Franchitti dá show tático e vence prova agitada em Chicago
Domingo, 29 de Agosto de 2010, 17:32
Resumo oficial da IRL da etapa de Chicago, vencida por Dario Franchitti
Lucas Giavoni
Nada menos que 62 voltas com os mesmos pneus. Dario Franchitti (Ganassi) apostou em um pit final rápido e venceu a etapa de Chicago e, de quebra, aproximou-se do líder da tabela Will Power, que foi apenas o 16º por erro tático da Penske. Dan Wheldon (Panther), que ‘trabalhou’ muito com Dario, chegou em 2º e um combativo Marco Andretti completou o podium, à frente de seus companheiros de Andretti, Ryan Hunter-Reay e Tony Kanaan.
Helio Castroneves (Penske) precisou fazer uma prova de recuperação para chegar em 6º, seguido de um Justin Wilson (D&R) em seu melhor resultado em oval de sempre – o 7º. Um apagado Scott Dixon (Ganassi) foi o 8º e Vitor Meira (Foyt) chegou em 9º após quebrar dois bicos e tomar volta durante a prova. Graham Rahal (Newman-Haas) foi o 10º.
Entre os demais brasileiros, Mario Moraes (KV) foi o único a terminar, num discreto 17º lugar, uma volta atrás. Bia Figueiredo (D&R), que nos EUA é conhecida como Ana Beatriz, não fez um bom retorno à IRL e abandonou a prova num contato com o muro, mesmo destino de Raphael Matos (De Ferran Dragon), primeiro a bater na prova disputada no cair do sol do sábado.
Vitória no detalhe
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Briscoe, mantendo a ponta, e o combativo Andretti foram os destaques do começo da prova
As 300 Milhas de Chicago proporcionaram uma corrida bastante imprevisível, oferecida por voltas em incríveis médias horárias acima dos 340 km/h e muito vácuo. Nada menos que 11 pilotos comandaram a prova, em 25 mudanças de líder durante as 200 voltas de corrida. Ficou claro que a vitória viria nos detalhes, e o sangue frio de Dario Franchitti e a Ganassi – que nesta etapa lhe deu um carro excepcionalmente azul - levaram a melhor neste cenário tão complexo.
O pole Ryan Briscoe (Penske) manteve a ponta na largada, ainda com sol na cidade de Chicago. A ‘largada-foguete’ do dia foi mais uma vez de Tony Kanaan, que foi de 13º para 8º por fora, acreditando mais que os outros na aderência dos pneus ainda frios.
Marco Andretti, que largou em 5º, logo começou a escalar o pelotão e ultrapassou Will Power, Helio Castroneves e Dario Franchitti para alcançar o 2º lugar até que a primeira bandeira amarela foi acionada.
Power quase perdeu o controle na saída da curva 2 e provocou hesitação no pelotão traseiro, fazendo com que Alex Lloyd (Dale Coyne) empurrasse Thomas Scheckter para o muro. Raphael Matos tentou escapar pelo lado de fora, mas, espremido, também bateu. Lloyd teve um pneu traseiro deschapado e correu para os pits.
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Kanaan, também de pintura nova, foi o 5º; Carpenter mostrou potencial em sua volta
Vitor Meira também foi envolvido, mas com menos gravidade: um dos destroços da batida quebrou seu bico, obrigando o brasileiro a entrar nos pits e cair para último lugar – posição esta que não demoraria para cair nas mãos de Milka Duno (Dale Coyne), que continua a ter um tormento quando vai tomar voltas. A IRL advertiu a venezuelana quanto ao seu fraquíssimo desempenho, mas não tomou qualquer atitude até o momento.
Scheckter estava a bordo do carro #36 da Conquest, que nas duas últimas corridas havia sido do fraco italiano ‘pagador’ Francesco Dracone, que diante dos fracos resultados não deve voltar tão cedo. Resta saber se o brasileiro Mario Romancini, o primeiro titular do carro, poderá voltar a pilotá-lo ainda este ano. Faltam ainda três provas na temporada 2010: Kentucky, Motegi (Japão) e Homestead – todas elas em oval.
A retomada da corrida aconteceu a partir da volta 14 e Marco Andretti logo desafiou o líder Ryan Briscoe, andando muito tempo emparelhado com o australiano. Dan Wheldon, Helio Castroneves e o regresso Ed Carpenter (Vision/Panther) se destacavam nesta parte da corrida, correndo atrás dos líderes emparelhados. Franchitti e Power vinham não muito longe.
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Helinho teve problemas no pit stop - procedimento que decidiu a prova
A primeira rodada de pits teve que ser feita durante bandeira verde e foi inaugurada no giro 56 por Helio Castroneves, Dan Wheldon e Tony Kanaan – Helinho teve problemas com a mangueira de reabastecimento e caiu para 20º, sendo obrigado a fazer uma prova de recuperação. Assim que todos reabasteceram e colocaram pneus novos, Briscoe reassumiu o controle, com Andretti colado. Franchitti já dava mostras de um bom desempenho com carro leve e entrou em 4º, mas seu eficiente time de box o fez ganhar mais uma posição.
O sobe-e-desce de posições cessou na volta 79, quando Bia Figueiredo, que estava em um bom 17º lugar abriu demais a trajetória na curva 4 e beijou o muro, provocando nova bandeira amarela. Não houve destroços, mas as suspensões da direita foram comprometidas no impacto, fazendo com que a equipe recolhesse o carro para as garagens e só o liberasse 45 minutos depois para que a brasileira – que tentará correr a etapa de Homestead no carro do ainda convalescente Mike Conway - voltasse à pista.
O período com Pace Car seria relativamente rápido, não fossem as trapalhadas realizadas por alguns competidores durante o período, que acabou se estendendo por longas 12 voltas. Com exceção de Sarah Fischer (Sarah Fischer), que tentou uma sacada tática, todos os pilotos entraram para mais uma maratona de pits.
Jim Raines - IRL
Vitor Meira quebrou dois bicos, chegou a tomar volta, mas chegou num bom 9º lugar
Em um lance pra lá de estranho (e não totalmente esclarecido), Hideki Mutoh (Newman-Haas) bateu em seu conterrâneo Takuma Sato (Lotus KV) no pitlane, ‘ajudado’ por outro carro da KV, de Ernesto Viso, que não escapou ileso da confusão e também abandonou. O saldo foi uma suspensão quebrada para ambos da KV e um ‘passeio’ em apenas três rodas para Mutoh, que não estava com a roda dianteira esquerda fixada em seu carro. Teve que voltar aos boxes para colocar uma roda nova.
Quando tudo indicava a liberação dos pilotos para a bandeira verde, Alex Tagliani (Fazzt), que não se destacava na prova, surgiu com o carro todo retorcido, visivelmente com uma suspensão traseira quebrada. Mutoh novamente envolveu-se na encrenca, juntamente com Vitor Meira, que aparentemente empurrou o carro do japonês para cima de Tagli e teve mais um bico quebrado – e uma nova visita aos pits a fim de reparos.
A ação voltou a rolar a partir da volta 90. Sarah Fischer, que havia permanecido na pista, liderou a relargada, mas logo na passagem seguinte seria ultrapassada por Briscoe, que retomou a ponta. Para quem esperava, entretanto, que Sarah fosse engolida pelo resto do pelotão, julgou mal. A norte-americana, fazendo um traçado extremamente defensivo e limpo, não deixava margem para que os pilotos atrás de si conseguissem superá-la.
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Sarah Fischer [67] não se intimidiu e segurou vários adversários como Franchitti e Andretti
Essa excelente defensiva (tem todos os ingredientes para ser o melhor momento da piloto no ano) durou até a volta 108, quando Will Power, que começou a agir mais agressivamente, finalmente ‘furou’ o bloqueio dela e tomou o 2º lugar, acabando com a folga de Briscoe. No giro seguinte, Marco Andretti também conseguiu passar Sarah e ela finalmente foi para o box na volta 112, pois seu combustível havia acabado. A esta altura da corrida, Franchitti era apenas o 13º colocado.
A briga permaneceu forte até mais uma rodada de pits, inaugurada na volta 136 pelo próprio líder Briscoe, seguido nessa por Kanaan e Andretti. Ao fim dos procedimentos, na 143, o novo líder era Dan Wheldon, um dos que entrou mais tarde, seguido por Ryan Hunter-Reay. Ed Carpenter, que fazia uma boa exibição (elevada à ‘ótima’, se considerarmos seu limitado talento), arruinou sua corrida ao abusar da entrada do pit, tomando um drive-thru de punição. Como se não bastasse o castigo, seu pit stop foi extremamente problemático.
Power e Andretti, mais agressivos do que nunca, tomaram as primeiras posições, em um momento da prova que teve vários triwides, ou seja, emparelhamento simultâneo de três carros nas retas e curvas de Chicagoland – houve até um duplo na volta 152: Wheldon, Power e Andretti na ‘fila 1’ e Hunter-Reay, Briscoe e Dixon na ‘fila 2’.
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Power e Andretti - os mais agressivos e responsáveis por vários 'triwides'
O momento da corrida era crítico, pois pilotos não conseguiriam terminar a prova sem fazer ao menos um splash-and-go. Essa tensão acabou a 30 voltas para o fim, quando Alex Lloyd, que estava várias voltas atrás por causa de seu acidente no começo, deu uma rodada espetacular na saída da curva 4, atravessando o gramado interno da reta principal sem bater em nada. O motor do carro do inglês, que é amigo de Lewis Hamilton, morreu e a bandeira amarela foi acionada.
Pilotos imediatamente foram para os pits e o lance da corrida aconteceu no box da Ganassi. Franchitti, que corria em 9º e já estava economizando combustível e pneus, fez apenas um rápido reabastecimento, não trocou pneus e foi devolvido por sua equipe de box à frente de todos, apostando que tinha borracha suficiente para cobrir 62 voltas.
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Final apertado - Franchitti, Wheldon, Andretti e Hunter-Reay apareceram na mesma foto!
Power, que assumiu o 2º lugar, também fez um pit stop muito rápido. Rápido demais, por sinal. Na ânsia de liberar o australiano logo para a pista, a Penske colocou etanol insuficiente em seu tanque e ele pagou caro por isso, tendo que entrar por mais combustível a apenas 4 voltas do fim. O 16º lugar como resultado explica o desastre, fazendo sua diferença no campeonato para Franchitti despencar de 59 para 23 pontos.
Para completar o dia extremamente negativo para a Penske, Briscoe, que já havia garantido os dois pontos extras pela liderança do maior número de voltas, pegou sujeira na parte externa da curva 2 e caiu várias posições na volta 180, fechando a prova num igualmente decepcionante 11º lugar. Helinho foi quem ‘salvou’ um pouco a moral do time, já que recuperou-se do problema sofrido no 1º reabastecimento e chegou em 6º após vagar pela 20ª posição.
Dan Wheldon herdou o 2º lugar assim que Power começou a diminuir por causa da escassez de combustível. Ao invés de atacar o líder Franchitti, trabalhou no vácuo dele para que se distanciassem do pelotão dianteiro. A tática deu certo e Dario cruzou a bandeirada após as 200 voltas com menos de um carro de diferença para o britânico, mesma distância para Andretti, nesta que foi a reedição do podium ocorrido nas 500 Milhas de Indianápolis deste ano.
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O podium de Chicago: Dario, Dan e Marco - o mesmo da Indy 500 deste ano
Confira o resultado da corrida em Chicago, 14ª etapa
1) Dario Franchitti (Ganassi), 200 voltas em 1h47min49s5783
2) Dan Wheldon (Panther), + 0.0423
3) Marco Andretti (Andretti), + 0.1051
4) Ryan Hunter-Reay (Andretti), + 0.1631
5) Tony Kanaan (Andretti), + 0.3408
6) Helio Castroneves (Penske), + 0.4868
7) Justin Wilson (Dreyer & Reinbold), + 0.5953
8) Scott Dixon (Ganassi), + 0.9137
9) Vitor Meira (Foyt), + 0.9588
10) Graham Rahal (Newman-Haas), + 0.9841
11) Ryan Briscoe (Penske), + 1.0185
12) Bertrand Baguette (Conquest), + 1.0833
13) Hideki Mutoh (Newman-Haas), + 1.3042
14) Danica Patrick (Andretti), + 1.5658
15) Sarah Fisher (Sarah Fisher), + 1 volta
16) Will Power (Penske), + 1 volta
17) Mario Moraes (KV), + 1 volta
18) Davey Hamilton (De Ferran Dragon), + 1 volta
19) Milka Duno (Dale Coyne), + 3 voltas
20) Ed Carpenter (Panther/Vision), 179 voltas
21) Jay Howard (Sarah Fisher), 162 voltas
22) Alex Lloyd (Dale Coyne), 162 voltas
23) Simona de Silvestro (HVM), 150 voltas
24) Ana Beatriz (Dreyer & Reinbold), 88 voltas
25) Alex Tagliani (Fazzt), 85 voltas
26) Takuma Sato (KV), 80 voltas
27) Ernesto Viso (KV), 80 voltas
28) Tomas Scheckter (Conquest), 4 voltas
29) Raphael Matos (De Ferran Dragon), 4 voltas
Volta mais rápida: Dixon, 0:25.0486 (4ª)
Faltam apenas 3 etapas para o fim da temporada 2010 da Indy Racing League - todas em circuito oval. A próxima será em Kentucky, já na próxima semana, em 04 de setembro.