FIA WRC | DECISÃO: Rally da Grã-Bretanha, dia 3

Loeb alcança incrível 6º título
seguido com vitória na Grã-Bretanha

Domingo, 25 de Outubro de 2009, 21:20

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Loeb foi impecável e levou o 6º título seguido 1 ponto à frente de Hirvonen

Lucas Giavoni

Genial. Este é o adjetivo que melhor define Sébastien Loeb, que a bordo do Citroën C4 superou a si mesmo ao tornar-se hexacampeão do WRC. O francês venceu com facilidade o Rally da Grã-Bretanha e levou o título por 1 ponto contra Mikko Hirvonen (Ford Focus), que chegou em 2º lugar. O histórico podium foi complementado por Dani Sordo, no outro Citroën de fábrica.

“Este foi meu melhor título”, disse o sorridente Loeb, reconhecendo a qualidade do rival Hirvonen. “A batalha [contra Hirvonen] foi tão intensa - quase indo até o fim do último rally. Foi incrível. Tivemos alguns altos e baixos este ano, mas terminamos com a vitória. É um sentimento incrível!”, emendou o novo hexa.

O dia final, disputado nos arredores da cidade de Cardiff, País de Gales, foi o mais curto da competição, com cerca de 300 km. Os competidores enfrentaram duas especiais que foram percorridas duas vezes cada, sem direito a apoio mecânico, só com uma parada para reabastecer. Mikko não tinha alternativa senão acelerar o máximo possível para descontar a diferença de 30s aberta por Loeb ao fim do sábado (24).

Hirvonen começou como o mais rápido na especial 13, mas só conseguiu tirar 0.8s. Depois, avançou consideravelmente no 14º trecho, se impondo por 9.5s em relação a Sébastien, que foi apenas o 4º e claramente começou a administrar, se preocupando com o piso muito com lama muito escorregadia.

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Vice, mas com espírito esportivo, Hirvonen foi o primeiro a cumprimentar Loeb

O título de Loeb foi praticamente sacramentado na 15ª e penúltima especial. O capô do Focus de Hirvonen abriu, obrigando-o a parar no meio do caminho para baixá-lo, já que ficou totalmente sem visão frontal. Isso custou ao finlandês mais de um minuto de atraso - e a necessidade de um milagre para virar o jogo. Mas Loeb trouxe o carro com segurança na 16ª última especial, com um tempo 19.6s mais lento que Hirvonen, que novamente foi o mais rápido, mas apenas para manter-se em 2º, 1min06s atrás.

“Bem, a trava do capô foi o último de nossos problemas, mas eu realmente perdi o rally ontem [sábado] quando eu não fui rápido em dois estágios, [SS8 e SS9, em que Loeb foi mais rápido]”, disse Hirvonen, primeiro a cumprimentar Loeb pelo título. “Definitivamente foi minha melhor temporada. Agora estamos realmente pertos da velocidade dele [Loeb] e isso é bom. Foi um grande ano, mas é claro que com um final bastante decepcionante”, confessou o agora bi-vice.

Sordo foi o 3º e por pouco não tomou a posição de Hirvonen. O espanhol encostou no finlandês após o problema do capô, mas ambos fizeram tempos praticamente iguais na última especial e acabaram separados por apenas 1 segundo no final.

O veterano Petter Solberg (Citroën Jr.) fechou a etapa britânica em 4º lugar, à frente do irmão Henning (Stobart Ford), que herdou a posição no penúltimo estágio, com a batida e posterior abandono de Sébastien Ogier, no outro C4 da Citroën Jr. Matthew Wilson, também da Stobart, foi o melhor british do evento e fechou em 6º. Os dois últimos pontuadores do ano foram Jari-Matti Latvala, no segundo Focus de fábrica, e Conrad Rautenbach, no último carro da Citroën Junior.

Dupla brasileira faz história em Gales

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Edu e Palmeirinha comemoraram o resultado na linha de chegada em Cardiff

A bordo do Mitsubishi Lancer da equipe austríaca BRR, o piloto Paulo ‘Palmeirinha’ Nobre, com o navegador Edu Paula, terminaram o Rally da Grã-Bretanha na 32ª posição entre os 61 veículos participantes, ficando com a 17ª colocação entre os carros da categoria P-WRC (Production, conhecida como N4 no Brasil). Pela primeira vez na história uma dupla brasileira terminou uma etapa do WRC realizada na Europa.

A dupla manteve a mesma tática dos dias anteriores, usando a primeira passagem pelos trechos para refazer a planilha e, na passagem seguinte, conseguir andar num ritmo mais forte. “Foi um alívio e alegria quando cruzamos a bandeirada da última especial”, confessou Palmeirinha. “Hoje [domingo] o trecho estava um sabão só. Várias vezes o carro escorregou e se estivéssemos num ritmo mais forte, podíamos ter ficado pelo caminho, como aconteceu com muita gente. Estamos satisfeitos com o resultado, mas nem um pouco orgulhosos com os tempos obtidos. Mas alcançamos a nossa meta, algo muito importante para nós”, contou o piloto brasileiro.

Currículo incomparável

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Além de ser o maior nome do WRC, Loeb é o atual campeão do Race of Champions

A prática da ginástica na juventude parece ter dado a Sebastien Loeb reflexos acima do normal. Campeão da categoria Junior do WRC em 2001, ele é hoje um piloto sem igual na História do Mundial de Rally em termos de currículo. Em 125 largadas, colecionou números tão elevados que compete apenas com ele mesmo quando o assunto é quebra de recordes.

Loeb é dono agora de seis títulos (todos consecutivos, desde 2004), abrindo vantagem de duas taças para os lendários tetracampeões finlandeses Juha Kankkunen e Tommi Mäkinen. E no quesito vitórias, o francês possui agora 54, duas dezenas a mais que o bicampeão Marcus Grönholm, justamente o último campeão antes das façanhas consecutivas do fenômeno do WRC.

Mas ainda há mais recordes. Seb também é o detentor do maior número de vitórias seguidas (6, em 2005) e tem o maior número de vitórias seguidas em um mesmo evento: nada menos que 7 triunfos no Rally da Alemanha - que não foi disputado neste ano.

O talento natural de Loeb também esteve a serviço de outras categorias do esporte a motor. Na edição 2006 das 24 Horas de Le Mans, terminou em 2º pela equipe Pescarolo. Ricardo Divila, engenheiro do time e colaborador do ULTIMAVOLTA disse que Loeb era o melhor piloto que ele tinha na ocasião.

Loeb também tem outro importante tricampeonato, conquistado no Race of Champions (Corrida dos Campeões), evento realizado com pilotos vencedores de várias categorias automobilísticas e convidados ilustres. As conquistas aconteceram em 2003, 2005 e 2008.

Mudança de ares?

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Em 2008, Loeb encarou testes coletivos da F1 pela Red Bull em Montmelò: 8º de 17 carros

Já há algum tempo Loeb namora com a Formula 1. O primeiro teste aconteceu em Paul Ricard no fim de 2007, com uma Renault R27 de Heikki Kovalainen – que em troca testou seu Citroën C4 WRC. A Red Bull, que passou a investir na Citroën no ano seguinte, também o chamou para testar o carro da marca, um RB4 Renault, no fim daquela temporada. Desta vez Loeb enfrentou um teste coletivo e foi muito bem, fechando o dia em 8º, de um total de 17 carros na pista da Catalunha, Espanha.

Durante o ano de 2009, Loeb deixou explícita a sua vontade de pilotar para a Toro Rosso no lugar de Sébastien Bourdais, que balançava no cargo por conta dos maus desempenhos. A equipe satélite da Red Bull, no entanto, resolveu dar uma chance ao novato Jaime Alguersuari.

Loeb fez uma nova sondagem para pilotar no GP de Abu Dhabi, que será disputado na próxima semana e encerra o calendário 2009 da F1. Para isso, até fez um teste em um carro da GP2 da David Price Racing em Jerez, Espanha. Mas seus planos naufragaram porque a FIA não quis lhe conceder a superlicença que o autorizaria a disputar uma prova da F1.

Com um mercado totalmente aberto na F1 e nada mais a provar no WRC, não será surpresa se Sébastien Loeb emprestar seus talentos à categoria máxima do esporte a motor em 2010.

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O retrato dos campeões 2009: Loeb, o navegador Daniel Elena e o time Citroën Total

Confira a classificação final em Gales

1) Sébastien Loeb (Citroën C4), 3h16min25s4
2) Mikko Hirvonen (Ford Focus), + 1:06.1
3) Dani Sordo (Citroën C4), + 1:07.1
4) Petter Solberg (Citroën C4), + 1:28.1
5) Henning Solberg (Ford Focus), + 6:28.0
6) Matthew Wilson (Ford Focus), + 7:46.0
7) Jari-Matti Latvala (Ford Focus), + 12:11.9
8) Conrad Rautenbach (Citroën C4), + 14:27.8
9) Eyvind Brynildsen (Skoda Fabia), + 22:22.7
10) Armindo Araujo (Mitsubishi Lancer Evo X), + 24:18.8

32) Paulo Nobre (Mitsubishi Lancer Evo X), 4:07:03.6