Indy | 550 Quilômetros do Texas

Em noite de redenções, Briscoe
vence prova no oval do Texas

Domingo, 06 de Junho de 2010, 14:12

Resumo oficial da IRL da Texas 550K, prova vencida por Briscoe

Lucas Giavoni

Dois pilotos que fracassaram em Indianápolis foram os destaques dos 550 Quilômetros do Texas, prova disputada em pista oval na noite deste sábado (5). Ryan Briscoe (Penske), que havia batido justamente quando disputaria a liderança, venceu a corrida e Danica Patrick (Andretti), repreendida por declarações infelizes, foi a 2ª colocada. Tony Kanaan (Andretti) foi o brasileiro mais bem colocado, com o 6º lugar. A corrida foi morna e só tornou-se quente demais com o acidente de Simona de Silvestro (HVM): o carro da suíça incendiou-se, mas ela saiu sem ferimentos graves.

A equipe Andretti conseguiu um bom acerto para a corrida texana, tanto que atrás de Danica veio Marco Andretti em 3º, completando o podium. E depois da dupla da sempre competitiva Ganassi, Scott Dixon (4º) e Dario Franchitti (5º e novo líder do campeonato), vieram Kanaan e Ryan Hunter-Reay - este, por sinal, terá que negociar com a equipe de Michael Andretti para continuar correndo, já que seu contrato publicitário acabou nesta prova.

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Briscoe caubói

Briscoe comemorou a vitória à moda do Texas: chapeu de vaqueiro e tiros pra cima

Alex Lloyd (Dale Coyne), que havia conseguido um ótimo 4º lugar em Indianápolis, voltou a andar bem e terminou em 8º, seguido por Dan Wheldon (Panther) e o brasileiro Vitor Meira (Foyt), que fechou o Top Ten.

Raphael Matos (De Ferran Dragon) e Mario Romancini (Conquest) chegaram em 16º e 17º, respectivamente, tomando duas voltas. Helio Castroneves (Penske) e Mario Moraes (KV) não completaram a prova porque bateram um no outro na volta 129 (das 228 da corrida), ainda levando no choque o rookie belga Bertrand Baguette (Conquest).

Mais nos boxes que na pista

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Maratona nos pits

Pits ajudaram a movimentar mais as posições do que ultrapassagens na pista

A prova no Texas teve mais movimentação de posições durante os pit stops do que dentro da pista, muito em parte porque a grande maioria das paradas para pneus e reabastecimento ocorreu durante as várias bandeiras amarelas acionadas, o que provoca a tradicional maratona coletiva rumo aos boxes. Da mesma forma que Ryan Briscoe, que largou em primeiro, perdeu posições nessas paradas, se reergueu praticamente da mesma maneira.

Na bandeira verde, Briscoe manteve a ponta, seguido pelo vencedor da Indy 500, Dario Franchitti, e seu companheiro de Penske e conterrâneo Will Power. A ordem se manteve a mesma até que Power, que chegou a cair para 4º ao ser superado por Scott Dixon, conseguiu pular para 2º ao ultrapassar Franchitti.

Danica começou a aparecer bem na prova desde o começo. Oitava colocada no grid, a norte-americana não foi bem nas voltas iniciais, chegando a cair para 11ª posição na volta 11. A partir de então, emplacou uma série de ultrapassagens em Ernesto Viso (KV), Marco Andretti, Dan Wheldon, Helio Castroneves e Alex Lloyd. Na volta 43, passou Dixon e alcançou o 4º lugar. Parece que as críticas recebidas por ter falado mal do acerto de eu carro em Indianápolis mexeu com os brios da baixinha.

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Danica avança

Danica fez uma série de ultrapasagens no começo da corrida, como em Marco Andretti

A primeira bandeira amarela – e primeira chamada para a maratona nos pits aconteceu três giros depois, 46ª, quando detritos na curva 2 tiveram que ser tirados por carros de serviço. No corre-corre no pitlane, Franchitti arrancou na frente, seguido por Power, Danica, Dixon e Briscoe, que perdeu bastante tempo. Tony, que entrou em 10º, foi beneficiado por um excelente trabalho de equipe e voltou em 6º, logo atrás do ex-líder.

A bandeira verde voltou a tremular na volta 52, mas durou muito pouco tempo. Takuma Sato (KV) foi de encontro ao muro da curva 2 quando a suspensão dianteira de seu carro quebrou, dando ao japonês um grande susto – e não mais que isso, já que o ex-piloto de BAR e Super Aguri na Formula 1 saiu ileso. A pista foi liberada em 9 voltas e a relargada aconteceu na 66ª, exato terço da corrida, com Dario na frente, seguido por Power e Briscoe, que pulou melhor que Danica.

Dixon também encontrou um jeito de passar Danica e pular para 4º lugar antes que um novo – e desta vez preocupante - acidente demandasse a entrada do Pace Car na volta 98. Simona de Silvestro bateu na mesma curva 2 de Sato, mas a lateral direita do bólido, destruída com o choque no muro, começou a pegar fogo, que aumentou de intensidade assim que o carro perdeu velocidade e parou.

Fogo, susto, despreparo

O incêndio no carro de Simona não foi combatido com rapidez - falha no resgate

Simona não conseguia sair sozinha do carro, já que o fogo havia chegado na região do cockpit. O primeiro serviço de resgate que chegou e os fiscais surpreendentemente não estavam carregando extintores portáteis, mas sim mangueiras que se acoplavam no próprio carro de serviço e que demoraram demais para funcionar. A novata suíça teve que ser puxada à força pelos fiscais, com o carro ainda em chamas, mostrando o despreparo da organização em uma situação destas.

Vale lembrar que desde o ano passado os carros da IRL usam como combustível o etanol (álcool etílico), que tem chama amarela, e não mais o metanol (álcool metílico), que tinha uma chama ‘transparente’, usada para não assustar os espectadores caso algum incêndio acontecesse – atitude um tanto hipócrita, já que dificulta o combate a qualquer incêndio. Felizmente toda a proteção anti-fogo usada pelos pilotos garantiu que Simona saísse do episódio com apenas algumas queimaduras na mão direita, usada como apoio na saída do carro.

Passado o susto, Tony Kanaan, último a sofrer um acidente com incêndio - na etapa de Edmonton do ano passado - não perdeu a oportunidade de fazer piada. O piloto deu ‘boas-vindas’ à Simona ao ‘Clube da Tocha’, em referência ao apelido de ‘Tocha Humana’ que ganhou com o episódio na pista canadense e que até rendeu assunto para uma fotomontagem do ULTIMAVOLTA, com Kanaan na pele do heroi de ação dos quadrinhos do Quarteto Fantástico, que virou filme em 2005.

Baixe aqui o wallpaper do UV com Tony 'Tocha' Kanaan

Final como o começo para Briscoe

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Briscoe e Danica

Briscoe assumiu a ponta, mas teve trabalho para conter a baixinha Patrick

Apagado o incêndio, era hora dos competidores novamente encararem o congestionamento do pit stop coletivo na volta 101. Não houve mudança de posição entre os ponteiros nesta parada, mas Power, que era 2º, resolveu completar o tanque 6 voltas depois (ainda em bandeira amarela), fazendo uma arriscada variação tática e caindo para o 19º lugar.

A ação voltou no giro 112, com Franchitti, Briscoe, Dixon, Danica e Kanaan nas 5 primeiras posições. Então veio o único ponto negativo da ótima exibição de Danica Patrick na noite texana: ela perdeu a compostura e deu na volta 120 uma tremenda fechada em Tony, que perdeu embalo, 5 posições e qualquer chance de chegar no podium.

No pelotão intermediário, Helinho lutava contra um carro fora do acerto ideal para recuperar as posições perdidas, uma vez que largou em 5º e estava num incômodo 14º. Nesta tentativa, na volta 130, ele tentou abrir espaço para superar Mario Moraes, que simplesmente não viu a aproximação da Penske. Os carros se tocaram e rodaram na reta principal, espalhando detritos em suas trajetórias erráticas. O novato Bertrand Baguette, que vinha logo atrás, fez uma manobra evasiva espetacular, pois evitou bater lateralmente nos carros rodados. Mas não conseguiu impedir que seu carro fosse danificado pelo aerofólio do carro de Helinho, sendo também obrigado a abandonar.

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Helinho e Moraes

Depois de sen enroscarem, Helinho foi tirar satisfação com Moraes

Nova bandeira amarela e terceira maratona coletiva aos pits, sem alterações entre os ponteiros. Entretanto, Alex Tagliani (Fazzt) e Will Power, que havia mudado de tática, resolveram permanecer na pista e viraram os líderes. A relargada veio na volta 138 e não demoraria para uma importante constatação ser feita: Franchitti, que havia dominado a prova desde a primeira rodada de pits tinha um carro ótimo para andar ‘de cara pro vento’, mas apenas mediano para enfrentar o tráfego ou andar no vácuo.

Briscoe sentiu o momentum e pulou para 3º, apenas esperando a hora de Power e do então líder Tagliani terem de reabastecer. O canadense entrou na volta 166, em plena bandeira verde, e acabou tomando volta. Will então segurou o comando por outras 4 voltas e Briscoe finalmente voltava à sua posição original – a ponta. E Danica já estava em 2º.

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Zerinhos de Briscoe

Briscoe comemorou a vitória com os 'zerinhos' criados por Alex Zanardi

A briga pela vitória entre os dois ganhou força no momento em que precisaram fazer seus últimos pits – seus primeiros em bandeira verde. Danica entrou nos boxes na volta 189, uma antes de Briscoe. Com pneus aquecidos, surpreendeu o rival e tomou a ponta. Mas isso só durou uma volta: o australiano retomou o comando na volta 193 para não mais perdê-lo até a bandeirada, pouco menos de 1,5s à frente da americana ao fim das 228 voltas no inclinado circuito do Texas Motor Speedway.

Will Power ficou em 3º até 4 voltas do fim, quando, após 58 giros com o mesmo tanque, não teve alternativa senão entrar nos boxes e fazer um splash and go, entregando o 3º lugar para Marco Andretti, que havia superado os carros da Ganassi e chegou 2,3s atrás. Power não apenas abriu mão de um lugar no podium, como também perdeu a liderança do campeonato, que vinha desde o começo da temporada, com a vitória na etapa de São Paulo: Dario Franchitti ultrapassou o australiano por apenas três pontos.

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Dario, o líder

Dario, 5º colocado, saiu do Texas como novo líder, 3 pontos à frente de Power

Confira o resultado da Texas 550K, 7ª etapa do campeonato

1) Ryan Briscoe (Penske), 228 voltas em 2h04min47s1555
2) Danica Patrick (Andretti), + 1.4629
3) Marco Andretti (Andretti), + 2.3162
4) Scott Dixon (Ganassi), + 3.0770
5) Dario Franchitti (Ganassi), + 7.5882
6) Tony Kanaan (Andretti), + 8.0664
7) Ryan Hunter-Reay (Andretti), + 13.9390
8) Alex Lloyd (Dale Coyne), + 14.3084
9) Dan Wheldon (Panther), + 15.0859
10) Vitor Meira (Foyt), + 15.8250
11) Ernesto Viso (KV), + 18.8687
12) Hideki Mutoh (Newman-Haas), + 23.0449
13) Tomas Scheckter (Dreyer & Reinbold), + 1 volta
14) Will Power (Penske), + 1 volta
15) Sarah Fisher (Sarah Fisher), + 1 volta
16) Raphael Matos (De Ferran Dragon), + 2 voltas
17) Mario Romancini (Conquest), + 2 voltas
18) Alex Tagliani (Fazzt), + 3 voltas
19) Justin Wilson (Dreyer & Reinbold), + 3 voltas

20) Helio Castroneves (Penske), 129 voltas
21) Mario Moraes (KV), 129 voltas
22) Bertrand Baguette (Conquest), 129 voltas
23) Milka Duno (Dale Coyne), 116 voltas
24) Simona de Silvestro (HVM), 97 voltas
25) Takuma Sato (KV), 56 voltas
26) Jay Howard (Sarah Fisher), 37 voltas

Volta mais rápida: Hunter-Reay, 0:24.2854 (117ª)


A próxima corrida da IRL será o quarto oval do ano - as 300 milhas de Iowa. A prova será disputada dia 20 de junho, daqui duas semanas