Indy | Etapa de Kentucky

Por um nariz, Carpenter bate
novo líder Franchitti no Kentucky

Terça-feira, 04 de Outubro de 2011

Video oficial com o resumo da etapa de Kentucky, 1ª vitória de Carpenter na Indy

Lucas Giavoni

A etapa de Kentucky revelou um novo vencedor na Indy. Por ínfimos 9 milésimos de segundo, Ed Carpenter, em participação esporádica pelo pequeno time de Sarah Fischer, superou Dario Franchitti (Ganassi) na linha de chegada, com o colega Scott Dixon completando o pódio. A prova foi marcada pelos inúmeros acidentes causados dentro do pitlane, o primeiro deles envolvendo o pole Will Power (Penske), que com carro avariado não passou do 19º lugar. Este resultado fez com que Franchitti retomasse a liderança do campeonato para a final de Las Vegas, 18 pontos à frente de Power.

Carpenter venceu após ter sido 2º colocado em Kentucky nos dois anos anteriores, perdendo sempre por muito pouco. Enteado de Tony George, ex-presidente da Indy e do circuito de Indianápolis, o norte-americano desenvolveu a carreira a partir de midgets – aqueles pequenos carrinhos com gaiola. Isso explica em parte por que ele é uma lástima em circuitos mistos (fazendo tempos por vezes constrangedores), mas se vira bem em ovais, especialmente este de Kentucky, lugar de seus melhores resultados na Indy desde que estreou, no fim de 2003, mesmo em equipes pequenas, como é a Sarah Fischer Racing, que participou apenas de algumas provas este ano.

A corrida novamente não foi boa para os pilotos brasileiros. Vitor Meira (Foyt) foi o que relativamente saiu-se melhor, com a 16ª posição, imediatamente seguido por Tony Kanaan (KV). Helio Castroneves (Penske) foi o primeiro piloto a abandonar, com problemas mecânicos, e Bia Figueiredo (D&R), que havia batido em Power nos boxes, acabou sua corrida no muro.

Outro ‘destaque’ foi o retorno à ativa do vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Dan Wheldon. Como treinamento para a grande final de Las Vegas, o inglês substituiu Alex Tagliani no carro #77 da equipe Sam Schmidt, parceira da equipe Bryan Herta. Largando na penúltima posição, Dan fez uma corrida apagada e não passou do 14º lugar. Em uma ação promocional, Wheldon vai largar em último em Vegas. Caso ganhe a corrida, vai dividir o prêmio de 5 milhões de dólares com um fã norte-americano sorteado.

Reviravolta inesperada

Apontado como um piloto apenas mediano em ovais, Will Power tentou apagar essa imagem e jogou tudo contra nada em Kentucky. Arriscou no acerto do carro, preparando-o para ser rápido e arisco. Com ele, cravou a pole e pretendia passar a maior parte do tempo de cara para o vento, em acerto que privilegiava a liderança, e não a pilotagem no tráfego ou pegando vácuo. Power, de fato, parecia outro piloto. Foi para decidir.

As coisas começaram bem para ele na largada, quando conseguiu manter a ponta e começou a abrir vantagem em relação aos seus perseguidores mais próximos, Graham Rahal (Ganassi) e James Hinchcliffe (Newman-Haas). Carpenter largou em 4º e Franchitti em 11º, e aos poucos foi escalando o grid.

A ordem entre os ponteiros pouco variou até que competidores foram para a primeira rodada de pits, a partir da volta 48. Foi o momento em que a sorte jogou contra Power do modo mais cruel possível: ao entrar na sua vaga e box, ele foi abalroado na lateral pelo carro de Bia Figueiredo, que saía de sua parada. O choque não foi forte, mas abriu um buraco na lateral da Penske do australiano.

Mecânicos improvisaram um remendo com fitas adesivas, mas o fato é que além do tempo perdido, aquele carro não seria mais o mesmo. Segundo o próprio Power, ficou 4 milhas por hora mais lento por causa do arrasto aerodinâmico. E como se não bastasse este revés, Will ainda viu seu rival Franchitti fazer um pit relâmpago e subir do 8º lugar para a liderança. Uma reviravolta bastante inesperada.

Mais problemas nos boxes

Dario tomou a liderança e, apesar de não forçar, certificou-se de que ficaria na liderança o maior tempo possível, para ganhar os 2 pontos referentes ao comando do maior número de voltas na corrida. Se não havia grandes movimentações na pista, nos boxes a coisa foi diferente. Por seu formato estranho, em curva, o pitlane de Kentucky reservaria mais incidentes e controvérsias.

Quem recomeçou essa sequência de trapalhadas Simona de Silvestro (HVM), que saiu de sua parada e, com pneus frios, rodou e jogou longe um mecânico da KV de Ernesto Viso, que felizmente só ficou assustado e não se machucou. Isto causaria a 2ª bandeira amarela da prova (a 1ª foi por detritos, na volta 80) e outros dois incidentes quando pilotos aproveitaram e entraram para mais uma troca de pneus e reabastecimento.

Marco Andretti (Andretti), que andava em 2º, bateu em James Jakes (Dale Coyne), que entrava em sua vaga de box. Ambos foram para o muro interno e tiveram que abandonar. Ao menos Marco admitiu a culpa, dizendo que foi o chefe e pai Michael Andretti a dizer que o filho havia cometido um erro. Praticamente ao mesmo tempo, JR Hildebrand (Panther), que vinha andando sempre entre os 5 primeiros, mergulhou forte demais para entrar em seu pit e bateu no muro interno, espremendo um de seus mecânicos, que se machucou. O norte-americano prosseguiu na corrida, mas perdendo várias posições, já que perdeu tempo ao ser obrigado a trocar o bico do carro – cor-de-rosa, em alusão à campanha norte-americana ao combate ao câncer de mama.

Cabeça a cabeça

Com Andretti e Hildebrand errando nos boxes, Dario era seguido pelos companheiros Rahal e Dion e Carpenter. Uma nova bandeira amarela, provocada pela batida de Bia Figueiredo na volta 166, a única do dia, significou a baixa de Rahal, que errou na tática: enquanto todos se mantiveram na pista, o norte-americano foi obrigado a fazer um splash-and-go por não ter combustível suficiente para completar as 200 voltas da prova.

Na relargada, na volta 178, Carpenter aproveitou uma hesitação de Dixon e pulou para a 2ª posição, posicionando-se por fora de Franchitti. O que se viu então foi um duelo cabeça-a-cabeça intenso, em que ambos alternaram freneticamente a liderança, guerreando com os recursos de push-to-pass, a injeção que dá ao motor potência extra por alguns segundos.

A decisão ficou para a linha de chegada. Tal como no turfe, foi uma decisão de photo-finish. Por 0,0098s (9,8 milésimos de segundo; um piscar de olhos dura 60), menos de 20cm, Carpenter cruzou na frente, depois de perder por dois anos consecutivos desta maneira, no 6º final mais apertado da história da categoria. Dixon não ficou distante, cruzando apenas 0,1048 atrás. De fato, o pelotão final estava tão compacto que o 9º colocado, o esporádico Buddy Rice (Sam Schmidt) foi o primeiro a cruzar 1s inteiro atrás, apenas 6 milésimos à frente de Danica Patrick (Andretti), em sua penúltima corrida antes de transferir-se para a Nascar.

Decisão

Tendo checado a Kentucky vice-líder, com 11 pontos de desvantagem, Franchitti agora se vê com 18 pontos de vantagem em relação a Power: 573 a 555. Se para o escocês basta chegar à frente do rival para ser tetracampeão, Will precisa operar um milagre em Las Vegas, na grande final. Isso porque o único resultado negativo de Franchitti em ovais durante o ano foi quando era líder e colidiu com Takuma Sato em New Hampshire, quando era o líder.

Além do campeonato e de um prêmio recorde para o vencedor, Las Vegas também decidirá quem leva o troféu AJ Foyt de maior pontuador em circuitos ovais. Por enquanto, Dixon, que está em 3º no campeonato (518) e não tem mais chances matemáticas, conta com 216 pontos em ovais, 10 a mais que Franchitti.

Indycar

Pódio de Kentucky

O pódio de Kentucky: o novo vencedor Carpenter, acompanhado por Franchitti e Dixon

Confira o resultado de Kentucky, 16ª etapa de 2011

1) Ed Carpenter (Sarah Fisher), 200 voltas em 1h42min02s7825
2) Dario Franchitti (Ganassi), + 0.0098
3) Scott Dixon (Ganassi), + 0.1048
4) James Hinchcliffe (Newman-Haas), + 0.3007
5) Ryan Hunter-Reay (Andretti), + 0.4040
6) Oriol Servia (Newman-Haas), + 0.6806
7) Wade Cunningham (Sam Schmidt), + 0.7020
8) Ryan Briscoe (Penske), + 0.7895
9) Buddy Rice (Panther), + 1.0011
10) Danica Patrick (Andretti), + 1.0076
11) Townsend Bell (Dreyer & Reinbold), + 1.1767
12) Graham Rahal (Ganassi), + 1.2320
13) Charlie Kimball (Ganassi), + 1.7795
14) Dan Wheldon (Sam Schmidt), + 2.0668
15) Takuma Sato (KV), + 2.1166
16) Vitor Meira (Foyt), + 2.4294
17) Tony Kanaan (KV), + 3.0101
18) Mike Conway (Andretti), + 3.4607
19) Will Power (Penske), + 6.4970
20) JR Hildebrand (Panther), + 1 volta
21) James Jakes (Dale Coyne), + 2 voltas
22) Pippa Mann (Rahal Letterman Lanigan), + 3 voltas
23) Ernesto Viso (KV), + 8 voltas

24) Bia Figueiredo (Dreyer & Reinbold), 165 voltas
25) Simona de Silvestro (HVM), 141 voltas
26) Alex Lloyd (Dale Coyne), 140 voltas
27) Marco Andretti (Andretti), 140 voltas
28) Dillon Battistini (Conquest), 124 voltas
29) Helio Castroneves (Penske), 34 voltas

Volta mais rápida: Carpenter, 0:24.2241 (73ª)


A decisão da Indy será daqui duas semanas, no oval de Las Vegas, em 16 de outubro. Além da batalha pelo campeonato entre Dario e Power, está em jogo um prêmio recorde de 5 milhões de dólares ao vencedor. Isso tentou, inclusive, o aposentado Michael Andretti, dono da Andretti Autosport, que vai tirar o pijama e correr ao lado de seus pilotos.