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Formula 1 | GP de Mônaco

Webber domina prova em Mônaco
e assume liderança da tabela

Domingo, 09 de Maio de 2010, 13:42

AP Photo

Podium de Mônaco

Em nova vitória de ponta a ponta, Webber teve companhia de Vettel e Kubica no podium

Márcio Madeira da Cunha

Guiando com velocidade e segurança, Mark Webber obteve sua segunda vitória de ponta a ponta em 7 dias e eternizou seu nome entre os grandes do principado de Mônaco. Sebastian Vettel completou a dobradinha da Red Bull, e agora ambos lideram a tabela de pilotos e construtores. Robert Kubica completou um podium exclusivo dos motores Renault, e novamente foi o destaque individual do fim de semana. Único brasileiro a completar a prova, Felipe Massa foi o 4º colocado, seguido por Lewis Hamilton. Michael Schumacher superou Fernando Alonso na última curva pelo 6º lugar, mas foi punido por fazê-lo durante Safety Car, caindo para 12º. Nico Rosberg, Adrian Sutil, Tonio Liuzzi e Sébastien Buemi completaram os 10 primeiros.

Antecipação acima da média

Reuters Pictures

Alonso nos boxes da Ferrari

Sob uma regra questionável, Alonso foi obrigado a largar do box por trocar de chassi

Há quem acredite que corrida em Mônaco se decida na tarde de sábado, com o resultado da qualificação. A edição de 2010, contudo, poderá se orgulhar de ter começado a se decidir ainda antes, quando Fernando Alonso - o homem que vinha dominando com autoridade todas as atividades em pista - acidentou-se na terceira sessão livre e foi obrigado a trocar a célula de sobrevivência. Procedimento que, conforme as novas e cada vez mais estranhas regras, deverá ser punido com o piloto largando dos boxes, após todos os demais.

Obviamente se trata de um esforço no sentido de baixar custos que, mais uma vez, aproveita o pretexto para promover o caos no grid de largada - há muito considerado o melhor atalho para se promover 'emoções' em corridas. No entanto, esta mesma regra poderá ter efeito decisivo sobre a definição do campeão mundial, e isso certamente é algo a se lamentar. Na corrida deste domingo o efeito do regulamento só não foi ainda maior graças à atuação de Nico Hülkenberg, providenciando a 1ª intervenção do carro de segurança ainda na volta inicial.

Largada e posicionamento

Reuters Pictures

Largada em Monte Carlo

Webber na ponta, Vettel passou Kubica e as Mercedes perderiam para um esperto Barrichello

Após luzes vermelhas terem se acendido e apagado de maneira excepcionalmente rápida, Mark Webber saltou mais uma vez de maneira impecável para jamais ser alcançado por ninguém. Novamente o australiano fez uma corrida perfeita, típica de quem já se acostumou a vencer sem sustos, e não haverá muito o que falar sobre ele além de que o mundo do automobilismo precisa reavaliar a imagem que há tempos fez de sua condução. Mark é hoje um piloto talhado pelos erros e problemas do passado, e tão rápido quanto sempre foi. Não exibe o mesmo brilho de seu companheiro de equipe, mas após 1/3 da temporada é o líder do mundial, e isso não pode ser fruto do acaso. Cabe ainda enfatizar que a pista de Monte Carlo é provavelmente a que menos combina com as especificações do RB6, e isso se confirmou muito mais no desempenho de Vettel do que do 'velho' Webber. Uma vitória mais que merecida, portanto.

Da mesma forma, as demais posições do pódio também foram decididas nos metros iniciais do GP, quando Robert Kubica pagou o preço por alinhar o Renault no lado sujo da pista. Antes que pudesse defender a posição, Sebastian Vettel já havia se posicionado a seu lado, na linha interna de tomada da Saint Devote. Com o mesmo avanço, porém na linha externa, se encontrava a Ferrari de Felipe Massa. O brasileiro conseguiu um bom arranque apesar de também ter partido do lado sujo, mas não teve meios de concluir a ultrapassagem sobre o polonês. Lewis Hamilton, que vinha logo atrás, não teve meios de superar o brasileiro quando este teve que recolher na entrada da curva, e com isso as cinco primeiras colocações da corrida estavam definidas aindas nos primeiros 200 metros.

Nem por isso, no entanto, tratou-se de uma prova sem acontecimentos.

Atuação decisiva da Williams

Reuters Pictures

Nico Hülkemberg, Williams

A paulada de Hülkenberg no 1º giro salvou Alonso, que colocou pneus duros para todo o GP

Logo atrás de Hamilton aparecia a surpreendente Williams de Rubens Barrichello, que nos poucos metros entre a largada e a curva 1 havia conseguido superar nada menos que a McLaren de Jenson Button, e as duas Mercedes de Rosberg e Schumacher. O veterano, a bem da justiça, vem escrevendo uma temporada muito melhor do que aquela que lhe valeu a disputa pelo título em 2009. Sem dar qualquer chance a seu festejado companheiro de equipe, Rubens vem mostrando potencial de sobra para justificar sua presença na categoria após tantos anos, e por ainda algum tempo no futuro.

Dito isto, é óbvio que Barrichello enfrentou dificuldades para acompanhar o ritmo de corrida dos cinco primeiros, e com isso acabou criando um divisor de pelotões. Algo que se tornaria importante instantes depois, quando a outra Williams, de Nico Hülkenberg, perdeu o trilho de borracha e acabou se chocando contra a parede externa do túnel, ainda na primeira volta do GP. A entrada do Safety Car e uma troca imediata para os pneus duros trouxeram, numa tacada só, Fernando Alonso de volta à briga pela corrida.

Posições entre 6º e 10º

Getty Images

Trulli, Lotus e Alonso, Ferrari

Alonso teve vida fácil com Trulli, mas penou pra passar Di Grassi

Com a corrida reiniciada, os pilotos do primeiro pelotão sabiam que precisavam abrir uma distância que os permitisse trocar os pneus e ainda retornar à pista à frente da Ferrari de Alonso, que não iria parar mais. Para tanto, contavam com a precisosa ajuda de cinco dos carros mais lentos do grid, uma vez que Bruno Senna havia trocado seus pneus na segunda volta e já se encontrava atrás do bicampeão. O problema, para quem vinha atrás de Barrichello, era que seus ritmos estariam limitados justamente durante esta fase tão importante de suas provas.

Sob este aspecto, a breve atuação de Lucas di Grassi em Mônaco acabou assumindo contornos decisivos. Ao contrário de Jarno Trulli, e a exemplo do que também fariam depois Timo Glock e Heikki Kovalainen, o brasileiro não facilitou a vida do asturiano, obrigando-o a conquistar na pista cada posição.O tempo perdido durante estas voltas foi suficiente para permitir a troca segura dos pneus de Lewis Hamilton, o 5º, mas não de Michael Schumacher, o 7º. Barrichello também perdeu várias posições, uma vez que seu carro perdeu qualquer vestígio de equilíbrio tão logo saiu dos boxes. Entre as voltas 17 e 19, portanto, se definiu a sexta colocação de Alonso.

Getty Images

Button, McLaren

O motor de Button ferveu porque esqueceram uma tapadeira no radiador... Keep walking...

Com todos os líderes se encaminhando para os boxes, Nico Rosberg arriscou permanecer na pista com pneus macios. Sua tática - tão familiar em tempos de reabastecimento - consistia em atacar ao máximo durante tais voltas, visando ganhar posições para quando fizesse sua própria troca de pneus. A idéia, a princípio, funcionou, uma vez o que o jovem alemão começou a assinalar as melhores voltas até aquele instante. No entanto, quando Mark Webber trocou os pneus e retornou à pista à sua frente, Rosberg insistiu em permanecer na pista durante mais algumas voltas. Seu ritmo piorou, e ao trocar os pneus o filho de Keke continuaria na mesma posição que ocupava antes de tentar seu pulo do gato: atrás de Schumacher.

Jenson Button a esta altura já havia abandonado por culpa de um inaceitável equívoco de sua equipe. O carro superaqueceu na terceira volta, porque alguém se esqueceu de tirar a vedação do duto frontal, que tinha a dupla função de refrigerar motor e piloto além de ajudar na velocidade em reta do carro. Como resultado, o inglês caiu da liderança para a quarta posição no mundial. As demais posições pontuáveis couberam às duas Force India de Adrian Sutil e Tonio Liuzzi, que assumiram esta ordem após a rodada de pit stops. No fim, um ponto ainda seria atribuído à Toro Rosso de Sébastien Buemi, mas isto é assunto para daqui a pouco.

Na hora de tirar 10...

Getty Images

Barrichello, Williams

Rubinho foi ótimo, mas depois do pit as coisas ficaram difíceis e culminaram numa batida

Conforme já vimos, a atuação de Rubens Barrichello vinha sendo digna de louvor nas ruas de Mônaco até a infeliz troca de pneus da equipe Williams. Depois dela, o carro passou a apresentar problemas crônicos de equilíbrio que se manifestaram no volante, roubando qualquer vestígio de competitividade do conjunto. Pior que isso, o problema se agravava volta a volta, até explodir de maneira dramática na forma de um pneu traseiro esquerdo danificado na aproximação da praça do cassino. A pancada contra os rails foi forte, mas Rubens nada sofreu.

O veterano visivelmente não teve culpa no ococrrido, e teria toda a razão do mundo para cobrar explicações. Contudo, o mesmo descontrole emocional que após 18 de F1 continua tornando constrangedoras várias de suas declarações, manifestou-se desta vez num comportamento muito mais sério. E condenável.

Agindo por impulso e de maneira completamente irresponsável, Rubens atirou o volante displicentemente sobre o bico de seu carro, onde a peça quicou para então cair no meio da pista. Não demorou muito até que o pobre Karun Chandhock - fazendo 'uma das melhores corridas de sua vida', segundo relatou - colhesse o volante, causando danos a seu já combalido carro. Os danos, no entanto, poderiam ter sido muito maiores, e é inconcebível que um piloto experiente como Barrichello, que já viveu dias como Imola 1994 e deveria dar exemplo aos mais jovens, aja de forma tão inconsequente. Com toda a certeza o próprio Barrichello, caso estivesse na situação de Chandhock, teceria comentários extremamente ácidos acerca deste tipo de comportamento.

Voltas finais

Sutton Photographic

Trulli, Lotus e Chandhok, Hispania

Trulli não conseguia passar Chandhok pelos lados. Então resolveu passar por cima...

A partir de então, os únicos acontecimentos relevantes para o resultado da corrida tiveram lugar nos instantes finais da prova.

Guiando com muita bravura um carro danificado pela imprudência de Barrichello, Chandhock lutava para segurar o ímpeto de Jarno Trulli nas voltas finais de uma disputa que envolvia a... 14ª e penúltima posição! Finalmente os carros acabaram se misturando, causando a última intervenção do safety car da tarde.

Tudo indicava que a corrida terminaria em ritmo de desfile, até que a direção de prova decidiu liberar os carros na última curva, apenas para que a chegada pudesse se dar de maneira mais crível.

Só esqueceram-se de avisar a Michael Schumacher...

FOM/Reprodução

Trulli, Lotus e Chandhok, Hispania

Na última curva, Schumacher aproveitou uma hesitação de Alonso e passou... ilegalmente

Aproveitando-se do flagrante desgaste nos pneus de Fernando Alonso, Schumacher mergulhou por dentro na tomada da apertadíssima Anthony Noghès para assumir a sexta posição. Por muito pouco não ocorreu um acidente que poderia ser tanto trágico quanto cômico, e o fato é que o alemão cruzou a linha de chegada à frente do espanhol. E então começou a discórdia.

Afinal, conforme os regulamentos tocantes ao Safety Car, a corrida só retorna ao seu estatus normal a partir do momento em que os carros cruzam a linha de chegada, tendo suas posições resguardadas até este instante. Por este raciocínio, portanto, deixa de fazer qualquer sentido que os carros assumam seus ritmos normais de corrida quando a saída do carro madrinha se dá - a exemplo desta edição em Mônaco - na última volta. Os pilotos poderiam simplesmente seguir calmamente para a bandeirada, e qualquer ultrapassagem estaria proibida.

A atitude dos pilotos, portanto, mais do que refletir o condicionamento de acelerar sempre que a pista se encontra livre, serve como evidência final de que ainda restavam dúvidas sobre a real aplicação das regras.

No fim, após muita discussão e algumas horas mais tarde, Michael Schumacher acabou sendo punido em 20 segundos, caindo de 6º para 12º na classificação final. E com isso, Sébatien Buemi acabou somando um ponto pela 10ª colocação.

Getty Images

Webber, Trofeu e piscina

Webber estava tão conente que liderou uma literal 'festa da piscina' no paddock da Red Bull

Confira o resultado revisado* do GP de Mônaco, 6ª etapa do ano

1) Mark Webber (Red Bull-Renault), 78 voltas em 1h50min13s355
2) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), + 0.448
3) Robert Kubica (Renault), + 1.675
4) Felipe Massa (Ferrari), + 2.666
5) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), + 4.363
6) Fernando Alonso (Ferrari), + 6.341
7) Nico Rosberg (Mercedes), + 6.651
8) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 6.970
9) Tonio Liuzzi (Force India-Mercedes), + 7.305
10) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), + 8.199
11) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 9.135
12) Michael Schumacher (Mercedes), + 25.712
13) Vitaly Petrov (Renault), + 4 voltas

14) Karun Chandhok (Hispania-Cosworth), 71 voltas
15) Jarno Trulli (Lotus-Cosworth), 71 voltas
16) Heikki Kovalainen (Lotus-Cosworth), 59 voltas
17) Bruno Senna (Hispania-Cosworth), 59 voltas
18) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), 28 voltas
19) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), 27 voltas
20) Lucas di Grassi (Virgin-Cosworth), 26 voltas
21) Timo Glock (Virgin-Cosworth), 23 voltas
22) Pedro de la Rosa (Sauber-Ferrari), 22 voltas
23) Jenson Button (McLaren-Mercedes), 3 voltas
24) Nico Hülkenberg (Williams-Cosworth), 1 volta

* M. Schumacher tomou punição de 20s em seu tempo de prova por ter passado F. Alonso em disputa pelo 6º lugar durante período de Safety Car

Volta mais rápida: Vettel, 1:15.192 (71ª)

A próxima parada da F1 é a Turquia - 3º GP seguido na Europa. A prova, daqui 15 dias, será em 30 de Maio, com largada às 9h, horário de Brasília.