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Formula 1 | GP da Bélgica
Mais perto do bi, Vettel conquista vitória de campeão na Bélgica
Domingo, 28 de Agosto de 2011
Getty Images
Após de 3 GPs em branco, Vettel volta ao topo do mundo, cada vez mais perto do bi
Márcio Madeira da Cunha
Contagem regressiva para o bicampeonato de Sebastian Vettel. O alemão nº 1 deu um passo importantíssimo ao título com a vitória do GP da Bélgica, sua 7ª conquista do ano ampliando sua vantagem para incríveis 92 pontos. Após má largada, Mark Webber completou a dobradinha da Red Bull, seguido de um excelente Jenson Button (McLaren) que chegou a ser 19º. Fernando Alonso (Ferrari) foi 4º e Michael Schumacher (Mercedes) comemorou seus 20 anos de F1 partindo em último e chegando na 5º posição. Felipe Massa (Ferrari) fez corrida apagada em Spa-Francorchamps para chegar em 8º após um furo, Bruno Senna (Renault) errou na largada e ficou em 13º e Rubens Barrichello (Williams), que quebrou o bico no fim, foi apenas o 16º.
Duvidas e certezas
Após quatro semanas sem corridas, e de muito trabalho camuflado nos bastidores, Spa prometia jogar nova luz sobre a hierarquia de forças que, salvo uma ou outra pista mais específica - como Monza -, deve vir a ditar os rumos finais da atual temporada. Mas não foi assim. Até o momento da largada, a pista raramente esteve próxima de uma condição seca, de tal forma que as equipes jamais puderam zerar as variáveis com o intuito de avaliar suas atualizações. O efeito prático dos novos pacotes teria de ser comprovado durante a corrida mesmo.
Mas... Spa é Spa. E no fim do dia, quando se olha para a folha de tempos e para o resultado final, é fácil identificar as grandes e as medíocres atuações. O difícil é onde termina a participação do piloto, e começa a do equipamento.
Tome-se Schumacher como exemplo. O heptacampeão fez uma corrida brilhante, escalando o pelotão desde a última posição até o 5º posto, atrás apenas de Red Bull, McLaren e a Ferrari de Alonso. Ainda assim, este pode ser considerado um resultado quase que normal dentro da história de Schumacher com a pista belga, de tal forma que fica difícil especular sobre alguma real evolução por parte da Mercedes. Tanto mais quando Nico Rosberg, partindo da 5ª posição no grid e tendo liderado nos instantes iniciais, terminou atrás do companheiro de equipe, sem ter sofrido qualquer atraso visível.
De se destacar também as belas atuações dos conjuntos Button-McLaren, e Adrian Sutil-Force India. O primeiro, tendo largado em 13º por conta de um erro de comunicação com a equipe durante a Q2, teve ainda de parar nos boxes na terceira volta para trocar a asa dianteira. voltou à prova na 19ª posição e, com pista seca e o carro avariado, subiu ao 3º posto. Poderia ter brigado pela vitória em condições normais. O segundo, partindo de uma 15ª posição decorrente de uma rodada durante a Q1, confirmou o bom ritmo pra terminar na 7ª posição, atrás apenas de carros das quatro principais equipes.
Por outro lado, houve atuações abaixo da média, e novamente em alguns casos fica difícil atribuir responsabilidades. Noutros, nem tanto.
Bruno Senna, por exemplo, cometeu um erro de principiante - algo que de fato é -, ao perder o ponto de frenagem interno da Source. Jogou as ótimas classificações dele próprio e de Jaime Alguersuari pela janela, e por muito pouco não tirou da corrida também a Ferrari de Alonso. Felipe Massa foi outro que abusou do direito de errar. Seu ritmo de prova não era ruim, mas seu posicionamento era péssimo. Talentoso e corajoso sim, para percorrer diversas vezes a Blanchimont embutido em outros carros, mas sanguíneo e incapaz de planejar manobras em pontos convencionais, ou ceder posições quando não restava outra opção, como na disputa com Alonso, que lhe custou também a posição a Hamilton.
Por outro lado, difícil avaliar atuações como a de Barrichello, prejudicado nos treinos e envolvido num dos muitos toques da corrida, assim como os dois pilotos da Sauber. Monza, por sua vez, não deve jogar muita luz sobre a real hierarquia dos conjuntos, de forma que ainda levará algum tempo até que se saiba ao certo quem burlou de forma mais competente as supostas férias de agosto.
Certeza mesmo, só uma: com 92 pontos de vantagem, restando 175 em jogo, Sebastian vettel colocou de vez a mão no título. Tanto mais que a Red Bull pareceu ter evoluído em relação à sua posição pré-férias, e Vettel parece de volta à luta por vitórias daqui para a frente.
Basicamente, Vettel - que já ultrapassou a pontuação que lhe valeu o título no ano anterior - precisa somar mais 83 pontos para ser declarado matematicamente campeão. Ou, traduzindo em resultados, três vitórias e uma sexta posição. No entanto, como seus rivais diretos continuam roubando pontos uns dos outros, é certo afirmar que sua necessidade é bem menor que isso. A rigor, é possível que até o fim do ano nenhum outro piloto atinja a pontuação que Vettel possui até o momento, e este é um que vale ser conferido daqui a alguns meses.
Largada, posicionamento e DRS desnecessário
Instantes antes do apagar das luzes vermelhas, um carro começou a fumaçar no grid. Era a Mercedes de Nico Rosberg. Até então, carros fumaçando poderiam significar vários indícios, mas nenhum deles poderia ser considerado possitivo sob os olhos de piloto e equipe. Pois bem, isso mudou em Spa.
Dada a largada, Rosberg protagonizou o arranque do ano. Não apenas soube evitar a hesitante Red Bull de Webber, como também superou todos os pilotos menos Vettel. O campeão mundial seria deixado para trás na freada da Les Combes, coroando um início de prova fantástico por parte do filho de Keke.
Quem também partiu bem foi Felipe Massa, ainda que tenha sido ultrapassado por Hamilton no trecho de aceleração logo após a Source. Conforme já foi dito, Bruno Senna perdeu o ponto de frenagem no grampo, indo chocar-se contra a Toro Rosso de Alguersuari. Com o toque, o piloto basco escorou-se na Ferrari de Alonso, tocando-lhe a roda traseira direita, que por sorte não acusou o golpe. Como que para proteger Sena, glock cometeu erro idêntico, abalroando a Lotus de Heikki Kovalainen. Todos, à exceção de Alguersuari, continuaram na prova. Glock, Senna e Kovalainen, no entanto, fizeram uma visita aos boxes no giro inicial.
Na primeira curva, portanto, o ordenamento era: Vettel, Rosberg, Massa, Hamilton e Alonso. Já na curva 3, apareciam Rosberg, Vettel, Hamilton, Massa e Alonso, dando mostras de que aparatos como o DRS - a esta altura ainda proibido - jamais seriam necessários numa pista de verdade como Spa. Ao contrário, sua utilização feriu desnecessáriamente a veracidade da disputa, tornando fáceis disputas que poderiam ser emocionantes, e impossibilitando qualquer tentativa de defesa. Pior: a facilitade de ultrapassar na subida para a Les Combes era tal, que diversas vezes pilotos evitaram concretizar manobras em outros pontos do circuito, simplesmente para não sofrerem o troco neste ponto.
Uma situação nada menos que ridícula.
Volta 2, e nova confirmação deste fato. Sem o uso da asa móvel, Fernando Alonso deixou para trás a McLaren de Hamilton, e partiu na captura do companheiro Massa, assinalando a melhor volta da corrida até o momento. E então... O DRS.
Terceira volta, e Vettel ultrapassa Rosberg com a ajuda da asa móvel. O que podia ser uma atuação de gala do piloto da Mercedes - e uma corrida interessante com os carros limitados atrás dele - tornou-se o que costuma-se chamar de alegria de pobre. Mais uma volta e é Vettel que com pista livre marca a melhor volta. Button e Webber, por sua vez, sofriam com bolhas nos pneus e se encaminham aos boxes tão logo a distância os permitia volta à frente dos seis carros mais lentos.
Calma e inteligência
Com os posicionamentos iniciais definidos, era hora de pensar em estratégia, e de avaliar situações críticas com frieza. Massa, por exemplo, precisava se livrar da Mercedes de Rosberg a todo custo, sob pena de deixar Vettel escapar na liderança, e sofrer pressão por parte de Alonso e Hamilton. O brasileiro, no entanto, jamais se posicionou corretamente para concretizar a manobra, mesmo com a ajuda pecaminosa da asa móvel. Como resultado, Felipe se viu sob ataque entre as curvas 8 e 10, e foi então que deixou a emoção guiar a Ferrari.
Certamente cansado de ser superado pelo companheiro, Felipe tentou mostrar resistência da forma errada. Endureceu uma manobra que já era inevitável, quando tal defesa deveria ter vindo na forma de um ritmo mais forte, e um ataque mais contundente à Mercedes à sua frente. Como resultado do próprio descontrole, Felipe entrou completamente prejudicado na descida para as velozes curvas 10 e 11, cedendo também a posição para Lewis Hamilton. Pior: de maneira a confirmar suas deficiências, tanto o espanhol quanto o inglês logo trataram de despachar a Mercedes de Rosberg, da forma como Massa jamais conseguiu fazer.
Sexta volta, e é a vez de Vettel ir aos boxes, também com bolhas nos pneus. Sergio Pérez a esta altura havia se chocado contra a traseira da Toro Rosso de Sébastien Buemi, e também foi aos boxes. Na mesma volta era anunciada a punição tanto a Glock quanto a Bruno Senna, por conta dos acidentes causados na primeira curva.
Em meio a tantos incidentes, seis nomes começavam a se destacar na corrida. Na frente, Vettel, Alonso e Hamilton. Um pouco mais atrás, em belas corridas de recuperação e com estratégias diferentes, Webber, Button e Schumacher. O heptacampeão, para dar a medida de seu progresso, já havia feito sua primeira parada e se encontrava a meros 20s do líder Alonso, quando o espanhol decidiu ir aos boxes, na volta 8. Ao retornar à pista, Alonso era atacado duramente por Webber, que com muita coragem o ultrapassou no mergulho da Eau Rouge. Linda manobra.
Hamilton, sempre Hamilton...
Vettel a esta altura liderava com seis segundos de vantagem para Alonso, que rapidamente recuperou a posição em relação a Webber, e tinha a vantagem de pneus muito mais novos - Vettel novamente tinha bolhas nos seus. Tanto assim que o espanhol começa a descontar a diferença em relação ao líder numa razão de 1s por volta. Dada a vantagem do asturiano em relação ao número de pneus disponíveis, a corrida passava a ficar interessante para ele. Até que o lado incontrolável de Lewis Hamilton resolve mudar os rumos da corrida...
Volta 12. Ao cruzar a linha de chegada Hamilton, 5º colocado, se encontra a 0,6s de Kamui Kobayashi, 4º colocado e com pneus já bastante desgastados. Tracionando após a Source, Hamilton se posiciona, aguradando a zona de abertura da asa móvel para concluir a ultrapassagem. Perfeito. Ocorre, no entanto, que a Sauber tinha o carro mais veloz em retas, utilizando uma configuração de pouca carga aerodinâmica. Assim sendo, na freada para a Les Combes, Kobayashi ainda se encontrava ao lado da McLaren, ainda que um pouco atrás. A manobra, no entanto, estava concluída, Lewis tinha a preferência e Kamui não oferecia resistência. Tudo estaria perfeito se Lewis tivesse se dado o trabalho de olhar nos retrovisores, antes de mudar abruptamente de direção.
Ao buscar o traçado ideal Hamilton tocou o Sauber, perdeu o controle do carro, e foi chocar-se de frente contra o muro da área de escape. Uma pancada forte o bastante para deixá-lo inconsciente, felizmente por poucos instantes, e para quebrar parte do volante do McLaren em suas mãos. Como o carro ainda seguiu por mais alguns metros, chocando-se inclusive com uma placa publicitária, a pista ficou suja de detritos e o carro de segurança foi chamado. Era tudo que Vettel precisava.
Na volta 13, nove dos 22 carros que continuavam na prova fizeram suas paradas: vettel, Sutil, Barrichello, Schumacher, Button, Ricciardo, Trulli, D'Ambrosio e Kovalainen. Vettel, que tinha problemas, perdeu posições apenas para Alonso e Webber, e agora tinha pneus melhores que os dois. Para Alonso, obrigado a consumir voltas de seus pneus macios sem ter a chance de livrar qualquer vantagem, o prejuízo foi completo. Outro que se viu bastante prejudicado foi Paul di Resta, que também havia sido atingido por Glock na largada, e corrida com um buraco no assoalho e a asa dianteira danificada. Com a prioridade naturalmente dada a Sutil, o escocês acabou sofrendo um atraso que, no fim das contas, impediu que ele terminasse a corrida em 10º, à frente de Pastor Maldonado.
Após o safety car
Dada a relargada, Vettel supera Webber e parte como um raio à caça de Alonso. O alemão logo irá conseguir a ultrapassagem, assumindo a ponta para não mais perdê-la. Mais atrás, na briga pela 4ª posição, Felipe Massa se vê superado pela mesma Mercedes de Rosberg, que só tinha conseguido ultrapassar na base da estratégia. Era novamente o velho problema do posicionamento lhe fazendo estragos: a corrida do brasileiro voltava a ficar limitada por um conjunto mais lento.
Alonso a esta altura não tinha pneus para se sustentar na frente, e logo teria que fazer sua troca. Vettel, Webber, Button e Schumacher, por sua vez, tinham pneus novos e impunham excelente ritmo de prova, em meio a fartas e belas ultrapassagens. A Red Bull com isso surgia com uma dobradinha que poucos esperavam, enquanto nos instantes finais Jenson Button ainda tinha fôlego para superar a Ferrari de Alonso e garantir o último lugar do pódio.
Michael Schumacher ainda teve tempo de superar o próprio companheiro de equipe, e herdar a posição de Massa quando este teve um pneu furado, terminando assim na 5ª colocação. Rosberg veio a seguir, seguido pela consistente Force India de Adrian Sutil. Felipe Massa ainda conseguiu se recuperar nas voltas finais, saltando da 11ª para a 8ª colocação, logo à frente de Petrov e Pastor Maldonado, que com a 10ª colocação marcou seus primeiros pontos na F1. Desde 1983, quando Johnnt Ceccoto terminou na 6ª colocação o histórico GP de Long Beach, um venezuelano não somava pontos no campeonato mundial.
Ponto este que poderia ter sido de Rubens Barrichello, não tivesse o veterano se envolvido num choque com o pobre Kobayashi, na freada da Bus Stop a três voltas do fim. com bico trocado, Barrichello terminou na 16ª posição, três atrás de Bruno Senna, o último piloto na volta dos líderes.
Confira o resultado do GP da Bélgica, 12ª etapa de 2011
1) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), 44 voltas em 1h26min44s893
2) Mark Webber (Red Bull-Renault), + 3.741
3) Jenson Button (McLaren-Mercedes), + 9.669
4) Fernando Alonso (Ferrari), + 13.022
5) Michael Schumacher (Mercedes), + 47.464
6) Nico Rosberg (Mercedes), + 48.674
7) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 59.713
8) Felipe Massa (Ferrari), + 1:06.076
9) Vitaly Petrov (Renault), + 1:11.917
10) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), + 1:17.615
11) Paul di Resta (Force India-Mercedes), + 1:23.994
12) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), + 1:31.976
13) Bruno Senna (Renault), + 1:32.985
14) Jarno Trulli (Lotus-Renault), + 1 volta
15) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), + 1 volta
16) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 1 volta
17) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), + 1 volta
18) Timo Glock (Virgin-Cosworth), + 1 volta
19) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), + 1 volta
20) Sergio Perez (Sauber-Ferrari), 27 voltas
21) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), 13 voltas
22) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), 12 voltas
23) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), 6 voltas
24) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), 1 volta
Volta mais rápida: Webber, 1:49.883 (33ª)
A F1 se despede da Europa daqui duas semanas, com o GP da Itália, disputado no tradicionalíssimo e veloz circuito de Monza. A largada será dia 11 de setembro, no horário europeu, às 9h. Faltam 7 corridas para o fim da temporada.
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