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GP2 | Etapa Espanha
GP2 começa mal para brasileiros; Grosjean e Mortara vencem
Sábado, 16 de Maio de 2009, 16:58
Alastair Staley/GP2 Media
Romain Grosjean e Edoardo Mortara, os vencedores da primeira rodada dupla da GP2
Márcio Madeira da Cunha
Literalmente um desastre. Assim poderíamos resumir a participação dos brasileiros na primeira rodada dupla da GP2 internacional em 2009, especialmente em relação a Lucas di Grassi e Diego Nunes, que se chocaram na primeira corrida do fim de semana. Romain Grosjean foi o grande nome da rodada com uma vitória e um 2º lugar, atrás de Edoardo Mortara, e larga na frente na luta pelo título. Luiz Razia e Alberto Valério também não pontuaram.
Até a qualificação, pode-se dizer que estava tudo no script. Romain Grosjean cravou a pole, apenas 21 milésimos mais rápido que Di Grassi. Curioso notar que ambos viraram meio segundo melhor que Vitaly Petrov, o terceiro, e que tanto Gosjean quanto Petrov guiam para a Barwa Campos, equipe que saltou de média para grande ano passado, justamente após a chegada de Di Grassi. Ao que tudo indica, este ano o brasileiro terá que lutar contra as armas que ele mesmo ajudou a calibrar. Diego Nunes marcou o 7º tempo (a apenas 2 décimos de Petrov), enquanto Valério foi o 16º e Razia o 21º.
Em condições normais estes 21 milésimos teriam custado muito caro a Di Grassi, uma vez que o levaram a largar no lado sujo da pista. E, sendo a corrida no sábado, havia ainda menos borracha naquele trecho. E o prejuízo de fato houve, mas logo se tornaria irrelevante diante da falta de equilíbrio apresentada pelo carro do brasileiro.
Andrew Ferraro/GP2 Media
Martírio: Lucas di Grassi lutou contra os adversários e com o próprio carro na 1ª prova
Lucas ainda disputou com unhas e dentes a liderança na primeira curva com Romain Grosjean, mas no calor da disputa houve exageros de parte a parte. Pior para Di Grassi, que acabou caindo para a quarta colocação, logo à frente de Diego Nunes.
Até então tudo normal, pois disputas acaloradas na GP2 são muito mais regra que exceção. Por tudo o que se viu nos testes e treinos, era de se esperar que Di Grassi tivesse forças mais do que suficientes para se recuperar e disputar a liderança mesmo após disso. Até porque, afinal, a corrida seria disputada em nada menos que 39 voltas.
Mas a realidade esteve muito longe disso. O que se viu na pista foi um Lucas que o tempo todo lutava contra um desequilíbrio crônico de seu carro, totalmente incapaz de acompanhar o ritmo dos ponteiros, e com grandes dificuldades até mesmo para se manter na pista.
A partir de então, formou-se um cenário que lembrou aos mais antigos uma outra corrida, disputada também na Espanha, em 1987. Em Jerez, no GP de Formula 1 daquele ano, Ayrton Senna não tinha em sua Lotus-Honda um carro para brigar pela vitória, mas ainda assim segurava um enorme pelotão atrás de si, todos se revezando na tentativa de superá-lo.
Andrew Ferraro/GP2 Media
Diego Nunes chegou em 8º na segunda bateria, mas só os seis primeiros pontuam naquela
Por muitas voltas Lucas fez lembrar a prova de Ayrton, mesmo depois de ter perdido a 4ª posição nos boxes para Luca Filippi. Todavia, à medida que se aproximava o fim da corrida, as repetidas travadas de pneus começavam a cobrar seu preço e Di Grassi via-se cada vez mais pressionado. A poucas voltas da bandeirada Alvaro Parente colocou-se em posição de ultrapassagem, e para defender a posição Lucas cortou a última chicane do circuito de Barcelona.
Parecia claro que ele deveria ceder a posição, mas Lucas seguiu numa luta que a essa altura já havia perdido o sentido. Já não era mais possível manter as posições sem lançar mão de expedientes condenáveis, e a verdade é que o ritmo lento do brasileiro estava comprometendo as corridas de diversos outros competidores.
Por fim, na aproximação da curva 4 Alvaro parente acabou atingindo o brasileiro por trás, num acidente que sobrou ainda para Diego Nunes, que vinha logo a seguir. Com isso o Safety Car foi chamado, e todo o fim de semana de nossos dois principais representantes na categoria ficou comprometido. Infelizmente a GP2 alinha-se entre as categorias que promovem a famigerada inversão do grid, e com isso quem eventualmente tem problemas na primeira corrida de um fim de semana acaba tendo a particpação na segunda condenada de antemão.
Glenn Dunbar/GP2 Media
Alberto Valério terminou ambas as corridas fora dos dez melhores
No final, Diego Nunes ainda levou o carro da iSport até o fim, na 11ª colocação, enquanto seu companheiro Giedo van der Garde ganhou 11 posições durante a prova para ser o 7º. Alberto Valério foi o 15º, logo à frente de Luiz Razia. Romain Grosjean venceu a prova com facilidade, seguido por seu companheiro de equipe Vitaly Petrov.
Largando em posições tão atrasadas, naturalmente a segunda prova não prometia grandes possibilidades aos pilotos nacionais. Ainda assim, Lucas conseguiu ganhar 8 posições na primeira volta, completando-a em 10º. Sua corrida, porém, ficou nisso. O ritmo de prova melhorou um pouco, mas não o bastante para ganhar terreno.
Di Grassi, aliás, não foi exceção. Grande parte da corrida se definiu na primeira volta, como já é tradição em Barcelona. Lá na frente, o italiano nascido na Suíça Edoardo Mortara antecipou o que Rubens Barrichello faria horas depois, e também saltou de 3º para 1º antes da primeira curva. Largada oposta à dele fez Kamui Kobayashi, caindo de 1º para 5º ainda no primeiro giro. Por fim, para contarmos a história da corrida, temos que observar também o avanço de Romain Grosjean, que por conta da inversão do grid havia largado em 8º, e numa grande progressão completou a segunda volta em 3º.
Glenn Dunbar/GP2 Media
Luiz Razia não teve a estreia dos sonhos de um piloto
Mais alguns giros e foi a vez de Grosjean deixar para trás Jérome D'Ambrozio, e partir para cima do líder Mortara. O estreante, no entanto, defendeu muito bem a liderança, da mesma forma como foi capaz de imprimir um ritmo forte durante toda a prova. No fim, a manutenção das posições ganhou contornos importantes ao consagrar um estreante como vencedor, e ao impedir que Grosjean repetisse a atuação perfeita de Nelsinho Piquet durante a rodada da Hungria em 2006, quando o brasileiro venceu as duas provas de um mesmo final de semana.
Jérôme d’Ambrosio e Giedo van der Garde fizeram 3º e 4º, ambos correndo isolados na pista. Kamui Kobayashi foi o 5º, enquanto Pastor Maldonado completou os 6 pontuadores da prova curta. Entre os brasileiros, Diego Nunes novamente foi o mais bem colocado, terminando em 8º após ficar preso boa parte da prova atrás de Luca Filippi. Lucas di Grassi foi o 10º, duas posições à frente de Luiz Razia, e 3 à frente de Alberto Valério.
Ainda restam 18 corridas (9 rodadas duplas) até o fim do campeonato, o que obviamente o deixa completamente aberto. No entanto, a diferença de rendimento observada entre Di Grassi e Grosjean (que de forma curiosa trabalha regularmente como bancário) foi tão grande, que o brasileiro já foi a público dizer que apesar do mau começo, segue firme na luta pelo campeonato.
Bom, potencial Lucas e a equipe têm de sobra. Mas com 18 pontos de desvantagem, é importante que a reação comece já a partir de Monte Carlo, próxima etapa do mundial.
Alastair Staley/GP2 Media
A GP2 também tem a presença feminina para embelezar a formação dos grids. Que olhos!
Confira o resultado da prova longa em Barcelona:
1) Romain Grosjean (Campos Team), 1h02m22.709s
2) Vitaly Petrov (Campos Team), + 2.459
3) Jerome D'Ambrosio (DAMS), + 6.349
4) Luca Filippi (Super Nova), + 8.346
5) Pastor Maldonado (ART), + 8.741
6) Edoardo Mortara (Arden), + 12.529
7) Giedo van der Garde (iSport), + 12.748
8) Kamui Kobayashi (DAMS), + 14.063
9) Nico Hülkenberg (ART), + 14.260
10) Javier Villa (Super Nova), + 15.200
11) Diego Nunes (iSport), + 16.669
12) Nelson Panciatici (Durango), + 17.756
13) Michael Herck (DPR), + 18.445
14) Sergio Perez (Arden), + 18.595
15) Alberto Valério (Piquet), + 31.629
16) Luis Razia (Fisichella), + 1 volta
17) Davide Rigon (Trident), + 1 volta
Não completaram:
18) Lucas di Grassi (Racing Engineering)
19) Alvaro Parente (Ocean Racing Technology)
20) Dani Clos (Racing Engineering)
21) KarunChandhok (Ocean Racing Technology)
22) Roldan Rodriguez (Piquet GP)
23) Davide Valsecchi (Durango)
24) Ricardo Teixeira (Trident Racing)
25) Andreas Zuber (FMSII)
26) Giacomo Ricci (DPR)
Confira o resultado da prova curta em Barcelona:
1) Edoardo Mortara (Arden International), 26 voltas
2) Romain Grosjean (Campos Team), + 1.251
3) Jérôme d’Ambrosio (DAMS), + 6.518
4) Giedo van der Garde (iSport International), + 14.638
5) Kamui Kobayashi (DAMS), + 17.170
6) Pastor Maldonado (ART Grand Prix), + 20.099
7) Luca Filippi (Super Nova Racing), + 28.971
8) Diego Nunes (iSport International), + 29.258
9) Vitaly Petrov (Campos Team), + 29.433
10) Lucas di Grassi (Racing Engineering), + 31.038
11) Alvaro Parente (Ocean Racing Technology), + 32.026
12) Luiz Razia (FMSI), + 33.167
13) Alberto Valério (Piquet GP), + 33.789
14) Nico Hülkenberg (ART Grand Prix), + 34.278
15) Giacomo Ricci (DPR), + 38.913
16) Davide Valsecchi (Durango), + 40.811
17) Sergio Perez (Arden International), + 42.258
18) Nelson Panciatici (Durango), + 59.664
19) Dani Clos (Racing Engineering), + 59.747
20) Ricardo Teixeira (Trident Racing), + 1:00.052
Não terminaram:
21) Davide Rigon (Trident Racing)
22) Karun Chandhok (Ocean Racing Technology)
23) Javier Villa (Super Nova Racing)
24) Michael Herck (DPR)
25) Andreas Zuber (FMSI)
26) Roldán Rodriguez (Piquet GP)
O campeonato internacional da GP2 volta à ativa nas ruas de Mônaco, nos dias 23 e 24 de maio.
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