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Formula 1 | Grid GP do Japão
Em sessão apertada, Vettel supera Button pela pole no Japão
Sábado, 08 de Outubro de 2011
Getty Images
Não foi desta vez: Vettel superou Button por 0,009s e manteve tabu da Red Bull nos treinos
Márcio Madeira da Cunha
Num treino marcado pelo equilíbrio em Suzuka, Sebastian Vettel conquistou sua 12ª pole-position no ano, com uma volta apenas 9 milésimos mais rápida que a de Jenson Button, o mais rápido de todos os treinos livres. Lewis Hamilton e Felipe Massa alinham logo atrás dos dois postulantes ao título, com o brasileiro tendo sido mais rápido que Alonso (5º) pela terceira vez em quatro provas. Mark Webber parte da 6ª posição após errar em sua volta rápida, à frente de quatro pilotos que optaram por não marcar tempo. Para a alegria dos japoneses, Kamui Kobayashi lidera a lista, seguido por Schumacher, Bruno Senna e Vitaly Petrov. Rubens Barrichello larga em 13º, logo à frente de seu companheiro de equipe, Pastor Maldonado.
Regulamento ridículo
Ao longo dos anos a direção esportiva da Formula 1 vem fazendo toda sorte de experiência com o formato das qualificações, na busca por um sistema que permita a inserção de intervalos comerciais em trechos da transmissão televisiva; que gere uma disputa interessante ao público e; por fim, ainda promova uma distribuição um tanto irregular das posições, jogando, sempre que possível, conjuntos mais rápidos para a parte de baixo da lista de tempos.
Para que tais resultados fossem parcialmente obtidos, diversas vezes o espírito esportivo teve de ser deixado de lado, gerando situações absolutamente falsas. Ponto. E é justamente por conta de todo este contexto histórico que torna-se impossível digerir a manutenção de um formato no qual os conjuntos precisam administrar desde os treinos três jogos de pneus duros - dentre os quais ao menos um nunca é utilizado e acaba sendo destruído -, e três jogos de pneus macios, que fazem enorme falta durante a corrida.
Graças a esse formato avesso à disputa pura e simples, a pista de Suzuka teve apenas seis conjuntos em ação durante a Q3. E aí a situação torna-se intolerável, pois regra que vilipendiou o esporte em nome da emoção acabou, numa demonstração flagrante de incompetência, sendo a mesma que esvaziou a pista e tornou a parte final do treino algo muito menos interessante do que deveria ter sido.
O esporte jamais deveria ser ferido em nome do espetáculo. Mas, se de todo esta já tiver se tornado uma afirmativa utópica, então ao menos é importante cuidar para que tais agressões ao olimpismo cumpram devidamente a missão para a qual foram concebidas.
A Q1 e o fator Rosberg
Ao longo de toda a preliminar, pairou uma expectativa em relação aos carros de Nico Rosberg, Bruno Senna e Vitantonio Liuzzi, pois eram evidentes os sinais de problemas. No caso do brasileiro, a corrida era contra o tempo, após o acidente sofrido no terceiro treino livre. Os outros casos, no entanto, foram diagnosticados tardiamente, de forma que nem o piloto alemão, nem o italiano, puderam ir à pista antes que o cronômetro fosse zerado.
E com a ausência de Rosberg, naturalmente uma vaga foi aberta tanto na Q2 quanto na Q3, tornando a Q1 pouco mais que uma mera formalidade. Afinal, com a esperada eliminação dos seis conjuntos das equipes menores (Lotus, Virgin e Hispania), mais Rosberg, a primeira degola ficava definida de antemão.
Ainda assim, diversos pilotos fizeram uso de pneus macios (perfil amarelo, em oposição dos pneus médios, de perfil branco) - cerca de 1,7s mais rápidos -, com medo de que Rosberg pudesse tentar uma volta rápida antes do fim de sessão. Bruno Senna, que conseguiu sair dos boxes no tempo limite, foi um dos que lançou mão deste recurso.
O ordenamento, portanto mostrou Liuzzi e Rosberg na última fila, logo atrás da Hispania de Daniel Ricicardo e da Virgin de Timo Glock. Jérôme d'Ambrosio levou a outra Virgin à 20ª colocação, e terá a seu lado a Lotus de Jarno Trulli, utilizando uma versão modificada de sua direção assistida original. Heikki Kovalainen, mais uma vez, foi o mais rápido nesta faixa do grid. La na frente, o público local gostou de ver Kobayashi marcar o melhor tempo desta parte da qualificação, A`frente de Adrian Sutil e Fernando Alonso.
Q2 previsível
Antes mesmo de começar a Q2, a Sauber de Sergio Pérez apresentou problemas que o impediram de marcar tempo. Com isso o mexicano ficou com o 17º posto e partirá logo atrás das Toro Rosso de Alguersuari (16º) e Buemi (15º). Os dois, inclusive, seguiram com a receita de economizar pneus, abdicando daquilo que poderiam ter obtido na sessão, após terem apresentado ritmo digno de Q3 durante todo o fim de semana.
Seguindo o agrupamento por equipes, as posições 13 e 14 couberam às Williams de Barrichello e Maldonado, ao passo que as Force India arrendaram a sexta fila, com sutil no 11ª lugar, e Paul di Resta logo a seguir. Force India, Williams e toro Rosso, todos aos pares, de modo parecido com o que aconteceu com o pelotão dianteiro da etapa anterior, em Cingapura.
A Q3 e a opção regulamentar
Dentro do espírito do atual regulamento, a Q3 foi fortemente marcada pelo dilema dos pneus. Conforme já vimos, para os quatro últimos colocados, a melhor opção foi a de poupar os compostos para usá-los em corrida. Já os demais acabaram indo à pista duas vezes, ainda que alguns tenham relutado bastante em fazê-lo.
De baixo para cima, Mark Webber esteve perto de conseguir a pole-position, e no fim acabou ficando numa frustrante 6ª posição. Em sua segunda volta rápida, o australiano marcou a melhor 1ª parcial de todo o treino, apenas para errar em seguida e permanecer onde estava. Situação parecida à de Fernando Alonso que, após errar no contorno da Spoon em sua primeira tentativa, foi incapaz de superar o companheiro de equipe.
Felipe Massa ficou a dever sua 4ª colocação aos erros de Alonso e Webber, uma vez que na maioria do tempo continuou a ser o mais lento dentre os conjuntos das equipes principais. Todavia, há que se destacar seus méritos ao ter se mantido longe de erros, e por isso sua posição é justa. Importa, agora, se manter longe de toques, uma vez que os dois carros imediatamente atrás devem apresentar um ritmo de corrida mais forte que o seu.
O terceiro lugar de Hamilton também sofreu a influência de erros, na medida em que o piloto assumiu a liderança da tabela após sua 1ª volta rápida, e depois não conseguiu defendê-la ao perder tempo na chicane com o tráfego de Schumacher e Webber, ficando impedido de abrir a segunda volta antes do cronômetro zerar.
Por sinal, ao fim do treino, ficou nítida a irritação de Hamilton, que incorporou a “marra” típica dos esportistas arrogantes, fazendo gestos bruscos e posando na foto dos três primeiros com óculos escuros, sem deixar de esconder que é um mau perdedor. Depois, ao relatar sua sessão para a imprensa, recuperou a compostura e disse estar contente por largar do lado limpo da pista.
Button, por seu lado, lembrou que mesmo que pole não tenha vindo, 9 milésimos foi o mais próximo que a McLaren chegou de roubar a pole de uma Red Bull. O campeão de 2009 dominou as três sessões de treinos livres e parece ser o principal rival a roubar mais uma vitória de Vettel. Na largada, apesar da desvantagem do lado sujo da pista, pode contar com um Kers mais aprimorado para acelerar na frente na primeira curva.
Sobre Vettel não há muito mais do que falar o trivial: um gênio na arte de buscar – e conseguir – a pole-position. A de Suzuka foi a 12ª no ano para o alemão, e ele precisa de apenas mais duas em mais 4 tentativas para igualar o recorde de Nigel Mansell, que fez 14 poles em 1992 pela Williams.
Ao todo, Vettel acumula 27 poles, uma a mais que Mika Häkkinen conseguiu em toda a carreira e a apenas duas do semideus Juan Manuel Fangio. Isso tudo aos 24 anos. E ao término da corrida do domingo, Sebastian deve confirmar seu bicampeonato, outro recorde de precocidade para seu cartel, de mais jovem a pontuar, a fazer pole, a marcar uma volta mais rápida, a vencer uma corrida, e a ser campeão mundial.
Confira o grid do GP do Japão, 15ª etapa de 2011
1) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), 1:30.466
2) Jenson Button (McLaren-Mercedes), 1:30.475
3) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), 1:30.617
4) Felipe Massa (Ferrari), 1:30.804
5) Fernando Alonso (Ferrari), 1:30.886
6) Mark Webber (Red Bull-Renault), 1:31.156
7) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), sem tempo
8) Michael Schumacher (Mercedes), sem tempo
9) Bruno Senna (Renault), sem tempo
10) Vitaly Petrov (Renault), sem tempo
11) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), 1:32.463
12) Paul di Resta (Force India-Mercedes), 1:32.746
13) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), 1:33.079
14) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), 1:33.224
15) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), 1:33.227
16) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), 1:33.427
17) Sergio Perez (Sauber-Ferrari), sem tempo
18) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), 1:35.454
19) Jarno Trulli (Lotus-Renault), 1:35.514
20) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), 1:36.439
21) Timo Glock (Virgin-Cosworth), 1:36.507
22) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), 1:37.846
23) Nico Rosberg (Mercedes), sem tempo
24) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), sem tempo
Limite de 107%: 1:39.109
O GP do Japão tem largada às 3h da madrugada, horário de Brasília. A corrida terá predominância de sol, sem possibilidade de chuva.
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