Power fatura acidentada prova em Toronto e dispara na tabela
Terça-feira, 20 de Julho de 2010, 13:32
Resumo oficial da IRL da etapa de Toronto, 4ª vitória de Will Power
Lucas Giavoni
E ninguém segura o australiano. Will Power (Penske) ganhou a etapa de Toronto e segue mais líder do que nunca, agora contando com quatro vitórias na temporada. Dario Franchitti (Ganassi) chegou em 2º, mesma posição que ocupa no campeonato. Ryan Hunter-Reay (Andretti) chegou em 3º, perseguido por seu companheiro Tony Kanaan, que veio a ser o melhor brasileiro desta acidentada prova canadense. Batidas causaram nada menos que 6 bandeiras amarelas e 21 das 85 voltas da corrida foram sob a tutela do Pace Car.
Graham Rahal, de volta à equipe Newman-Haas, chegou em um competitivo 5º lugar, saindo impune de um empurrão que deu em num rival durante a corrida. Danica Patrick (Andretti) ficou em 6º lugar. O pole-position Justin Wilson (D&R), que rodou no fim da corrida, ainda teve tempo de recuperar algumas posições para cruzar em 7º. Marco Andretti (Andretti) chegou em 8º, seguido por Simona de Silvestro (HVM), em seu melhor resultado no ano.
Dan Wheldon (Panther) completou os 10 mais, novamente em uma corrida de recuperação ao sofrer um atraso logo no começo, quando caiu para último. Ele foi seguido por Vitor Meira (Foyt), que largou em último, arriscou na tática de pits e chegou a andar em 2º. Mario Moraes (KV), ‘atuante’ em duas batidas durante a corrida, terminou em 14º, 1 volta atrás. Raphael Matos (De Ferran Dragon), Mario Romancini (Conquest) e Helio Castroneves (Penske) não completaram a prova – todos envolvidos em acidentes que centralizaram as atenções na estreita e ondulada pista de Toronto.
Começo nada vencedor
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Wilson (destaque) na ponta e Helinho (esq.) por dentro, deixando Power indefeso
Em seu 4º triunfo em 2010, Will Power começou a prova com o pé esquerdo. E isso aconteceu tanto no sentido literal quanto no figurado. O australiano, que dividia a primeira fila com o pole Justin Wilson, realmente teve que usar o pé esquerdo para frear e não bater em um esperto Helio Castroneves, que, vindo da 2ª fila, mergulhou por dentro e fez o colega de Penske ficar também indefeso às tentativas – bem sucedidas – de ultrapassagem por parte de Ryan Hunter-Reay e da dupla da Ganassi, Dario Franchitti e Scott Dixon.
O saldo para Power foi completar a volta inicial na 6ª posição – ou seja, um começo bem azarado, pé esquerdo. Entretanto, talvez Dan Wheldon tenha sido ainda mais desafortunado, já que quebrou o bico e caiu para o último lugar, tendo que iniciar corrida de recuperação, assim como havia acontecido em Watkins Glen.
Na volta seguinte à largada, Franchitti passou Hunter-Reay e ficou com o 3º lugar. No giro 9, Power começou a agir e passou Dixon, ficando com o 5º lugar. Na frente dele seguiam Wilson, Helinho, Franchitti e Hunter-Reay.
Mostre-me a amarela
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Da volta 17 até a 34 foram 4 bandeiras amarelas seguidas: muito trabalho para o Pace Car
A rotina dos pilotos em Toronto mudaria por completo a partir da volta 16. Takuma Sato, que faz uma acidentada temporada de estreia na IRL pela KV, adicionou mais uma batida à sua já volumosa coleção. Desta vez, porém, só cabe ao japonês a responsabilidade por ter sido ousado contra quem não conseguiu fazer um bom julgamento de como andar emparelhado com outro carro: Mario Moraes, seu próprio companheiro de equipe.
Sato, colocando extrema pressão, mergulhou seu carro por fora na entrada da curva 3, melhor trecho de ultrapassagens, logo após a maior reta do circuito. Moraes, que tinha a tomada interna de curva para defender a posição – um 19º lugar -, espremeu de modo desnecessário o colega na parte externa na frenagem. Os carros se tocaram e Sato foi lançado ao muro, só parando na área de escape, com as suspensões destruídas e a primeira chamada de bandeira amarela em todo o circuito na volta 17.
Com exceção do veterano piloto da casa Paul Tracy (KV) e Vitor Meira, que estavam no pelotão de trás e resolveram arriscar a permanência na pista, os demais pilotos se encaminharam para os boxes, fazendo a primeira maratona de pits do dia. Wilson perdeu posições para Helinho e Dario, enquanto Power ganhou a de Hunter-Reay. Tony Kanaan também saiu no lucro, abiscoitando a posição de Dixon em um eficiente trabalho de pneus e reabastecimento por parte da Andretti.
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Uma das batidas foi de Helinho, que errou e lamentou a chance perdida de vencer
A bandeira verde veio na volta 21, apenas para ser trocada pela amarela já na passagem seguinte. Em novo caso de batida na reta principal, Castroneves, de olho no 2º lugar, calculou mal o tempo de permanecer no vácuo de Meira e bateu o bico da Penske na traseira do carro de seu compatriota (que nada sofreu), perdendo o controle e colidindo contra a mesma mureta externa que vitimou Sato.
Competidores voltaram a acelerar na volta 26. Tracy manteve a ponta, mas Meira não conseguiu segurar o 2º lugar, perdendo terreno para Franchitti e Power. No pelotão do fundo, mais um acidente e nova intervenção do Pace Car por 4 voltas. Desta vez o protagonista foi Alex Lloyd, que bateu na curva 1.
A equipe Dale Coyne já estava, portanto, liberada para empacotar tudo, já que a companheira de Lloyd, Milka Duno, estava tão absurdamente lenta que o próprio time resolveu tirá-la da prova ainda na volta 8, para que ela não atrapalhasse os outros competidores que já haviam começado a dar volta na venezuelana. Fica o questionamento de quanto alguém tomará alguma providência contra Milka, que há muito tempo mostra que não tem a menor condição de competir na IRL.
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Com visual 'verdão', o vice-líder Franchitti chegou a comandar boa parte da prova canadense
Mas voltemos à corrida, que teve nova verde na volta 31. Dario pressionou Tracy, seu ex-companheiro dos tempos de equipe Green na CART, e passou no giro posterior em freada extremamente tardia, porém precisa. Enquanto isso, Wilson também achou um jeito de passar Meira pelo 4º lugar. Quando tudo parecia encaminhar-se para o andamento normal da prova, mais um acidente aconteceu. Em uma tentativa ligeiramente otimista, Mario Moraes tentou superar Dan Wheldon, passou da freada e mandou Mario Romancini, que estava à frente dos dois, para a barreira de pneus. Moraes anotava sua segunda vítima do dia, saindo novamente impune.
Tracy e Meira finalmente ficaram sem combustível e aproveitaram essa nova bandeira amarela – a 4ª do dia – para finalmente fazerem seus pits. Dario já era líder, mas agora era seguido por Power, Wilson, Hunter-Reay e Kanaan. A relargada veio na volta 35 e a única alteração significativa entre os líderes foi a ultrapassagem de Dixon em Kanaan pelo 5º lugar.
Passada a sequência de 4 amarelas seguidas, pilotos voltaram para a situação inicial de prova. Dario manteve a ponta até inaugurar, em bandeira verde, a segunda rodada de pits na volta 54. Power e Wilson, que eram 2º e 3º, pararam uma volta depois e conseguiram voltar à frente do escocês, mas desta vez com Justin retomando a ponta. Dixon também conseguiu no box melhorar uma posição, passando Hunter-Reay pelo 4º lugar.
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Parece que Dario roubou o traje verde de Kanaan, que correu de azul claro em Toronto...
Tony seguia em 6º. Atrás dele, Graham Rahal pressionava Ryan Briscoe (Penske) pelo 7º lugar. Na volta 61, o filho do tricampeão Bobby perdeu a compostura e empurrou Ryan na freada da curva 3, fazendo com que o carro do rival desse meio giro e quebrasse o bico na mureta externa – sim, a mesma batizada por Sato e Castroneves -, enquanto se arrastava para a área de escape. Não apenas o norte-americano ficou impune como o incidente não foi suficiente para provocar bandeira amarela, fazendo com que Briscoe caísse para 21º - último entre os carros da pista.
Na volta 65, porém, o enrosco entre Raphael Matos e Ernesto Viso (KV) engarrafou a fatídica curva 3 e provocou a 5ª intervenção do Pace Car. Depois das 5 voltas em ritmo lento para a retirada dos dois carros – que abandonaram – o recomeço foi decisivo para o desfecho da prova.
Desfecho em uma só volta
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Hunter-Reay espalhou demais na ultrapassagem e nocauteou Dixon, que foi para o muro...
Assim que os pilotos reaceleraram, na volta 71, Power passou Wilson e assumiu a ponta. Hunter-Reay, de olho em retomar seu 4º lugar perdido no box, passou Dixon na marra na fatídica curva 3, espalhando seu traçado e mandando o neozelandês pra mureta. Esta foi, porém, foi uma batida normal de corrida, muito diferente das presepadas de Rahal em Briscoe e de Moraes em Sato.
Apenas duas curvas depois do toque pelo 4º lugar, Wilson cometeu um erro e rodou, sendo ultrapassado por um pelotão inteiro. Apenas dois pilotos não o fizeram: Alex Tagliani (Fazzt), outro piloto da casa, e Tomas Scheckter (D&R), novamente no carro do ainda convalescente Mike Conway. Somente na batida deles – de novo na curva 3 – é que a bandeira amarela geral foi lançada.
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...enquanto Wilson rodava e praticamente selava o destino do pelotão dianteiro
Assim que a poeira abaixou foi possível ver a nova ordem da corrida. Power era o novo líder, agora seguido por Franchitti, Hunter-Reay - que conseguiu segurar Kanaan – e Rahal. A 6ª e última saída do Pace Car foi a última do dia e a mais curta, de apenas duas voltas. Assim que a prova recomeçou, a ordem dos cinco primeiros se manteve inalterada e o único protagonista de ultrapassagens foi Wilson.
Com a rodada, o grandalhão inglês havia caído para 12º. Mas em apenas 10 voltas, realizou ultrapassagens em Hideki Mutoh (Newman-Haas), Dan Wheldon, Vitor Meira, Simona de Silvestro e Marco Andretti (Andretti) – diminuindo um pouco o prejuízo pelo erro cometido e saindo de Toronto com 29 pontos: 26 mais o ponto pela pole e os dois pontos por ter sido o piloto que mais liderou.
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No podium, Hunter-Reay sacaneia o vencedor Power. Gelo na nuca!
Dallara é o chassi do futuro
No fim de semana da prova de Toronto a IRL finalmente decidiu seu futuro chassi, que será adotado em 2012. A Dallara Automobili foi a escolhida por um comitê interno (Gil de Ferran foi um dos votantes) e desbancou 4 outras concorrentes – BAT Engineering, DeltaWing, Lola e Swift. A fabricante italiana é a atual fornecedora de chassi, atualizado-o pela última vez em 2005 (para poder correr em circuitos mistos), e está na categoria desde 1997.
A proposta vencedora da Dallara foi a de criar um carro mais barato e leve que o atual, mantendo as mesmas especificações de segurança, já que a célula de sobrevivência é praticamente a mesma. O novo carro poderá ser aproveitado por inteiro ou apenas sua base – assoalho e cockpit. Essa opção permitirá que equipes façam seus próprios pacotes aerodinâmicos, desde que não ultrapassem um teto financeiro determinado pela IRL (US$ 70 mil por kit) e disponibilizem as peças para venda a outras equipes. Times poderão usar até dois pacotes diferentes por temporada.
Indycar
Este será o layout básico do chassi 2012 da IRL, criado pela Dallara
O desenho básico tem como atrativo a proteção para as rodas traseiras, que tem como finalidade acabar com os contatos roda-a-roda que possam fazer o carro decolar, como aconteceu no acidente de Mike Conway em Indianápolis. A Dallara tem contrato de fornecimento de chassi até 2015 e vai construir uma nova fábrica em Indianápolis, EUA, nas cercanias do Indianapolis Motor Speedway e do escritório da IRL.
Para completar o pacote 2012, os novos motores serão anunciados ainda este ano. Os planos da Indy são de mudança completa. A ideia é acabar com o monopólio – apenas a Honda fornece atualmente – e ter uma nova configuração de motor. Saem os V8 3,5L aspirados de 650 cavalos e entram propostas de motores turbo de 6 cilindros e 2,4L, que devem render entre 550 e 750 cv.
A nova unidade ainda deverá ser dotada de um sistema push-to-pass que garanta 100 cavalos extras por alguns segundos. Há estudos para a adoção de sistemas regenerativos de energia como o KERS. O combustível, por força de um acordo comercial, permanece sendo o etanol de cana-de-açúcar brasileiro, assim como a norte-americana Firestone permanecerá com o monopólio de fornecimento de pneus.
Indycar
Equipes poderão criar seus próprios pacotes aerodinâmicos a partir do chassi 'pelado'
Confira o resultado da corrida em Toronto, 10ª etapa do campeonato
1) Will Power (Penske), 85 voltas em 1h47min15s2554
2) Dario Franchitti (Ganassi), + 1.2757
3) Ryan Hunter-Reay (Andretti), + 1.7605
4) Tony Kanaan (Andretti), + 3.5382
5) Graham Rahal (Newman-Haas), + 9.7349
6) Danica Patrick (Andretti), + 11.9439
7) Justin Wilson (Dreyer & Reinbold), + 12.3783
8) Marco Andretti (Andretti), + 16.3360
9) Simona de Silvestro (HVM), + 21.5321
10) Dan Wheldon (Panther), + 23.1537
11) Vitor Meira (Foyt), + 25.8960
12) Hideki Mutoh (Newman-Haas), + 26.2878
13) Paul Tracy (KV), + 1 volta
14) Mario Moraes (KV), + 1 volta
15) Tomas Scheckter (Dreyer & Reinbold), + 1 volta
16) Bertrand Baguette (Conquest), + 1 volta
17) Alex Tagliani (Fazzt), + 1 volta
18) Ryan Briscoe (Penske), + 2 voltas
19) EJ Viso (KV), + 3 voltas
20) Scott Dixon (Ganassi), 71 voltas
21) Raphael Matos (De Ferran Dragon), 64 voltas
22) Mario Romancini (Conquest), 31 voltas
23) Alex Lloyd (Dale Coyne), 26 voltas
24) Helio Castroneves (Penske), 21 voltas
25) Takuma Sato (KV), 15 voltas
26) Milka Duno (Dale Coyne), 8 voltas
Volta mais rápida: Power, 1:01.3934 (41ª)
A Indy permanece no Canadá para mais uma etapa, a de Edmonton, também realizada em circuito de rua, com um trecho dentro do aeroporto da cidade. A corrida será já no próximo fim de semana, em 25 de julho.