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Formula 1 | GP da Espanha

Webber leva Red Bull à vitória
de ponta a ponta na Espanha

Domingo, 09 de Maio de 2010, 19:58

AP Photo

Podium de Barcelona

Junto do colega de pôquer Alonso, Webber comemora a vitória com sorriso de orelha à orelha

Márcio Madeira da Cunha

Pela 10ª edição seguida, o pole position venceu em Barcelona. Mark Webber liderou de ponta a ponta para garantir a 3ª vitória de sua carreira, à frente do herói local e vice-líder do campeonato Fernando Alonso. Sebastian Vettel completou o podium apesar de mais uma vez ter enfrentado sérios problemas com os freios, enquanto Michael Schumacher confirmou o bom momento com um 4º lugar, à frente do líder do mundial Jenson Button, e da desequilibrada Ferrari de Felipe Massa. Barrichello foi o 9º após excelente prova, Lucas di Grassi levou seu carro até o final e Bruno Senna abandonou ainda na 1ª volta.

No geral, foi mais uma prova definida das primeiras voltas e no treino de qualificação, como já se tornou tradição na pista espanhola. Ainda assim, antes de afirmar que tenha sido uma corrida sem emoção, talvez seja preferível esmiuçar as entrelinhas deste GP que, ano após ano, se revela como um verdadeiro microcosmos do desempenho das equipes em toda a temporada. Mais do que em qualquer outro lugar, portanto, Montmeló merece uma cuidadosa análise do desempenho dos competidores.

Largada e posicionamento

AP Photo

Largada em Barcelona

Pole, Webber teve que defender-se de Vettel pela esquerda e de Hamilton pela direita

Partindo da pole position pela segunda vez no ano, Mark Webber tinha apenas uma coisa em mente quando alinhou seu RB6 na posição de honra na Espanha: não repetir o mesmo erro da Malásia, que o custou a liderança já na primeira curva. Apagadas as luzes vermelhas, bem que Sebastian Vettel e Lewis Hamilton tentaram, mas o australiano manteve-se na ponta e por lá permaneceu até o fim da prova. Só voltaremos a falar dele mais adiante, para analisarmos o ritmo de suas voltas.

E já que falamos sobre Hamilton, vale dizer que sua largada foi reveladora. A rigor, o inglês esteve muito perto de perder a terceira posição para Fernando Alonso, que pulou muito melhor ao apagar das luzes. No entanto, foi impressionante ver a aceleração desta McLaren Mercedes, não apenas despachando a Ferrari do espanhol, como também alcançando as duas Red Bull que disputavam a curva 1 à sua frente. Tudo, repito, graças ao equipamento. Fosse pela relação de marchas, fosse pela potência do motor Mercedes, ou ainda pelo baixo arrasto aerodinâmico do chassi, o fato é que o carro sobrou em retas e saídas de curvas. E a largada deixou isso claro como água.

Getty Images

Largada em Barcelona

Na saída do primeiro S, Webber, Vettel, Hamilton, Alonso, Button e Schumacher

Contornando a primeira curva, portanto, a ordem era Webber, Vettel, Hamilton e Alonso. Logo atrás vinham Button, Schumacher, Massa - que pulou bem para conquistar duas posições -, Sutil, Alguersuari e Kubica. Pior para Rosberg, que acabou sendo involuntariamente empurrado para fora da pista por Kubica, e caiu para a 12ª posição. Mais atrás quem também aparecia muito bem era o veterano Rubens Barrichello, tendo conquistado três posições apenas nos metros iniciais.

Duas curvas à frente, mais acontecimentos. Robert Kubica e Kamui Kobayashi se tocaram, com o japonês caindo para a 16ª posição, e o polonês ficando com a asa dianteira danificada. A partir de então, o principal carro da Renault na prova passou a apresentar um comportamento bastante subesterçante, e se ainda assim chegou aos pontos isso se deve em grande parte ao talento de Kubica.

FOM/Reprodução

De la Rosa, Sauber-Ferrari

De la Rosa teve o pneu da Sauber rasgado pela Toro de Buemi, que teve um dia de cão

Ainda na curva 3 se tocaram a Toro Rosso de Sébastien Buemi e a Sauber de Pedro de la Rosa, obrigando ambos a seguirem rumo aos boxes. Para o espanhol a corrida acabaria ali mesmo, em função de danos maiores à suspensão dianteira. Além deles, Bruno Senna acabou passando reto na mesma curva, após ter conquistado algumas posições na largada. Para o brasileiro, no entanto, abandonar a corrida deve ter sido um inconfessável alívio, diante do comportamento ridículo de seu carro durante todo o fim de semana.

Algumas curvas à frente foi a vez de Rubens Barrichello aplicar um belo drible a seu companheiro de equipe, fechando a primeira volta na 12ª posição. Um lucro de cinco posições em relação ao grid de largada. E a evolução do veterano ainda iria continuar chamando atenção durante toda a corrida.

Pit stops

Reuters Pictures

Hamilton, McLaren-Mercedes e Vettel, Red Bull-Renault

Hamilton tomou o 2º lugar de Vettel na rodada de pits...

A partir do fim da primeira volta, nada de relevante aconteceu até que os primeiros carros tomassem o caminho dos boxes, para efetuarem as trocas de pneus. Vale dizer que todos os pilotos, à exceção de Lucas di Grassi, largaram com pneus macios.

Como sempre acontece em corridas sem reabastecimento, as trocas começaram a pipocar entre os conjuntos que tinham menos a perder, andando do meio para o fim do pelotão. Na volta 12, Vitantonio Liuzzi levou sua Force India aos pits, seguido no giro seguinte pela Renault de Vitaly Petrov. Na 14 volta foi a vez de Michael Schumacher, Felipe Massa e Nico Rosberg, com o último vivendo mais um capítulo de seu inferno astral. Após uma rápida troca, Nico foi obrigado a parar e trazido de volta à área da Mercedes, para que seu pneu dianteiro direito fosse fixado corretamente. O então vice-líder do mundial caía para a 17ª posição, e dava adeus aos pontos.

Getty Images

Schumacher, Mercedes e Button, McLaren-Mercedes

...bem como Schumacher superou Button, que teve problemas em sua parada

Rubens Barrichello foi o único a parar na 15ª volta, enquanto no 16º pararam Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Jenson Button, Jaime Alguersuari, Robert Kubica, Nico Hülkenberg e Kamui Kobayashi. O congestionamento que se formou no pitlane acabou custando caro a Vettel, cuja saída teve de ser adiada em função de carros que estavam cruzando a pista de boxes. O atraso foi suficiente para que Lewis Hamilton, que pararia na volta seguinte, conquistasse a segunda colocação.

Outro que perdeu tempo nos boxes foi Jenson Button, em função de um problema que envolveu os mostradores do volante e o comando da embreagem. Durante a troca os pneus traseiros não pararam completamente de girar, gerando atrasos aos mecânicos. Com isso, o atual campeão mundial acabou retornando à pista em briga direta com Schumacher, que numa manobra estilo passa-ou-bate ganhou a quinta colocação. Mark Webber parou juntamente com Hamilton, retornando à pista ainda na liderança. E com isso as principais posições da corrida estavam definidas.

Ritmo de prova

Getty Images

Webber, Red Bull-Renault

Webber sumiu na ponta e administrou praticamente toda a segunda metade do GP

A partir de então, Jenson Button tentou diversas vezes recuperar a posição em cima da Mercedes de Schumacher. Mesmo trocando as marchas sem o auxílio das luzes indicativas da rotação do motor, o britânico conseguia atingir uma velocidade final bastante superior à do alemão, que por sua vez se defendia muito bem. Após algumas voltas Button percebeu que uma manobra seria quase impossível, e acabou se conformando com a sexta posição. Depois da prova, no entanto, Jenson acusou Schumacher de ter exagerado na agressividade durante a ultrapassagem, afirmando que se ele próprio não tivesse desacelerado, ambos certamente teriam batido.

Após a rodada de pit stops, Lewis Hamilton parecia ser capaz de mais uma vez acompanhar o ritmo das Red Bulls. Mark Webber, no entanto, mostrou muita visão de corrida ao apertar o ritmo justamente durante algumas voltas nas quais Hamilton enfrentou problemas com o tráfego, para sedimentar uma folgada vantagem na liderança. No fim, restou a impressão de que o australiano tinha nas mãos uma expressiva reserva de desempenho, caso fosse obrigado a andar mais rápido.

FOM/Reprodução

Vettel, Red Bull-Renault

Freios desequilibrados acabaram com os pneus de Vettel, obrigado a passear pela brita

Restando cerca de 15 voltas para o fim, Sebastian Vettel começou a sofrer com problemas sérios nos freios. Após uma troca de pneus na volta 54, a equipe chegou a chamá-lo aos boxes, para abandonar a corrida, pois tudo indicava que o carro ficaria completamente sem freios nas voltas finais. O jovem e competitivo alemão, no entanto, insistiu em permanecer na pista por mais algumas voltas, na esperança de conquistar alguns pontos importantes para o campeonato. E, mais uma vez, ele fez muito mais que isso.

Guiando sem o auxílio dos freios, Vettel não apenas conseguiu se manter na pista, como ainda se manteve à frente de Michael Schumacher na quarta posição. E o que é mais impressionante: virando tempos muitas vezes melhores que os do heptacampeão. A própria Red Bull, numa certa altura, foi ao rádio pedir que ele andasse mais devagar, pois aquele ritmo era desnecessário para a manutenção do quarto posto.

E então, restando duas voltas para o final, a torcida espanhola que já vibrava com a terceira posição de Fernando Alonso, ganhou novo motivo para comemorar. Lewis Hamilton, que trazia a Mclaren com segurança para uma fantástica segunda colocação, acabou tendo o pneu dianteiro esquerdo estourado, justamente na rapidíssima curva 3. O acidente contra a barreira de pneus acabou sendo inevitável, embora chame a atenção a forma como o inglês jamais soltou o volante, mesmo quando o impacto era iminente. Um comportamento que o campeão mundial de 2008 deverá rever, pelo bem de sua própria segurança.

FOM/Reprodução

Hamilton, McLaren-Mercedes

Um pneu estourado e a torcida espanhola vai ao delírio com a saída de Hamilton

Não custa perguntar...

Terminada a corrida, o GP da Espanha deixou algumas dúvidas no ar. A saber:

Por que Mark webber continua a ser um piloto tão subestimado? Afinal, o australiano - que sempre foi um dos mais rápidos pilotos da categoria -, tornou-se também, nos últimos tempos, um piloto de poucos erros e muita consistência. Superou sem reclamar uma árdua recuperação física após o atropelamento ocorrido em 2009, lidou da melhor maneira possível com a genialidade de Sebastian Vettel na mesma equipe, e teve uma atuação impecável durante todo o fim de semana em Montmeló. Mereceu a vitória, da mesma forma como merece uma nova avaliação por parte da imprensa especializada em geral.

Até quando a Red Bull irá continuar jogando pontos pela janela? Pela terceira vez em cinco provas, Sebastian Vettel enfrentou problemas mecânicos em 2010. Apesar das cinco pole positios conquistadas pela equipe, a tabela de pontuação é liderada por um piloto da McLaren, seguido por outro da Ferrari. Após três semanas de intervalo, o que se viu na Espanha foi um RB6 ainda mais rápido do que já vinha sendo, porém igualmente frágil. Se a equipe quiser transformar potencial em pontos, então parece estar mais do que na hora de voltar as atenções à robustez do carro, pois velocidade ele parece ter de sobra.

Getty Images

Webber carregado

Carregado como um heroi, Webber recuperou a confiança da Red Bull em seu talento

Rosberg será a nova vítima de Schumacher e seu monopólio sobre o desenvolvimento dos carros? A pergunta se justifica, pois após 4 etapas nas quais Rosberg havia superado com larga margem o desempenho do heptacampeão, a equipe finalmente teve chance de evoluir o novo carro. E, como se viu, o fez de maneira completamente direcionada ao gosto de sua maior estrela. Então, em Barcelona, não apenas Schumacher apresentou uma sensível melhora em seu desempenho, como também Nico viu naufragar toda a sua competitividade. Resta ver se este terá sido um caso isolado, ou se daqui para a frente Rosberg irá compreender melhor o conselho que lhe foi dado por Rubens Barrichello antes do início da temporada...

Alonso teve sorte de campeão no fim da prova? Taí uma afirmação questionável. Uma das coisas mais fascinantes em corridas de automóveis é a possibilidade de se explicar matematicamente o posicionamento de cada carro em cada momento da corrida. E, no caso de Alonso, ele só herdou a posição de Vettel porque ao longo da prova se posicionou bem o bastante para isso.

Por alguma razão ainda não explicada, Felipe Massa continua sendo muito mais lento que o bicampeão, guiando abaixo de seu próprio padrão em temporadas anteriores. A segunda colocação do asturiano, portanto, teve a colaboração do sorte apenas no que se refere ao abandono de Hamilton - que, no fim das contas, beneficiou a todos os demais pontuadores. A posição ganhada em relação a Vettel coube, principalmente, aos méritos do espanhol desde o treino de classificação.

Getty Images

Massa, Ferrari

Massa, aqui com Sutil, precisa com urgência de bons resultados em Mônaco e na Turquia

Confira o resultado do GP da Espanha, 5ª etapa do ano

1) Mark Webber (Red Bull-Renault), 66 voltas em 1h35min44s101
2) Fernando Alonso (Ferrari), + 24.065
3) Sebastian Vettel (Red Bull-Renault), + 51.338
4) Michael Schumacher (Mercedes), + 1:02.195
5) Jenson Button (McLaren-Mercedes), + 1:03.728
6) Felipe Massa (Ferrari), + 1:05.767
7) Adrian Sutil (Force India-Mercedes), + 1:12.941
8) Robert Kubica (Renault), + 1:13.677
9) Rubens Barrichello (Williams-Cosworth), + 1 volta
10) Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari), + 1 volta
11) Vitaly Petrov (Renault), + 1 volta
12) Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), + 1 volta
13) Nico Rosberg (Mercedes), + 1 volta
14) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), + 2 voltas
15) Tonio Liuzzi (Force India-Mercedes), + 2 voltas
16) Nico Hülkenberg (Williams-Cosworth), + 2 voltas
17) Jarno Trulli (Lotus-Cosworth), + 3 voltas
18) Timo Glock (Virgin-Cosworth), + 3 voltas
19) Lucas di Grassi (Virgin-Cosworth), + 4 voltas

20) Sébastien Buemi (Toro Rosso-Ferrari), 43 voltas
21) Karun Chandhok (Hispania-Cosworth), 28 voltas
22) Pedro de la Rosa (Sauber-Ferrari), 19 voltas
23) Bruno Senna (Hispania-Cosworth), 1 volta
24) Heikki Kovalainen (Lotus-Cosworth), 1 volta

Volta mais rápida: Hamilton, 1:24.357 (62ª)

Sem perder tempo, a F1 se encaminha ainda esta semana para o principado de Mônaco, no GP mais charmoso do ano. Os treinos começam dia 13 (qunta-feira) e a corrida será dia 16, às 9h, horário de Brasília.