Os dez melhores de 2008


1 - Felipe Massa (Ferrari)

No início da temporada a revista Racing F1 cravou os seus três postulantes ao título: Kimi, Lewis e Fernando. Nada de Felipe, em um momento de favoritismo para a Ferrari. Pior: Felipe foi mal, muito mal nas duas primeiras provas. Àquela altura, já se sabia que as muitas deficiências da Renault não seriam resolvidas no braço por Alonso, e o mundial se pôs entre Hamilton e Raikkonen. Então Felipe voou, até alcançar a liderança do campeonato na França. Além das três vitórias, havia protagonizado uma ultrapassagem dupla arrepiante, no Canadá, em pleno hairpin. Voltou a errar, é verdade. Mas a largada na Hungria, a vitória em Valência, a pole arrepiante em Cingapura denunciavam um piloto maduro e consistente mesmo na adversidade. Levou o campeonato indefinido até os últimos metros. E teve a grandeza de reconhecer que o campeão foi um justo campeão. Até foi, aplausos. Mas pela reação nas pistas e pelas declarações fora delas, Felipe Massa foi o melhor piloto de 2008.

2 - Fernando Alonso (Renault)

Foi um espetáculo constante. Primeiro, enquanto brigava para chegar em quinto. Depois, brigando por vitórias. Conseguiu duas, e talvez até tivesse brigado por uma em Cingapura. Quando faltou carro, sobrou piloto. Quando teve carro, foi um super piloto. Coisa de bicampeão do mundo.

3 - Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes)

Estava em declínio e poucos ainda apostavam nele. Então, Silverstone. A pole mais impressionante da temporada e uma tocada segura sob chuva. Vitória consagradora em casa seguida de memorável corrida de recuperação em Hockenhein. Lewis abraçou a liderança, venceu os assombros de Interlagos na junção e respirou aliviado como o justo campeão de 2008.

4 - Sebastian Vettel (Toro Rosso-Ferrari)

A vitória em Monza basta para gravar seu nome na história. E dependendo dos parâmetros que se adote – por exemplo, um moleque vencer em Monza pilotando uma Minardi – pode-se argumentar até que Sebastian Vettel foi o grande nome de 2008.

5 - Robert Kubica (BMW Sauber)

A pole no Bahrein, a vitória no Canadá. Kubica chegou a liderar o mundial contra quatro carros bem melhores e mais ajustados que o seu. Melhor: confirmou sua ascensão depois de um ótimo ano de 2007. Não foi mais longe porque a BMW foi quem menos evoluiu no terço final do campeonato.

6 - Nick Heidfeld (BMW Sauber)

Quatro segundos lugares e a inafastável sensação de que não venceu porque é segundo piloto. A despeito de momentos ruins durante a temporada, Heidfeld ainda não foi descartado como um possível piloto de primeira linha porque foi responsável por alguns breves instantes que evidenciaram um enorme talento, como a última volta em Spa.

7 - Jarno Trulli (Toyota)

Um veterano com ânimo de garoto levou a Toyota ao pódio. Mas mais do que a estatística, o modo de pilotar de Trulli remete a uma Fórmula 1 com menos frescura e menos medo dos fiscais. Suas incontáveis rodadas nos treinos das sextas-feiras denunciavam um piloto em busca dos limites do carro e da sua capacidade de frear cada vez mais dentro das curvas. Esta vaga poderia ser de Glock, mas suspeito que Timo não teria feito o campeonato que fez se Jarno não estivesse no outro cockpit...

8 - Kimi Raikkonen (Ferrari)

Confesso, procurei motivos para enfiar Kimi na lista. Talvez tenha sido a temporada mais decepcionante de um campeão imediatamente após o título. Entra aqui pela lembrança das voltas mais rápidas cravadas quando Kimi parecia se aperceber do assento que ocupava: - É mesmo, isso aqui é uma Ferrari! E pisava como poucos.

9 - Nico Rosberg (Williams-Toyota)

Aqui poderia ser Nelsinho ou Nakajima. Três jovens pilotos com bons momentos pontuais, mas abaixo do que se esperava. Como dos filhos Nico parece ser o mais promissor, entra na lista.

10 - Adrian Sutil (Force India-Ferrari)

Quando comecei a imaginar a lista, sabia apenas que Sutil seria o décimo. Chuva em Mônaco é única circunstância que leva à Fórmula 1 aos primórdios. E assim, Sutil foi grande, até ser abalroado pela Ferrari desgovernada de Kimi Raikkonen. Depois da biela de Felipe na Hungria, foi o grande sentimento de injustiça da temporada.


Mauricio Neves de Jesus