Explicando o nome

Caro leitor, seja bem-vindo!

A partir de hoje eu passo a assinar a coluna VDO aqui no última volta. E, como em toda estréia, o clima é de apresentação. Sairemos, portanto, do script habitual, e começaremos com um necessário texto em metalinguagem.

Antes de mais nada, cabe uma pequena explicação a respeito do nome desta coluna. Os veteranos devem se lembrar que a imensa maioria – senão a totalidade – dos veículos nacionais dos anos 60 e 70 eram equipados com velocímetros produzidos pela VDO, atual Siemens VDO, que no ano passado foi adquirida pela Continental AG num negócio de mais de 10 bilhões de euros. Acontece que nos antigos velocímetros desta marca, o logotipo era posicionado justamente após o número que deveria corresponder à velocidade máxima do automóvel. Atingir o VDO era, por assim dizer, um ato de superação de limites, de subversão da ordem. Algo como ir além daquilo que se poderia esperar do homem e da máquina. E o melhor: todo carro tinha seu próprio VDO. Não importava tanto se o número que o antecedia era 120 ou 160. VDO era VDO e ponto, não tinha um melhor que o outro. O que contava era a superação, o arrojo, a cumplicidade entre o homem e seu carro, fosse ele qual fosse.

Era, portanto, uma mera questão de tempo até que os jovens de então adotassem a sigla como síntese dessa condição mágica, a da velocidade não-prevista, da rebeldia, do proibido proibir, do risco assumido a dois. Passados tantos anos, o VDO da época de meu pai me parece significar ainda muito mais. Vejo no simbolismo dessa sigla toda uma relação de humanização com o automóvel que se perdeu nas curvas de um consumismo descartável. Relação esta que dizia muito sobre aquela própria geração de brasileiros, que, além de todas as conquistas políticas ou culturais, nos brindou ainda com vários títulos mundiais no automobilismo.

O espírito encerrado nessa sigla serve a muitos dos propósitos deste site. Estamos apenas começando, temos muito a aprender. Mas, se nossos números ainda são pequenos, isso não nos importa tanto. Nosso olhar está sempre ali no canto inferior direito, no nosso VDO. É nele que nos miramos. Na idéia de superação, de fazermos melhor do que aparentamos ser capazes, de trabalharmos hoje melhor do que ontem, e amanhã melhor que hoje.

E essa pequena e mágica sigla nos diz mais, muito mais. Aqui no última volta, e nesta coluna em particular, o amigo leitor estará sempre em contato com essa constante busca pela superação dos limites da velocidade, vista pelos olhos de alguém que conserva aquela velha relação de afeto com nossos irmãos de quatro rodas. Falaremos do presente sim, mergulharemos nele, analisaremos e discutiremos tudo o que for ou parecer relevante. Mas haverá sempre espaço para recordarmos e reverenciarmos o passado deste esporte que amamos.

Desde já, convido todos a participarem. Ficarei grato por cada opinião manifestada, por cada história compartilhada, por cada crítica construtiva, ou por cada vez que vocês me corrigirem. Dependemos da ajuda de vocês para que possamos fazer deste site a cada dia um espaço melhor para nós, amantes da velocidade. Enfim, dependemos de vocês para que este nosso pequeno veículo de comunicação possa atingir a meta de nascença de todo e qualquer veículo: seu próprio VDO.


Márcio Madeira da Cunha