Primeiro capítulo


Sou do conceito de que qualquer ser humano tem o direito de ser medíocre (não no sentido pejorativo do termo, mas sim de “pertencer à média”) na grande maioria das coisas que faz na vida. Não há nada de errado ou feio nisso.

Há, porém, dois aspectos nos quais nunca se pode bancar o medíocre. Tem, sim, que ser o melhor que puder, sem bom pra caramba. Não é imprescindível ser “o” melhor de todos, mas é vital desafiar a si mesmo a ser melhor e melhor a cada dia, buscando a superação com esmero, dedicação e disciplina. É preciso:

- 1) Ser bom pra caramba em seu ganha-pão;
- 2) Ser bom pra caramba naquilo que se admira, gosta ou ama - e isto vale tanto para pessoas quanto para coisas.

Ser bom em seu ganha-pão não é necessariamente trabalhar feito um condenado, ou então fazê-lo de modo extremo simplesmente pensando em vantagens financeiras – afinal, o dinheiro é o mais popular e o menos confiável dos incentivos.

É possível ser medíocre, por exemplo, em jardinagem – desde que, claro, você não seja um jardineiro. Há pessoas que odeiam seu próprio emprego e o fazem mal, ou então fazem para “cumprir tabela”. Não é esse o caminho para se desenvolver ou então fazer melhor sua vida e dos que estão a sua volta.

Explicar sobre ser bom para aquilo que se admira, gosta ou ama é mais fácil ainda: é a busca de satisfação para si e para (ou pelos) outros. É conseguir momentos de felicidade e todos os sentimentos positivos de uma lista que, se escrita, vai ficar enorme. Você admira o Nelson Mandela? Legal, procure saber da trajetória dele. Seu hobby é jogar bumerangue? Ótimo, vá aprender o que puder sobre eles. Você ama sua cara-metade? Maravilha, dê uma prova de seu amor todo dia. Isto é ser bom.

Ao ajudar a criar o ULTIMAVOLTA.com, entrei numa grande e deliciosa encrenca: ser, ao mesmo tempo, bom nos aspectos 1 e 2 que eu mencionei. Eu amo o esporte a motor e o jornalismo é meu ganha-pão. Isto gera uma fusão que ganha uma força muito, muito grande. São raros os que têm a oportunidade de fazer essa alquimia. E eu agradeço por ter essa chance.

O primeiro capítulo do livro da vida deste site diz respeito a isso. De que eu quero (e tenho obrigação de) me superar a cada dia na minha relação com o automobilismo e com o jornalismo. Eu só tenho a ganhar com isso como pessoa. Acho que o leitor também

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Em tempo: é meu dever, assim como fez meu colega Márcio Madeira, explicar o nome desta coluna. A “Watching The Wheels” teve na música homônima de Jonh Lennon a sua inspiração. Pode ser traduzido livremente como “assistindo as rodas girarem”. Lennon usa o termo como uma metáfora low-profile de que é bom sentar-se e assistir o que está acontecendo no mundo a sua volta, sem estresse.

Concordo com os pontos de vista de Lennon, pois não há nada pior que sentir-se estressado ou estar ao lado de uma pessoa que assim esteja. Mas prefiro pedir uma licença poética e transformar o “assistindo as rodas girando” em uma metáfora automobilística.

Ah! Eu adoro assistir as rodas girando. São elas que me movem e movem também o ULTIMAVOLTA.com. Podem apostar.


Lucas Giavoni