Início Formula 1 Indy Stock Truck Turismo Rally Outras Categorias
Notícias Formula 1 Classificação Formula 1 Calendário Formula 1 Equipes e Pilotos Formula 1 Análises Formula 1 GP2

Formula 1 | GP da Alemanha

Por opção da equipe, Alonso lidera dobradinha ferrarista na Alemanha

Domingo, 25 de Julho de 2010, 13:01

Getty Images

Massa e Alonso

Ordem de equipe: Massa não pode falar; Alonso não quer ouvir...

Márcio Madeira da Cunha

Com ordem de equipe, Fernando Alonso liderou a dobradinha da Ferrari em Hockenheim. Felipe Massa, um ano após sofrer seu grave acidente, assumiu a ponta na largada e só não venceu graças à intervenção do time. Sebastian Vettel completou o pódio, seguido pelas McLarens de Hamilton e Button, enquanto Mark Webber completou os seis primeiros. Rubens Barrichello não teve meios de repetir os bons resultados recentes e foi o 12º, enquanto Bruno Senna terminou na 19ª e última posição. Lucas di Grassi mais uma vez abandonou com problemas mecânicos.

Uma corrida fácil de explicar, sob o aspecto esportivo, porém muito complexa quando analisada sob o viés político. Assim foi a edição 2010 do Grande Prêmio da Alemanha. Uma corrida de pouca movimentação na pista, porém de muito agito nos bastidores. Vejamos, então, a história deste GP.

Na pista, tudo se definiu de maneira até bastante simples. Largando da pole position, Sebastian Vettel mais uma vez exagerou na carga aplicada aos pneus, especialmente ao guinar para o lado interno da pista, menos aderente, na tentativa desesperada de conter o avanço de Alonso. Patinou, atrasou o espanhol, e no fim ainda viu Felipe Massa, numa largada eficiente e tradicional, mergulhar por fora saltando de terceiro para a liderança. Pior: com Alonso logo atrás do brasileiro.

Os três primeiros lugares estariam definidos, não fosse pela opção explícita da Ferrari pela vitória de Alonso, através de uma (mal) maquiada ordem para inversão das posições. E assim, de maneira pouco nobre, se definiu o pódio da corrida. Lewis Hamilton pulou de 6º para 5º na largada, antes de superar a Red Bull de Mark Webber na freada do hairpin. Depois foi a vez de Button superar o australiano na base da estratégia, permanecendo mais tempo com os pneus macios, enquanto Mark perdia tempo aquecendo os compostos duros em meio a pesado tráfego. E assim explicamos os seis primeiros.

Kubica mais uma vez fez a corrida possível para os limites da Renault, terminando a prova exatamente onde a começou. Barrichello largou mal e seu motor Cosworth já bastante cansado não o permitiu recuperar terreno, de tal forma que as Mercedes - novamente ordendas com Rosberg e Schumacher - terminassem em 8º e 9º. Vitaly Petrov, pressionado publicamente pela equipe a pontuar, fez corrida discreta e sem erros, aproveitando os problemas de Williams e Force India (a equipe indiana conseguiu a proeza de confundir e trocar os pneus de seus pilotos pouco antes da largada, obrigando-os a corrigir o erro ao fim do 1ª giro) para assinalar um pontinho. Destaque ainda para o bom ritmo apresentado pelas Saubers, e pouco mais há o que ser dito.

Mais difícil de analisar é a conjuntura que culminou com a ordem de equipe que decidiu o vencedor do GP.

Contextualizando a polêmica

A origem do problema possivelmente reside nos pneus. Com o fim dos ridículos sulcos idealizados pelo ex-presidente da FIA, Max Mosley, os pneus dianteiros ganharam uma área de contato proporcionalmente maior com o asfalto, tornando-os ligeiramente 'traseiros', ou seja, os carros passaram a apresentar uma forte tendência a perderem a aderência no eixo traseiro, quando levados aos seus limites. Pois bem, para corrigir tal tendência, o regulamento técnico para 2010 previu a redução da largura dos pneus dianteiros, e mais uma vez errou a mão. Os carros, agora, se tornaram extremamente 'dianteiros'.

Ocorre que esse tipo de comportamento é algo crucial para que o piloto sinta-se ou não confiante e confortável ao volante de um determinado carro. E carros com pouca aderência na dianteira são, definitivamente, um problema para pilotos como Michael Schumacher, Jenson Button e... Felipe Massa.

Desde o início do ano o brasileiro vem sendo superado pelo companheiro de equipe na imensa maioria dos casos, não raramente por uma margem na casa do meio segundo. Uma situação que terminou por se traduzir na tabela de pontuação, ainda que ambos os pilotos ferraristas tenham perdido muitos pontos por erros próprios e uma coleção de pequenos azares.

O carro, por sua vez, viu sua competitividade escorrer por entre os dedos ao longo do ano, atingindo seu ponto mais baixo na Turquia, onde nem sequer foi a 3ª força em pista. O time, contudo, preparava um poderoso pacote de atualizações para as ruas de Valência. Mesmo com arestas por aparar, o salto observado foi imediato.

Os resultados, no entanto, não vieram. Na Espanha uma intervenção do carro de segurança arruinou a corrida dos vermelhos, da mesma forma como na Inglaterra um toque entre os dois pilotos, uma punição controversa a Alonso e uma derrapagem de Massa mantiveram a equipe novamente distante dos pontos. Criou-se, assim, uma incoerência entre o potencial dos conjuntos, e a tabela de pontuação, elevando sobremaneira a pressão nos corredores da equipe. Perder um campeonato quando o carro não corresponde, como em 2009, é uma coisa. Perdê-lo quando o ritmo é competitivo, é outra completamente diferente. Na Alemanha, brigar pela vitória seria uma obrigação.

E então, em Hockenheim, Alonso voltou a andar melhor que Felipe durante a maior parte do fim de semana. Largou uma posição à frente, porém meio segundo mais rápido. Com a vantagem de 31 pontos acumulada na tabela de pontuação, obviamente as melhores apostas ferraristas repousavam sobre o nome do espanhol. E até aí nenhum problema.

A questão é que Massa fez uma largada fulminante, e teimou em liderar a prova com autoridade do início ao fim. Inclusive, quando passou a guiar com pneus duros - seu principal calcanhar de Aquiles ao longo do ano - os dois pilotos voltaram a se colocar próximos de um acidente, que teria posto fim às pretensões da equipe ao longo do ano. Alguma intervenção da equipe se fazia necessária, e existiam basicamente duas opções: fazer como a McLaren e pedir que Alonso se conformasse, alegando algum consumo excessivo de combustível; ou ordenar a inversão das posições.

No calor da disputa, em meio a uma infinidade de números e a uma reclamação infeliz e contundente por parte do espanhol ("Isso é ridículo"), a equipe se deixou levar pela matemática e não mensurou as consequências da opção que estava fazendo. Um epísódio épico - que teria sido a vitória de Felipe exato um ano após seu terrível acidente - foi trocado por sete pontos na tabela do mundial, embrulhados em críticas e um novo escândalo. O próprio Felipe, certamente pego de surpresa, não teve meios de avaliar a dimensão do estrago à sua imagem enquanto pilotava a 300km/h.

Situações constrangedoras

Para além de qualquer implicação ética, o fato é que desde a péssima repercussão causada pela troca de posições entre Rubens Barrichello e Michael Schumacher no GP da Áustria de 2002, sob ordens da mesma Ferrari, o regulamento esportivo da categoria passou a proibir e condenar qualquer ordem direta neste sentido. Porém, ao contrário de efetivamente inibir tais intervenções por parte dos times, a nova regra passou a gerar situações externas às fronteiras daquilo que é patético e constrangedor.

A forma como pilotos e direção da equipe se veem forçados a negar o óbvio é embaraçosa. Todo o mundo viu, e a mensagem foi clara, mas mesmo assim não se pode falar a respeito. Parte da imprensa, por sua vez, ao invés de colocar questões pertinentes a respeito de toda esta dinâmica, parece encontrar verdadeiro prazer em instigar e fomentar este teatro. Perguntas óbvias e eventualmente cretinas são feitas em tom de cinismo, apenas para divertimento de quem se delicia ao ver alguém numa situação humilhante e sem saída. Patético, enfim.

O GP da Alemanha de 2010, portanto, foi em pista uma corrida bastante lógica, e que esteve perto de entrar para a história como a redenção de um piloto que, exatamente um ano atrás, havia flertado com a morte quando uma mola atingiu violentamente seu capacete. Ao invés disso, em virtude de uma decisão meramente matemática, tomada no calor das emoções e instigada pela pressão constante de Fernando Alonso (que numa certa altura disse ser ridícula a disputa em pista com Massa), o mesmo GP acabou entrando para o inglório rol das corridas malditas.

Que sirva, ao menos, de exemplo de tudo aquilo que precisa ser revisto no esporte. Desde o respeito ao público, passando pelo zelo para com a relação vitória-mérito, até atingir a própria legislação esportiva. Que em sua versão atual, e em face da cultura estabelecida entre equipes e parte da própria imprensa, serve apenas para deixar a todos nós um tanto constrangidos, e com a sensação de estarmos sendo tratados como pessoas pouco inteligentes.

Confira o resultado do GP da Alemanha, 11ª etapa do ano

1) Fernando Alonso (Ferrari), 67 voltas em 1h28min38s866
2) Felipe Massa (Ferrari), + 4.196
3) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), + 5.121
4) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), + 26.896
5) Jenson Button (McLaren-Mercedes), + 29.482
6) Mark Webber (Red Bull-Renault), + 43.606
7) Robert Kubica (Renault), + 1 volta
8) Nico Rosberg (Mercedes), + 1 volta
9) Michael Schumacher (Mercedes), + 1 volta
10) Vitaly Petrov (Renault), + 1 volta
11) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), + 1 volta
12) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 1 volta
13) Nico Hülkenberg (Williams-Cosworth), + 1 volta
14) Pedro de la Rosa (Sauber-Ferrari), + 1 volta
15) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
16) Tonio Liuzzi (Force India-Mercedes), + 2 voltas
17) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 2 voltas
18) Timo Glock (Virgin-Cosworth), + 3 voltas
19) Bruno Senna (Hispania-Cosworth), + 4 voltas

20) Heikki Kovalainen (Lotus-Cosworth), 58 voltas
21) Lucas di Grassi (Virgin-Cosworth), 51 voltas
22) Sakon Yamamoto (Hispania-Cosworth), 20 voltas
23) Jarno Trulli (Lotus-Cosworth), 4 voltas
24) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), 2 voltas

Volta mais rápida: Vettel, 1:15.824 (67ª)

A F1 segue agora para a Hungria , onde a 12ª etapa será disputada no travado circuito de Hungaroring. A prova será no dia 01 de agosto, já no próximo fim de semana.