A1GP | Rodada em Portugal

Holanda e Suíça vencem no Algarve

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009, 18:42

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Adam Carroll, Robert Doornbos e Filipe Albuquerque no pódio da 1ª corrida no Algarve

Márcio Madeira da Cunha

A A1GP inaugurou oficialmente neste fim de semana o novíssimo autódromo de Portimão, no Algarve, em termos de competições automobilísticas internacionais. Com alguns bons pilotos, carros muito rápidos, e uma pista realmente interessante, o que se viu foi automobilismo de muita qualidade. E nesse cenário animador quem se deu melhor foram as equipes de Holanda e Suíça, com uma vitória cada, e Portugal, com dois pódios nas duas provas. O Brasil literalmente terminou a corrida curta na 7ª colocação, uma vez que um acidente envolvendo o carro nacional determinou o fim da prova. Sem tempo para reparos, Felipe Guimarães não pode participar da prova longa. Confira aqui tudo o que aconteceu na antepenúltima rodada da atual temporada.

Para o Brasil não foi uma boa rodada. Nos primeiros treinos, destinados aos pilotos 'rookies', ou novatos na categoria, quem guiou o carro nacional foi a bela e competente Ana Beatriz Figueiredo, primeira mulher a obter vitórias na Fórmula Renault e na Indy Lights. Bia, como é mais conhecida, foi convidada por Emerson Fittipaldi para que a equipe brasileira pudesse tirar proveito dos treinos para novatos, e com isso obter um melhor acerto para o carro. Todavia, na segunda metade da segunda sessão Bia acabou sofrendo o mais grave acidente de sua carreira, ao se ver subitamente sem os freios traseiros a mais de 250 km/h. A piloto apenas machucou um pouco o nariz, mas o carro ficou bastante danificado. A despeito de a célula de sobrevivência ter suportado bem o impacto, o time brasileiro não teve condições de recuperar o equipamento a tempo da primeira sessão livre.

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Bia brinca com um golfinho. O belo sorriso da paulista fez muito bem ao ambiente da A1GP

“É uma pena o que aconteceu. Eu estava me acostumando ao carro e à pista e fazendo uma boa sessão. Numa curva os freios estavam legais, mas na seguinte, quando tentei brecar, sem aviso os freios traseiros tinham ido embora. Foi uma batida forte, de frente, mas estou fisicamente bem," disse Bia após o acidente. "Quando eu saí estava mais preocupada com o carro do que comigo! Queria ajudar a equipe e foi decepcionante. Fiquei impressionada com a resistência do carro, até porque pensei que a frente teria ficado destruída. Eu estou acostumada a correr em circuitos superovais, mas nunca tive um acidente como esse. Foi um grande impacto. Eu pude ver os pneus na minha frente quando bati. Eu só tive medo no momento que percebi que os freios não funcionaram. Quando vi que ia bater, pensei que tinha que me proteger e quando cheguei bem perto da barreira de pneus, trouxe os braços para junto do meu corpo. No kart, já quebrei um braço porque ainda estava segurando o volante no momento do impacto. E só tive que esperar a batida acontecer.”

Já Felipe Guimarães lamentou o fato de ter começado seus trabalhos mais uma vez atrasado em relação aos principais concorrentes. “Fiquei desapontado de não sentar no carro hoje porque esta era uma das poucas pistas no calendário igual para todos, em quase todas as outras que a A1 anda eu levo desvantagem por ter menos quilometragem que os demais. E parece uma pista difícil. Falei com a Bia, ela vai me passar todas as referências e olharemos juntos os dados da pista no computador. Amanhã o carro estará bom e teremos pneus novos, vou ter que aprender rápido em minha primeira sessão para conseguir fazer uma boa classificação.”

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Liuzzi é um dos que torce para que Bia volte logo ao cockpit do carro brasileiro

Para o bem do esporte, a A1GP ainda promove treinos classificatórios para as duas corridas de cada fim de semana, ignorando a aberração cada vez mais popular da inversão dos grids. Com isso, Felipe Guimarães de fato foi prejudicado pela pouca rodagem durante a primeira sessão, e acabou registrando apenas o 14º tempo, a 3 segundos do pole Vitantonio Liuzzi, que fazia sua estreia na categoria. A Holanda de Robert Doornbos marcou o segundo tempo, com o detalhe de não ter utilizado o powerboost durante sua volta. A grande supresa ficou por conta da última colocação de Neel Jani pelo time suíço, em virtude de uma pane mecânica que o impediu de registrar qualquer tempo.

Já na segunda sessão o jovem piloto brasileiro pode dar mostras de seu grande potencial de adaptação, marcando o 5º melhor tempo a apenas 6 décimos do pole Doornbos. É justo registrar a grande evolução que o time brasileiro vem conseguindo em termos de desempenho, bem como observar que Felipe Guimarães, a despeito de sua pouca idade, vem dando seguidas mostras de talento e potencial. Enquanto isso, no topo da tabela, o time holandês confirmou a ótima fase girando num fantástico tempo de 1min30s415. Dois décimos mais lento Adam Carroll confirmou a condição de segunda força, enquanto o time helvético recuperou-se do problema na primeira sessão, e colocou Neel Jani na terceira marca.

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Guimarães pressiona Fauzy à frente de um pelotão. É notória a evolução do brasileiro.

O carro:

Agora já em sua sexta rodada dupla, o novo carro da A1GP parece se encontrar desenvolvido o bastante para dar as primeiras mostras de seu real potencial. A marca de Doornbos foi pouco mais que 2 segundos mais lenta que o melhor tempo já registrado por um carro de Formula 1 (Sébastien Buemi, Scuderia Toro Rosso, 1m27s987 no dia 21/01/2009) na pista lusitana. Com todas as ressalvas que devemos fazer relativas ao fato de que os carros da categoria máxima estavam na ocasião em testes de pré-temporada, e lidando com uma pista ainda sem borracha, ainda assim podemos supor que estes novos carros da A1GP, em circuitos mistos, possivelmente são mais rápidos do que os da própria Formula Indy.

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Bia guiando o carro brasileiro, pouco antes de sofrer seu acidente

Todavia, estes mesmos carros continuam a dar sinais flagrantes de uma grande e às vezes perigosa fragilidade mecânica. O problema de freios que resultou na forte pancada de Bia já havia acontecido outras vezes antes, e mais tarde voltou a acontecer com o próprio Felipe Guimarães.

A pista:

Olhando simplesmente para o mapa do traçado, é fácil concluir que a nova pista ao sul de Portugal não acrescenta nada de novo ao cenário automobilístico internacional. No entanto, basta uma rápida olhada na topografia do local, e na forma como ela foi aproveitada no projeto, para ver que nossos irmãos lusitanos deram um tiro certeiro no objetivo de voltarem a integrar o calendário automobilístico internacional.

A pista é simplesmente única entre as que se podem considerar como modernas. Há inúmeros e acentuados aclives e declives, curvas cegas e algumas até com inclinação negativa. Resumindo, é o tipo de traçado 'traiçoeiro', que exige dos pilotos algo além daquilo que ensinam os manuais ou os cursos de piotagem. Calcular a velocidade adequada para cada curva exige algo mais que a simples análise da largura da pista, do ângulo de giro e as condições de carro e asfalto. É importante considerar também alterações de peso e ângulos de inclinação. Uma receita boa o bastante para deixar Emerson Fittipaldi com água na boca.

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É impressionante a topografia do Algarve Motor Park.

"É muito técnico e um dia quero pilotar aqui, só pelo prazer de pilotar. O circuito é uma maravilha", disse o bicampeão mundial. "Portugal está de parabéns ao ter uma circuito destes. É técnico, difícil, tem instalações fantásticas e vai ser um novo destino no mapa do automobilismo internacional", afirmou.

Ana Beatriz também deu suas impressões sobre o traçado. "A pista estava desemborrachada e escorregadia quando comecei a andar, e vinha melhorando continuamente. É uma pista difícil, cheia de curvas cegas, mas muito gostosa de guiar”.

As corridas:

A fragilidade dos carros continuou interferindo muito além do que seria razoável na composição dos resultados ao longo do final de semana. Depois do problema na 1ª sessão classificatória que obrigou Neel Jani a largar na última colocação, foi a vez de Indonésia e África do Sul sofrerem com problemas súbitos. O primeiro ficou parado na volta de saída dos pits, e foi obrigado a largar dos boxes, enquanto o segundo demorou a se mover na volta de apresentação, e acabou partindo da última colocação.

Apagadas as luzes, quem partiu melhor foi Doornbos. O carro da Holanda conseguiu tomar a curva 1 na liderança, e a partir de então apresentou um ritmo de prova sem igual, jamais sendo minimamente ameaçado na luta pela vitória.

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Largada da prova curta no Algarve, com Doornbos já assumindo a ponta.

Atrás do líder, no entanto, as lutas eram intensas. Na curva 3 o carro da Nova Zelândia, pilotado por Earl Bamber, inaugurou a série de incidentes do dia com uma rodada. Um pouco atrás Felipe Guimarães fazia mais uma boa largada, e já aparecia na 9ª colocação. Mais três curvas e foi a vez dos carros de Líbano e Alemanha se tocarem, forçando a equipe germânica a um abandono precoce. Foi a senha para a primeira intervenção do safety car.

Na segunda volta, já se arrastando pela pista, Daniel Morad levou o também danificado carro do Líbano para os boxes, de onde só saiu na segunda corrida do dia. Com o carro de segurança guiando a fila, a ordem era: Holanda, Itália, Irlanda, Portugal, Mônaco, Índia, Malásia e Brasil.

Na abertura da 3ª volta a corrida foi reiniciada, e nessa altura as maiores emoções ficaram por conta da grande recuperação de Neel Jani, a essa altura já na 11ª posição. Mais duas voltas e a janela de pit stops foi aberta, fazendo com que quase metade do pelotão entrasse ao mesmo tempo nos boxes.

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A A1GP sempre oferece belas imagens aos espectadores

Foi um momento de certo drama para a prova. Para uma pista sob todos os aspectos tão próxima da excelência, pareceu claro que os boxes poderiam ser um pouco maiores. Quando tantos carros entraram juntos houve muitas situações aparentemente arriscadas, e até mesmo um incidente que por sorte não ganhou maiores proporções. Felipe Guimarães voltava para a pista quando um mecânico cortou sua frente carregando o pneu traseiro esquerdo que seria instalado no carro de Ho Pin Tung. O carro brasileiro atingiu com força o pneu nas mãos do mecânico, atirando-longe, o que dá uma ideia do quão perto este homem esteve de ser atropelado.

Com relação aos rumos da prova, porém, houve poucas alterações. Ao final da janela Robert Doornbos aparecia ainda mais destacado na liderança, seguido por Irlanda e Portugal, que haviam se beneficiado de uma trabalho ruim por parte do time italiano. Felipe Guimarães era o sétimo, após superar Neel Jani quando este saía dos pits depois de um primeiro stint mais longo que os demais. Tão mais longo, na verdade, que acabou ultrapassando os limites da janela de pit stops, custando a piloto e equipe uma punição do tipo stop and go.

Restando apenas 3 voltas para o fim, a situação do time brasileiro parecia tranquila rumo a uma sétima colocação que poderia ser considerada até muito boa, diante de todos os problemas enfrentados. Porém, ao abrir a 13ª volta, Felipe Guimarães se deparou com o carro da África do Sul andando lentamente no traçado de fora da curva 1. Aparentemente não havia qualquer risco, mas por alguma razão o brasileiro não foi capaz de evitar o violento choque contra o carro de Adrian Zaugg. A corrida acabou sendo encerrada prematuramente, e a equipe brasileira alegou novo problema com os freios como causa da batida.

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Aos poucos Emerson está ensinando o caminho das pedras ao talentoso Felipe Guimarães

Como a classificação que acabou valendo para o resultado final foi a da volta anterior, o Brasil terminou por assegurar o sétimo posto nesta corrida curta. Todavia, de imediato ficou claro que os estragos haviam sido extensos demais para que pudessem ser reparados a tempo da segunda largada do dia. O tipo de prejuízo característico desses tempos de rodadas duplas a cada fim de semana de corridas.

Diante do resultado da primeira corrida, a segunda prova parecia desde o início ser uma barbada para a Holanda. Afinal, Doornbos largaria na pole position, e seu carro era visivelmente o mais rápido da pista. Porém, mais uma vez o novo bólido projetado pela Ferrari voltou a apresentar uma de suas muitas e misteriosas falhas assintomáticas. Assim, sem mais nem menos, o grande favorito se viu envolto numa repentina nuvem de fumaça, e teve que encostar seu carro durante a volta de apresentação. Para o piloto a frustração foi ainda maior, uma vez que ele não poderá representar seu país nas rodadas finais desta temporada.

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Sem carro para a segunda prova, Felipe Guimarães brinca no grid de largada

Promovido à pole position, Adam Carroll preocupou-se tanto em manter-se à frente de Neel Jani que acabou queimando levemente a largada. Mais atrás Marco Andretti também deu a impressão de ter queimado, ganhando com facilidade as posições de Malásia e Portugal. Contudo, revisando as gravações, os fiscais acabariam por punir apenas o piloto irlandês.

Filipe Albuquerque, inspirado diante de sua torcida, tratou de recuperar a posição em relação ao carro estadunidense num movimento rápido ainda nos primeiros instantes da corrida. Ao fim da primeira volta a ordem era Irlanda, Suíça, África do Sul, Portugal, EUA, Nova Zelândia, Itália, Malásia, México e Líbano.

Os dois últimos dessa lista logo trataram de se tocar, com prejuízo total para Daniel Morad, que teve um pneu furado e encalhou na caixa de brita. A briga seguia intensa no pelotão das posições pontuáveis, até que na sétima volta foi confirmada a punição ao líder da prova, por ter queimado a largada. Adam carroll teria que cruzar os pits com velocidade controlada, e fez isso já no giro seguinte, quando foi aberta a primeira janela de pit stops obrigatórios. Na volta seguinte o carro irlandês voltou os boxes, dessa vez para trocar os pneus. Com o tempo perdido pela punição, a corrida para os líderes do campeonato parecia estar completamente perdida.

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Filipe Albuquerque fez bonito diante de sua torcida

Portugal, Itália e África do Sul entraram nos boxes tão logo estes foram abertos, e não houve qualquer alteração de posição entre eles. Logo depois foi a vez de Neel Jani parar, voltando à pista à frente de seus rivais diretos. A grande modificações nessa altura ficou por conta da Nova Zelândia, que após uma excelente parada voltou à pista na terceira colocação.

Enquanto o time mexicano apostava em retardar a parada ao máximo, Earl Bamber começava a andar muito rápido com o carro negro da Nova Zelândia, exercendo forte pressão sobre Adrian Zaugg no carro sulafricano. Na abertura da 15ª volta Bamber tentou a ultrapassagem, mas Zaugg defendeu bem. Na frenagem para a 3ª curva, no entanto, as rodas do neozelandês se travaram e ele acabou atingindo o carro africano, bem à frente de Filipe Albuquerque. O português demonstrou estar com os reflexos em dia, conseguindo escapar do acidente. Como resultado o safety car foi chamado, a vantagem de 15 segundos de Neel Jani foi para o espaço, e o time Mexicano teve a sorte de fazer a parada quando todos andavam mais lentos pela pista. Com isso, passaram a ocupar a 5ª posição.

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Deus salve a Rainha!

O carro de segurança também ajudou o time irlandês a voltar à disputa, uma vez que Adam Carroll vinha recuperando na pista diversas posições, e agora já aparecia em 10º, com todos os carros andando juntos.

A corrida recomeçou na volta 19, de imediato com uma manobra espetacular assinada pelo bravo Filipe Albuquerque. O português mostrou muita vontade ao forçar uma ultrapassagem por fora na difícil curva 1 sobre ninguém menos que Neel Jani. Marco Andretti também partiu para cima de Vitantonio Liuzzi e conseguiu a ultrapassagem. No entanto, na freada para a curva 9 o italiano tentou recuperar a posição após uma escorregada do americano, e ambos acabaram se tocando. Pior para Clivio Piccione, que sem ter nada a ver com a história também acabou sendo atingido. Os três foram obrigados a abandonar, e o carro de segurança mais uma vez foi chamado.

Na volta 23 a pista foi novamente liberada, mas por muito pouco outro grande acidente não voltou a acontecer. Filipe Albuquerque calculou mal a distância em relação ao safety car, e aparentemente acelerou antes da hora. Pouco antes da entrada da grande reta, quando o pelotão já vinha em franca aceleração, o português percebeu que iria ultrapassar a bela Ferrari 599 e foi obrigado a frear vigorosamente. Todos os carros conseguiram fazer o mesmo, mas o incidente ainda iria repercutir mais tarde no desenrolar da corrida.

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Foram muitos os acidentes durante as corridas em Portugal

Por fim os carros voltaram a acelerar, e mesmo com dificuldades Albuquerque conseguiu manter-se à frente de Jani. The Safety CA ordem nesse momento era: Portugal, Suíça, México, Malásia, Índia, Austrália, Irlanda, Alemanha, França e Indonésia.

A segunda janela de pit stops abriu na 27ª passagem, e de imediato Portugal, Malásia, Índia e Irlanda correram para os boxes. Melhor para a equipe da Irlanda, que superou de uma só vez Índia e Malásia, devolvendo Adam Carroll à pista logo atrás do carro lusitano. Albuquerque, aliás, também perdeu tempo no retorno à pista, quando um carro que vinha entrando nos pits o obrigou a esperar o momento exato de acelerar. Esse detalhe foi decisivo uma volta mais tarde, quando Nell Jani levou o carro da Suíça para a troca dos pneus. A equipe helvética como de costume fez um excelente trabalho, e devolveu seu piloto à frente do carro português.

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Sem vez na F-1, pilotos talentosos como Liuzzi e Doornbos competem em alto nível na A1

Uma vez na liderança, Jani não teve dificuldades para rapidamente abrir uma distância folgada em relação a Albuquerque. O português tinha os pneus demasiadamente cheios, e com isso sentia o carro demasiadamente arisco. Além disso, o carro de Portugal também havia perdido o retrovisor do lado esquerdo, e a pressão exercida a esta altura pelo rápido carro irlandês era enorme.

Tudo porém iria mudar na volta 32, quando os monitores de tempo acusaram nova punição para Adam Carroll. Durante a complicada relargada que seguiu-se à segunda intervenção do safety car o irlandês foi acusado de ter ultrapassado o carro australiano antes de cruzar a linha de chegada. Acusação semelhante foi feita sobre o time alemão, igualmente punido.

Diante da notícia, Filipe Albuquerque abdicou de tentar segurar Carroll, e permitiu sua ultrapassagem. Ocorre, porém, que os irlandeses protestaram, e a direção de prova concordou em julgar a acusação após a bandeirada. Foi uma situação insólita, que poderia custar muito caro aos portugueses. Felizmente, para o esporte, após a corrida confirmou-se a infração, e o time lusitano não sofreu essa absurda injustiça.

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Em termos tecnológicos, a A1 só perde atualmente para a Formula 1

Nessa altura a segunda janela de pit stops estava chegando ao fim, e novamente a equipe mexicana deixou para fazer a troca no último instante. Dessa vez, porém, a aposta não pagou, e o time acabou perdendo algumas das posições que havia arrecadado na 1 ªentrada do carro de segurança.

Nas voltas finais Adam Carroll impôs um ritmo fortíssimo, conseguindo descontar a diferença em relação a Jani. O suíço também havia abrandado o ritmo quando informado sobre a punição ao irlandês, e teve que voltar a acelerar quando esta ficou em aberto. Por mais que ambos andassem perto não houve qualquer incidente, nem tampouco a troca das posições. Ainda houve tempo para que Narain Karthikeyan rodasse com o carro da Índia, e que a astrália abandonasse nos pits, e foi só. Jani cruzou a linha de chegada em 1º pela 10ª vez em sua carreira, ampliando seu recorde na A1GP.

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Cena comum na categoria: a Suíça comemora mais um triunfo de Neel Jani

Após a prova confirmou-se a punição à equipe irlandesa, fazendo com que Portugal e Malásia completassem o pódio. Com o resultado oficial, a liderança do campeonato volta às mãos da Suíça (88 pontos), embora a disputa siga ainda muito apertada com Irlanda (86) e Portugal (82), restando quatro corridas para o fim da temporada. Com 66 pontos a Holanda ainda tem pequenas chances de título. O Brasil aparece em 13º na lista, com 18 pontos.

Confira o resultado da corrida curta em Portimão:

1) Robert Doornbos (Holanda), 11 voltas em 19m33s501
2) Adam Carroll (Irlanda), + 3.635
3) Filipe Albuquerque (Portugal), + 5.728
4) Vitantonio Liuzzi (Itália), + 9.087
5) Clivio Piccione (Mônaco), + 10.048
6) Narain Karthikeyan (Índia), + 12.596
7) Felipe Guimarães (Brasil) + 13.297
8) Fairuz Fauzy (Malásia), + 18.014
9) Salvador Duran (México), + 20.545
10) John Martin (Austrália), + 22.683
11) Daniel Clarke (Grã-Bretanha), + 23.08
12) Marco Andretti (EUA), + 23.154
13) Nicolas Prost (França), + 24.175
14) Zahir Ali (Indonésia), + 39.4
15) Neel Jani (Suíça), + 44.296
16) Ho Pin Tung 11 (China), + 50.655
17) Adrian Zaugg (África do Sul), + 2 voltas
18) Daniel Morad (Líbano), + 10 voltas
19) Andre Lotterer (Alemanha), + 11 voltas
20) Earl Bamber (Nova Zelândia), + 11 voltas

Volta mais rápida: Irlanda, 1m31s404, na 8ª volta.

Confira o resultado da corrida longa em Portimão:

1) Neel Jani (Suíça), 42 voltas em 1h10min45s011
2) Filipe Albuquerque (Portugal), + 6.786
3) Fairuz Fauzy (Malásia), + 9.705
4) Salvador Durán (México), + 16.332
5) Adam Carroll* (Irlanda), + 25.411
6) Nicolas Prost (França), + 27.322
7) Dan Clarke (Grã-Bretanha), + 29.880
8) Ho-Pin Tung (China), + 34.586
9) André Lotterer (Alemanha), + 43.970
10) Zahir Ali (Indonésia), + 1'13.993
11) Narain Karthikeyan (Índia), + 3 voltas
12) Australia John Martin (Austrália), + 4 voltas
13) Vitantonio Liuzzi (Itália), + 24 voltas
14) Marco Andretti (EUA), + 24 voltas
15) Clivio Piccione (Mônaco), + 24 voltas
16) Adrian Zaugg (África do Sul), + 27 voltas
17) Earl Bamber (Nova Zelândia), + 27 voltas
18) Daniel Morad (Líbano), + 41 voltas
- Robert Doornbos (Holanda), não largou
- Felipe Guimarães (Brasil), não largou.

*Irlanda punida com um acréscimo de 25 segundos por ultrapassar atrás do safety car.

Volta mais rápida: Irlanda, 1m31s453, na 35ª volta.

A próxima etapa do A1GP, a sexta e antepenúltima desta temporada, será em Brands Hatch, no dia 03 de maio.