Os dez melhores de 2008


A temporada de 2008 foi uma das mais disputadas dos últimos tempos. O campeão só foi conhecido, literalmente, na última curva. Além dos representantes de Ferrari e McLaren, muitos outros pilotos mostraram a sua força no campeonato.

O critério usado para esta seleção pessoal dos dez mais do ano nada tem a ver com a classificação final na tabela. Vale os grandes momentos, as façanhas, os ‘milagres’. Afinal, para ser o melhor não é necessário ser o campeão.

1 - Felipe Massa (Ferrari)

Após uma temporada de mais baixos do que altos, Felipe Massa começava 2008 sob a sombra do título de seu companheiro, Kimi Raikkonen. Fora isso, ainda teve que conviver durante um bom tempo com o rótulo de piloto irregular, o que não era nada fácil. O posto de segundo piloto lhe foi dado imediatamente, mesmo a Ferrari defendendo a tese de igualdade entre os dois.

Acontece que Massa mostrou um amadurecimento incrível ao longo da temporada. Foi o piloto que mais venceu no campeonato, com seis vitórias. E afirmo sem medo de errar (e não desmerecendo Lewis Hamilton jamais) que seria campeão se não fossem os erros da Ferrari. A regularidade foi seu ponto alto. Ganhou a confiança de todos na equipe, e vai iniciar 2009 com muito mais moral do que Raikkonen. Se Felipe repetir a dose, será páreo duro até a última corrida. Pelo menos aqui, o primeiro lugar é dele.

2 - Fernando Alonso (Renault)

A medalha de prata vai para o espanhol. Como ele conseguiu fazer o “milagre da multiplicação” é um mistério. O fato é que Alonso foi o piloto que mais marcou pontos na segunda metade do campeonato. A partir do GP da Europa – após a tradicional parada de três semanas –, somou 43 pontos, o mesmo que Felipe Massa. O campeão Hamilton, em compensação, marcou 36.

Surpreendente sim, mas nem tanto quando se trata de um bicampeão do mundo. Alonso é o mais completo piloto do grid, sendo um dos nomes certos para a disputa do título em 2009. Por mais que queira a Ferrari, Fernando sabe que o seu casamento com a Renault é um dos mais bem-sucedidos da F-1. Cabe aproveitar ao máximo, usando toda sua experiência para recolocar a equipe francesa de vez na rota das vitórias.

3 - Sebastian Vettel (Toro Rosso-Ferrari)

Mais um alemão... e dos bons! Vettel foi um dos nomes dessa temporada, com boas atuações ao longo do ano. Rápido e constante, sua maior proeza foi a vitória no GP da Itália. Muitos disseram que foi pura sorte, o que discordo claramente. Teve sorte, claro, mas muita competência em segurar uma Toro Rosso na chuva no veloz circuito de Monza.

Impossível esquecer também o momento em que o jovem piloto quase virou herói nacional aqui. A ultrapassagem sobre Lewis Hamilton no Brasil na penúltima volta mostrou que Vettel não está na F-1 para ser coadjuvante ou para brincar de carrinhos. Ainda vai incomodar muito até o momento em que lutará para valer pelo título.

4 - Robert Kubica (BMW Sauber)

O polonês correu por fora até a penúltima prova do campeonato. Em uma categoria claramente dominada por Ferrari e McLaren, Kubica colocou a BMW em evidência. Chegou a liderar o campeonato após o GP do Canadá, no qual conquistou sua primeira vitória.

Kubica, assim como Hamilton, só deixou de pontuar em quatro corridas. Sofreu na etapa final do campeonato com as limitações do carro, e sempre deixou claro que se tivesse equipamento melhor lutaria mais de igual para igual com Massa e Hamilton. Pelo desempenho que mostrou ao longo da temporada, ninguém tem dúvidas disso. Aos poucos, ele vai colocando o seu nome entre os grandes do atual mercado.

5 - Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes)

“Finalmente ele conquistou o título”, ouvi de alguns amigos. Quem ouve pensa que Lewis Hamilton está na Fórmula-1 há tempos. Maior estreante da história da F-1, o inglês sofreu no início desse ano com a desconfiança de muitos a respeito de sua capacidade para liderar uma equipe de ponta estando apenas em sua segunda temporada.

Fora o início, a ausência de Alonso não fez diferença. A disputa com Felipe Massa foi uma das mais belas dos últimos tempos. Contou com os contratempos do rival em algumas provas, é verdade. Teve algumas atitudes em determinadas provas consideradas agressivas demais por alguns colegas (vide Monza, Bélgica e Japão). Acabou levando a melhor no final. Ainda falta maturidade, mas com o título, termina 2008 mais fortalecido do que nunca para 2009.

6 - Jarno Trulli (Toyota)

Falar de Trulli é falar de um piloto que não desiste nunca. Sempre combativo, a determinação deste ano foi premiada com o pódio no GP da França. Mesmo não tendo um carro para competir de igual para igual com BMW e mais tarde Renault, Trulli foi peça fundamental para levar a Toyota ao quinto lugar no mundial de construtores.

Aos 34 anos, o piloto é um dos mais experientes do grid. Conhecido por ser osso duro de roer – é sem dúvida um dos que melhor defende uma posição –, Trulli também se destaca nos treinos classificatórios. Levou a Toyota para a ‘Superpole’ 12 vezes na temporada, quatro a mais que seu companheiro, Timo Glock. Se a Toyota finalmente encontrar o rumo para se tornar uma equipe de ponta, sabe que terá em mãos um piloto de mesmo nível.

7 - Nick Heidfeld (BMW Sauber)

Ofuscado pela ascensão de Robert Kubica, Heidfeld foi contestado em vários momentos durante o ano. Mas se não conseguiu ser tão rápido quanto seu companheiro, foi crucial para fazer da BMW a terceira força da Fórmula-1. Poucos se deram conta de que o alemão foi o único piloto que levou seu carro ao fim de todos os GPs. Das 1117 voltas da temporada, Heidfeld completou nada menos que 1112.

Nas provas, o grande momento do ano foi no GP da Bélgica, quando o piloto arriscou tudo a duas voltas do fim, trocando os pneus de pista seca para intermediários e ultrapassando quatro carros. A ousadia lhe rendeu o pódio.

8 - Rubens Barrichello (Honda)

Só de ter conseguido levar a Honda ao segundo lugar na Inglaterra, após uma verdadeira aula de pilotagem sob chuva, Rubinho mereceria o topo da lista. De fato, o piloto tem uma relação especial com o circuito de Silverstone. Quando a pista molha então, dependendo das circunstâncias, entra no páreo.

Mas ele teve outros bons momentos no ano. Conseguiu levar a Honda duas vezes à Superpole, e ainda pontuou em outras duas corridas – foram 11 pontos contra 3 de Button. Se considerarmos que estamos falando da terceira pior equipe da F-1 é uma façanha e tanto. Vale destacar também que Barrichello tornou-se o piloto com mais corridas na história da categoria, superando o recorde de Patrese. Independente se terminará seu ciclo na Fórmula-1, Rubinho escreveu de vez o seu nome na história do automobilismo.

9 - Timo Glock (Toyota)

Além de ter (mesmo que sem querer) protagonizado aquela que em minha opinião foi a final de campeonato mais emocionante de todos os tempos, Glock teve outros momentos de destaque ao longo do ano. Chegou em segundo no GP da Hungria. Ficou atrás de seu companheiro na classificação final, mas conseguiu terminar a temporada entre os dez.

Após o discreto início no ano, Glock aos poucos foi apresentando bons resultados com a Toyota. Marcou pontos importantes em algumas provas, com destaque para os quartos lugares no Canadá e em Cingapura. Assim como Trulli, pode apresentar resultados melhores se tiver equipamento à altura.

10 - Kimi Raikkonen (Ferrari)

A única justificativa para a entrada de Raikkonen na lista são as quatro primeiras provas do ano. Até Barcelona, o desempenho dele parecia escrever todo o roteiro do campeonato: duas vitórias, um segundo lugar, 11 pontos de vantagem sobre o companheiro de equipe. Início mais arrasador impossível. Era o campeão-azarão mostrando a sua força. Mas foi só isso. As duas vitórias iniciais foram as únicas do ano – Massa, em contrapartida, teve seis.

Muitos questionaram a motivação do finlandês, dizendo até que ele estava prestes a se aposentar ao término do ano. Contou com o velho azar dos tempos de McLaren em algumas provas, mas esse não foi o motivo para o campeonato mediano. Mesmo com um título na conta, creio que começa 2009 em desvantagem dentro da equipe, graças ao bom desempenho de Massa esse ano.


Luana Marino