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Formula 1 | GP do Brasil - FINAL
Webber encerra jejum e fecha ano com vitória herdada em Interlagos
Domingo, 27 de Novembro de 2011
Getty Images
Longe da vitória desde o GP da Hungria de 2010, Mark repetiu no Brasil a vitória de 2009
Márcio Madeira da Cunha
Aproveitando-se de problemas no câmbio do companheiro Sebastian Vettel, Mark Webber liderou a dobradinha da Red Bull e alcançou em Interlagos sua única vitória na temporada. Jenson Button, vice-campeão mundial, completou o pódio após vencer uma longa batalha contra Fernando Alonso, 4º na corrida e no campeonato. Felipe Massa fez apenas duas paradas e fechou um ano sem pódio na 5ª posição, à frente de Adrian Sutil em grande atuação. Nico Rosberg, Paul di Resta, Kamui Kobayashi e Vitaly Petrov completaram os pontuadores, enquanto Rubens Barrichello, possivelmente se despedindo da F1, foi o 14º. Bruno Senna andava em 9º até envolver-se em acidente com Schumacher e sofrer punição, terminando na 17ª colocação.
Assim como o GP em Abu Dhabi, a etapa brasileira acabou sendo decidida em função de um problema enfrentado por Sebastian Vettel - ou, quem sabe, a alegação de um. Isso porque o atual bicampeão dominava com segurança mais uma corrida, quando começou a receber dos boxes mensagens de que precisava poupar sua caixa de câmbio, antecipando suas trocas de marcha. O tipo de problema que o faria andar mais devagar, sem contudo forçá-lo a abandonar de imediato. De forma talentosa ou conveniente, o fato é que Sebastian acabou por ser superado apenas por seu companheiro de equipe que, até então, não tinha nenhuma vitória no ano. Se, de fato, havia um vazamento de óleo, e qual sua gravidade, são dados que talvez jamais venham completamente à tona.
De qualquer forma, acabou sendo mais uma grande atuação por parte de Vettel, virando tempos competitivos dispondo de menos trocas de marcha do que seria normal. Uma situação que o levou a passar um rádio à equipe, dizendo que estava lembrando do que Senna havia passado naquela mesma pista, em 1991. Um comentário que mereceu a seguinte resposta por parte de seu engenheiro: "Então você deveria se sentir orgulhoso!"
Largada e posicionamento
Ciente desde o sábado à noite do problema com a nova caixa de câmbio do carro de Vettel (cuja troca foi efetuada sem punição após o abandono em Abu Dhabi), a equipe tinha basicamente duas opções: ou trocar a peça e perder 5 posições no grid - uma vez que a troca coringa não pode ser efetuada na última corrida do ano - ou arriscar manter a pole e tentar levar o carro até o final. No fim, a postura arriscada do time - que lhes valeu algumas vitórias ao longo do ano - acabou prevalecendo.
Outro que tinha problemas era Felipe Massa. Não bastasse o desgaste imposto a pneus macios antes mesmo da corrida, o brasileiro ainda teve um jogo destes perdido após a classificação, quando um pequeno furo foi observado num de seus pneus. Assim, desde antes da largada, o brasileiro já se via condenado a uma corrida de apenas duas paradas.
Na largada, o filme de sempre. Vettel pulou na ponta e tratou de abrir de imediato a vantagem que o manteria a salvo das asas móveis de quem vinha atrás. Os três primeiros colocados mantiveram suas posições, ao passo que as duas Ferraris, largando do lado limpo da pista, ganharam ambas uma posição cada: Alonso superou Hamilton, e Massa deixou Rosberg para trás. De resto, destaque (negativo) apenas para a péssima largada de Barrichello, que caiu para a 20ª posição, antes de superar o próprio companheiro de equipe, ainda na volta inicial.
A ordem, portanto, ao fim da 1ª volta, era a seguinte: Vettel, Webber, Button, Alonso, Hamilton, Massa, Rosberg, Sutil, Senna, Di Resta, Schumacher, Petrov, Buemi, Kobayashi, Kovalinen, Pérez, Alguersuari, Trulli e Barrichello.
Corrida de sobrevivência
A partir de então, as principais mudanças de posicionamento iriam se dar em decorrência direta ou indireta de problemas de ordem mecânica. Obviamente não foi o caso de Barrichello, teve facilidade para superar os conjuntos das equipes mais jovens, da mesma forma como Kovalainen, num carro sem kers, não teve meios de conservar as posições que havia ganho na boa largada.
Na 10ª volta Schumacher, que havia recuperado a posição em cima de Paul di Resta, havia alcançado Bruno Senna, que por sua vez tinha o carro bastante desequilibrado. O brasileiro se defendia como podia, mas na freada para o S do Senna já tinha o alemão mergulhando por fora. Bruno, de forma um tanto inexperiente, alargou demais a trajetória chegando a tocar com alguma intensidade a lateral do Mercedes. Mais à frente, no meio da curva, sua asa traseira acabou tocando o pneu traseiro esquerdo do heptacampeão, furando-o imediatamente. Não foi, certamente, uma disputa grosseira ou deliberada, mas acabou valendo uma punição ao brasileiro. Schumacher, por sua vez, perdeu uma volta, tendo de se arrastar pela pista até os boxes. Os dois estavam fora da briga pelos pontos.
A esta altura a Red Bull já sabia do problema de Vettel, e a McLaren passava mensagem semelhante a Lewis Hamilton. O inglês perseguia de perto a Ferrari de Alonso, que por sua vez pressionava a mcLaren de Hamilton. Com as Red Bulls afastadas entre si e despencadas na frente, esta era, sem dúvida, a grande disputa da corrida.
Na volta seguinte, uma manobra que ficará na história de Interlagos. Fernando Alonso aproximou-se muito de Button ao fim da reta oposta, com ajuda da asa móvel, e, tenho a trajetória interna bloqueada, posicionou-se por fora, buscando a melhor tração para a Descida do Lago. Button sofria com o equilíbrio de seu carro quando em pneus macios, de forma que os dois carros estavam muito próximos na entrada da curta reta em subida que leva ao Laranjinha. Jenson, no entanto, não estava preocupado, pois bastaria se manter por dentro para tornar impossível qualquer manobra naquele ponto da pista. Ao menos sempre havia sido assim.
Desta vez, no entanto, Alonso já estava lado a lado pelo traçado externo, e quando Button se deparou com detritos provenientes do carro de Schumacher, não teve mais como voltar ao traçado convencional. Aí, ou ele passava sobre os pedaços de fibra de carbono assumindo os riscos de arrumar também ele um pneu furado, ou teria de recolher e desviar, cedendo a posição. Calculista como é, Jenson ficou com a segunda posição, contribuindo para a realização de uma maravilhosa ultrapassagem.
Sem pneus para uma estratégia de três paradas, Felipe Massa se viu na liderança do GP após a 1ª rodada de pit stops, quando apenas ele não havia parado entre os líderes. Duas volts mais tarde, no entanto, Vettel já o tinha superando, fazendo uso de seus pneus novos. O alemão, no entanto, começava a perder terreno em relação ao companheiro de equipe, em função da pilotagem adaptada que vinha sendo obrigado a colocar em prática. Na 30ª volta, de forma osquestrada e combinada por ele mesmo, o bicampeão mundial tirou o pé no fim da reta cedendo a liderança a Webber.
Na 32ª volta Button foi aos pits, antes do que seria de se esperar. E, mais surpreendente ainda, o campeão de 2009 optou por colocar pneus médios, levantando as sombrancelhas de seus rivais diretos, ao insinuar a possibilidade de não parar mais até o fim da prova. Na verdade, o tempo mostraria, Button continuava com a mesma estratégia. Simplesmente, por mais estranho que pareça, seu carro rendia melhor com os pneus duros àquela altura. Foi, portanto, uma mudança crucial para a definição do último lugar do pódio.
Com o carro mais equilibrado Jenson caçou e superou Felipe Massa, pouco antes de Lewis Hamilton abandonar com problemas de câmbio. A esta altura Bruno Senna sofria do mesmo mal, mas assim como Vetel o brasileiro conseguiria levar o carro até o fim. Atrás da Lotus de Kovalainen, é verdade, mas ainda assim até o fim.
Com o carro rendendo bem quando equipado com pneus médios, Button começou a se aproximar de Fernando Alonso e, após a última troca do espanhol, a melhor adaptação da Mclaren aos compostos menos macios acabou conspirando a favor do inglês. Na 61ª volta ocorreu a ultrapassagem que definiria o pódio, e elevaria Mark Webber à 3ª posição na tabela de pontos, justamente à frente de Alonso.
Felipe Massa foi o 5º, a 30s de Alonso, e o último dos pilotos a não levar volta do líder. Atrás do brasileiro apareceu a Force India de Adrian Sutil, naquela que foi, provavelmente, a melhor atuação do dia. Com o resultado, o alemão conseguiu a nada desprezível 9ª posição no mundial, à frente de todos os pilotos da Renault. Nico Rsberg veio a seguir, servindo recheio no sanduíche de Force Indias. A competente 9ª posição de Kobayashi selou a 7ª colocação da Sauber entre os construtores, ao passo que a 10ª colocação de Petrov não bastou para mantê-lo à frente de Sutil na tabela de pontos.
De resto, destaque para a boa recuperação de Barrichello, autor de diversas ultrapassagens e da 6ª volta mais rápida da corrida. Terá sido uma despedida digna - se não espetacular - da F1, caso o veterano não consiga renovar sua permanência por mais um ano.
Vettel, Senna e Piquet
Getty Images
Ao superar Mansell com 15 poles no ano, Vettel colocou o bigode de homenagem ao Leão
Sem grandes emoções na pista, o GP do Brasil de 2011 se viu diversas vezes envolto num clima de certa nostalgia, a começar pelos treinos. A 15ª pole de Vettel estendeu um fio que ligou diretamente o atual bicampeão do mundo a nomes como Nigel Mansell e Ayton Senna. A Mansell, por razões óbvias, valendo inclusive uma foto do bicampeão com um improvisado bigode, fazendo referência ao antigo recordista.
E a Senna, porque se não fosse pelo brilhantismo do brasileiro, ao conseguir uma pole no GP do Canadá daquela temporada de 1992 com carro bastante inferior, o recorde ainda estaria sendo dividido. Ayrton também seria lembrado por Jérôme d'Ambrosio, que arrumou tempo para visitar seu túmulo, no cemitério do Morumbi.
Então veio o domingo, e nele o reencontro entre Nelson Piquet e o Brabham BT49C com o qual foi campeão mundial em 1981. Durante algumas voltas o legendário conjunto proporcionou aos torcedores nas arquibancadas o tipo de imagem que se conta com orgulho aos netos.
Divulgação
Desfilando com a Brabham trintona, Piquet estava em seu habitat natural
Por fim, mostrando que o tempo não o tornou menos provocativo, Piquet ainda teve tempo de sacar uma bandeira do Vasco, bem diante da torcida paulistana, num momento em que o time do Rio disputa o campeonato brasileiro justamente com o Corinthians. Alguns muitos fãs, que até então sempre pareceram se divertir com o jeito despojado do tricampeão, não acharam tanta graça desta vez. Aos mais novos, este é Nelson Piquet.
Na corrida, foi a vez de Vettel relembrar a vitória de Senna em Interlagos 1991, conforme narrado no início desta reportagem. E por fim, entre os capacetes, também diversas homenagens ao falecido tricampeão brasileiro. As principais delas vindas de Lewis Hamilton e Rubens Barrichello.
Rubens que, juntamente com Schumacher, é o que restou do tempo em que Senna e Mansell ainda corriam, e que pode ter feito, diante de sua torcida, a última apresentação de sua vitoriosa e longeva carreira na F-1. Se assim for, fica aqui o reconhecimento do ULTIMAVOLTAao valor de sua carreira e a tudo que Barrichello fez pelo automobilismo nacional pelas pistas do mundo nas duas últimas décadas.
Getty Images
A tradicional foto dos 24 "formandos", edição 2011
Confira o resultado do GP do Brasil, 19ª e última etapa de 2011
1) Mark Webber (Red Bull-Renault), 71 voltas em 1h32min17s434
2) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), + 16.983
3) Jenson Button (McLaren-Mercedes), + 27.638
4) Fernando Alonso (Ferrari), + 35.048
5) Felipe Massa (Ferrari), + 1:06.733
6) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 1 volta
7) Nico Rosberg (Mercedes), + 1 volta
8) Paul di Resta (Force India-Mercedes), + 1 volta
9) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), + 1 volta
10) Vitaly Petrov (Renault), + 1 volta
11) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
12) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
13) Sergio Pérez (Sauber-Ferrari), + 1 volta
14) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 1 volta
15) Michael Schumacher (Mercedes), + 1 volta
16) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), + 2 voltas
17) Bruno Senna (Renault), + 2 voltas
18) Jarno Trulli (Lotus-Renault), + 2 voltas
19) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), + 3 voltas
20) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), + 3 voltas
21) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), 62 volta
22) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), 37 volta
23) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), 27 volta
24) Timo Glock (Virgin-Cosworth), 22 volta
Volta mais rápida: Webber, 1:15.324 (71ª)
A F1 agora entra em férias. É o período de trocas de cadeiras, testes e lançamentos de novos carros. O circo abre a temporada 2012 na Austrália, no dia 18 de Março, em Melbourne. A temporada terá 20 etapas e novamente encerra no Brasil, em 25 de novembro.
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