Indy | Etapa de Toronto, Canadá

Franchitti tira Power da disputa e vence etapa lamentável em Toronto

Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

Video oficial com o resumo da etapa de Toronto, vencida por Franchitti

Lucas Giavoni

Parece que o bom senso não voou para o Canadá junto com a Indy. A etapa nas ruas de Toronto foi um festival de batidas e impunidade, inclusive para o vencedor Dario Franchitti (Ganassi), que tirou da disputa seu rival direto pelo título Will Power (Penske), obrigado a abandonar. Scott Dixon completou dobradinha da Ganassi, com um Ryan Hunter-Reay (Andretti) que também se envolveu em alguns toques, completando o pódio. O melhor brasileiro foi Vitor Meira (Foyt), que chegou em 5º ao mudar de tática de pits, depois de ser abalroado no meio da corrida. Mais uma vez cabe a crítica ao ridículo sistema de fila dupla nas relargadas implantado este ano.

A corrida em Toronto foi, como aponta o título, a mais lamentável do ano. Nada menos que 8 bandeiras amarelas foram acionadas, e ainda teve mais acidentes que não demandaram a entrada do Pace Car. Como se não bastasse a alta quantidade de pilotos vendo o mundo ao contrário, bicos e suspensões quebradas, comissários de prova assistiram este festival destrutivo passivamente, sem distribuir punição alguma – mesmo para as batidas mais absurdas. É certo que ninguém bate propositalmente, mas deve-se repreender quem poderia evitar qualquer acidente.

Forçando para nada

Reuters Pictures

Largada em Toronto

Ninguém se esbarrou na largada, mas a corrida seria de muita destruição dali em diante

Na largada, o pole Power manteve o comando, seguido pelas Ganassi de Dixon e Franchitti, sem qualquer esbarrão entre os demais competidores. Mas as ondulações e a pista estreita logo dariam lugar a um roteiro cheio de pilotos ‘trocando gentilezas’. Na abertura da 3ª volta, a primeira amarela: na disputa pelo 12º lugar, Ryan Briscoe (Penske) tocou no pneu traseiro da KV Lotus de Tony Kanaan, que girou, encontrou o muro da curva 3 e foi o primeiro a abandonar, com a suspensão em frangalhos.

Com a retomada da prova, na volta 6, Power e Dixon começaram um jogo de perseguição e abriram distância considerável para o restante do pelotão, formado por Franchitti, Mike Conway (Andretti) e Graham Rahal (Ganassi). No pelotão intermediário, Takuma Sato (KV) empurrou Danica Patrick (Andretti) com força para a área de escape ao frear tarde demais – o ‘crime’ ficou evidenciado pelo rombo no bico do carro, que tocou a caixa de câmbio do carro da norte-americana.

Getty Images

Power e Dixon

Power e Dixon pisaram fundo no inicio, mas o acidente de Helinho frustrou a 'fuga' dos dois

O ritmo forte dos líderes durou até Helio Castroneves (Penske), em uma tentativa de ultrapassagem, tocar em Alex Tagliani (Sam Schmidt) na curva 3 e provocar a rodada do piloto local na volta 31. Era a segunda amarela do dia, e várias voltas perdidas pelo brasileiro no pit, para conserto da suspensão, que entortou com o contato.

Alguns pilotos tinham acabado de fazer seus pits, como Franchitti, enquanto os líderes ainda não haviam feito, e acabaram prejudicados por isso. Helinho, por sinal, está em uma temporada bem desastrada, inclusive com batidas em seus próprios companheiros de equipe. E novamente, foi ele a prejudicar a tática da Penske, já que Will caiu para 11º ao fazer seu 1º pit stop. Ele e Dixon, ‘promovido’ a 12º, forçaram o ritmo para nada.

Destruição entre novatos e veteranos

Reuters Pictures

Tracy

O veterano Tracy correu em casa para provocar uma das maiores batidas da corrida

Com um pelotão embaralhado pelo incidente causado por Castroneves, iniciou-se então um período de corrida em que jamais teríamos mais de 5 voltas seguidas em bandeira verde. Da volta 31 até a final (85), tivemos 26 voltas de corrida, contrastando com o absurdo número de 29 giros com carros atrás do Pace Car. A próxima amarela, por sinal, ocorreu na volta 39, com o toque sofrido pelo novato James Jakes (Dale Coyne), que ficou parado. Franchitti permaneceu líder.

O próximo incidente aconteceria na volta 48. O veterano Paul Tracy (Dragon) perdeu a freada e acertou com força o Foyt de Vitor Meira, que arrebentou o bico na mureta, mas milagrosamente manteve as suspensões intactas. Charlie Kimball (Ganassi) rodou e Sébastien Bourdais, que retornou ao carro 19 da Dale Coyne, ficou bloqueado e perdeu posições. A maioria dos competidores aproveitou para fazer mais um pit, o que promoveu Rahal, que tinha feito sua parada na amarela anterior, para a liderança provisória da prova.

A fúria de Power

AP Photo

Power e Franchitti

Dario forçou demais e empurrou Will, que rodou e ficou parado - mais tarde abandonaria

Pilotos teriam apenas mais 5 voltas de bandeira verde até que acontecesse o lance mais controvertido da prova: na disputa pelo 5º lugar, Franchitti colocou o bico por dentro do carro do recuperado Power e tocou o adversário, que rodou e ficou parado com o motor apagado. Foi, de fato, um toque de corrida, mas a responsabilidade em evitar o choque era totalmente de Dario.

Depois de cair várias posições, a tentativa de Power recuperar-se acabou n volta 66 com um segundo choque no também reincidente Tagliani – desta vez, forçando o australiano a abandonar. Já nos boxes, Power não poupou críticas à Franchitti em entrevista ao vivo. “Foi uma manobra suja [de Franchitti]. Ele simplesmente virou meu carro. Alguém já puniu esse cara alguma vez?”, questionou Power, que se mostrou desapontado com o rival e lembrou que ele já havia jogado pesado na corrida de abertura em St. Petersburg.

Destruições finais

AP Photo

Tagliani

Tocado por Danica, Tagliani capotou de lado antes de despencar novamente no chão

Até a bandeirada, ainda houve tempo para mais duas bandeiras amarelas. Na volta 72, enquanto Dario ultrapassava Rahal pela liderança definitiva da corrida, um trio de reincidentes bateu: Danica Patrick não freou corretamente na fatídica curva 3, empurrou James Jakes, que rodou, e acertou a suspensão traseira de Alex Tagliani, que decolou de lado e acertou o muro, em cena um tanto assustadora.

Mas o ‘campeão’ do dia foi Marco Andretti (Andretti), que iniciou o maior acidente do dia e escapou ileso. Na volta 77, o norte-americano, que estava em 5º, tocou em Oriol Servia (Newman-Haas) e deu início a uma enorme reação em cadeia. Enquanto ele escapou pela tangência da curva, Oriol bateu em Justin Wilson (D&R), que perdeu a asa traseira, e bloqueou três carros engavetados: do companheiro James Hinchfliffe, de Mike Conway (Andretti) e do também habitué de acidentes do dia, Charlie Kimball.

A bandeira verde veio na volta 80, apenas para Dario manter-se na ponta, Dixon superar Rahal na famosa curva 3, não apenas sendo ultrapassado, como também tocado por Ryan Hunter-Reay, que com a rodada do adversário, estabeleceu seu lugar no pódio. O safo Andretti ficou com o 4º lugar e Vitor Meira, que sobreviveu ao empurrão de Tracy no começo, fechou o Top Five pressionado por Sébastien Bourdais.

Getty Images

Meira

Empurrado violentamente por Tracy no meio do GP, Meira recuperou-se e chegou em 5º

Saldo da destruição

Em quase duas horas de corrida, 8 bandeiras amarelas, 32 voltas em Pace Car, 4 acidentes em bandeira verde e, num grid de 26 carros, 21 envolvidos em algum choque ou batida. Também tivemos zero punições, portanto 100% de impunidade. A Indy está se aproximando cada vez mais da Nascar. Mas apenas dos aspectos negativos.

As largadas em fila dupla, características da categoria mais popular dos Estados Unidos, são um erro com carros de Fórmula. E a impunidade da Nascar, em que há vibração quando um piloto que foi prejudicado ‘dá o troco’ (o chamado payback) parece também começar a fazer parte do universo de monoposto norte-americano.

Alguns pilotos estão descontentes – e com razão. E o público que realmente é entusiasta do esporte também não deve ter gostado dos acontecimentos de Toronto. Apenas uma pessoa saiu realmente feliz de lá: Dario Franchitti. Na abertura da segunda metade da temporada, o escocês ampliou sua liderança na tabela, com vantagem agora de 55 pontos em cima de Power – 353 a 298. Dixon é o 3º, com 270 e Kanaan, apesar do mau resultado, mantém a 5ª colocação, com 221.

Reuters Pictures

Pódio de Toronto

O Pódium de Toronto: Dixon, o vencedor, líder e contente Franchitti, e Hunter-Reay

Confira o resultado da Etapa de Toronto, 9ª etapa de 2011

1) [10] Dario Franchitti (Ganassi), 85 voltas em 1h56min32s1501
2) [9] Scott Dixon (Ganassi), + 0.7345
3) [28] Ryan Hunter-Reay (Andretti), + 6.0144
4) [26] Marco Andretti (Andretti), + 7.5671
5) [14] Vitor Meira (Foyt), + 9.0117
6) [19] Sebastien Bourdais (Dale Coyne), + 9.3114
7) [6] Ryan Briscoe (Penske), + 9.8735
8) [4] JR Hildebrand (Panther), + 14.1750
9) [59] Ernesto Viso (KV), + 14.7843
10) [78] Simona de Silvestro (HVM), + 15.7603
11) [24] Ana Beatriz (Dreyer & Reinbold), + 16.8992
12) [2] Oriol Servia (Newman-Haas), + 19.8736
13) [38] Graham Rahal (Ganassi), + 21.3123
14) [06] James Hinchcliffe (Newman-Haas), + 1 volta
15) [22] Justin Wilson (Dreyer & Reinbold), + 2 voltas
16) [8] Paul Tracy (Dragon), + 3 voltas
17) [3] Helio Castroneves (Penske), + 4 voltas
18) [18] James Jakes (Dale Coyne), + 4 voltas
19) [7] Danica Patrick (Andretti), + 6 voltas
20) [5] Takuma Sato (KV), + 6 voltas

21) [83] Charlie Kimball (Ganassi), 77 voltas
22) [27] Mike Conway (Andretti), 76 voltas
23) [77] Alex Tagliani (Sam Schmidt), 71 voltas
24) [12] Will Power (Penske), 66 voltas
25) [34] Sebastian Saavedra (Conquest), 43 voltas
26) [82] Tony Kanaan (KV), 2 voltas

Volta mais rápida: Wilson, 1:00.6386, (83ª)


A Indy permanece no Canadá e promove a próxima corrida nas ruas de Edmonton, daqui duas semanas, em 24 de julho.