Final da Indy torna-se Armageddon
e cobra a vida de Dan Wheldon
Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
O final da prova: 5 voltas em formação, em homenagem a Dan Wheldon (1978-2011)
Lucas Giavoni
A tragédia tomou conta do oval de Las Vegas, na última etapa da Indy, disputada neste domingo (16). Um enorme e violento acidente no começo, envolvendo 15 carros, ceifou a vida de Dan Wheldon, campeão de 2005 e atual vencedor de Indianápolis. A prova foi anulada e pilotos deram 5 voltas de condolência ao inglês, que participava da corrida em uma ação publicitária e havia largado em último com o carro 77 da equipe Sam Schmidt. E, menos importante de tudo, Dario Franchitti (Ganassi), às lágrimas, garantiu seu tetracampeonato.
A combinação de um circuito oval de altíssima média horária (mais de 350 km/h), um grid cheio demais e carros que a qualquer momento poderiam decolar se batessem roda, resultaram no maior acidente da história da Indy. Na volta 11, a rodada de Sebastian Saavedra (Conquest) após um toque involuntário em outro competidor, resultou em um enorme engavetamento que envolveu quase metade do grid, que nesta prova final era de 34 carros - vários deles, participantes esporádicos de olho no inédito prêmio de 5 milhões de dólares que seria dado ao vencedor.
Video do maior acidente da história da Indy, que cobrou a vida do inglês
A inédita dimensão do acidente, com muitas chamas, carros despedaçados e milhares de detritos, fez com que a direção de prova, em vez de mostrar a bandeira amarela, acionasse imediatamente a bandeira vermelha de interrupção. Naquele momento, volta 12, Tony Kanaan (KV), que marcara a pole, liderava a corrida, seguido por Ed Carpenter (Sarah Fischer), vencedor da etapa anterior, no Kentucky.
Além de Wheldon, os carros envolvidos foram: Wade Cunningham (AFS/Sam Schmidt), JR Hildebrand (Panther), Townsend Bell (Panther), Jay Howard (Rahal-Letterman-Lanigan), Tomas Scheckter (Sarah Fischer), Charlie Kimball (Ganassi), Paul Tracy (Dragon), Ernesto Viso (KV), Alex Lloyd (Dale Coyne), Pippa Mann (Rahal-Letterman-Lanigan), Buddy Rice (Panther), Vitor Meira (Foyt) e Will Power (Penske) – este último, estando fora da corrida, automaticamente dava o título ao líder da tabela, Dario Franchitti.
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Coube ao presidente da Indy, Randy Bernard, anunciar o falecimento e a homenagem
Entretanto, nada se falou sobre o desfecho do campeonato assim que se percebeu a gravidade do estado de Dan. Ele, que não desacelerou durante o choque e estava certamente a mais de 300 km/h, decolou na roda traseira do carro de Tracy, batendo fortemente com a parte de cima do carro na cerca de proteção, acima do muro que tem sistema de amortecimento. O impacto arrancou a roll-bar (o chamado santantonio) do carro.
Wheldon foi rapidamente transferido de helicóptero para o University Medical Center de Las Vegas. Depois de mais de duas horas e meia de tensão e nenhuma palavra oficial da Indy, pilotos, equipes e dirigentes fizeram uma reunião com portas fechadas. Em seguida, com a imprensa convocada, o presidente da entidade, Randy Bernard, deu a triste notícia de que Dan não resistiu aos ferimentos, e convocou pilotos para que dessem 5 voltas em formação, uma homenagem ao piloto que acabara de perder a vida aos 33 anos. A corrida estava oficialmente anulada e não contaria para o campeonato.
Will Power também decolou, mas deu sorte no impacto com o muro amortecedor
Sem conseguir esconder as lágrimas, pilotos cumpriram o cerimonial, acompanhado por fiscais posicionados ao lado da pista. O painel de posições foi desligado, e apareceu apenas o número 77 que o inglês usava durante a corrida. O público, que permaneceu apreensivamente nas arquibancadas, manteve-se em pé e aplaudiu todo o tempo.
Dos pilotos envolvidos, Will Power, que também decolou com seu carro, queixava-se de dores nas costas, foi liberado pelos médicos após exames clínicos. Pippa Mann e JR Hildebrand, que sofreram mais com o choque, passam bem, mas ficarão uma noite em observação no hospital.
Kanaan perde um amigo
Chris Jones/Indycar
Wheldon recebe cumprimentos de Kanaan pela vitória na Indy 500
Companheiro de Wheldon entre 2003 e 2005 na equipe Andretti, melhor momento do time na Indy, Kanaan era amigo próximo de Wheldon, inclusive pela proximidade das residências de ambos, na cidade de Saint Petersburg, na Flórida. Eles também participaram juntos de três edições das 500 Milhas de Kart da Granja Viana, em São Paulo.
“Não tenho palavras. Perdi um grande amigo quando o Greg Moore se foi em 99, e agora o Dan em uma situação muito semelhante. Ele trabalhou tanto para estar no grid esse ano e estava tão feliz de estar aqui... Estou devastado e não consigo parar de pensar na Susie e nas crianças. Tivemos tantos bons momentos em nossa carreira, tantos momentos bons como amigos. É muito triste, todos nós pilotos sabemos que existe sempre um risco toda vez que colocamos o carro na pista, mas, no fundo, nunca pensamos nisso. Meus sentimentos vão para a família do Dan, pais, irmãos, esposa e filhos. Ele se foi fazendo o que amava fazer, mas vai ser muito difícil saber que ele não estará mais por perto”, declarou Kanaan.
Através do Twitter, vários outros pilotos e ex-pilotos também manifestaram pesar pelo falecimento de Wheldon, entre eles Mark Webber, Juan Pablo Montoya, Jimmie Johnson, Mark Blundell, Johnny Herbert e Emerson Fittipaldi, entre outros.
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Amparado por membros da Ganassi, o campeão Franchitti não segura as lágrimas
Momentos certos
O fato aconteceu há muito pouco tempo. Ainda não é hora de análises sobre tudo o que de errado havia naquela corrida em Vegas. O momento é de lamentação, envio de energias à família Wheldon e a amigos. E também é hora de lembrar dos feitos de Wheldon em vida. O ULTIMAVOLTA.com teve a honra de escrever sobre a grande vitória da vida do piloto, a edição de 100 anos das 500 Milhas de Indianápolis, conseguida nos metros finais, a bordo de um carro de uma equipe pequena, e em uma participação esporádica.
Apesar de inglês, Dan tem formação americana no automobilismo. Estreou na Indy no fim de 2002 pela equipe Panther e no ano seguinte transferiu-se para a então Andretti Green, atual Andretti Autosport. Vice de Kanaan em 2004, foi campeão em 2005, quando ganhou pela 1ª vez Indianápolis e transferiu-se para a Ganassi.
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No topo: em parcicipação esporádica, Dan conquista Indianápolis 2011 na reta final
Foi novamente vice em 2006, quando empatou em pontos com Sam Hornish e perdeu no número de vitórias. Seu desempenho caiu nas temporadas seguintes, o que resultou em transferência para a Panther na última prova de 2008. Com esta equipe, fez duas temporadas antes de ficar sem vaga, para dar a volta por cima durante a Indy 500 deste ano, no carro da equipe de Bryan Herta. Em 126 corridas, foram 16 vitórias. Sua última corrida oficialmente foi a etapa anterior, no Kentucky, que serviu de preparação para Vegas.
Para a etapa final, a Indy promoveu uma ação publicitária em que Wheldon, independente de seus tempos de qualificação, largaria na última posição do grid. E se o inglês ganhasse a corrida, dividiria o prêmio de 5 milhões com um fã sorteado por celular. No momento do acidente fatal, ele já escalava o pelotão, tendo realizado várias ultrapassagens.
Legado permanente
Indycar
O novo chassi Dallara para 2012 foi testado por Dan; todos usarão o modelo, mais seguro
Durante este ano em que não participou de todas as corridas, Wheldon foi chamado pela Indy para desenvolver o novo chassi que a categoria vai usar na temporada 2012, fabricado pela Dallara. Foram realizados testes em ovais e mistos, além de acerto do novo motor Honda V6 Turbo, que vai enfrentar concorrência do também novo motor Chevrolet, que volta a ser fornecedora depois de 7 anos de ausência.
O novo Dallara possui laterais e traseira que impedem toques roda a roda entre carros, justamente o movimento que acabou vitimando Wheldon. Na próxima temporada, todos os pilotos terão consigo o legado de Wheldon: um carro mais seguro para a prática do esporte que lhe ceifou a vida.
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Daniel Clive Wheldon deixa a esposa Susie Behm e os filhos Sebastian e Oliver