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Análises | Treinos em Barcelona
F1 fecha pré-temporada em Barcelona com promessa de ótimos duelos
Sábado, 6 de Março de 2009, 19:00
Bridgestone
Com Lewis, a McLaren fez o melhor tempo da semana, mas não é favorita isolada
Lucas Giavoni
Os 4 dias de testes em Barcelona, entre 25 e 28 de fevereiro, encerraram oficialmente as atividades de pista visando a temporada 2010 da Formula 1. Com a participação de 11 equipes, testes evidenciaram a Ferrari, Red Bull e Mercedes em boa forma e uma grande evolução por parte da McLaren. Contudo, a promessa de muito equilíbrio, tanto no pelotão da frente quando no intermediário, permanece inalterado.
Em 4 dias de pista, 4 times diferentes conseguiram os melhores tempos. Assim como nos testes anteriores em Jerez de la Frontera, equipes experimentaram em Barcelona um equilíbrio de forças. Isso se deu muito em parte pelos times colocarem em prática programas de testes completamente diferentes entre si, e que nem sempre visam o desempenho máximo. Mas o que, de fato, todos compartilharam juntos foi o alívio de não enfrentar a quantidade de chuva que caiu em Jerez nos testes anteriores. Caiu água apenas no terceiro dia (27), sendo que a maioria dos times conseguiu compensar a quilometragem perdida no dia seguinte.
Getty Images
Webber colocou a Red Bull em 1º no dia 25, provando a boa forma do modelo RB6
A primeira equipe a comandar, no dia 25, foi a Red Bull, que se mantém no rol das favoritas ao título. Com Mark Webber ao volante, o carro projetado por Adrian Newey dominou a tabela de tempos tanto na parte da manhã ao fazer simulação de qualificação, quanto ao fim do dia em simulação de corrida, ao melhorar ainda mais sua marca pessoal e ficar praticamente 1s à frente da concorrência. A melhor volta foi de 1:21.487.
A boa performance da Red Bull não foi mero acaso. Além de mostrar que possui ótima base, o time foi um dos poucos a simular um fim de semana de corrida, inclusive com as 3 partes de uma sessão de classificação – isso significa obrigatoriamente acelerar muito com tanques vazios. A única preocupação do time foi um pequeno problema no óleo do câmbio, que aqueceu demais, algo que foi solucionado rapidamente para a continuidade das atividades.
Virgin Racing
Ainda no 1º dia, um erro de acerto fez Di Grassi bater a Virgin numa curva de alta
Ainda na parte da manhã, uma configuração errada na Virgin de Lucas di Grassi fez o brasileiro perder o controle na veloz curva 9, trecho feito em 5ª marcha, a 230 km/h. A batida na barreira de pneus arruinou as asas e as suspensões do carro. O prejuízo, porém, foi apenas material, já que Di Grassi saiu ileso. A Virgin foi obrigada a encerrar as atividades do dia com apenas 31 voltas dadas, mas garante que está fazendo progressos para conter os preocupantes problemas hidráulicos enfrentados nos testes anteriores.
No dia seguinte, 26, o novato Nico Hülkenberg ficou no topo da tabela com a Williams, que tirou o dia para testar evoluções aerodinâmicas, acertos e configuração de treinos. O alemão, em ritmo de qualificação, superou na parte da tarde o tempo alcançado por Fernando Alonso com a Ferrari de manhã. O espanhol, por sinal, trabalhou bastante e deu 134 voltas - o equivalente a distância de duas corridas -, trabalhado em novos componentes aerodinâmicos e acertos específicos. Chegou a ficar parado na pista, mas por causa de pane seca, já que também testou níveis de consumo.
Getty Images
A Williams também andou forte e Hülkenberg foi o mais rápido do dia 26
Tanto Hülkenberg quanto Alonso bateram a casa de 1min21, fazendo, respectivamente, 1:20.614 e 1:20.637, apenas um décimo de segundo mais lento que a pole de Jenson Button com a Brawn no GP da Espanha do ano passado. Pedro de la Rosa, com a nova e promissora Sauber-Ferrari, também simulou qualificações e ficou em 3º, com 1:20.973.
A Mercedes, que havia sido bastante discreta até então, voltou a estar em evidência no terceiro dia (27), com Nico Rosberg a alcançar a melhor marca da sessão, 1:20.686, através de ‘tiros curtos’ típicos de sessões de classificação. Esse tempo foi alcançado no começo do dia e então a chuva apareceu, perto das 11h para decretar Rosberg como o melhor da tabela.
Jenson Button, que teve uma falha em sua McLaren logo na volta de saída do box, perdeu a janela ‘seca’ do dia e terminou como o mais lento até o horário de almoço, e só recuperou-se no fim da tarde, quando a pista secou (mas perdeu emborrachamento) e permitiu que ele terminasse com o 3º tempo. A Red Bull preferiu não testar com Sebastian Vettel na chuva, fazendo simulações apenas na parte da tarde.
Force India
Equipes como a Force India aproveitaram para treinar paradas nos pits à exaustão
No derradeiro dia de testes, 28, a McLaren mostrou que a atualização do pacote aerodinâmico do novo modelo aumentou o nível de competitividade e Lewis Hamilton fez o melhor tempo da semana, com 1:20.472, ainda na parte da manhã durante simulações de classificação. O MP4-25 ganhou asas retrabalhadas e um inédito difusor triplo, com mais um par de canalizadores de ar para a parte traseira.
Outros times fizeram trabalhos de teste semelhantes à McLaren e ficaram muito próximos do tempo alcançado por Lewis. A Red Bull teve ambos os titulares trabalhando no último dia e em simulações iguais. Vettel, que pegou o carro na parte da manhã, ficou com o 5º lugar (1:20.667) e Webber, no horário vespertino, ficou em 2º (1:20.496) – a apenas 24 milésimos do tempo de Hamilton. A Ferrari também chegou perto e Felipe Massa fechou em 3º, com 1:20.539, bem como a Force India, que marcou o ótimo tempo de 1:20.611 com Adrian Sutil.
Cenário indefinido
Reuters Pictures
"Vejo você no Bahrein", diz a Sauber de De La Rosa. Só lá pra saber quem está melhor...
Diferentemente do que aconteceu na pré-temporada anterior, com o fenomenal desempenho da Brawn GP, nenhuma equipe despontou sozinha. A diversidade de líderes na tabela de tempos provocou um jogo de empurra-empurra nos bastidores, com nenhum time a assumir o papel de favorita. Hamilton, por exemplo, disse que a McLaren – que acabou os testes com os melhores tempos no geral - pode ter de enfrentar nada menos que 5 outros times pela ponta: Ferrari, Red Bull, Mercedes, Sauber e Force India.
As 5 equipes mencionadas por Lewis, juntamente com Williams e a própria McLaren, foram as que conseguiram andar em Barcelona na casa de 1min20s, separadas entre si por menos de meio segundo, mas sem o confronto de ritmo de corrida, algo a ser visto apenas no Bahrein. Hamilton, no entanto, aproveitou para falar que acha ser a Ferrari a mais forte do momento. Seu companheiro de equipe, Button, soltou uma pérola a respeito, dizendo estar preocupado porque Alonso está sorrindo demais nos boxes.
AP Photo
Mercedes e McLaren acham que a Ferrari está mais forte, mas também disputarão a ponta
Brincadeiras à parte, a McLaren dos campeões ingleses parece estar em ótima posição, pois deu mostras de franca evolução com a atualização de alguns componentes aerodinâmicos.
Schumacher compartilha a opinião de Lewis, ao apontar Massa e Alonso como favoritos, pelo menos neste início de campeonato. O alemão, que chegou a descartar vitórias da Mercedes no começo do ano, reviu seus palpites com os bons tempos alcançados por Rosberg.
A Mercedes, de fato, pode não ter impressionado tanto, mas traz consigo uma estrutura vencedora e também a programação de um difusor aperfeiçoado e que deverá estrear no Bahrein, fato confirmado pelo chefe Ross Brawn. Até lá, eles também podem trabalhar no quartel-general para resolver o problema de aquecimento excessivo dos pneus dianteiros, que para esta temporada estão ligeiramente mais estreitos.
Getty Images
A novata Lotus, assim como a Virgin, mostrou que ainda está totalmente fora de ritmo
No box vizinho, Fernando Alonso aposta que não é a Ferrari a mais forte, e sim a Red Bull, que teve na pista uma evolução do carro que venceu as últimas 3 corridas no ano passado. Por sua vez, a Red Bull admite estar em boa forma, mas afirma não poder subestimar as equipes rivais.
Diante de um cenário tão aberto, o que parece ser consenso é a falta de competitividade das estreantes Lotus e Virgin, que mostraram ser pelo menos 3s mais lentas por volta. Com a desistência da USF1 e a impossibilidade da vaga ser dada para a Stefan GP - equipe sérvia que comprou a estrutura da Toyota F1 -, resta apenas saber o desempenho da Campos Meta, que foi vendida e tornou-se oficialmente Hispania Racing F1 Team. No entanto, não é possível ser muito otimista quanto ao futuro da equipe, que terá como pilotos o brasileiro Bruno Senna e o hindu Karun Chandhok.
Balanço geral
Reuters Pictures
Dos 15 dias de testes, a Ferrari acumulou a maior quilometragem entre as equipes
Equipes tiveram ao todo 15 dias para testar suas máquinas em 3 circuitos diferentes, todos na Espanha: 3 dias em Ricardo Tormo (Valencia), 8 dias em Jerez de la Frontera e 4 dias em Barcelona (Montelò). Das 13 equipes originalmente inscritas, 11 participaram das atividades, sendo que apenas 7 delas aproveitaram todos os dias.
A equipe campeã em quilometragem, disparada, foi a Ferrari, que em 15 dias fez exatos 7354,378 km com Massa e Alonso. Isso representa 500 quilômetros a mais que a vice Williams, que completou 6801,428 km com o modelo FW32. A Mercedes, por exemplo, fez 6323,726 km e a McLaren, 6088,425 km. A Red Bull, que perdeu as atividades em Valencia, completou 4945,127 km. Das que estiveram na pista, quem menos andou foi a Virgin, com apenas 1781,864 km.
Com o encerramento da temporada de testes de inverno (do hemisfério norte), a F1 só terá carros na pista a partir do dia 12, nos primeiros treinos livres para o GP do Bahrein, que terá largada no domingo (14), às 9h – horário de Brasília.
Confira os tempos dos 4 dias de atividades em Barcelona
Gráficos UV
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