Indy | 500 Milhas de Indianápolis

Franchitti faz exibição perfeita e conquista novamente a Indy 500

Segunda-feira, 31 de Maio de 2010, 11:15

Resumo oficial da IRL sobre a Indy 500 2010, vencida por Franchitti

Lucas Giavoni

Mesmo diante das diversas batidas e variações táticas, prevaleceu aquele que se mostrou o melhor na pista. Dario Franchitti (Ganassi) venceu a edição 2010 das 500 Milhas de Indianápolis de modo incontestável, repetindo a sua conquista de 2007. Com o final o caótico causado pelos reabastecimentos de emergência e pelos acidentes – no principal, Mike Conway (D&R) quebrou a perna e seu carro ao meio -, Dan Wheldon (Panther) e Marco Andretti (Andretti) surgiram de surpresa como 2º e 3º, respectivamente. O melhor brasileiro da prova foi Helio Castroneves (Penske), o 9º, duas posições à frente do heroico Tony Kanaan (Andretti), que largou em último e chegou a disputar a liderança.

A corrida teve 9 bandeiras amarelas – 8 delas provocadas por acidentes. O mais grave - e único envolvendo mais de um carro - ocorreu justamente na última volta. Conway calculou mal uma ultrapassagem em cima de Ryan Hunter-Reay (Andretti) e tocou rodas com o adversário. O carro do inglês decolou e chocou-se com violência na tela de proteção, partindo ao meio e provocando no piloto uma fratura na perna esquerda.

Vídeo oficial da IRL com a forte batida de Mike Conway e Ryan Hunter-Reay

A batida fez com que Bia Figueiredo (D&R) rodasse e diversos pilotos diminuíssem a velocidade, obrigando a IRL a revisar o resultado da prova através das imagens da transmissão de TV. Alex Lloyd (Dale Coyne), Scott Dixon (Ganassi) e Danica Patrick (Andretti) perderam posição para Marco Andretti, que assim recuperou seu 3º lugar na pista. Outro beneficiado pela revisão do resultado da prova foi o brasileiro Mario Romancini (Conquest), que recuperou seu 13º lugar da rival Simona de Silvestro (HVM) e tirou da suíça o título de melhor estreante da prova.

Antes disso, o suspense ficou por conta da estratégia de combustível dos concorrentes. Dario usou a mesma tática que o fez campeão na decisão do campeonato 2009, em Homestead: economizou combustível e evitou o splash and go. Esta provou realmente ser a atitude correta: os seis primeiros colocados conseguiram dar 37 voltas com um tanque de etanol, poupando cerca de três voltas em relação a autonomia normal do motor Honda.

Vitória justa

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Dario Vencedor

Dario, junto da bela esposa Ashley Judd, driblou a pane seca e os acidentes para ganhar

Dario Franchitti liderou 155 das 200 voltas da prova em Indianápolis. Ninguém merecia mais a vitória do que o escocês, que aproveitou um equipamento excelente sem cometer qualquer erro, como aconteceu com os três pilotos da Penske, teóricos favoritos para a prova. A conquista de Dario começou a tomar forma já na sexta-feira (28), quando ele marcou o melhor tempo no Carb Day, último treino livre, e mostrou que tinha em mãos um carro com acerto espetacular para a corrida.

Essa boa forma do escocês foi mostrada logo na largada. Terceiro do grid, surpreendeu o pole Helio Castroneves e o 2º, Will Power, ambos da Penske, e assumiu a ponta. Mas a bandeira verde (agitada pelo famoso astro Jack Nicholson) não durou mais que duas curvas. No pelotão intermediário, Davey Hamilton, no interino 2º carro da Luczo Dragon/De Ferran, exagerou na saída da curva 2, perdeu o controle e bateu no muro interno da reta oposta, ganhando o indesejável título de primeiro competidor a abandonar.

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Largada da Indy 500

Na largada, Castroneves e Power seriam surpreendidos por Franchitti, que veio por fora...

Tony Kanaan começou sua aventura em Indianápolis na última posição (33º) – havia marcado o penúltimo tempo, mas resolveu trocar de chassi, o que provocou punição. Fez uma largada não menos que espetacular: passou nada menos que sete (!) carros por fora antes da batida de Hamilton, guiando com perfeição montado em pneus ainda perigosamente frios.

A relargada aconteceu na volta 5 e Castroneves começou a perceber que seu carro estava com uma incômoda tendência a sair de frente, enquanto Dario preparava para consolidar-se no comando. Nos ovais, porém, pior que um carro saindo de frente é um carro que saia de traseira. Foi o que descobriu Bruno Junqueira (Fazzt), que bateu de costas na volta 8, escapando na mesma curva 2 que vitimou Hamilton.

Bruno havia marcado o 4º melhor carro no Carb Day e mostrava boas chances de progredir de sua 25ª colocação no grid – já que, se participasse do Pole Day, certamente teria largado entre os 10 melhores. O atual piloto da DF Ford na Formula Truck havia sido chamado por Alex Tagliani para correr no segundo carro da Fazzt por ter cedido seu carro na edição passada da Indy 500, quando ambos corriam pela Conquest. Agora, estava fora...

Brett Kelley/IRL

Kanaan passando por fora

...exatamente o que fez Kanaan para incrivelmente passar 7 carros em apenas duas curvas

A nova intervenção do Pace Car durou 4 voltas e a bandeira verde voltou a tremular na 12ª. A esta altura, Kanaan já era o 17º colocado, ligeiramente beneficiado por alguns competidores que resolveram completar seus tanques de combustível. Dario manteve a ponta, enquanto Castroneves perdeu o 2º lugar para Power no momento em que o australiano marcava a melhor volta da prova. No giro 31, Will passou para a liderança quando ele e Franchitti davam volta no retardatário Hideki Mutoh (Newman-Haas), que tinha problemas de estabilidade e abandonaria a prova ainda antes da metade.

Dario repassou Power por fora no giro 36, mas em seguida eles entraram nos pits. Parecia estar ali a briga pela prova, já que ambos conseguiram abrir boa vantagem para Helinho. Mas Power cometeu o primeiro erro dos pilotos Penske do dia, ao sair de seu pit cedo demais, arrebentando a mangueira de combustível. Não houve fogo, mas pedaços do equipamento que ficaram presos se soltaram em sua volta à pista e provocaram nova bandeira amarela por detritos – além de jogar pela janela as chances do australiano de obter um bom resultado.

Dario voltou a liderar, com Helinho em 2º e Tagliani em 3º. O canadense da Fazzt, único durante os treinos a fazer frente aos carros da Penske e da Ganassi, mergulharia dali em diante para uma corrida discreta, bem diferente do que havia mostrado na qualificação. O exato contrário acontecia com Raphael Matos (Luczo Dragon/De Ferran), que largou em 12º e cresceu na prova. No giro 44, já estava no encalço de Castroneves, de olho na 2ª posição.

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Franchitti versus Power

Na ânsia de sair na frente de Dario, Power levou parte da mangueira de reabastecimento

A ordem Franchitti / Castroneves / Matos durou até a volta 65, quando John Andretti (Petty/Andretti), que já havia sido advertido pela direção de prova por bloquear adversários, provocou nova bandeira amarela ao bater seu carro 43 na “requisitada” curva 2. Nova maratona aos pits e foi a vez de Matos ter problemas: uma das rodas traseiras não foi fixada corretamente e o brasileiro rodou assim que arrancou com o carro, batendo de bico no muro dos pits – felizmente em atingir nenhum mecânico.

Mais atrás, outra porca solta: Scott Dixon (Ganassi) perdeu o pneu dianteiro esquerdo e muito tempo até remediar esta sempre embaraçosa situação. O neozelandês, que corria em 6º, caiu para 24º, uma posição atrás de Matos. Se Scott teria chance para recuperar-se na corrida (o que de fato aconteceu, já que chegou em 5º), Matos acabou sua corrida duas voltas depois da relargada, na 72: uma batida forte no muro da curva 1, ainda com os pneus frios.

A intervenção do Pace Car foi demorada e a relargada aconteceu apenas na 79. Dario manteve a ponta tranquilamente, seguido por Helinho, Ryan Briscoe e o ascendente Ed Carpenter (Vision/Panther), que deve fazer de sua participação na Indy 500 a sua única exibição do ano. Tony já era o 5º colocado e empolgava a torcida norte-americana no autódromo, sempre entusiasmada com histórias de volta por cima – o que lá eles chamam, sem qualquer trocadilho, de “Cinderella”.

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Matos e o muro

Matos chegou a aindar em 3º, mas se atrapalhou nos pits e depois encontrou o muro

A ordem dos cinco primeiros permaneceu inalterada até a aparição da 6ª bandeira amarela, no giro 106. Vitor Meira (Foyt) calculou mal uma ultrapassagem em cima de Simona de Silvestro, pegou a temível ‘farofa’ de pneus que se acumulava fora da linha ideal e ‘assinou’ o muro da curva 2, já apontando para a reta oposta. O carro da Foyt não quebrou, mas as suspensões do lado direito ficaram totalmente empenadas, provocando o abandono do brasileiro.

O acidente ocorreu num momento em que os competidores já estavam quase sem combustível. Carpenter mostrou isso ao ter que renunciar seu 4º lugar e entrar no pit ainda fechado, apenas para colocar uns poucos litros de etanol e não sofrer pane seca – um procedimento permitido pela direção de prova, uma vez que o competidor não se beneficia da situação. Deste modo, quando os boxes foram abertos, Ed caiu para 16º e ficou – permanentemente - de fora da luta do pelotão dianteiro.

O sul-africano Tomas Scheckter (D&R), outro que apareceu apenas para correr Indianápolis, arriscou permanecer na pista e tornou-se o novo líder. Atrás deles, todos estavam de tanque cheio e borracha nova: Franchitti, Castroneves, Kanaan e Briscoe, nesta ordem. A verde veio na volta 112 e só demorou duas passagens para que Franchitti e seu impecável Ganassi número 10 assumissem a ponta novamente. Kanaan superou Castroneves e também a Scheckter, assumindo o 2º posto e levantando ainda mais o público norte-americano.

Reuters Pictures

Scheckter e Franchitti

Scheckter chegou a liderar, mas logo seria engolido pelo impecável Franchitti

A perseguição a um carro nitidamente mais veloz, do líder Dario, fez com que Tony entrasse para novo pit stop uma volta mais cedo que o amigo e rival escocês – 142 a 143. Ryan Briscoe poupou combustível para ficar três voltas a mais na pista e surgiu forte neste momento-chave da corrida – a entrada para o último quarto de prova, momento de saber quem teria mais fôlego para o sprint final.

As possibilidades de Briscoe eram boas, mas sua paciência não. Após sua parada, na 146, o australiano voltou com muita sede ao pote e cometeu o segundo erro dos pilotos Penske: estampou seu carro no muro da curva 4, traído pelos pneus frios. Nova intervenção do Pace Car e Helio Castroneves resolveu fazer um pit para completar o tanque. Foi o momento de também completar os erros de pilotos Penske na tarde, já que deixou o carro morrer, perdendo muito tempo e ficando em último entre os que ainda estavam na mesma volta.

Marco Andretti estava crescendo na corrida e havia passado Kanaan nos boxes, já na mira do sempre líder Franchitti. Mas na relargada, na 156, Tony ultrapassou seu companheiro de equipe, voltando para o 2º lugar. Atrás deste trio, Tomas Scheckter e Dan Wheldon, outro que começou a aparecer, justamente nos momentos decisivos da prova.

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Briscoe e a Penske Destruída

Justamente no momento em que crescia na prova, Briscoe acertou o muro na reta principal

O período de bandeira verde não duraria muito. Sebastian Saavedra (Brian Herta) bateu na passagem 161. O novato colombiano, mais novo participante da prova no ‘alto’ de seus 20 anos e apenas uma temporada de Indy Lights no currículo, havia marcado o 33º e último tempo do grid, deixando de fora o veteraníssimo Paul Tracy (KV), com seus 41 anos e idade de sobra para ser o pai do concorrente...

Na volta 163, última maratona nos pits, evitada pelos novos líderes Mike Conway, Justin Wilson, Helio Castroneves e Graham Rahal, que haviam parado 24, 12, 8 e 9 voltas antes, respectivamente. Em seguida, o grupo do tanque cheio: Franchitti, Andretti, Kanaan e Wheldon. O pano verde foi mostrado na volta 166.

Como uma xerox da relargada anterior, Kanaan novamente passou Andretti, uma situação um tanto cômica, já que Tony não esconde que aprendeu a ‘arte’ com o patrão Michael Andretti, pai de seu companheiro de equipe. Conway, com o tanque mais seco da turma, só durou na liderança até a volta 177. O companheiro grandalhão Wilson herdou o comando, mas também não teve como evitar uma nova parada para combustível, o que aconteceu na 188.

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Helinho lidera

Helinho não seguiu a tática certa e teve que ceder a liderança a 12 voltas do fim

Helinho tornou-se o novo líder a 12 voltas para o fim, deixando-o muito perto de igualar o recorde de 4 vitórias na Indy 500 dos míticos AJ Foyt, Al Unser e Rick Mears. Mas não havia tanque que aguentasse 45 voltas na pista. O inevitável splash and go veio na 192, a apenas 8 da bandeirada. Helinho terminaria a jornada numa frustrante 9ª colocação, consciente que errou ao deixar o motor morrer no penúltimo pit.

Dario Franchitti voltou para a liderança, perseguido bravamente por Kanaan. Mas este, provando que estava fazendo muito mais do que seu carro permitia, também teve que completar o combustível a 4 voltas do fim, terminando sua participação heroica na prova num honroso 11º lugar – de longe, o piloto que mais se esforçou e mais escalou posições no grid.

A única dúvida que restava na prova era se Dan Wheldon, que tinha a mesma quantidade de combustível de Dario, conseguiria ameaçar aquele que tirou seu emprego na Ganassi. Essas dúvidas acabaram na penúltima volta, na forma do pavoroso acidente de Conway com Ryan Hunter-Reay, que disputavam o 8º lugar.

A bandeira amarela foi agitada pela última vez, justamente na última volta. Para Franchitti, tudo bem: em sua vitória em 2007, ele recebeu a quadriculara junto da bandeira vermelha, sob uma chuva torrencial. Desta vez, a vitória veio com muito calor: 31º C, novo recorde histórico da corrida.

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Dario vence

Bandeirada para Franchitti, novo bicampeão de Indianápolis; Wheldon pega ótimo 2º lugar

Scheckter é o substituto

A fratura na perna esquerda de Mike Conway – um prejuízo mínimo, dada a gravidade do acidente – deixará o britânico fora de ação por pelo menos três meses. Em seu lugar no carro número 24, a Dreyer & Reinbold chamou o ‘habitual’ Tomas Scheckter, que mostrou bom desempenho e só chegou em 15º porque foi obrigado a entrar nos pits justamente na última volta para não ficar com pane seca. Filho do campeão de Formula 1 de 1979 Jody Scheckter, Tomas tem duas vitórias na IRL, uma pelo extinto time de Eddie Cheever e outra pela Panther.

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Conway bate

Conway quebrou a perna na batida e ficará fora por 3 meses; Scheckter o substituirá

Confira o resultado revisado* da Indy 500, 6ª etapa do campeonato

1) [10] Dario Franchitti (Ganassi), 200 voltas em 3h05min37s0131
2) [4] Dan Wheldon (Panther), + 0.1536
3) [26] Marco Andretti (Andretti), + 23.5251
4) [19] Alex Lloyd (Dale Coyne), + 20.9876
5) [9] Scott Dixon (Ganassi), + 21.4922
6) [7] Danica Patrick (Andretti), + 21.7560
7) [22] Justin Wilson (D&R), + 25.9761
8) [12] Will Power (Penske), + 30.2474
9) [3] Helio Castroneves (Penske), + 33.0137
10) [77] Alex Tagliani (Fazzt), + 34.2482
11) [11] Tony Kanaan (Andretti), + 59.5957
12) [30] Graham Rahal (Rahal Letterman), + 59.9739
13) [34] Mario Romancini (Conquest), + 1:05.0219
14) [78] Simona de Silvestro (HVM), + 1:01.6745
15) [23] Tomas Scheckter (D&R), + 1 volta
16) [99] Townsend Bell (Sam Schmidt/Ganassi), + 1 volta
17) [20] Ed Carpenter (Vision/Panther), + 1 volta
18) [37] Ryan Hunter-Reay (Andretti), + 2 voltas [acidente]
19) [24] Mike Conway (D&R), + 2 voltas [acidente]
20) [5] Takuma Sato (Lotus KV), + 2 voltas
21) [25] Bia Figueiredo (D&R), + 4 voltas [acidente]
22) [36] Bertrand Baguette (Conquest), + 17 voltas

23) [29] Sebastian Saavedra (Bryan Herta), 159 voltas [acidente]
24) [6] Ryan Briscoe (Penske), 147 voltas [acidente]
25) [8] Ernesto Viso (KV), 139 voltas [dirigibilidade]
26) [67] Sarah Fisher (Sarah Fisher), 125 voltas [dirigibilidade]
27) [14] Vitor Meira (Foyt), 105 voltas [acidente]
28) [06] Hideki Mutoh (Newman-Haas), 76 voltas [dirigibilidade]
29) [2] Raphael Matos (Dragon/De Ferran), 72 voltas [acidente]
30) [43] John Andretti (Petty/Andretti), 62 voltas [acidente]
31) [32] Mario Moraes (KV), 17 voltas [acidente]
32) [33] Bruno Junqueira (Fazzt), 7 voltas [acidente]
33) [21] Davey Hamilton (Dragon/De Ferran), nenhuma volta [acidente]

Volta mais rápida: Power, 0:39.9840 (15ª)

* A IRL revisou o resultado devido a batida ocorrida na última volta envolvendo Mike Conway, Ryan Hunter-Reay e Bia Figueiredo


Com o fim das atividades em Indianapolis, a IRL parte imediatamente para o Texas, onde corre no oval de Fort Worth neste sábado, 5 de junho.