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Formula 1 | GP do Japão - VETTEL BICAMPEÃO

Vettel confirma título antecipado
em vitória de Button no Japão

Domingo, 09 de Outubro de 2011

Reuters Pictures

Button e Vettel

O vencedor Button brinda com Vettel, o mais novo bicampeão da Formula 1

Márcio Madeira da Cunha

Sebastian Vettel é o grande campeão mundial de 2011! Nem mesmo a brilhante vitória de Jenson Button bastou para adiar por mais uma etapa a inevitável conquista deste jovem fenômeno alemão, que ao terminar na 3ª colocação já não pode mais ser alcançado. Fernando Alonso posicionou a Ferrari entre os dois protagonistas, e esteve a apenas 1s da vitória. Mark Webber, Lewis Hamilton e Michael Schumacher completaram os seis primeiros, à frente da Ferrari de Felipe Massa, e da Sauber de Sergio Pérez em excelente atuação. Vitaly Petrov e Nico Rosberg fecharam os pontuadores, enquanto Bruno Senna e Rubens Barrichello, com problemas desde a primeira curva, ocuparam a 16ª e a 17ª posições, respectivamente.

Um grande campeão

Sebastian Vettel bicampeão mundial com quatro provas de antecedência é o resultado inevitável da forma extremamente positiva com que tanto o piloto quanto o time que há dois anos formam o conjunto a ser batido lidaram com o título obtido em 2010.

De um lado, o carro que já era o mais rápido do grid, simplesmente parou de quebrar. Mais que isso, além do grande salto em confiabilidade, o RB7 também foi capaz de limar os pontos fracos de seus antecessores, vencendo em pistas de grande velocidade final, como Spa ou Monza. Por sua vez, Vettel soube canalizar a conquista de seu primeiro mundial de forma a aumentar sua autoconfiança e a guiar com mais tranquilidade, sem em momento algum deixar de ser combativo, dedicado ou extremamente rápido.

Prova maior de seu empenho, o mais jovem bicampeão deu ao retornar a Abu Dhabi apenas cinco dias após a conquista de seu 1º título, prontificando-se a treinar durante dois dias com os novos pneus Pirelli, enquanto a maioria de seus concorrentes curtia os primeiros dias de férias. Da mesma forma, foi Vettel o único piloto a visitar a fábrica de pneus antes do início da temporada, buscando compreender melhor a filosofia por trás dos compostos, e como tirar deles o melhor proveito.

Um carro rápido e confiável; uma equipe unida, focada, arrojada em suas estratégias e competente em seus pit stops; e um piloto de imenso talento natural, tornado muito mais tranquilo e maduro a partir do sucesso quase inesperado no ano anterior. Uma receita como essas, só poderia mesmo resultar num título tão merecido.

Largada e posicionamento

Sobre a corrida, a atuação de diversos pilotos seria definida logo nos primeiros metros. Mas houve exceções.

Entre os nomes que tiveram problemas logo no início, destaque para Kamui Kobayashi, cuja Sauber caiu no sistema anti-stall, atrasando toda uma fileira de carros atrás de si. O japonês, que partia da 7ª colocação, perdeu cinco postos logo no arranque, e acabou contribuindo para os toques entre as curvas 1 e 2 que terminaram por prejudicar fortemente as corridas tanto de Bruno Senna quanto de Rubens Barrichello. Senna, espremido rumo à área de escape pelo próprio companheiro de equipe, e Rubinho atrasado pela confusão decorrente da má largada de Kobayashi.

Já nas primeiras posições, as disputas iniciais acabariam não se revelando tão decisivas, ainda que tenham acarretado em importantes alterações de posicionamento. Na disputa pela primeira colocação, Sebastian Vettel não partiu tão bem e assumiu uma postura defensiva, espremendo Button até que o inglês fosse obrigado a recolher, já com duas rodas na grama. Nenhuma atitude foi tomada em relação a Vettel, que ao fim da corrida afirmou não ter visto Button até que ele parasse de acelerar. Jenson, por sua vez, acabou perdendo todo o "momentum", e se viu ainda superado por Hamilton, por fora, no mergulho para a curva 1. As chances de vitória por parte do campeão mundial de 2009 - e até então único homem a poder adiar a conquista de Vettel - pareciam ter evaporado após 10s de prova.

Na primeira parcial, portanto, a ordem era Vettel, Hamilton, Button, Massa, Alonso, Webber, Schumacher, Di Resta, Petrov, Sutil, Buemi, Kobayashi, Senna, Kovalainen (após excelente largada), Maldonado, Pérez e Barrichello. Ao fim da primeira passagem, Sutil tinha ultrapassado Petrov, e Rubinho já se posicionava à frente de Sergio Pérez. O veterano brasileiro havia largado com pneus macios, e sua estratégia dependia de estar bem posicionado no stint inicial, quando deveria abrir vantagem em relação a seus concorrentes diretos. O atraso na 1ª volta, portanto, arruinou sua corrida.

Ao longo das primeiras voltas, poucas alterações. Barrichello superou Bruno Senna e Pastor Maldonado, ao passo que Felipe Massa cedeu a posição a Fernando Alonso, com ajuda da asa móvel, na abertura da sexta volta. A mudança mais importante, no entanto, aconteceu na disputa pela segunda posição.

A partir da quarta volta os sensores da McLaren começaram a acusar uma crescente diferença de pressão nos pneus traseiros do carro de Lewis Hamilton, indicando a existência de um pequeno furo em um deles. A situação se agravava a cada passagem, mas ainda assim seria importante adiar ao máximo a troca dos compostos. Afinal, a escolha de pneus mais macios por parte da Pirelli tornou dramática a situação em Suzuka, com as equipes de ponta tendo grandes dificuldades para conservarem um ritmo forte numa estratégia de "apenas" três paradas.

Destaque ainda para a evolução de Nico Rosberg e Sergio Pérez, ambos atrasados em relação aos respectivos potenciais de seus conjuntos, por conta de problemas na qualificação. Na sétima volta o mexicano corria na 16ª colocação, dois postos à frente do alemão. Uma distância que se manteria até o fim da corrida, dando testemunho da excelente atuação do piloto da Sauber, apesar de estar notadamente gripado.

Safety Car

Com o pneu já bastante vazio, Hamilton foi superado por Button na oitava volta, e rumou imediatamente para os boxes. Sem sofrer com furos, mas sim com um inesperado desgaste excessivo dos pneus, vettel fez sua troca no giro seguinte. Ficava claro, já no início, que Jenson Button e os dois pilotos da Ferrari tinham a melhor relação de proteção com os pneus. Tanto assim que, na 21ª volta, Felipe Massa pressionava duramente Lewis Hamilton na briga pela 2ª posição. Até que, mais uma vez, o inglês acabou provocando um toque.

Ao sairem da 130R, Massa, com pneus mais novos, tinha muito mais velocidade. Lewis, por isso mesmo, buscou a linha defensiva, obrigando o brasileiro a mergulhar por fora na aproximação para a chicane. E então Lewis trouxe de volta seu carro para o traçado ideal, de forma muito parecida com a manobra que acabou levando-o a se chocar contra a Sauber de Kobayashi no GP da Bélgica. Hamilton alegaria não ter visto a Ferrari, mas isso não explica sua trajetória defensiva, nem tampouco responde onde o inglês pensava que a Ferrari teria ido parar, já que não aparecia em seus retrovisores.

Quase que simultaneamente, porém no trecho dos esses, Mark Webber abalroava a Mercedes de Schumacher numa tentativa extremamente otimista de ultrapassagem. A força do impacto, assim como no caso de Lewis e Massa, não foi forte o bastante para causar um abandono, mas sim para que pedaços das carenagens ficassem espalhados pela pista. E esta acabou sendo a senha para a intervenção do safety car entre as voltas 24 e 27.

De acordo com as trocas de pneus de cada piloto, seria possível dizer que a intervenção do carro de segurança foi positiva para as progressões de Sergio Pérez, Vitaly Petrov e Nico Rosberg. Entre os mais prejudicados, Adrian Sutil e Mark Webber merecem destaque. O último, principalmente por ter tido poucas voltas para abrir vantagem antes de sua próxima parada, sendo obrigado a retornar à pista em meio a pesado tráfego.

O ponto-chave

A partir da relargada, a corrida seria decidida pela combinação entre ritmo de prova e conservação de pneus. Desde os treinos a Red Bull havia optado por um acerto menos agressivo do carro, visando melhorar a durabilidade dos pneus. Calcula-se que a equipe tenha aberto mão de até 8 décimos de segundo em tempo numa volta lançada, em função deste propósito - e por isso a pole de Vettel teria sido bastante surpreendente. Ainda assim, Jenson Button mostrou-se capaz de andar num ritmo mais forte por mais tempo, vindo a superar o campeão mundial já na segunda rodada de pit stops. O melhor trabalho da McLaren nos pits - em todas as três vezes em que os pilotos pararam - também ajudou a definir o vencedor.

Por fim, Fernando Alonso também haveria de superar Vettel, e ambos ainda tentariam uma arrancada final rumo à vitória, diante dos problemas de consumo de combustível enfrentados pelo piloto inglês. Jenson, no entanto, soube administrar a situação com maestria, marcando a melhor volta da corrida na penúltima passagem, controlando a vantagem para que Alonso jamais entrasse na zona da asa móvel. Por fim, Button teve que parar seu carro logo após cruzar a bandeirada, porque simplesmente não teria combustível suficiente para que fosse retirada a amostra regulamentar, caso tivesse completado a volta de consagração.

Esta foi a primeira vitória de Button na McLaren sob condições de tempo seco, e confirmou a excelente forma que vive o piloto, dentro da nova regulamentação que novamente voltou a valorizar as diferenças de perfil. Para o esporte, ver novamente um piloto ascendente vencendo corridas, é certamente motivo de comemoração.

Confira o resultado do GP do Japão, 15ª etapa de 2011

1) Jenson Button (McLaren-Mercedes), 53 voltas em 1h30min53s427
2) Fernando Alonso (Ferrari), + 1.160
3) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), + 2.006
4) Mark Webber (Red Bull-Renault), + 8.071
5) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), + 24.268
6) Michael Schumacher (Mercedes), + 27.120
7) Felipe Massa (Ferrari), + 28.240
8) Sergio Perez (Sauber-Ferrari), + 39.377
9) Vitaly Petrov (Renault), + 42.607
10) Nico Rosberg (Mercedes), + 44.322
11) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 54.447
12) Paul di Resta (Force India-Mercedes), + 1:02.326
13) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), + 1:03.705
14) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 1:04.194
15) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), + 1:06.623
16) Bruno Senna (Renault), + 1:12.628
17) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 1:14.191
18) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), + 1:27.824
19) Jarno Trulli (Lotus-Renault), + 1:36.140
20) Timo Glock (Virgin-Cosworth), + 2 voltas
21) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), + 2 voltas
22) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), + 2 voltas
23) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), + 2 voltas

24) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), 35 voltas

Volta mais rápida: Button, 1:36.568 (52ª)


Definido o campeão da temporada, a F1 ainda tem mais 4 etapas até o encerramento do calendário. A próxima será bem perto do Japão, o GP da Coreia do Sul, que recebe a categoria pela 2ª vez. A corrida ja é no príximo domingo, 14 de outubro.