|
|
 |
Formula 1 | GP da Hungria
Rei do clima instável, Button vence na Hungria seu GP 200 na F1
Domingo, 31 de Julho de 2011
Getty Images
Assim como em 2006, choveu em Budapeste - e novamente Button foi o vencedor
Márcio Madeira da Cunha
Cinco anos após promover sua 1ª corrida sob chuva, voltou a pingar sobre o Hungaroring. E, como tem sido comum neste tipo de prova, o brilhante vencedor foi Jenson Button - o mesmo da chuvosa corrida em 2006. Sebastian Vettel e Fernando Alonso completaram o pódio, seguidos por Lewis Hamilton, que cumpriu punição, Mark Webber e Felipe Massa. Com uma volta de atraso, Paul di Resta, Sébastien Buemi, Nico Rosberg e Jaime Alguersuari completaram a lista de pontuadores, enquanto Rubens Barrichello terminou a prova na 13ª colocação.
Razão e sensibilidade
Como sempre ocorre em corridas disputadas sob clima variável, o ritmo de corrida e a estratégia precisam ser constantemente reavaliados. Não basta simplesmente andar o mais forte possível, tentando conservar um pouco os pneus no processo. Em pistas que jamais estão completamente secas ou molhadas, o cérebro do piloto precisa trabalhar em vários canais simultâneos, cuidando de pilotar com rapidez, manter-se longe de erros, ler as condições de pista e estimar sua evolução. É preciso muita sensibilidade para extrair tais informações do ambiente enquanto se pilota um carro a 300km/h, e muita razão para cruzar tais dados e a partir daí traçar a própria estratégia.
Corridas nestas condições exigem habilidades muito específicas, e o fato de Jenson Button ter vencido tantas delas ultimamente serve apenas como confirmação de que não existe nada de caótico ou aleatório neste tipo de prova, por mais que a agitação e a imensa troca de posições possa sugerir o contrário.
Largada e posicionamento
Apesar da desvantagem de largar na linha emborrachada numa pista úmida, Sebastian Vettel conseguiu sustentar sua liderança após a curva 1. Atrás dele, Lewis Hamilton viveu situação familiar a Felipe Massa na atual temporada, colhendo frutos negativos a partir de uma boa largada. O inglês se viu obrigado a recolher diante da presença de Vettel, e com isso teve sua posição seriamente ameaçada pelo companheiro Button, entre as curvas 1 e 2. Numa certa altura chegou a parecer que ambos poderiam repetir o toque que havia posto fim à corrida de Hamilton em Montreal.
Logo atrás, Felipe Massa não deu sequência à série de boas largadas que vem emplacando ao longo do ano, e se viu superado por Fernando Alonso ainda nos primeiros metros do GP. Mais que isso, as duas Ferraris sofreram com falta de tração após a curva 1, e se viram superadas pelas duas Mercedes - lideradas por Rosberg. Os carros prateados, contudo, não tinham ritmo bom o bastante para se manterem à frente dos carros vermelhos, e ainda na 1ª volta Alonso já havia deixado Schumacher para trás. Mais alguns instantes, e tanto Alonso quanto Massa já posicionavam as Ferraris atrás de Vettel e das McLarens de Hamilton e Button.
A esta altura um pequeno intervalo começava a se formar entre os dois primeiros e os demais perseguidores. Na frente Vettel e Hamilton disputavam a liderança, com o inglês visivelmente mais rápido na pista molhada e com os tanques cheios. Por cinco voltas Vettel resistiu, até que na curva 2 o piloto da Red Bull alargou a trajetória e acabou sendo superado. Apenas uma volta antes, Fernando Alonso havia cometido o mesmo erro, cedendo de volta as posições a Nico Rosberg e Felipe Massa. Jenson Button, por conseguinte, começava a correr sozinho na 3ª posição.
A pista começava a querer secar, e à medida que cada conjunto ia encontrando seu ritmo, a corrida parecia cada vez mais limitada a estes três conjuntos. Os únicos que, ao longo do dia, se manteriam afastados da liderança por não mais do que o tempo de uma parada nos boxes. Já para Hamilton, o desafio passava a ser, justamente, o de livrar uma distância segura em relação aos perseguidores. A melhor volta tão logo assumiu a ponta era a senha de sua estratégia.
Jogo dos erros
Com a lenta drenagem do Hungaroring, as grandes variações de aderência entre os diversos traçados possíveis e a alta umidade do ar - que eventualmente fazia pingar sobre o autódromo -, ficava claro que a corrida da Hungria seria decidida não apenas pela velocidade de cada conjunto, mas por uma combinação entre ritmo e o número de erros cometidos.
Praticamente a cada nova passagem dos carros a ordem se mostrava alterada, fosse em função de escapadas, rodadas, trajetórias alargadas, chicanes cortadas, ou trocas de pneus. E, no desenrolar da prova, ficaram claras as duas estratégias diferentes dentro dos boxes da McLaren.
De um lado, Lewis Hamilton assumia riscos tentando assegurar uma vantagem que o permitisse, por exemplo, fazer uma parada a mais que seus perseguidores. De outro, Jenson Button seguia num ritmo calculado, mantendo-se longe de erros e protegendo os pneus, para ter maior autonomia no caso da chuva voltar sem aviso. Em condições normais, a projeção do ritmo de cada um sugeria que Hamilton teria todas as condições de superar o companheiro, e sair da Hungria com sua segunda vitória consecutiva. Tudo, no entanto, iria mudar restando 22 voltas para o fim.
Saindo da chicane de baixa velocidade, Lewis tracionou sobre a zebra e a linha branca, menos porosa e mais escorregadia. De forma inevitável o McLaren guinou, ficando atravessado num ponto perigoso. Hamilton sabia que suas chances dependiam de uma vantagem segura em relação a Vettel e Button, e por isso se apressou a voltar à prova. Todavia, seu retorno se deu de forma perigosa, em meio ao trafégo. Uma punição tornava-se praticamente obrigatória.
Uma vitória especial
Hamilton, no entanto, continuava bem posicionado em relação a um lugar no pódio. Ainda assim, o campeão de 2008 agiu como se não tivesse mais nada a perder, arriscando um retorno aos pneus intermediários quando uns poucos pingos voltaram a cair sobre a pista. A aposta mostrou-se infeliz, e com isso Lewis perdeu também a terceira posição para Alonso. A briga pela vitória passava a se limitar a Vettel e Button, e seria decidida pela estratégia do inglês, de fazer uma parada a menos.
Comemorando seu 200º Grande Prêmio, Button encontrou na pista as condições que lhe renderam suas melhores atuações. Foi, sob todos os aspectos, uma vitória do piloto, num dia em que o destino preparou o cenário, e o homenageado soube aproveitar-se das circunstâncias.
Confira o resultado do GP da Hungria, 11ª etapa de 2011
1) Jenson Button (McLaren-Mercedes), 70 voltas em 1h43min42s337
2) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), + 3.588
3) Fernando Alonso (Ferrari), + 19.819
4) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), + 48.338
5) Mark Webber (Red Bull-Renault), + 49.742
6) Felipe Massa (Ferrari), + 1:17.176
7) Paul di Resta (Force India-Mercedes), + 1 volta
8) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
9) Nico Rosberg (Mercedes), + 1 volta
10) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
11) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), + 1 volta
12) Vitaly Petrov (Renault), + 1 volta
13) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 2 voltas
14) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 2 voltas
15) Segio Perez (Sauber-Ferrari), + 2 voltas
16) Pastor Maldonado (Williams-Cosworth), + 2 voltas
17) Timo Glock (Virgin-Cosworth), + 4 voltas
18) Daniel Ricciardo (Hispania-Cosworth), + 4 voltas
19) Jérôme d'Ambrosio (Virgin-Cosworth), + 5 voltas
20) Tonio Liuzzi (Hispania-Cosworth), + 5 voltas
21) Heikki Kovalainen (Lotus-Renault), 56 voltas
22) Michael Schumacher (Mercedes), 27 voltas
23) Nick Heidfeld (Renault), 24 voltas
24) Jarno Trulli (Lotus-Renault), 18 voltas
Volta mais rápida: Massa, 1:23.415 (61ª)
A F1 entra agora em seu período de férias de verão europeu e volta em 4 semanas para o sempre incrível GP da Bélgica, na pista favorita de 9 entre 10 pilotos: Spa-Francorchamps. A prova será dia 28 de agosto.
|
 |
|
 |