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A1GP | Rodada na Inglaterra
Gripe suína abrevia temporada e Irlanda conquista o título em Brands
Quarta-feira, 06 de Maio de 2009, 08:22
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Holanda, Irlanda e Suíça. Os 3 times mais rápidos no pódio da última corrida do ano
Márcio Madeira da Cunha
Com a etapa mexicana cancelada em função da gripe suína, Adam Carroll tratou de confirmar o título da Irlanda com duas vitórias inquestionáveis em Brands Hatch. Neel Jani garantiu o vice-campeonato da Suíça com uma 8ª e uma 3ª colocações, terminando o ano apenas 3 pontos à frente do surpreendente time português, 5º colocado nas duas provas da Inglaterra. O time brasileiro, com problemas, não participou de nenhuma das corridas que encerraram a temporada 2008/09 da A1GP.
Foi o tipo de decisão que poupa trabalho aos analistas. O líder do campeonato chega à última rodada dupla da temporada, e para confirmar sua liderança vence com autoridade as duas últimas corridas em disputa. Não, não há como questionar os méritos de Adam Carroll e do time irlandês. Muito ao contrário, na verdade, pois além de muita velocidade, é importante sublinhar algo que tornou esta conquista ainda muito mais justa e coerente: o profundo envolvimento da equipe irlandesa com a competição. Ao longo da temporada, nenhum time vibrou mais a cada vitória ou ultrapassagem, nem tampouco sofreu tanto a cada problema ou derrota. O título da Irlanda foi, com toda a certeza, um triunfo da vibração e da entrega.
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A Irlanda foi o time que mais se entregou à disputa ao longo do ano
Houve, é claro, outros destaques. A Suíça confirmou com o vice-campeonato que continua sendo uma potência na categoria, especialmente em função de Neel Jani, o maior vencedor de corridas da A1GP. Todavia, há que se notar que piloto e equipe cometeram alguns erros em momentos cruciais do campeonato, e em comparação com os atuais campeões restou a impressão de que faltou um pouco de vontade.
Vontade que certamente não faltou a Portugal, que fecha a temporada numa surpreendente e significativa 3ª colocação. Filipe Albuquerque mostrou sempre muita vontade e também potencial, sobretudo para somar pontos e terminar corridas. Faltou, no entanto, um pouco mais de velocidade ao conjunto, bem como um pouco mais de estratégia e eficiência durante as provas. O saldo final, porém, é largamente positivo, e vem para coroar um esforço automobilístico nacional cuja joia da coroa é certamente a nova e maravilhosa pista do Algarve.
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Albuquerque e Liuzzi, com a cabeça bem longe da Formula 1
De se destacar também o bom desempenho da Holanda, que a exemplo da Itália trouxe para seus cockpíts nomes que já passaram pela Fórmula 1, e teve como resultado uma quarta colocação geral com duas vitórias. Os laranjas, porém, podem sonhar com dias melhores num futuro próximo, pois estiveram sempre entre os mais rápidos do ano. Se não disputaram o título até o fim, isso deve-se exclusivamente à falta de consistência do conjunto. E aí, como se sabe, é mais fácil um conjunto rápido parar de cometer erros, do que um time que não erre começar a andar rápido.
Para o Brasil, restou pouco o que comemorar. Mesmo o segundo lugar obtido na África do Sul, quando analisado no conjunto da temporada, parece dizar mais mal do que bem de nosso desempenho. Afinal, o pódio que deu a Felipe Guimarães o recorde de piloto mais jovem a estourar a champanhe na categoria, também foi a prova maior de que sempre houve potencial no conjunto. O acerto do carro ganhou ares de competitividade, e o jovem piloto deu provas concretas de ser rápido e talentoso. Houve ainda a preciosa colaboração de Bia Figueiredo, isso tudo sem mencionar a experiência e o conhecimento de Emerson Fittipaldi, responsável maior pela equipe. No fim ficou evidente que o time ainda comete erros em alguma medida amadores, e que mais uma vez os resultados estiveram longe de refletir o potencial da equipe, e muito menos do país. A Austrália, para efeito de comparação, somou o dobro do número de pontos do Brasil, sem jamais ter ido ao pódio.
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Sempre com ótimo astral, Jo Ramirez deu seu apoio ao compatriota Salvador Durán
Em alguma medida, a rodada da Inglaterra refletiu estas principais características da temporada. Na primeira prova o pole Adam Carroll largou bem, mas ainda assim foi superado pela partida impressionante do mexicano Salvador Durán, talvez inspirado pelos conselhos de seu compatriota Jo Ramirez, presente à competição. Quem também partiu muito bem foi o português Filipe Albuquerque, mas seu avanço foi comprometido já na primeira curva em virtude de um toque com o carro dos EUA. Albuquerque conseguiu se manter na pista, mas suas chances de título começavam a esfumaçar.
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Felipe Guimarães teve problemas, e apenas treinou na Inglaterra...
A equipe mexicana manteve a ponta até a janela obrigatória de pit stops, quando o habitualmente excelente trabalho da Irlanda mais uma vez fez a diferença, e devolveu Carroll à pista na liderança. Durán, ao contrário, perdeu tempo com a porca do pneu dianteiro esquerdo, e acabou sendo superado também pelo time indiano, que havia chamado Narain Karthikeyan aos boxes uma volta antes. A partir daí a ordem se manteve inalterada até o fim, sem nada de realmente importante a ser comentado.
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... mas isso não o impediu de curtir a paisagem da região
Partindo novamente da pole, e precisando apenas de uma 5ª colocação para garantir a conquista do campeonato, somente um desastre poderia separar Adam Carroll do título na última corrida da temporada. Na largada o irlandês saltou bem, e a partir de então em nenhum momento teve a vitória efetivamente ameaçada. Para facilitar ainda mais a sua vida, logo na primeira curva um toque envolvendo os carros de JR Hildebrand, dos Estados Unidos, Franky Cheng, da China, e o indiano Narain Karthikeyan, que havia sido segundo na Sprint Race, provocou a entrada do safety car.
Carroll liderou com segurança à frente de Clivio Piccione, de Mônaco, até a primeira janela de pit stops, quando a equipe monegasca se atrapalhou e devolveu seu piloto à pista apenas na quinta colocação. Já a troca dos irlandeses mais uma vez foi perfeita, e quando Adam retornou à pista contava com a folgada vantagem de 7s6 de vantagem sobre o carro da Holanda, pilotado por Jeroen Bleekemolen. No segundo stint da corrida a vantagem do irlandês se manteve intacta, e seu único momento difícil foi quando a equipe foi obrigada a segurá-lo nos boxes por cerca de 3 segundos durante a segunda parada, por questões de tráfego dentro do pitlane.
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Neel Jani e Adam Carroll foram os grandes destaques da temporada na A1GP
O novo campeão, porém, logo saiu em defesa da equipe. Segundo ele, a perda de tempo nos boxes não se deveu a um erro do time – muito ao contrário. "Os rapazes fizeram um grande trabalho na parada, mas depois eles tiveram de me segurar. Poderia ser perigoso, mas perdemos tempo, talvez 3 segundos. Foi a única razão pela qual demorei", explicou.
Uma vez de volta à pista Carroll apenas administrou a vantagem, recebendo a bandeirada 10 segundos à frente da equipe holandesa. Em terceiro chegou o vice-campeão Neel Jani, numa exibição excelente para quem tinha o escapamento do carro quebrado.
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Emerson Fittipaldi e o arquiteto Hermann Tilke
Ao fim da prova, Carroll fez questão de agradecer à Status, equipe que representa a Irlanda na categoria. "Foi um fim de semana perfeito para nós. Fizemos o que tínhamos de fazer: o plano era vir aqui e vencer as duas corridas a partir da pole. Provamos que somos muito difíceis de superar. Mas você nunca pode subestimar o time da Suíça", comentou, reverenciando os vice-campeões.
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Alan Jones, cada vez mais parecido com o Raul Gil, ao menos estava em melhor companhia
No fim, Clivio Piccione ainda conseguiu superar Albuquerque na última parada nos boxes, para garantir a quarta colocação. Com o quinto posto o português encerrou a temporada a apenas 3 pontos dos vice-campeões. Um resultado que, com toda razão, deve dar novo ânimo ao automobilismo lusitano.
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Em termos de belezas naturais, a A1GP segue imbatível...
Com os resultados da rodada da Inglaterra, a Irlanda torna-se o 4º país a se sagrar campeão da A1GP, após França, Alemanha e Suíça. E o campeão Adam Carroll é um nome forte dentro do projeto de retorno da Lola para a Formula 1.
Confira o resultado da corrida curta em Brands Hatch
1) Adam Carroll (Irlanda), 22m32s704
2) Narain Karthikeyan (Índia), + 7.230
3) Salvador Durán (México), + 12.340
4) JR Hildebrand (EUA), + 12.689
5) Filipe Albuquerque (Portugal), + 13.018
6) Jeroen Bleekemolen (Holanda), + 13.783
7) John Martin (Austrália), + 15.208
8) Neel Jani (Suíça), + 22.220
9) Nicolas Prost (França), + 22.945
10) Vitantonio Liuzzi (Itália), + 27.062
11) Michael Ammermüller (Alemanha), + 31.947
12) Satrio Hermanto (Indonésia), + 33.159
13) Dan Clarke (Grã-Bretanha), + 33.541
14) Franky Cheng (China), + 34.963
15) Alan van der Merwe (África do Sul), + 40.488
16) Aaron Lim (Malásia), + 41.528
Abandonos:
17) Daniel Morad (Líbano), 13 voltas
18) Earl Bamber (Nova Zelândia), 13 voltas
19) Clivio Piccione (Mônaco), 8 voltas
20) Felipe Guimarães (Brasil), 0 voltas
Volta mais rápida: Carroll, 1m12.276s (8)
Confira o resultado da corrida longa em Brands Hatch
1) Adam Carroll (Irlanda), 1h04m14s970
2) Jeroen Bleekemolen (Holanda), + 10.156
3) Neel Jani (Suíça), + 13.564
4) Clivio Piccione (Mônaco), + 14.293
5) Filipe Albuquerque (Portugal), + 16.484
6) Salvador Durán (México), + 21.810
7) Dan Clarke (Grã-Bretanha), + 23.409
8) John Martin (Austrália), + 24.493
9) Vitantonio Liuzzi (Itália), + 46.004
10) Nicolas Prost (França), + 49.094
11) Alan van der Merwe (África do Sul), + 1:13.905
12) Daniel Morad (Líbano), + 1:16.257
13) Satrio Hermanto (Indonésia), + 1 volta
14) JR Hildebrand (EUA), + 1 volta
Abandonos:
15) Aaron Lim (Malásia), 27 voltas
16) Michael Ammermüller (Alemanha), 26 voltas
17) Earl Bamber (Nova Zelândia), 6 voltas
18) Cheng Cong Fu (China), 0 voltas
19) Narain Karthikeyan (Índia), 0 voltas
20) Felipe Guimarães (Brasil), 0 voltas
Volta mais rápida: Martin, 1m12.698s (36)
A próxima temporada da A1GP começa em Gold Coast, na Austrália, no dia 25/10/2009.
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