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Análises | Os pneus da F1
Bridgestone diz “sayonara” à F1, que calça Pirelli em 2011
Domingo, 28 de Novembro de 2010, 19:49
Bridgestone F1
No GP do título em Abu Dhabi, Sebastian Vettel deu à Bridgestone sua última vitória na F1
Lucas Giavoni
O GP de Abu Dhabi encerrou o ciclo da Bridgestone como fornecedora de pneus na Formula 1 após 242 GPs e 14 anos ininterruptos de participação desde 1997. A partir de 2011 essa tarefa – em regime de monopólio, como estupidamente prefere a FIA - será da italiana Pirelli, ausente da categoria desde 1991. É o momento para revermos um pouco sobre a História das fornecedoras de pneus da F1.
A história da Bridgestone na F1 começou timidamente em 1976, fornecendo pneus para carros de alguns pilotos japoneses que participaram do GP de Fuji daquele ano. Aquela corrida consagraria James Hunt (McLaren-Ford) campeão, quando o então líder da tabela Niki Lauda (Ferrari) recusou-se a correr sob a tempestade que caía na pista japonesa. O fornecimento também aconteceu na corrida japonesa do ano seguinte, a última daquele autódromo até 2007.
Arquivo
Fuji 1976: Kazuyoshi Hoshino, numa Tyrrell modificada, usa Bridgestone pela 1ª vez na F1
Como fornecedora contínua e de maneira oficial, a marca estreou em 1997, chamando para a briga a então reinante norte-americana Goodyear, ao fornecer pneus para as extintas equipes Arrows, Prost, Minardi e Stewart. Nenhum dos times era de ponta, mas a vitória, entretanto, passou perto em algumas oportunidades, sendo três segundos lugares o melhor resultado: Rubens Barrichello (Stewart) em Mônaco, Olivier Panis (Prost) na Espanha e Damon Hill (Arrows) na Hungria, além de ótima performance de Jarno Trulli (Prost) no GP da Áustria, quando liderou boa parte da prova antes de quebrar.
No ano seguinte, a engenharia dos pneus mudou radicalmente. Os slicks viraram coisa do passado e as ranhuras passaram a fazer parte dos compostos. A Bridgestone estendeu seu fornecimento, unindo forças com duas equipes de ponta – a Benetton e a McLaren. Esta última viria a vencer a temporada com Mika Häkkinen e o elegante modelo MP4-13. A Goodyear sentiu a perda do título e abandonou a F1 no fim daquele ano, deixando os japoneses como fornecedora única a partir de 1999, ano do bicampeonato para Mika e a McLaren. Em 2000, foi a vez de Michael Schumacher quebrar o jejum de títulos para a Ferrari.
Renault F1
Bridgestone x Michelin: Schumacher (Ferrari) se pega com Alonso (Renault) em Imola 2006
Entre 2001 e 2006, a Bridgestone encarou a concorrência da Michelin, marca ausente da F1 desde 1984, quando se retirou após vencer o campeonato com a McLaren de Niki Lauda, que levou a taça por apenas meio ponto à frente do companheiro Alain Prost. Nesse período, títulos para os japoneses de 2001 a 2004 com Schumacher e a Ferrari, e títulos para os franceses em 2005-06 pelo conjunto Renault-Fernando Alonso.
Dentro das políticas destrutivas do então presidente da FIA Max Mosley, ele tratou de acabar com a concorrência de pneus, em vez de propor medidas inteligentes que mantivessem a disputa entre marcas de modo inteligente e econômico. A Michelin, que só ficaria na F1 se tivesse com quem disputar, caiu fora. Desde então a Bridgestone tornou-se novamente fornecedora única, quando os títulos foram para Kimi Räikkönen e a Ferrari (2007), Lewis Hamilton e a McLaren (2008) e Jenson Button e a Brawn GP (2009) – este último ano marcou a volta dos slicks, provando que pneus com sulcos eram um erro.
Arquivo
Rubinho fez 221 GPs de Bridgestone - aqui fez um 2º lugar em Monaco 1997 pela Stewart
Ao fim de 2010 e o título para Vettel e a Red Bull, a marca japonesa alcançou a participação de 242 GPs desde 1997. Foram 175 vitórias, sendo 71 delas em período fora do monopólio. Também foram conquistadas 168 pole-positions, 64 em concorrência, e
170 melhores voltas - 66 fora da exclusividade.
Nesse período, Michael Schumacher, com já era de se esperar, foi o homem a conseguir os maiores números da marca, com 58 vitórias, 48 poles, 42 voltas mais rápidas e 915 pontos. E como também já era de se esperar, Rubens Barrichello foi quem mais GPs disputou com os pneus japoneses, nada menos que 221 largadas. A Bridgestone afirma ter fabricado cerca de 700 mil pneus de F1 durante estes 14 anos de participação na F1.
Sutton Photographic
Villeneuve frita um Goodyear na Williams em 1998, último ano da vitoriosa marca na F1
Com atuação oficial entre 1965 e 1998, a Goodyear continua a manter os maiores números entre todas as marcas de pneus que passaram pela F1. Dentro desse período, na qual foi reconhecidamente fornecedora única por 7 temporadas (1987-88; 1992-96), conquistou 368 vitórias e 25 títulos – 255 vitórias e 18 títulos quando em disputa com outras marcas.
A Pirelli, nova fornecedora da F1, tem números um tanto tímidos. Como participação oficial, já esteve na categoria em três períodos anteriores, de 1950 a 1959, de 1981 a 1986, e de 1989 a 1991. Foram 42 vitórias e 5 títulos mundiais. Os números positivos, entretanto, aconteceram quase por inteiro durante o primeiro período, já que nos demais não levantou nenhuma taça e só conquistou três vitórias, mas que foram muito significativas para o esporte a motor.
Arquivo
Montreal 1991: A última vitória da Pirelli foi também a última de Nelson Piquet (Benetton)
Nelson Piquet ganhou a última corrida da História da Brabham no GP França de 1985, em Paul Ricard. No ano seguinte, Gerhard Berger deu à Benetton a 1ª vitória no GP do México, no autódromo Hermanos Rodríguez. E finalmente em 1991, Piquet novamente ganhou para a Pirelli de forma memorável o GP do Canadá, naquela que seria a 23ª e derradeira vitória do brasileiro na F1, guiando uma Benetton-Ford. Ele assumiu a liderança na metade da última volta, quando o líder Nigel Mansell, que tinha 52s de vantagem, deixou o motor Renault de sua forte Williams morrer enquanto distribuía acenos ao público.
Em 2011, a Pirelli vai experimentar pela primeira vez a situação de ser fornecedora única. O GP do Bahrein de 2011, em 13 de Março, vai marcar, portanto, a primeira vitória da marca italiana em 7224 dias.
Pirelli
O inglês Paul Hembery é o diretor esportivo responsável pela 4ª participação da Pirelli na F1
Confira os números das marcas de pneus que já passaram pela F1
Avon (Grã-Bretanha)
Anos de participação: 1958; 1981-82
GPs: 26
Títulos: 0
Vitórias: 0
Poles: 0
Voltas rápidas: 0
Bridgestone (Japão)
Anos de participação: 1976-77*; 1997-2010
GPs: 242
Títulos: 11 (1998-2004; 2007-10)
Vitórias: 175
Poles: 168
Voltas rápidas: 170
Continental (Alemanha)
Anos de participação: 1954-55; 1958
GPs: 13
Títulos: 2 (1954-1955)
Vitórias: 10
Poles: 8
Voltas rápidas: 9
Dunlop (Grã-Bretanha)
Anos de participação: 1958-66; 1968-70; 1976-77
GPs: 120
Títulos: 8 (1959-65; 1969)
Vitórias: 83
Poles: 76
Voltas rápidas: 82
Englebert (Grã-Bretanha)
Anos de participação: 1950; 1954-58
GPs: 32
Títulos: 2 (1956; 1958)
Vitórias: 7
Poles: 11
Voltas rápidas: 12
Firestone (EUA)
Anos de participação: 1950-60**; 1966-75
GPs: 121
Títulos: 3 (1968; 1970; 1972)
Vitórias: 49
Poles: 60
Voltas rápidas: 55
Goodyear (EUA)
Anos de participação: 1960; 1964-98
GPs: 496
Títulos: 25 (1966-67; 1971; 1973-78; 1980-82; 1985-97)
Vitórias: 368
Poles: 358
Voltas rápidas: 362
Michelin (França)
Anos de participação: 1977-84; 2001-06
GPs: 216
Títulos: 6 (1979; 1981***; 1983-84; 2005-06)
Vitórias: 102
Poles: 110
Voltas rápidas: 108
Pirelli (Itália)
Anos de participação: 1950-59; 1981-86; 1989-91; 2011-
GPs: 209
Títulos: 5 (1950-53; 1957)
Vitórias: 45
Poles: 47
Voltas rápidas: 57
* A Bridgestone não considera as participações de 1976-77
** Participações nas 500 Milhas de Indianápolis, que faziam parte da F1
*** A campeã Brabham mudou de Michelin para Goodyear em 1981
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