Análises | Nova pontuação na F1

FIA altera sistema de pontuação
da F1 para agradar times

Sábado, 12 de Novembro de 2009, 20:50

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Bernie Ecclestone e Stefano Domenicali

A Comissão de F1 da FIA foi presidida por Bernie Ecclestone, com apoio das escuderias

Lucas Giavoni

Foi decidida nesta sexta-feira (11), em reunião do Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel, uma significativa mudança no sistema de pontuação da Formula 1. Agora os 10 primeiros receberão pontos, sendo que o vencedor leva 25. A alteração é muito mais política do que esportiva, já que visa agradar equipes que formarão um aumentado grid de 26 carros.

Esta foi a primeira grande medida da FIA para a F1 sob nova administração Jean Todt. O comunicado da FIA afirma que “devido a expansão do grid para 13 times, e pela posterior recomendação da Comissão de F1, um novo sistema de pontos será implantado para a temporada 2010”. Essa Comissão de F1 é presidida pelo promotor comercial da categoria, Bernie Ecclestone, que comandou a sessão, realizada em Mônaco.

Confira a nova pontuação da Formula 1

1º colocado: 25 pontos
2º colocado: 20 pontos
3º colocado: 15 pontos
4º colocado: 10 pontos
5º colocado: 8 pontos
6º colocado: 6 pontos
7º colocado: 5 pontos
8º colocado: 3 pontos
9º colocado: 2 pontos
10º colocado: 1 ponto

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Festa de gala da FIA

Depois da reunião, black-tie para a noite de gala da FIA, oferecida pelo Principe Albert II

Semelhanças e consquências

Este sistema é, de certa forma, muito parecido com o que a antiga Cart usava nos campeonatos da ChampCar (‘Fórmula Mundial’) até o começo da década. Naquela época, 12 pilotos ganhavam pontos. A distribuição era: 20, 16, 14, 12, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, e 1. Mas na extinta categoria norte-americana ainda havia pontos extras para a pole-position e para o maior número de voltas na liderança.

A sexta mudança no sistema de pontuação na História da F1 significa, em um primeiro momento, uma facilitação para que seja possível pontuar – ou seja, um incentivo à competição para os novos times que, pela primeira vez desde 1995, formarão um grid de 26 carros. Mas, como toda mudança, há efeitos colaterais não benéficos.

Primeiramente, um acréscimo tão grande na quantia dos pontos atribuídos (uma vitória valerá 2,5 vezes mais) vai acabar de uma vez com o atributo “pontos na carreira” como uma referência histórica comparativa, uma vez que o mérito de pontuar nas corridas vai cair vertiginosamente. O recorde de 1369 pontos conquistados em 10 anos de carreira por Michael Schumacher poderá ser batido sem que o piloto a fazer isso tenha vencido mais vezes, ou mesmo ter terminado mais vezes dentro da zona de pontos.

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ternos pretos

Seb Loeb, Rubens Barrichello, Albert II, Sebastian Vettel, Jenson Button e Mikko Hirvonen

Mais do mesmo

Há ainda um outro problema. Por mais que o novo sistema programe uma diferença de 5 pontos entre o 1º e o 2º colocado, a diferença percentual na disputa pela vitória ainda é igual a do sistema até então usado: 20%. Se antes a diferença entre ficar em 2º ou em 1º era 8 sobre 10, agora é 20 sobre 25, que dá a mesma proporção. Isso não elimina, portanto, o grande equívoco do antigo sistema, que era justamente o de não valorizar as vitórias.

A distribuição de pontos para 38% do grid (10 de 26) reforça a ideia que é necessário ser mais consistente do que combativo na luta pelo campeonato. Quebras e desistências continuarão sendo fatais e simplesmente manter o carro na pista poderá ser suficiente para ser campeão, principalmente porque não há um sistema que conte apenas com os melhores resultados de cada piloto, como praticado antigamente na F1 e descrito abaixo.

Histórico de mudanças

O primeiro formato de pontuação da F1 perdurou entre 1950 e 1959. Os 5 primeiros ganhavam 8, 6, 4, 3 e 2 pontos, respectivamente. Ainda havia um ponto extra para o autor da melhor volta.

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Ross Brawn

Ross Brawn orgulhosamente exibe o trofeu pelo Campeonato de Construtores 2009

Este foi um tempo de números absurdamente fracionados. Pontos eram compartilhados por pilotos que corriam em duplas (e muitas vezes em trincas), regra que só seria abolida em 1958. E o ponto extra muitas vezes tornava-se uma fração absurdamente quebrada, pois a precária precisão dos cronômetros da época (apenas na casa dos décimos de segundo) fazia com que vários pilotos marcassem mesmo tempo na pista.

O ano de 1960 marcou a primeira mudança de sistema. O ponto extra da melhor volta foi abolido e em seu lugar o 6º colocado passou a fazer parte dos pontuáveis: 8, 6, 4, 3, 2 e 1. No ano seguinte, 1961, o 1º lugar passou a valer mais, passando de 8 para 9 pontos. Esse esquema 9, 6, 4, 3, 2, 1 foi o mais duradouro de todos, sendo retificado apenas no fim de 1990.

Até aquela data, os sistemas de pontuação sempre foram atrelados ao que popularmente ficou conhecido como ‘regra dos descartes’. Apenas um determinado número de melhores resultados coletados durante o campeonato era válido – ou seja, havia o descarte dos piores resultados. Em 1988, por exemplo, Ayrton Senna venceu o campeonato porque colecionou 11 “melhores resultados” do que o rival Alain Prost nas 16 corridas do ano. Ainda que o francês tenha feito mais pontos no geral, ficou com o vice.

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Loeb e Button

Os campeões de 2009: Loeb no Mundial de Rally e Button na Formula 1

A regra dos melhores resultados estimulava pilotos que lutavam pelo título a conseguirem mais ‘melhores resultados’ – um incentivo perfeito para as ultrapassagens em busca de melhores posições – além de eliminar resultados ruins originários de falhas mecânicas, por exemplo.

Em 1991, naquela que foi a 4ª alteração, a vitória alcançou seu auge de valorização: 10 pontos, 4 a mais que o 2º colocado. As demais colocações não sofreram mudanças, mas o sistema de melhores resultados foi abolido, valendo, a partir de então, a totalidade de pontos.

A última mudança ocorreu em 2003, quando pela primeira vez oito participantes passaram a ganhar pontos, no sistema que perdurou até a última temporada: 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, e 1. Ao mesmo tempo em que esta tabela era elogiada por permitir mais pilotos na zona de pontos, era pesadamente criticada porque incentivava a consistência e não a combatividade. Os críticos mais ferrenhos afirmam, com razão, que eram raríssimas as circunstâncias em que um piloto arriscava lutar por dois pontos a mais, correndo o risco de jogar 8 fora.

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Vettel

Vettel timidamente mostra o trofeu de vice-campeão. Ele quer a outra taça...

Propostas descartadas

O último ano da administração Max Mosley, que quase mergulhou a F1 em sua maior crise em seis décadas, teve dentro de seu turbulento cenário duas propostas de mudança do sistema de pontuação sendo recusadas. Uma da ‘situação’ e outra da ‘oposição’.

Primeiramente, Ecclestone, da ‘situação’, propôs ao fim de 2008 o que ficou conhecido como ‘sistema de medalhas’. Este premiaria com ouro, prata e bronze apenas os três primeiros colocados em cada corrida, sendo que o piloto a conseguir mais medalhas de ouro seria o campeão, com as outras medalhas e posições inferiores servindo apenas como mero critério de desempate.

A proposta de Bernie, que teoricamente tinha a intenção de valorizar a disputa pela vitória, foi uma verdadeira bomba. De imediato, foi severamente criticada e tornou-se motivo de chacota – e de infrutíferos e patéticos levantamentos estatísticos voltados para ver como seriam os campeonatos anteriores caso o sistema já existisse. O sistema de medalhas chegou a ser aprovado semanas antes do começo da temporada 2009 pela FIA, mas a entidade recuou dias antes do GP de estreia, na Austrália.

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Button, um cara de sorte

Noite perfeita para Jenson, que estava acompanhado da bela namorada Jessica Michibata

Ficou claro que o sistema de medalhas de Bernie não passava de uma cortina de fumaça para que Max Mosley pudesse ‘ocultar’ outras alterações escabrosas no regulamento da Formula 1, como antecipou mundialmente uma análise do ULTIMAVOLTA.com publicada em 19 de março de 2009 – dois meses antes do estouro da guerra entre a FIA e a FOTA, a associação de times da F1.

Leia aqui a análise exclusiva do UV que previu a guerra FIA x FOTA

A outra ideia de alteração do sistema de pontos surgiu da própria FOTA – a ‘oposição’. No começo de março, a associação entregou para a FIA uma série de medidas técnicas, esportivas e comerciais para serem aplicadas imediatamente, como forma de incrementar o interesse pela categoria e assegurar cortes de custo de maneira programada e realística.

Uma das medidas esportivas do pacote da FOTA previa uma retificação no sistema de pontuação, para que acabasse com o problema da não-valorização da vitória. A proposta era de se manter a distribuição para os 8 primeiros, mas com mais pontos para os integrantes do podium: 12, 9, 7, 5, 4, 3, 2 e 1.

Todo o pacote proposto pela FOTA foi rechaçado por Mosley e, na falta de um denominador comum, a temporada 2009 ocorreu sem mudanças de sistema.