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Análises | Começo da temporada 2010
Tudo pronto para o GP do Bahrein, a sequência inicial de um épico
Sexta-feira, 12 de Março de 2009, 15:15
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Na 1ª coletiva em Sakhir, Button, Hamilton, Alonso, Schumacher e Massa. Favoritíssimos...
Márcio Madeira da Cunha
Às vésperas do início de uma nova temporada no Bahrein, a Formula 1 de 2010 se mostra ao espectador como um filme de história e final desconhecidos, mas enquadrado num gênero bastante definido. Afinal, qualquer que seja o resultado que se apresente, inevitavelmente o caminho a ser percorrido será o de um legítimo épico.
Imagine, por exemplo, se Michael Schumacher for o campeão. Uma lenda que retorna ao coliseu após três anos de aposentadoria, de volta às origens, para combater o time com o qual escalou o Olimpo. Ora, se o alemão conquistar de cara seu oitavo título, então seu único parâmetro de comparação no universo esportivo será... Rocky Balboa? Bom, talvez a gente possa incluir nomes como Muhammad Ali e Michael Jordan neste mesmo grupo, além de Niki Lauda. Mas não muitos outros.
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Todos sabem: Michael voltou para vencer e aumentar ainda mais seus incríveis recordes
No entanto, nem só de Schumacher vive a Formula 1 de 2010. Ao que tudo indica, ao menos oito conjuntos possuem chances significativas de título, e, por um motivo ou por outro, para todos eles uma conquista seria épica. E se no fim das contas o título escapar deste grupo - por mais improvável que isto seja - então aí a conquista terá sido mais fantástica ainda.
Nico Rosberg, por exemplo. O que não será dito sobre o filho de Keke se ao fim do ano ele realizar a proeza de se tornar o primeiro companheiro de Michael Schumacher a se sagrar campeão? E Felipe Massa? Além de enfrentar o favoritismo do bicampeão Fernando Alonso na própria equipe, Felipe ainda terá em sua trajetória a intensa luta pela própria vida após o trauma sofrido na Hungria em 2009. Impossível o esporte gerar algo mais simbólico.
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Caso Nico vença o 'mestre' Schumacher, fará da família Rosberg uma dinastia de campeões
Alonso, no entanto, não fica muito atrás. Afinal, após conquistar o mundo em meados da década passada, o asturiano sentiu na pele o quanto a falta de uma parceria de longo prazo com um grande time pode efetivamente afastar grandes talentos das vitórias. O espanhol viveu um inferno na McLaren em 2007, protagonizou um escândalo na Renault em 2008, e não obteve nada melhor do que uma terceira colocação na noite de Cingapura em 2009. Um novo título do asturiano, portanto, não apenas teria uma forte carga de superação, como também poderia marcar o início da hegemonia que tanto ele e a Ferrari procuram.
Então nós temos a McLaren, onde se encontram ninguém menos que os dois mais recentes campeões mundiais. E ambos ingleses, como se já não houvesse interesse o bastante. As coincidências, no entanto, param por aí. Ao longo do ano, cada um deles terá de se bater com expectativas e cobranças muito específicas.
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A italiana Ferrari tem o espanhol Alonso e o brasileiro Massa. Latinidade borbulhante...
Sobre Hamilton, favorito de imensa maioria da imprensa e dos fãs, pesa a obrigação de vencer este duelo interno. Não apenas por em sua curta carreira ter sido um piloto mais exuberante que seu conterrâneo, mas também por contar já com três anos de equipe – o que faz muita diferença. A briga pelo título, no entanto, irá confrontá-lo novamente com Fernando Alonso e Felipe Massa, além da esquadra alemã representada pelo amadurecido Vettel, e pelo ‘velho Panzer’ Schumacher. Uma concorrência bem maior do que superou em 2008.
Já Jenson Button merece elogios simplesmente por ter tido a coragem de se submeter a tamanho desafio. Recém-coroado campeão mundial, o piloto deixou-se mover por questões mais elevadas, sentindo que seu valor só seria realmente mensurado contra parâmetros mais duros. Ele sabe que as estatísticas estão contra si, e que a credibilidade de seu título mundial está em xeque. No entanto, para quem direcionou toda a própria vida com o intuito de um dia se tornar o melhor piloto do mundo, nada é mais importante do que descobrir até que ponto conseguiu se aproximar de tal objetivo.
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No club britânico McLaren, os campeões Button e Hamilton ainda trocam juras de amizade
Se conseguir bater Lewis Hamilton, dentro da McLaren, Button não terá mais nenhum desafio a superar em sua carreira.
A seguir temos a Red Bull, onde as melhores fichas são apostadas no brilhante Sebastian Vettel. Para o jovem prodígio germânico, um título em condições ‘normais’ já seria a consagração de um talento bissexto, fazendo apenas suas terceira temporada completa. Contudo, se for capaz de vencer em meio a uma concorrência tão forte, então Vettel estará pavimentando o início de um futuro muito, muito vitorioso.
Já para Mark Webber, por outro lado, um título a esta altura da carreira teria significado oposto. Após o grave acidente sofrido na pré-temporada passada o australiano ressurgiu das cinzas e viveu seus melhores dias em 2009, revertendo, inclusive, a fama de ‘leão de treinos’ que já o acompanhava havia alguns anos. Se na atual temporada ele for capaz de superar o próprio companheiro de equipe, então automaticamente deverá estar perto do título mundial. Um feito que seria assombroso para um piloto que ainda parece estar melhorando, apesar da vasta experiência.
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Na alegre Red Bull, Sebastian e Mark provam ser bons companheiros
Na Williams tanto o veterano Barrichello quanto o promissor estreante Nico Hülkenberg dão mostras de muita velocidade, da mesma forma que o carro parece ter nascido muito bem. O ponto fraco do time, provavelmente, deve ficar mesmo por conta do motor Cosworth, ainda defasado em relação aos melhores propulsores.
Para encerrar, temos ainda alguns conjuntos aparecendo bem, e que eventualmente podem surpreender.
Há ainda Robert Kubica estreando na Renault, aparentemente numa condição menos competitiva do que seu talento faria por merecer. Na Force India paira a impressão oposta, de que possivelmente o carro esteja um pouco acima daquilo que seus pilotos poderão entregar em termos de performance geral. E por último existe esta surpreendente Sauber, com o carro que melhor cuidou dos pneus ao longo de todos os testes de inverno. Entre os pilotos, parece haver um produtivo equilíbrio entre a experiência do veterano Pedro de La Rosa, e o arrojo insolente do bravo Kamui Kobayashi.
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Além do 'cast' principal, há ótimos coadjuvantes, como Force India e a Renault de Kubica
Como se vê, a grande oferta de pilotos talentosos, concentrados em torno das equipes mais promissoras, representa a maior garantia de que uma temporada profundamente disputada está para começar. Afinal, na pior das hipóteses, mesmo que um único time revele-se imensamente superior à concorrência, a chance de que os pilotos deste time promovam uma batalha acirrada pelo título continuam muito grandes.
Há muitos e muitos anos não se vê nada parecido. Ao fim de 2010, por uma garantia matemática, teremos conjuntos de enorme potencial figurando abaixo da sétima colocação na tabela de pontuação.
No fim das contas, não se pode esperar muito mais do que isso.
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