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Formula 1 | Grid GP da Coreia do Sul

Hamilton quebra na Coreia
sequência de poles da Red Bull

Sábado, 15 de Outubro de 2011

Reuters Pictures

Button, Hamilton e Vettel

Lewis quebrou um tabu de 15 GPs com poles da Red Bull; Jenson e Seb estão na cola

Márcio Madeira da Cunha

Demorou, mas aconteceu. No 16º treino classificatório do ano, finalmente uma Red Bull não alinhará na pole position. Confirmando seu favoritismo, Lewis Hamilton conquistou a posição de honra com uma volta 0,2s mais rápida que a do novo bicampeão mundial. Jenson Button e Mark Webber fazerm a 2ª fila, logo à frentes das Ferraris, lideradas por Felipe Massa pela 4ª vez nas últimas cinco provas. Nico Rosberg, vitaly Petrov, Paul di Resta e Adrian Sutil completam os 10 primeiros, à frente de Michael Schumacher (12º), Bruno Senna (15º) e Rubens Barrichello (18º), eliminado na Q1 ao arriscar apenas uma volta rápida, na tentativa de poupar pneus.

O fator decisivo

O fim da sequência de poles da Red Bull tem uma explicação lógica, e ela está diretamente relacionada à escolha dos pneus para o fim de semana. Isso porque, ao contrário dos antigos Bridgestone, cujo desgaste estava mais relacionado a escorregadas e ao desequilíbrio dos carros, os compostos da Pirelli são bastante sensíveis à quantidade de energia que dissipam, e acabam se desgastando mais rápida ou lentamente conforme o ritmo que deles se exige.

Colocando de forma simples, a Pirelli fez uma escolha radical de compostos para algumas das provas orientais de fim de temporada, e isso já havia ficado bastante claro em Suzuka. Na corrida japonesa, os times de ponta tiveram grande dificuldade em conjugar um ritmo competitivo de corrida com um consumo de borracha que não obrigasse a ocorrência de uma quarta parada. Tanto assim que as estratégias de corrida não se atrelaram umas às outras, com competidores "cobrindo" as paradas de outros. Ao contrário, cada conjunto fez sua própria corrida, visando apenas completar a prova no menor tempo possível.

E nesse cenário ficou claro que a Red Bull teria que optar por um acerto mais amigável à borracha italiana, abrindo mão de parte de seu ritmo numa única volta lançada. A rigor, estimativas feitas à época dão conta de que o RB7 perdeu cerca de 0,8s em Suzuka apenas em opções de acerto fino, visando uma melhor conservação dos pneus. E, ainda assim, isso não foi suficiente para que fosse capaz de cumprir stints tão longos e fortes quanto os de Jenson Button ou Fernando Alonso. Com a utilização dos compostos mais macios disponíveis durante o fim de semana coreano, fica evidente que o time das bebidas energéticas foi ainda mais radical em seu acerto, abrindo mão da grande velocidade de que poderia dispor em nome de um ritmo de prova mais forte e sustentável.

Ou, trocando em miúdos, poder-se-ia dizer que a escolha dos pneus a serem utilizados durante a etapa acabou sendo decisiva para a definição das primeiras posições do grid. Se, ao contrário, tivessem sido levados os compostos mais duros, quase que certamente a hegemonia da Red Bull teria sido mantida.

A Q1 e a cruz de Barrichello

Com apenas uma sessão de treinos livres disputada sob pista seca, não foram poucos os conjuntos que pareciam estar longe de suas melhores formas nesta fase inicial da qualificação. Em alguns casos, inclusive, a indecição acerca de qual seria o melhor pneu para a corrida levou, por exemplo, Mark Webber a utilizar de cara um jogo de pneus super macios, indicando que o australiano deverá fazer a maior parte de sua corrida em compostos macios (prime). No posicionamento, no entanto, a única surpresa ficou por conta da 18ª posição.

De trás para a frente, a Hispânia arrendou a última fila, como de hábito, desta vez com Tonio Liuzzi largando à frente de Daniel Ricciardo, que não anotou tempo. Logo à frente, também como de costume, as duas filas seguintes couberam, respectivamente, a Virgin e Lotus. Entre os pilotos da primeira, desempenho melhor para Timo Glock, 0,4s mais rápido que Jérôme D'Ambrosio. Já na Lotus, Kovalainen voltou a ser mais rápido que Jarno Trulli, desta vez pela folgada margem de 0,6s.

A surpresa desta primeira degola, portanto, coube à eliminação de Rubens Barrichello, com uma volta menos de 0,1s mais lenta que a de Kamui Kobayashi. A explicação, além de passar pelo péssimo momento da Williams, deve considerar o fato do veterano brasileiro ter entendido que a corrida deverá ser definida na duração dos pneus, e por isso ter optado por fazer apenas uma volta lançada, com pneus super macios. Para a corrida, Rubens contará com diversos novos jogos de pneus, podendo, em tese, manter um ritmo de corrida mais forte. É esperar para ver.

Q2 e eliminação de Schumacher

Seguindo a ordem de posicionamento, a 17ª posição coube à Sauber de Sergio Pérez, repetindo sua posição de largada em Suzuka. Vale observar que o mexicano foi o único dos pilotos a virar mais lento na Q2 do que havia sido na Q1, o que pode indicar a utilização do mesmo jogo de pneus - e uma boa situação para a corrida. à sua frente, uma fila composta pela Williams de Pastor Maldonado (16º) e pela Renault de Bruno Senna (15º). com o brasileiro admitindo que jamais chegou a se sentir à vontade com o Renault na pista oriental. Com o maior tempo de pista, e os pneus que salvou, é de se esperar um rendimento um pouco melhor durante a corrida, ainda que o acerto do carro, por conta da infeliz regra do parque fechado, não possa ser alterado.

Kamui Kobayashi levou a outra Sauber à 14ª posição, com uma volta apenas 16 milésimos mais rápida que a do brasileiro. A seu lado partirá a Toro Rosso de Sébastien Buemi, o carro confirmando a evolução de seu novo assoalho, que havia sido descartado no japão por conta de problemas de refrigeração. A rigor, os carros italianos estiveram sempre próximos à zona da Q3, e no fim acabaram fazendo um sanduíche em torno da Mercedes de Michael Schumacher, o 12º, logo atrás de Jaime Alguersuari. A grande diferença de Schumacher para Rosberg parece também sugerir alguma opção estratégica, no sentido de poupar pneus para a corrida.

Q3 e o trabalho em equipe da McLaren

Já entre os conjuntos que chegaram à Q3, desta vez apenas Adrian Sutil optou por não treinar, conformando-se com o 10º posto. Uma decisão aparentemente acertada, diante da 9ª colocação obtida por seu companheiro de equipe, o escocês Paul di Resta. Vitaly Petrov levou a Renault à 8ª colocação, indicando que existe algum potencial a ser tirado do carro de Bruno Senna, ainda que o russo tenha ficado a 0,8s do 7º colocado, Nico Rosberg.

Entre as principais equipes, novamente a Ferrari foi a menos rápida, e teve que se contentar com a terceira fila. E, pela quarta vez nas últimas cinco provas, foi Felipe Massa quem marcou o melhor tempo da equipe, garantindo a 5ª colocação. Se de todo os resultados do brasileiro continuam decepcionantes, comprometidos por um ritmo de prova inconstante e por dificuldades quando em disputa de posição, ao menos não deixa de ser animador ver a forma como o brasileiro tem recuperado parte da velocidade que costumava exibir até meados de 2009. Resta, agora, se mostrar capaz de comboiar Fernando Alonso com a mesma frequência ao longo da totalidade das corridas.

E, por fim, as duas primeiras filas acabaram sendo reflexo uma da outra. Em ambas uma McLaren irá liderar uma Red Bull, dando uma importante vantagem teórica aos carros ingleses, alinhados no lado mais aderente e limpo do grid. E, ainda que Jenson Button não tenha conseguido um lugar na 1ª fila, pode-se dizer que ele acabou sendo o principal responsável pela pole do companheiro de equipe. Isso porque sua atuação vitoriosa no Japão, com certeza, esteve na raiz das opções de acerto que levaram a Red Bull a abrir mão ainda mais de rapidez pura, em nome de um ritmo mais sustentável.

E, com isso, a briga na corrida promete ser tão equilibrada quanto já foi nos treinos.

Confira o grid do GP da Coreia do Sul, 16ª etapa de 2011

1) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), 1:35.820
2) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), 1:36.042
3) Jenson Button (McLaren-Mercedes), 1:36.126
4) Mark Webber (Red Bull-Renault), 1:36.468
5) Felipe Massa (Ferrari), 1:36.831
6) Fernando Alonso (Ferrari), 1:36.980
7) Nico Rosberg (Mercedes), 1:37.754
8) Vitaly Petrov (Renault), 1:38.124
9) Paul di Resta (Force India-Mercedes), sem tempo
10) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), sem tempo

11) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), 1:38.315
12) Michael Schumacher (Mercedes), 1:38.354
13) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), 1:38.508
14) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), 1:38.775
15) Bruno Senna (Renault), 1:38.791
16) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), 1:39.189
17) Sergio Perez (Sauber-Ferrari), 1:39.443

18) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), 1:39.538
19) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), 1:40.522
20) Jarno Trulli (Lotus-Renault), 1:41.101
21) Timo Glock (Virgin-Cosworth), 1:42.091
22) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), 1:43.483
23) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), 1:43.758
24) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), sem tempo

Limite de 107%: 1:44.351


O GP da Coréia do Sul terá largada na madrugada deste domingo (16), às 4h, já no horário brasileiro de verão. Não há previsão de chuva para a corrida.