Análises | Alonso na Ferrari

Ferrari confirma Alonso
para 2010 e abre o mercado

Quinta-feira, 01 de Outubro de 2009, 20:45

AP Photo

Alonso vai embora

Após dois anos pouco proveitosos na Renault, Alonso quer voltar a vencer na Ferrari

Lucas Giavoni

Acabou a especulação. A mais aguardada transferência de pilotos do mundo da Formula 1 foi confirmada nesta quarta-feira (30): Fernando Alonso finalmente é da Ferrari. O espanhol acertou um acordo de três anos para correr ao lado de Felipe Massa, com Giancarlo Fisichella como reserva. Este é o momento certo para uma análise sobre o mercado de pilotos, aberto neste primeiro e principal movimento.

Alonso substituirá Kimi Räikkönen, que tinha contrato com a Ferrari até 2011, mas acertou sua saída no fim deste ano. Este fato supostamente surpreendeu o próprio Alonso, que disse que não esperava defender o novo time já na próxima temporada. O diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, ressaltou que a parceria com Kimi foi compensadora, enquanto o piloto afirmou estar triste pela partida. Tudo muito diplomático.

A Ferrari afirma que o contrato foi assinado durante o verão europeu. Mas o diário espanhol AS afirma categoricamente que Fernando havia assinado um contrato com a Ferrari no fim de 2007, com validade a partir de 2011 (quando o time poderia dispensar um de seus pilotos, Kimi ou Felipe) até 2014, com opção de mais dois anos – outros periódicos afirmam que a opção é para apenas mais um ano.

Está, portanto, decretada a temporada de troca de pilotos, em um mercado muito mais aberto e disponível que nos anos anteriores.

A demora do anúncio

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Stefano Domenicali

Em Monza: Domenicali, Luca di Montezemolo e Emilio Botin, presidente do Sanander

Tradicionalmente, a Ferrari anuncia seus pilotos para a temporada seguinte diante de seu público, no GP da Itália, que é sempre disputado no segundo domingo de setembro. Tudo levava a crer que Alonso seria anunciado naquele momento, já que o banco espanhol Santander, principal interessado na contratação do piloto, já havia selado a parceria de investimento publicitário com a Ferrari.

Mas o anúncio não veio e é possível acreditar que a Ferrari estivesse fazendo um jogo de espera, para saber se o escândalo do Spingate (ou Crashgate) atingiria Alonso de alguma maneira. Como o piloto foi totalmente inocentado, o melhor momento para a divulgação do fato acabou sendo logo após a corrida de Cingapura, até para que ninguém ligasse essa contratação a uma possível ‘fuga’ de Alonso para outra equipe.

Favas contadas

A ida de Alonso para a Ferrari é assunto antigo nos bastidores da F1 e a confirmação em si também era apenas uma questão de tempo. Desde que a relação do asturiano com a McLaren azedou, em setembro de 2007, a mídia tem falado de uma transferência do piloto para Maranello – principalmente a espanhola.

O acordo com os italianos não veio e, na quebra mútua de contrato com a McLaren, Fernando foi ‘empurrado’ pela imprensa para Red Bull, BMW e Toyota, mas achou abrigo na Renault, de onde havia saído após dois títulos seguidos.

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Massa

Massa, que voltou a pilotar através do kart, já elogiou o novo companheiro

O time francês, no entanto, já havia sido ultrapassado em desempenho por Ferrari, McLaren e BMW. Com um carro deficiente em potência e difícil de conduzir, Fernando passou a primeira metade de 2008 acumulando poucos pontos e cometendo alguns erros por querer tirar mais do que o carro podia oferecer.

A outra metade do campeonato, no entanto, foi muito mais proveitosa: com um carro revisado e mais potente, Alonso venceu duas provas (entre elas, o polêmico GP de Cingapura) e foi o piloto que mais acumulou pontos nas últimas oito corridas do ano, terminando em 5º lugar.

Neste ano, a Renault lhe entregou um carro ainda menos competitivo. Ainda assim, Alonso marcou uma improvável pole-position no GP da Hungria e fez a volta mais rápida em duas ocasiões, Alemanha e Cingapura, corrida que lhe deu o primeiro e único podium do ano até aqui. Está atualmente em 8º, pior posição desde a temporada de estréia na Minardi, em 2001.

Melhor currículo

Vale lembrar que além de ser apontado por muitos especialistas e pilotos como o mais completo competidor em atividade, Fernando Alonso possui o melhor currículo na F1. Além de ser o único bicampeão, possui o maior número de vitórias (21; Kimi tem 3 a menos). Possui também o maior número de poles (18) e só perde para o Iceman no número de voltas mais rápidas, especialidade do finlandês (13 a 35). O total de pontos de cada um é uma disputa bastante apertada (577 a 571), ainda que ambos estejam atrás do decano Rubens Barrichello, que tem 599.

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Alonso vai embora

Rei das voltas mais rápidas, Kimi está muito triste por sair da Ferrari

Alonso torna-se o segundo espanhol a pilotar para a Ferrari. O primeiro foi Alfonso de Portago, popular membro da nobreza espanhola que correu 5 GPs pela equipe entre 1956 (quando chegou em 2º no GP da Grã-Bretanha) e 1957, ano em que faleceu num trágico acidente na Mille Miglia justamente a bordo de uma Ferrari esporte.

Muitas, muitas cogitações

A importantíssima mudança de Alonso para uma nova equipe é apenas o primeiro movimento de um tabuleiro que ficou praticamente estagnado no ano passado, muito em parte pela própria indecisão a respeito do futuro do piloto naquele período. Ele estava realmente ‘trancando’ o mercado.

Após esta confirmação, o movimento mais aguardado é o de Räikkönen, que não deve ficar sem casa por muito tempo. Uma vez fora da Ferrari, a mídia já considera como certa sua volta para a McLaren, onde pilotou entre 2002 e 2006 e foi vice-campeão duas vezes – 2003 e 2005.

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Kubica e Barrichello

Kubica na Renault? Rubinho na Williams? A rádio paddock acredita que sim...

Kimi estaria pronto para fazer uma dupla campeã com o mais que confirmado Lewis Hamilton, deixando sem emprego o inexpressivo compatriota Heikki Kovalainen. Ainda assim, Räikkönen prefere fazer mistério sobre o futuro, não descartando uma precoce aposentadoria.

Outro movimento considerado praticamente certo é o de Robert Kubica para a Renault, para ser primeiro piloto. Mas há espaço para hipóteses mais mirabolantes por parte da rádio paddock. Uma delas aponta uma surpreendente troca de pilotos: com as bênçãos da Mercedes-Benz, Nico Rosberg iria para a Brawn GP, enquanto Rubens Barrichello assumiria o lugar do alemão na Williams, que também está pronta para promover a titular seu piloto reserva e novo campeão da GP2, Nico Hulkemberg. Há fontes que também afirmam que Jenson Button, o favorito ao campeonato, poderia sair da Brawn por questões salariais.

Outros rumores apontam que a Toyota não está satisfeita com a dupla de pilotos, principalmente com o veterano Jarno Trulli – como se fosse este, e não o carro, o problema do time japonês. Até mesmo Timo Glock, que fez excelente corrida em Cingapura, não estaria com futuro garantido.

Novas equipes

GTChannel.com

Clive Chapman

Nova Lotus: Clive Chapman vê o nome criado por seu pai Colin de volta à F1

O ingresso dos times Manor, USF1, Campos, Lotus e a reformulada Sauber (sem a BMW) também aquecem o mercado de pilotos 2010, que terá 28 carros no grid. Muitas vagas ainda estão para serem preenchidas, e muitos ex-pilotos da categoria, como Antônio Pizzonia e o campeão de 1997, Jacques Villeneuve, já pegaram suas agentes telefônicas e começaram a agir.

Sobre a nova equipe Lotus, que pertence à Proton, montadora estatal da Malásia, o ULTIMAVOLTA entrou em contato com Clive Chapman, filho do mítico fundador da Lotus, Colin Chapman. Hoje, Clive comanda o Historic Team Lotus, uma empresa com vários modelos antigos de F1 criados por Colin e que correm na Historic Formula One. A categoria faria uma corrida no Brasil em agosto, que foi cancelada pela retirada de apoio financeiro da TV Globo.

Perguntamos a Clive o que ele pensava sobre o chocante retorno da equipe Lotus ao mundo da F1. Clive, no entanto, cordialmente comunicou que preferia não responder questões relacionadas ao assunto.