Formula 1 | Mercedes W01, Williams FW32 e Toro Rosso STR5Mercedes, Williams e Toro Rosso lançam carros diretamente na pistaSegunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010, 17:33 Mercedes GP A nova Mercedes W01 tem como chamariz o bico 'adunco' e a chocante tomada de ar tripla Lucas Giavoni A Formula 1 conheceu no dia 1º de fevereiro mais 3 novos modelos para a temporada 2010: Mercedes W01, Williams FW32 e Toro Rosso-Ferrari STR5. Sem cerimônias, os carros foram lançados já prontos para participar dos primeiros treinos coletivos no circuito de Valencia, Espanha. Eles se juntam nas atividades aos já lançados modelos da Ferrari, McLaren, Renault e Sauber. Mercedes W01 A equipe Mercedes Grand Prix foi apresentada em 25 de janeiro, com suas novas cores, pilotos, staff técnico liderado por Ross Brawn e parceiros comerciais. Mas o carro usado nada mais era do que uma velha Brawn GP pintada com o novo layout, obviamente baseada na cor prata. O novo carro só foi mostrado no piltane do circuito Ricardo Torno, em Valência, em cerimônia simples para a imprensa presente. E de lá, diretamente para a pista, para o shakedown.
Clique aqui para reler sobre o lancamento da Mercedes GP em janeiro
O novo carro, batizado como W01 (o ‘W’ é uma tradição dos modelos competitivos da Mercedes), teve como diretor de projeto Thomas Fuhr, o mesmo que cuidou da construção da Mercedes SLR McLaren de rua. O carro é assinado pelo chefe de desenho Kevin Taylor e Loïc Bigois cuidando da aerodinâmica. Essa dupla tem a responsabilidade de suceder o fantástico Rudolf Uhlenhaut, mentor das flechas de prata W196 (F1) e 300 SLR (esportivo) usadas por Juan Manuel Fangio e Stirling Moss nos anos 50. Mercedes GP Mesmo baseado na vencedora Brawn, o novo carro alemão possui desenho próprio Mesmo tendo como base a vencedora Brawn BGP01, a nova Mercedes W01 possui diversas diferenças de desenho. O novo bico possui nariz curvado para baixo, com pequenos ‘flaps’ diagonais em cada lado. O desenho contraria a atual tendência de bicos elevados e achatados. A nova asa dianteira é uma sutil evolução daquela usada no carro anterior pela Brawn. Elementos como os defletores e a pequena aleta nas extremidades das laterais permanecem praticamente inalterados, mas o desenho da tampa do motor mudou radicalmente. A tomada de ar ganhou um desenho triangular e logo abaixo do duto que leva o ar até o motor há duas inéditas cavidades laterais auxiliares. A barbatana dorsal não é pronunciada, mas tem um desenho pontiagudo na junção com a parte traseira. A asa traseira tem derivas ligeiramente diferentes e o difusor duplex – ideia original da Brawn – foi atualizado. Mercedes GP Michael Schumacher não pilotava um modelo Mercedes de competição desde 1991 O motor é o mesmo Mercedes usado no ano passado, mas em nova especificação, batizada de FO108X, que foi trabalhado para manter o mesmo nível de potência (o maior entre os propulsores do grid), mas com menor consumo de combustível, dada a nova regra do fim dos reabastecimentos. As saídas de escapamento estão posicionadas bem perto da raiz dos triângulos superiores da suspensão traseira. Nico Rosberg foi escalado para fazer o shakedown do carro no primeiro dia de testes. O heptacampeão Michael Schumacher, que não pilota um F1 que não seja uma Ferrari há quase uma década e meia, também foi designado para também testar no mesmo dia. Williams FW32 Williams F1 Rubinho teve a honra de ser o 1º a testar a FW32, que nasceu de uma folha em branco Se a Mercedes chamou a imprensa para mostrar seu novo carro no pitlane, a Williams nem isso fez. Simplesmente abriu seu box para que o novo modelo FW32 saísse para seu teste inaugural com Rubens Barrichello ao volante. A assessoria de imprensa do time nem ao menos divulgou a ficha técnica ou fotos de estúdio no novo modelo, primeiro a andar com o novo motor V8 Cosworth - propulsor que também será usado pelas equipes novatas Virgin/Manor, USF1, Campos e Lotus. A nova Williams é fruto de um projeto totalmente novo e não uma evolução do carro antigo, que marcou 30 pontos com Rosberg, mas não visitou o podium e terminou o ano como 7º melhor entre os Construtores. Sob a direção técnica de Sam Michael (sucessor de Patrick Head no cargo), o FW32 é assinado por Ed Wood, com aerodinâmica a cargo de John Tomlinson. Ambos são responsáveis pelos carros da equipe de Grove desde 2007. Reuters Pictures Com desenho funcional, a Williams têm motor Cosworth compartilhado com outros 4 times A equipe optou por manter a mesma pintura, o que de certa forma ‘encobriu’ as novidades de design do carro – isso aparentemente foi proposital. No bico, o nariz está empinado e mais fino, aproveitando as lâminas para colocação de câmera como ‘bigodes’ aerodinâmicos. O desenho do aerofólio dianteiro, muito mais elaborado, inova pelas curvas na lâmina de base. As derivas não são inteiriças como nos outros carros, mas sim em partes recortadas em ‘respiro’. A suspensão dianteira também é totalmente diferente em desenho e geometria. Ao olharmos os espelhos retrovisores, teremos o que talvez seja o único desenho repetido. A peça, no entanto, está posicionada nas extremidades das laterais em conjunto com as pequenas aletas verticais que apresentam um desenho diferenciado. As tomadas de ar para os radiadores estão mais estreitas, assim como todo o desenho das laterais, que tem novas saídas de escapamento. Williams F1 A equipe optou por esconder as novidades do carro usando a pintura de 2009 A Williams-Cosworth FW32 é mais longa e a principal novidade na tampa do motor é a estranha entrada de ar auxiliar de refrigeração no topo, atrás da entrada de ar do motor. O desenho tem a mesma finalidade da entrada de ar dupla da McLaren, só que em solução diferente. Embaixo da tampa, o novíssimo motor CA2010 da Cosworth, que havia feito sua última aparição na F1 em 2006 justamente com a Williams. Aquele foi o primeiro ano dos motores V8 de 2.4 litros, em substituição aos V10 de 3 litros – e a na ocasião a Cosworth foi a apresentar o motor mais potente, ainda que pouco confiável. Ainda como novidades na Williams, temos a estria de Nico Hülkenberg como piloto titular da equipe. Ele, que foi test-driver por dois anos, venceu de modo convincente a última temporada da GP2. Com a promoção do jovem alemão, a equipe contratou como novo reserva o desconhecido Valtteri Bottas, de 20 anos. O piloto, originário da Finlândia, ganhou torneios de F-Renault em 2008 e no ano passado terminou em 3º no europeu de F3. Toro Rosso STR5 Toro Rosso/Getty Images A Toro Rosso construiu sozinha o modelo STR5, baseado na veloz Red Bull de 2009 Uma nova fase inaugura-se em 2010 para a Scuderia Toro Rosso, que agora se torna uma construtora da F1. Com a efetivação das regras da FIA que restringem o compartilhamento de chassi, a equipe satélite da Red Bull deve, daqui em diante, ter seu próprio carro, tanto na construção quanto no desenho. É uma espécie de grito de independência depois de 4 anos de componentes originários do centro de tecnologia da Red Bull. No entanto, a herança da irmandade entre as equipes se mantém – por enquanto. O novo modelo STR5, é, de fato, 100% feito pela Toro Rosso. Mas também se trata notadamente de uma evolução e adaptação do RB5, carro com o qual a matriz Red Bull dominou as últimas etapas de 2009. Para desenhar e produzir o carro ‘em casa’, as instalações da equipe em Faenza, Itália, tiveram que ser ampliadas e reestruturadas, em conjunto com a aquisição de um túnel de vento na Inglaterra anteriormente usado pela Red Bull. Toro Rosso/Getty Images Três coisas não mudaram na agora 'construtora' Toro Rosso: Staff, pilotos e o motor Ferrari O diretor técnico da Toro Rosso é experiente italiano Giorgio Ascanelli, que já trabalhou como engenheiro de pista de Gerhard Berger e Jean Alesi na Ferrari, Nelson Piquet na Benetton e Ayrton Senna na McLaren. O projeto do novo carro foi chefiado por Ben Butler e a aerodinâmica ficou a cargo de Nicolo Petrucci. Como principal diferença (além do obrigatório tanque de combustível mais longo), o STR5 possui um difusor duplex completamente novo. No RB5, a versão duplex foi feita apenas na metade da temporada, e de modo adaptado, pois o projeto original não dava margens para se fazer um desenho muito eficiente da peça. E claro, enquanto a Red Bull se manteve com os motores Renault, a Toro Rosso continua com propulsores Ferrari em versão ‘cliente’, ainda sem as atualizações para diminuição de consumo presente no F10, o novo carro de Maranello. Toro Rosso/Getty Images Buemi foi escalado para fazer o 1º teste do carro, que tem novo difusor duplex Nestes novos tempos de Toro Rosso torna-se construtora, os pilotos permanecem os mesmos. O suíço Sébastien Buemi, que estreou no começo do ano passado, correrá com o número 16 e o espanhol Jaime Alguersuari, o mais jovem piloto a correr na F1, ficará com o número 17. Buemi foi escalado para fazer o shakedown em Valencia. A Red Bull deve apresentar seu novo carro a tempo de participar da segunda rodada de treinos coletivos das equipes, em Jerez de la Frontera, Espanha. As atividades de pista começam dia 10 e terminam dia 13. |
|
|||||||||||||||||||||||||