abandonar

O Dakar chegou ao fim para Mauricio Neves. O brasileiro com melhores chances na competição sofreu um forte acidente ao bater seu Touareg número 312 em uma pedra em alta velocidade. “Como vínhamos muito rápido, voamos e capotamos de frente umas 5 a 6 vezes”, disse o navegador Clécio Maestrelli, que escapou ileso.

Neves saiu do acidente reclamando de dores no peito e exames médicos diagnosticaram fratura em duas costelas – quase nada diante da gravidade da batida. Como pontos altos, Neves chegou a liderar o 2º estágio, entre Córdoba e La Rioja, chegando em 3º. Seu melhor posicionamento geral foi justamente ao fim deste trecho, quando era 5º colocado.

O brasileiro em melhor situação entre os carros agora é Guilherme Spinelli (Mitsubishi Racing Lancer #322). Ele completou a etapa Antofagasta-Iquique com o 12º tempo (+ 35min17s) e mantém o 9º lugar geral, com 2h12min18s de desvantagem. Jean Azevedo (Mitsubishi Pajero #321) repetiu o 22º lugar da etapa anterior e escalou mais algumas posições no quadro geral, ficando agora em 49º.

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O italiano Manca, de 29 anos, está entre a vida e a morte em um hospital de Santiago

A etapa ficou marcada por um sério acidente entre as motos. O italiano Luca Manca (KTM 690 #31), 9º lugar geral, caiu de cabeça logo no km 10 da especial. Segundo informações dos organizadores, o helicóptero de apoio estava bastante próximo e o piloto foi atendido rapidamente, sendo transportado até o hospital Del Cobre de Calama.

Além de ter o nariz e outros ossos da face quebrados, Manca teve constatada uma fratura craniana que provocou uma lesão cerebral. Médicos então decidiram transferi-lo para a capital Santiago, no hospital Mutual de Seguridad. Segundo informações do jornal argentino Clarín, o estado clínico do italiano de 29 anos, que corria seu 1º Dakar, é considerado grave, mas estável. Ele ainda corre risco de morrer.

EFE

Manca compartilhou o café da manhã com o amigo Coma, que venceu a etapa

O vencedor da etapa foi Marc Coma (KTM 690 #1), que ficou abalado ao saber do acidente de Manca. Antes do começo da especial, o espanhol havia tomado café da manhã com o italiano, que havia lhe ajudado na etapa anterior, quando teve uma roda quebrada. Coma ocupa o 4º lugar geral, pouco mais de uma hora atrás do ainda líder Cyril Despres (KTM 690 #2), que foi 2º na etapa.

Tiago Fantozzi (Honda CRF 450X #80), que era o melhor brasileiro nas motos, em 18º, foi obrigado a abandonar a competição e não largou nesta quinta-feira. O melhor representante nacional agora é Rodolpho Mattheis (KTM EXC 450 #25), que está em 25º.

David dos Santos Jr.

Mattheis agora é o melhor brasileiro nas motos: 25ª posição geral

Entre os caminhões, nenhuma novidade na ponta. O russo Vladimir Chagin (Kamaz 43-26 #501) ganhou a etapa de ponta a ponta, sempre seguido pelo seu companheiro e rival Fidarus Kabirov (Kamaz 43-26 #500). A diferença entre os dois agora é de 38min11s. O 3º colocado, o holandês Marcel Van Vliet (Ginaf X2222 #508), está longe de entrar na briga, 4 horas atrás no cronômetro.

André Azevedo teve uma quebra de turbina de seu Tatra, fazendo um reparo provisório durante a etapa e chegando apenas de madrugada ao final da etapa. Como não conseguiu aprontar o caminhão para a largada na manhã desta sexta-feira (08), foi desclassificado pela direção de prova.

Mesmo sem entrar na lista de classificação, o competidor continuará na prova, só que credenciado como caminhão de assistência. “Somos uma equipe e o rali ainda não acabou para nós”, assegurou Azevedo, que tem como tripulantes Maykel Justo e o tcheco Mira Martinec.

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O 'impossível 'Chagin ganhou 5 das 6 etapas realizadas entre os caminhões

“Iremos fazer o percurso dos veículos de apoio e prestaremos assistência à moto do Rodolpho [Mattheis, outro membro da equipe Petrobras] e ao carro do Jean [Azevedo, irmão de André, competidor entre os carros] e do Bina [Emerson Cavassin, navegador de Jean]. Problemas mecânicos acontecem e fazem parte do Dakar, que é a prova mais difícil do planeta”, ressaltou André.

Por último, nos quadriciclos, novo triunfo dos irmãos Pastronelli. Marcos (Yamaha Raptor #251) foi o 1º e Alejandro (Yamaha Raptor #277) chegou 18 minutos depois. A classificação geral não teve alterações. Marcos continua líder, seguido por Jorge Miguel Santamarina (Can-Am Renegade #275). Alejandro é o 4º.

Marcelo Maragni

O Tatra de Azevedo teve o turbo estourado e foi excluído. Tornou-se 'caminhão de apoio'

Confira o resultado do dia 6 (Antofagasta - Iquique)

1) Stéphane Peterhansel (BMW X3CC), 4h23min55s
2) Carlos Sainz (VW Touareg), + 47s
3) Mark Miller (VW Touareg), + 08min55s
4) Nasser Al-Attiyah (VW Touareg), + 11min34s
5) Leonid Novitskiy (BMW X3CC), + 17min32s
6) Nicolas Misslin (Mitsubishi Racing Lancer), + 18min24s
7) Carlos Sousa (Mitsubishi Racing Lancer), + 21min29s
8) Guerlain Chicherit (BMW X3CC), + 24min48s
9) Krzysztof Holowczyc (Nissan Overdrive), +28 min09s
10) Orlando Terranova (Mitsubishi Racing Lancer), +33 min12s

Confira o resultado geral após 6 etapas

1) Carlos Sainz (VW Touareg), + 20h35min33s
2) Nasser Al-Attiyah (VW Touareg), + 15min24s
3) Mark Miller (VW Touareg), + 17min47s
4) Carlos Sousa (Mitsubishi Racing Lancer), + 1h34min04s
5) Krzysztof Holowczyc (Nissan Overdrive), + 1h43min40s
6) Robby Gordon (Hummer H3), + 1h48min25s
7) Guerlain Chicherit (BMW X3CC), + 1h51min42s
8) Stéphane Peterhansel (BMW X3CC), + 2h04min02s
9) Guilherme Spinelli (Mitsubishi Racing Lancer), + 2h12min18s
10) Leonid Noviskiy (BMW X3CC), + 3h10min18s

Competidores enfrentarão nesta sexta-feira o 7º estágio do Dakar 2010. Será a maior etapa do rally, a mais variada e provavelmente uma das mais difíceis de toda a competição, no percurso que levará os competidores de Iquique de volta a Antofagasta, onde terão o merecido descanso no sábado (09). Serão exatos 600km de trecho cronometrado, com todos os tipos de piso possíveis: areia (em alguns trechos, salgada), cascalho, pedras e asfalto. A variação de altitude chega a 1800m.