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Formula 1 | GP da Itália

Invencível Vettel conquista Monza e pode ser campeão no próximo GP

Domingo, 11 de Setembro de 2011

AP Photo

Vettel, vencedor

Em vez da habitual alegria jovial, o que se viu no pódio foi um Vettel emocionado

Márcio Madeira da Cunha

Com garra e autoridade de campeão, Sebastian Vettel venceu em Monza uma corrida dividida em dois pelotões logo na largada, graças à desgovernada Hispania de Tonio Liuzzi. Jenson Button manteve a boa forma com uma 2ª colocação, à frente da Ferrari de Fernando Alonso e da dupla Lewis Hamilton e Michael Schumacher, protagonistas de uma batalha que durou quase toda a corrida. Felipe Massa foi o 6º após se recuperar de toque com Mark Webber, seguido por Jaime Alguersuari - novamente saindo da Q1 para os pontos -, Paul di Resta e Bruno Senna, marcando seus primeiros pontos na F1. Sébastien Buemi completou a lista de pontuadores, enquanto Rubens Barrichello, atrasado pelo acidente inicial, foi o 12º. Com o resultado, Vettel pode levantar a taça de bicampeão já na próxima prova, em Cingapura.

A rigor, houve várias corridas distintas. Na frente, Sebastian Vettel apostou tudo num acerto radical, capaz de fazê-lo girar nos melhores tempos, ainda que sem contar com uma velocidade final alta o bastante para ajudá-lo em disputas diretas. Era vencer ou sofrer, e com muita decisão o campeão mundial cavou o posicionamento na liderança que o permitiu vencer justamente onde a Red Bull deveria ser mais fraca.

Mais atrás, disputas francas envolvendo Alonso, Button, Massa, Webber e, sobretudo, Michael Schumacher e Lewis Hamilton. Os dois últimos dando um verdadeiro show de ataque e defesa, diversas vezes flertando com o acidente, mas levando os carros até o fim da corrida. E, por fim, houve ainda a corrida dos conjuntos atrasados pela carambola na primeira chicane.

Largada e novo ordenamento

Apagadas as luzes vermelhas, os carros percorreram apenas meia volta antes de ser ordenada a entrada do safety car. E, ainda assim, muita coisa aconteceu neste período.

De imediato, parece importante destacar o bom arranque dos pilotos posicionados do lado direito do grid. Ao contrário do que habitualmente acontece, em Monza parece que as posições pares não trouxeram o handicap da pista mais suja e menos emborrachada, dada a boa evolução inicial dos conjuntos. Exemplo maior disso foi dado por Fernando Alonso que, num arranque perfeito, saltou da 4ª colocação para a disputa da ponta, lado a lado com Lewis Hamilton e Sebastian Vettel no caminho para a chicane.

Por um instante, a imagem lembrou muito o início do GP do Brasil de 1989, quando Ayrton Senna, Gerhard Berger e Riccardo Patrese se espremeram no mergulho para a curva 1, do antigo traçado de Jacarepaguá. Ao contrário da prova carioca, no entanto, os três pilotos souberam ceder, e ninguém abandonou a disputa prematuramente. Ao fim da primeira curva Alonso liderava, seguido por Vettel e... Schumacher! O heptacampeão, tendo optado por correr praticamente sem apoio aerodinâmico, foi outro que partiu bem do lado par do grid, saltando da 8ª para a 3ª posição em poucos metros.

Lewis Hamilton, tendo recolhido na disputa inicial, aparecia em quarto, seguido por Felipe Massa mais uma vez largando bem. Jenson Button, confirmando ao avesso a mesma tendência do grid, havia caído da terceira para a sexta posição, logo à frente da Red Bull de Mark webber. E então, o caos.

Tendo largado bem da 24ª e última posição - novamente confirmando a boa aderência do lado par, Liuzzi viu o companheiro Ricciardo ficar parado no grid, e conseguiu superar sem dramas a dupla da Virgin. Mais que isso, o italiano vinha com ação para cima da Lotus de Kovalainen, chegando a colocar por dentro pouco antes da zona de frenagem. O tradicional afunilamento de fim de reta de Monza, no entanto, fez com que os carros se aproximassem, com Liuzzi iniciando a frenagem com duas de suas rodas sobre a grama - por sinal, bastante anacrônica. A diferença de aderência, obviamente, gerou momento de rotação, cujo primeiro impacto foi precariamente controlado pelo piloto. A segunda chicotada, no entanto, guinou o carro para a grama, onde não havia atrito para reduzir a velocidade, e Liuzzi se tornava mero passageiro à espera do impacto.

Os primeiros colocados já haviam vencido a chicane, quando a Hispania finalmente cruzou a pista, colhendo em cheio a Renault de Petrov e a Mercedes de Rosberg. Prejuízo enorme para o piloto da Mercedes, cujo posicionamento se devia à estratégia de largar com pneus duros, guardando dois jogos novos de macios para os stints finais. Além deles, também Sébastien Buemi sofreu pequenos danos a seu carro, enquanto a Williams de Barrichello foi atropelada em sua asa dianteira pelo carro de Rosberg, após o brasileiro ter se visto bloqueado em meio aos carros destruídos.

Como consequência do acidente, Vitantonio Liuzzi foi punido com a perda de cinco posições no grid de largada - o que, considerando o potencial da Hispania, soa até como uma ironia. Na prática, significa apenas que em Cingapura ele largará novamente na última posição e pode, desde já, guardar seus três jogos de pneus macios para a corrida. Tal "punição", no fim, pode ser até benéfica para o piloto italiano. Ridículo...

A entrada imediata do safety car evitou que fosse aberto um fosso entre os carros à frente e atrás da colisão, mas não impediu que o ordenamento dos conjuntos fosse novamente embaralhado, praticamente tornando nula a sessão classificatória. Uma nova corrida, com uma nova história, estava para começar.

Relargada e posicionamento

Tendo optado por uma relação de marchas mais curta, Sebastian Vettel só tinha uma chance na corrida: ele teria de correr na liderança, com pista livre, buscando abrir ao menos um segundo nas duas primeiras voltas para fugir aos ataques da asa móvel, e então disparar na ponta. Se, por algum motivo, ele se visse limitado por outro conjunto, então não teria velocidade final para realizar a manobra de ultrapassagem, e estaria condenado a andar menos do que seu equipamento permitia. Ele e Alonso sabiam disso, de forma que a briga entre os dois seria certamente intensa. Ou será que não?

Após a corrida, Alonso expressou um pensamento aparentemente comum aos demais coadjuvantes do campeonato, em relação ao atual momento de Sebastian Vettel. Segundo o espanhol, ninguém tem mais o que perder, e por isso as disputas com Vettel serão mais duras daqui para a frente. Sem precisar vencer, e com mais a perder, Vettel supostamente não deveria se expor a riscos desncessários.

Uma análise perfeita. Exceto pelo fato de não terem combinado isso com Vettel...

Dada a relargada, ao fim da volta 3, o atual campeão mundial partiu para cima de Alonso, como se dependesse da vitória para continuar tendo chances de título. Ao fim da quarta volta Vettel estava a 378 milésimos da Ferrari, e se aproximando. Na saída da chicane, com os dois carros mergulhando em meio à Curva Grande, o alemão se posicionou por fora e foi espremido ao ponto de suas rodas de apoio adentrarem perigosamente a grama. Alonso não o teria visto, ou simplesmente levou a sério demais a ideia de endurecer as batalhas contra Vettel?

Impossível saber. Certo mesmo foi que Sebastian assinou uma manobra de muita raça e coragem, lutando com unhas e dentes - mas não de maneira afobada - por uma vitória que, em teoria, ele não precisava conquistar. As lágrimas no pódio confirmaram mais tarde sua emoção. No mesmo palco onde venceu pela primeira vez, três anos atrás, e onde sua equipe tradicionalmente lutava para ter bom rendimento, a vitória importava muito para ele. Pela forma como foi conquistada, Monza 2011 tem tudo para ser a vitória símbolo desta impressionante campanha rumo ao bicampeonato.

Metros atrás da disputa pela liderança um empolgado Michael Schumacher - pela primeira vez fazendo lembrar o grande piloto de anos idos - surpreendia Lewis Hamilton com uma ultrapassagem fácil, conquistada na velocidade final decorrente de um acerto para lá de arrojado. Ironia das ironias, Michael estava tirando proveito do mesmo tipo de acerto que Hamilton, um ano antes havia tentado, antes de se chocar de maneira afobada com a Ferrari de Massa.

A disputa entre Schumacher iria durar por quase toda a prova, e seria uma materialização dos diferentes conceitos - tantas vezes confundidos - de rapidez e velocidade. Hamilton, mais rápido no tempo de volta, se encontrava limitado pela velocidade final do Mercedes, e por isso não conseguia a ultrapassagem. Quando eventualmente conseguiu a ultrapassagem, na volta 13, Schumacher não teve dificuldades para dar o troco durante a Curva Grande.

Quem também vinha forte a esta altura era Mark Webber. O australiano logo superou a McLaren de Button e partiu à caça de Massa, na luta pela quinta colocação. E então, mais uma vez, aflorou o atual problema do brasileiro, repetido quase que sem exceção no início de cada grande prêmio da atual temporada.

O problema de Massa

Felipe tem sofrido atrasos em quase todas as corridas do ano, de forma muito especial no início dos GPs. Geralmente, quando Alonso volta de seu primeiro pit stop, Massa se encontra poucos segundos à frente sem ainda ter parado. E as causas do problema parecem residir num repetida sequência em três etapas.

Primeiro, Felipe tem conseguindo ótimas largadas, na maioria das vezes. Raras foram as corridas em que o brasileiro não se posicionou à frente de conjuntos mais rápidos que ele, conforme o ordenamento estbelecido na qualificação.

Depois, no entanto, ou Massa tem se posicionado mal nas primeiras curvas, na tentativa de ganhar mais postos, ou tem se mostrado lento para aquecer os pneus e encontrar seu melhor ritmo de prova. Daí que Felipe logo deixa de ser o caçador e se torna a caça, sendo perseguido pelos mesmos conjuntos que superou no arranque.

E, por fim, o brasileiro tem se mostrado excessivamente duro em manobras defensivas inúteis, mantendo trajetórias impossíveis num prolongamento de disputas perdidas, quase como se estivesse mais preocupado em demonstrar vontade, do que em se preparar para recuperar a posição na volta seguinte. E aí, ou bate como aconteceu em Monza, ou é superado por quem vinha atrás, como duas semanas atrás, em Spa.

É verdade que em Monza ainda cabia uma última tentativa de defesa, quando a asa dianteira de Webber tocou a roda traseira da Ferrari, levando o brasileiro a uma rodada, e Webber a passar reto na Parabólica. No entanto, novamente Felipe havia largado bem, superado conjuntos mais rápidos, e mais uma vez se mostrava lento demais para a posição que ocupava. Além disso, Felipe também fechou a trajetória além do necessário, mantendo o velho hábito de tentar intimidar o adversário.

A melhor maneira de intimidar, no entanto, é através da velocidade. O resto é teatro.

Ritmo de prova

Com Massa atrasado, e Webber definitivamente fora, quem voltou à disputa pelas primeiras posições foi Jenson Button. Ajudado pela grande atuação de Schumacher à frente de Hamilton, o campeão de 2009 logo se juntou à disputa e pacientemente aguardou pelos acontecimentos. Durante três voltas o inglês estudou os adversários, e estava pronto para se beneficiar quando Schumacher exagerou na defesa, forçando Lewis Hamilton à grama interna da Curva Grande.

vindo com ação, Button não apenas superou o companheiro de equipe, como também tratou de logo deixar para trás o heptacampeão mundial na freada da Ascari, enquanto seus pneus ainda não acusavam o desgaste de andarem na turbulência. Sob todos os aspectos, mais um grande desempenho de Button que, não fosse pela má largada, talvez pudesse ter dado algum trabalho a Vettel.

Por fim o inglês ainda conseguiu alcançar e superar Alonso, da mesma forma como Hamilton finalmente deixou Schumacher para trás, definindo as cinco primeiras colocações. Nas voltas finais Lewis ainda conseguiu se aproximar da Ferrari de Alonso, demonstrando um ritmo de prova potencialmente vencedor. O espanhol, no entanto, conseguiu se defender salvando o lugar no pódio.

A corrida dos brasileiros

Depois de se ver parado contra o fluxo em plena saída da chicane, é verdade que Felipe foi bastante rápido - tanto na forma como retornou à corrida, quanto na condução que o permitiu recuperar todas as posições até a sexta. No entanto, mis uma vez se encontrava atrás de um carro inferior ao final do GP. Com nove anos de experiência na F1, está na hora de Felipe identificar melhor os problemas que corrida após corrida estão se colocando entre ele e a materialização de seu potencial. Tanto na forma de aquecer os pneus, quanto no desenvolvimento de uma visão de corrida mais ampla, que o permita ceder posições quando isto representar o menor dos prejuízos.

Corrida similar fez Bruno Senna, ainda que em seu caso o atraso tenha sido inevitável.

Encontrando a pista fechada pelo acidente de Liuzzi quando chegou à chicane, Bruno se viu obrigado a passar pela grama no lado externo da segunda perna, percorrendo um caminho mais longo e lento do que o atalho através do "S", adotado por vários de seus concorrentes. A direção de prova não considerou que fosse necessária qualquer intervenção, de forma que o brasileiro se viu na 15ª posição quando foi chamado o carro de segurança.

Sem muito a perder, Bruno foi aos boxes trocar para pneus macios. Assim, ele não teria mais que utilizar os pneus duros, e recomeçaria a corrida praticamente onde já estava. Foi uma estratégia acertada. Com bom ritmo de prova e boas ultrapassagens, Bruno levou o Renault à nona posição, marcando seus primeiros pontos na categoria. E só não brihou pela oitava colocação, porque estando uma volta atrás, não teve o tempo necessário para alcançar Paul di Resta, quando Vettel completou a corrida.

Por fim, Barrichello. O veterano foi um dos mais afetados no incidente da primeira curva, tendo ficado preso entre os carros destruídos de Petrov e Rosberg. E, limitado pelo fraco ritmo do Williams, nem mesmo a habilidade que o permitiu vencer três vezes em Monza bastou para que pudesse pontuar desta vez.

Confira o resultado do GP da Itália, 13ª etapa de 2011

1) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), 53 voltas em 1h20min46s172
2) Jenson Button (McLaren-Mercedes), + 9.590
3) Fernando Alonso (Ferrari), + 16.909
4) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), + 17.471
5) Michael Schumacher (Mercedes), + 32.677
6) Felipe Massa (Ferrari), + 42.993
7) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
8) Paul di Resta (Force India-Mercedes), + 1 volta
9) Bruno Senna (Renault), + 1 volta
10) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
11) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), + 1 volta
12) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 1 volta
13) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), + 1 volta
14) Jarno Trulli (Lotus-Renault), + 2 voltas
15) Timo Glock (Virgin-Cosworth), + 2 voltas

16) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), 40 voltas
17) Sergio Perez (Sauber-Ferrari), 34 voltas
18) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), 23 voltas
19) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), 11 voltas
20) Mark Webber (Red Bull-Renault), 6 voltas
21) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), 3 voltas
22) Vitaly Petrov (Renault), 0 volta
23) Nico Rosberg (Mercedes), 0 volta
24) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), 0 volta

Volta mais rápida: Hamilton, 1:26.187 (52ª)


Restam 6 corridas na temporada 2011. A próxima parada da F1 é ao sul da Ásia, em Cingapura, única corrida noturna do calendário. O horário de largada, para o Brasil, é 9h da manhã, em 25 de setembro.